O REINO DOS HOMENS E O REINO DE DEUS
Ao rezar o evangelho de hoje veio-me à mente uma pergunta capital: A que é semelhante o reino dos homens, a que hei de compará-lo?
O reino dos homens é semelhante a Dubai, Nova Iorque, Londres, o EUR – grandes construções que significam o poder, a força, a riqueza de quem as manda construir, para projetar poder.
A que é semelhante o reino de Deus, a que hei de compará-lo? – pergunta Jesus.
A um grão de mostarda, a um pouco de fermento! Ambos são realidades insignificantes, ambos estão perdidos para poderem atuar: a mostarda na terra húmida e o fermento nas três medidas de farinha.
Chamamos de omni a Deus: omnisciente, omnipotente, omnipresente...
Esse é o Deus que construímos através da filosofia, dos desejos, das projeções.
Jesus diz que o Reino de Deus é uma realidade insignificante – a mais pequena das sementes da horta. Ou o fermento que, quando é de mais, estraga!
Nós, cidadãos do Reino, temos de aprender a vestir a humildade, a irrelevância – as insígnias da nossa pertença a Deus.
O que é que Daniel Comboni diz a esta pequena porção do Evangelho de Jesus?
A 4 de outubro de 1867 Comboni escrevia a D. Luís de Canossa, bispo de Verona: «As recusas, as batalhas, as cruzes manifestam que a nossa obra é toda de Deus. O grão da mostarda foi lançado: é necessário que brote entre abrolhos e espinhos. Crescerá entre os ventos e tormentas das perseguições; porém, sempre produzirá no campo da Igreja copiosos frutos, porque o Divino Lavrador o defenderá e o cobrirá com o escudo da sua proteção» (Escritos 1453).

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