O SIMPLEX DE JESUS OU A BÍBLIA PEQUENINA
Mateus recorda no evangelho que escreveu que um fariseu para testar Jesus, lhe perguntou:
– Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?
Jesus respondeu-lhe:
– Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu entendimento. Este é o maior e o primeiro mandamento. O segundo, porém, é semelhante a este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.
A resposta de Jesus ajunta duas passagens das Escrituras judaicas: do Deuteronómio (parte do Shemá, a oração que os judeus recitam três vezes ao dia) e do Levítico (de um capítulo sobre uma variedade de leis litúrgicas e morais).
Depois acrescentou: «Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.»
Para os judeus a afirmação «a Lei e os Profetas» era uma frase para significar a Escritura por inteiro.
A expressão não é muito inclusiva porque deixa de fora os livros sapienciais e históricos, mas a Lei (os primeiros cinco livros da Bíblia) e os 18 livros dos Profetas representam o coração das Escrituras judaicas.
Quando Jesus diz que o amor a Deus e ao próximo como a si mesmo representa a Bíblia por inteiro está a dar-nos um simplex da vida cristã.
Hoje, para ler o tempo é pouco e a paciência para grandes leituras ainda menos. As redes sociais levam quase tudo!
Por isso, a gramática do amor, a conjugação do verbo amar, é a Bíblia ao vivo e em direto! Amar é ler a Bíblia!
É o que Jesus afirma na recordação de Mateus.
Amar é uma Bíblia pequenina que até os analfabetos sabem ler. Porque, como João afirma na primeira carta que escreveu: «Deus é amor».
Amar é a gramática da Trindade, é o viver de Deus, é viver de Deus.
Foi por isso que Santo Agostinho, esse colossal bispo norte-africano dos séculos IV e V, escreveu: «Ama e faz o que quiseres».
Vamos a isso?

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