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A mostrar mensagens de julho, 2012

PADRE DE PRATA

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«Dou graças Àquele que me confortou, a Jesus Cristo, nosso Senhor, porque me julgou digno de confiança, chamando-me ao ministério» (1 Timóteo 1: 12). Há 25 anos, escrevi este versículo na pagela da minha ordenação que decorreu na Igreja de São João Batista de Cinfães a 19 de Julho de 1987. Hoje como ontem eu sei que a minha opção pelo ministério ordenado não foi iniciativa ou vontade minhas. Foi o Senhor que me chamou e me deu força ou confortou através da imposição das mãos de Dom António Castro Xavier Monteiro, bispo de Lamego, para partilhar do seu sacerdócio ministerial porque através do Batismo já participava do sacerdócio comum dos fiéis. Vinte e cinco anos depois, reconheço que o Senhor tem sido a minha força. Se me mantive no ministério ativo é porque o Senhor esteve sempre ao meu lado durante o último quarto de século. Vivi o meu sacerdócio em três continentes e principalmente em quatro países em situações pastorais diferentes: como missionário na Etiópia, missioná...

CARTA ABERTA

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RECONCILIAÇÃO COM A CRIAÇÃO A família comboniana e a missão socioambiental A promoção da Paz , Reconciliação e Justiça Social e Ambiental é uma dimensão essencial da Missão. Gradualmente, vamos tomando consciência da urgência particular da questão ecológica e da consequente necessidade de a incluir entre as nossas prioridades de acção apostólica [1] . A Terra, que recebemos como dom do Criador, Pai e Mãe da Humanidade, suscitou desde sempre o assombro reverencial e a admiração contemplativa do crente bíblico: “Senhor nosso Deus, como é grande o vosso Nome em toda a Terra!” (Salmo 8). Esta Terra que pisamos tornou-se duplamente sagrada quando a Palavra criadora veio habitar no seu seio (João 1,14). O Espírito das origens, de novo pairando sobre a Terra, mantém vivo nela o Sonho de Deus de “novos céus e nova Terra onde reinará a Justiça” (2 Pedro 3,12-13). Em contraste com a extrema docilidade das criaturas, garantia da harmonia primordial (Baruc 3,32-35), hoje a Terra é a...

KIDENITA

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©JVieira Salomé Kiden é uma bela e sorridente pivô da SSTV, a televisão pública do Sudão do Sul. Farta de ver papéis perdidos pelas mesas e pelo chão da redação, decidiu pôr em prática o que apendeu num curso de arte em Londres e reciclar a papelada descarta pelos jornalistas. Explicou-me que corta os papéis e põe-nos de molho durante três dias e mistura a pasta com cola para papel para lhe dar consistência. Depois é dar asas à imaginação e moldar objetos tracionais, fazer composições em moldura e outras formas de arte onde dominam as cores nacionais do Sudão do Sul: negro, vermelho, azul, amarelo e branco. E deu um nome à sua produção Kidenite Art, Arte Kidenita. Salomé montou uma exposição com algumas das suas peças e está a vender bem apesar das etiquetas marcarem entre 600 e 700 libras, 120 e 140 euros. A artista está a fazer sucesso com a sua criatividade e o vice-governador do Estado fe Equatória Central – onde fica Juba – prometeu-lhe 10 mil libras (2000 eur...

LETRAS VIVAS

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Gostar de ler e viver em África são ingredientes básicos para uma experiência única. A África, o continente da tradição oral, continua a produzir contadores de estórias ímpares. Descobri a literatura africana através do angolano José Eduardo Agualusa, na Hora das Cigarras, um programa que tinha na TSF, ao fim da tarde de sábado ou domingo; com pequenos textos, autênticas pérolas da literatura, a introduzir canções africanas. Seguiram-se romances como O Vendedor de Passados, sobre um albino fazedor de árvores genealógicas. Depois veio Mia Couto, o inventor de palavras moçambicano. Cada parágrafo é uma surpresa, quer pelo uso invulgar das palavras, característico de Moçambique – a situação piorou muito bem – quer pelas (revira)voltas que as suas estórias dão e pelos neologismos. Pepetela também me encanta pela crítica mordaz ao establishment angolano. Como em A Montanha da Água Lilás, um conto sobre o petróleo – a água lilás – e os problemas sociais, ou  A Geração da U...