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A mostrar mensagens de março, 2016

MISERICORDIADOS PARA MISERICORDIAR

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O Papa Francisco pôs, desde o início do seu pontificado, toda a Igreja a misericordiar , um verbo novo que é tão eterno como o próprio Deus. O tema da misericórdia é para o Papa Bergoglio um tema essencial, fundante, seminal. Escolheu-o como mote episcopal e papal: miserando atque elegendo (com misericórdia, escolheu-o), uma frase tirada do sermão de São Beda Venerável sobre a vocação de Mateus. Um tema essencial para o Papa argentino, porque é a chave para entrar no mistério do Deus da aliança que se revela a Moisés como «SENHOR! SENHOR! Deus misericordioso e clemente, vagaroso na ira, cheio de bondade e de fidelidade» ( Êxodo 34, 6). A vocação é um acto de amor e de misericórdia da parte de Deus-Trindade. Ao responder «Eis-me aqui» aceitamos explicitamente a misericórdia do Senhor, que no seu amor, nos chama a anunciar e viver: misericordiados para misericordiar . Somos todos missionários da misericórdia, «misericordiosos como o Pai» ( Lucas 6, 36). O Senhor chama-nos, ...

OBRIGADO, VALENTINO

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O irmão comboniano Valentino Fabris faleceu a 28 de fevereiro em Verona. Tinha 93 anos. Viveu 69 como missionário no Sudão e no Sudão do Sul. Em 2013, com 90 anos, decidiu regressar a Verona, Itália, devido a problemas de saúde. Conheci-o pela primeira vez em dezembro de 2006 em Nairobi, na viagem para o Sudão do Sul. Nessa altura escrevi um texto no blogue intitulado Valentino Valentão! Impressionou-me deveras. Nessa altura, com 84 anos, estava a terminar uma igreja na diocese de Rumbek. Depois mudou-se para Juba para cuidar da sede provincial no Sudão do Sul entretanto transferida de Nairobi. Resolvias muitos problemas com um mágico bocado de câmara de ar! O Ir. Valentim era um conversador nato: passei muitas horas a ouvir as suas aventuras desde o noviciado – em que construiu os apliques em metal para a igreja de Rajaf, no outro lado do rio, à frente de Juba – até aos tempos da guerra civil. A guerra obrigou-o a fugir de Nzara mas nunca lhe apagou o amor pelo Sudão do Sul. O Ir...

CONTINENTE (TELE)MÓVEL

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A rede móvel revolucionou as telecomunicações e a vida em África das megacidades à aldeia mais perdida. Vivi na Etiópia durante os últimos oito anos da década de 1990. Nessa altura, para fazer uma chamada tinha de andar 80 quilómetros até ao posto telefónico mais próximo. Entretanto, os feixes hertzianos chegaram e já podia telefonar de casa, mas só de dia: o sistema era alimentado por energia solar e as baterias não carregavam para assegurar ligações nocturnas. Voltei à África seis anos mais tarde e encontrei uma revolução no sector das telecomunicações com a introdução das redes móveis de telefone. Hoje, mais de 630 milhões de africanos usam telemóvel. No virar da década, serão 930 milhões. Aparelhos baratos (sobretudo cópias vindas da China) democratizaram o seu uso. O sector dá emprego a cinco milhões de pessoas e gera 13,8 mil milhões de euros por ano em taxas para os cofres públicos. Um estudo recente do Pew Search Center indica que 80 por cento dos africanos usam o tel...