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A mostrar mensagens de 2025

#TheScarfProject

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Tenho usado um véu ou um lenço na cabeça durante grande parte da minha vida. Na minha congregação, as Missionárias Combonianas, não é obrigatório, mas eu escolhi usá-lo livremente. Na Itália, terra de muitas das nossas irmãs mais velhas, o véu adquiriu para mim um significado profundo: um sinal de continuidade, respeito e pertença. Nos Estados Unidos — enquanto estudava, vivia no campus, servia as comunidades migrantes na fronteira, trabalhava na pastoral paroquial, fazia animação missionária e coordenava a Associação de Irmãs Latinas — eu usava-o com intenção, consciente do que ele revelava sobre a minha identidade e a minha missão. Fiz os meus votos perpétuos no Egito, um país de maioria muçulmana, onde o véu se tornou quase parte de mim. Às vezes, trocava-o por um simples lenço para me mover discretamente pelas ruas, mesquitas e mercados. No entanto, cada vez que o voltava a colocar, reencontrava-me: uma serena certeza de lar, proteção e sentido. No Sudão, ainda jovem e à frente do ...

A FORÇA DA GERAÇÃO Z

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Madagáscar tem novo chefe de Estado desde Outubro, depois de o presidente Andry Rajoelina fugir do país após três semanas de manifestações sobretudo de jovens da Geração Z, os nativos digitais nascidos entre 1997 e 2012. O coronel Michael Randrianirina é o novo líder do país-ilha do Índico. Os cortes prolongados de água e de eletricidade foram o rastilho que desencadeou o grande levantamento juvenil que fez pelo menos 22 mortes e mais de uma centena de feridos. Dom Benjamin Ramaroson, arcebispo de Antsiranana, explicou ao portal ACI África que «os jovens, desarmados, queriam reivindicar os seus direitos fundamentais, mas a repressão foi muito dura». A Geração Z africana representa 40 por cento da população – cerca de 600 milhões de jovens – e vive no espaço digital, usando-o para comunicar e se organizar. Viu-se em Madagáscar como se tinha visto no Quénia e em Marrocos. E depois na Tanzânia. Em Junho de 2024, o presidente William Ruto do Quénia introduziu no Parlamento um projeto de le...

A NOIVA RESPLANDECENTE

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— O meu marido vai deixar-me trabalhar e conduzir! — disse-nos, com um sorriso rasgado, a jovem noiva beduína. Está envolta no seu longo vestido rosa pálido, ricamente debruado, tão leve que parecia flutuar com o vento do deserto. Ela terminou o curso de enfermagem com as melhores notas. Várias clínicas já lhe ofereceram emprego. Alguns meses atrás, rompeu outro noivado — mesmo depois da festa — ao descobrir que o futuro marido não a deixaria exercer a profissão.  — Estudei tanto para ficar em casa? Não! — disse, firme, apoiada pelo carinho da mãe, a sua aliada mais fiel. Hoje celebrámos o seu novo noivado, numa pequena aldeia beduína situada numa montanha do deserto da Cisjordânia, nos territórios palestinianos ocupados. A noiva, que esteve connosco nos acampamentos de verão e no projeto de bordado  Fili di Pace  (Fios de paz), brilha como um fio luminoso entre tantas mulheres. A festa decorre ao ar livre, no deserto, entre montanhas e colinas douradas pelo pôr do sol, n...

TUDO É CAMINHO

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Deitei-lhe a mão. Hoje! Finalmente.  Para os caminhantes tudo é caminho  é a criação mais nova de José Tolentino Mendonça.  Traz na capa estampado um barbusano. Planta perene e altaneira da Floresta Laurissilva da Madeira. De tronco denso, resistente. Um símbolo apropriado do homem, poeta, pensador, místico, mestre que nasceu na Pérola do Atlântico há sessenta anos. Nasce de chofre como o riacho que brota de uma fraga rasgada na montanha! Sem introdução nem prefácio. Nem tão pouco posfácio. Capítulo segue capítulo. Sem páginas nem grandes espaços em branco. Cento e oitenta páginas com cinquenta e duas reflexões breves. Variadas. Profundas. Desafiantes. Inspiradas. Inspiradoras... A sabedoria do invisível e do indizível destilada em letras e espaços. Porque «a sabedoria é amar tudo»!  Um desafio a viver no real, a contemplar o real tal e qual. Sem frases feitas ou de efeito pirotécnico. Um ótimo presente de Natal. Com certeza!

NATAL: TUDO ESTÁ PRONTO

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Agulha e linha dançam entre os dedos das mulheres beduínas no deserto da Cisjordânia. Traçam pequenos sinais de luz com o bordado tradicional palestiniano: cartões de natal que contam a beleza e a fragilidade desta terra amada —a cabana aberta para o céu, as estrelas que guiam, as ovelhas, os camelos e os burros que acompanham o mistério do nascimento de Jesus.  O Natal aproxima-se, e nas pobres cabanas de zinco do deserto as mulheres bordam sem parar com mãos pacientes e corações cheios de esperança. Na Cisjordânia, onde o conflito e a insegurança marcam o dia-a-dia, onde a ameaça de expulsão pesa sobre o único lugar a que chamam de casa, elas continuam a criar, acreditar e esperar. Com dedicação, preparam também enfeites para a árvore de natal: não bolas metálicas, frias, mas criações vivas, tecidas com cor, paciência e dignidade. Imagine uma árvore na sua casa ou na sua igreja, adornada com estes bordados! Sinais silenciosos de uma solidariedade que une os corações além de qualq...

NEM CHICOS-ESPERTOS NEM MORCÕES

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O evangelho de hoje é tirado de Lucas (16, 1-8). Jesus conta aos discípulos – e, por meio deles, a nós também – uma das parábolas mais desconcertantes que criou. Era uma vez um administrador que foi denunciado por desperdiçar os bens à sua guarda. Quando o patrão o chamou para fechar as contas, ele pôs-se a matutar: «Vou perder o emprego. E agora? Não tenho forças para trabalhar nem coragem para mendigar!» Então, gizou uma estratégia para ganhar a hospitalidade dos devedores. Chamou-os um a um para restruturar as dívidas. O primeiro devia cem talhas de azeite. Ele cortou o débito para cinquenta. Ao que devia cem medidas de trigo, fez um desconto de vinte por cento. No fundo, o que o administrador fez foi obrigar o homem rico a respeitar a Lei que proibia a usura, empréstimos com juros. No tempo de Jesus era costume cobrar cem por cento nos empréstimos de azeite e vinte e cinco por cento nos de trigo. No fim, o credor elogia a esperteza do administrador desonesto no trato com os seus se...

A MODA DOS CORREDORES

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Cheguei à Etiópia na manhã de 9 de Janeiro de 1993. Adis Abeba, Nova Flor, como foi rebatizada – os Oromos, esses continuam a chamar-lhe Finfinne – era uma mistura promíscua do velho e do novo, do belo e do feio. O Hilton convivia com casebres feitos de barro, madeira, plásticos ou zinco. Era assim por toda a cidade. As ruas, a pedir há muito nova camada de asfalto para tapar os buracos, eram disputadas por veículos, peões e grandes filas de burros de carga, com gado a pastar placidamente nas rotundas e alamedas. O Governo tinha gastado três décadas a lutar contra os separatistas da Eritreia e a guerra e a corrupção sorveram os dinheiros públicos. Hoje, Adis – como afetuosamente lhe chamamos – é uma metrópole moderna, cheia de altos edifícios de desenhos arrojados, grandes avenidas à mistura com alguns bairros-de-lata. Transformou-se num estaleiro onde grandes construções nascem um pouco por toda a cidade como cogumelos depois das primeiras chuvas. O executivo municipal da capital, ent...

ROSTOS DA ESPERANÇA

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Pela primeira vez, um grupo de mulheres beduínas palestinianas encontrou-se diante de tantos homens que não eram de sua família nem partilhavam a sua língua, a sua fé ou a sua terra. Tudo parecia separá-las… e, no entanto, algo invisível e profundo as uniu. Na humilde cabana de chapas e zinco — transformada em sala de encontro e coração da aldeia beduína de Abu Nawar —, prepararam-se com cuidado para o tão esperado momento.  — São da Igreja! — dissemos-lhes. — Vêm como peregrinos da paz.  E elas, com uma mistura de timidez e dignidade, abriram a sua casa e o seu coração para acolher mais de trinta bispos e outras pessoas das dioceses da Lombardia, na Itália, que chegaram a esta terra ferida e sagrada «em  peregrinação de paz e esperança universal, para expressar solidariedade, proximidade e apoio às comunidades atravessadas por conflitos e tensões». Os aromas do café acabado de fazer e do chá de ervas misturavam-se com o ar quente do deserto. Jamila, a anfitriã, organizav...

OS PRESENTES DA MISSÃO

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O serviço missionário é uma tarefa e também um grande presente de Deus. Melhor, um ror de presentes! O Senhor da Missão, que chama e envia, também abençoa. A missão deu-me... Alguém me perguntou o que é que a missão me deu em 44 anos de vida missionária comboniana. Uma pergunta simples que me obrigou a fazer memória das muitas bênçãos que recebi por aceitar ser discípulo missionário de Jesus ao jeito de São Daniel Comboni. Uma família muito alargada . Jesus promete a quem deixar os afetos e as raízes por causa dele uma recompensa cem vezes maior aqui e, depois, a vida eterna. Ele é um cavalheiro e honra a sua palavra! Deixei Cinfães, a família e os amigos para seguir Jesus como missionário comboniano. Estudei a teologia na Inglaterra (quatro anos) e trabalhei na Etiópia (doze anos) e no Sudão do Sul (mais sete). Também passei nove meses no México em formação permanente. Agora tenho uma família alargadíssima, espalhada pela Europa, África e América. Gente que são meus pais, irmãos e ami...

POBRE, EU TE AMEI

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Aí está o primeiro grande documento de Leão XIV que também é o último de Francisco. O papa americano explica que o papa argentino tinha em mãos uma exortação apostólica sobre o cuidado da Igreja pelos pobres e com os pobres que ele assumiu, completou e hoje publica. Os Agostinhos, a que o papa Leão pertence, são uma congregação mendicante como os Franciscanos e Dominicanos, entre outras. Chama-se  DILEXI TE , «Eu te amei», e versa sobre o amor para com os pobres no seguimento de  DILEXIT NOS, «Amou-nos»  a exortação de Francisco sobre o amor humano e divino do Coração de Jesus. A exortação apostólica escrita a quatro mãos é um documento curto que começa e acaba com as palavras «Eu te amei» tiradas do Apocalipse de São João (3, 9), o último livro da Bíblia. Tem 121 parágrafos e 130 notas. As citações que apoiam o texto remetem sobretudo para o magistério de Francisco. O documento pontifício abre com uma curta introdução de três parágrafos e desenvolve o tema em cinco capít...

7 DE OUTUBRO: FIOS DE PAZ NO DESERTO

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O 7 de outubro pesa na memória dos povos, especialmente na Terra Santa. Enquanto o mundo observa com ansiedade e dor os ecos da guerra e sonha com a paz, numa pequena aldeia no deserto da Cisjordânia floresce algo diferente: a esperança, bordada por mãos beduínas. Nesse mesmo dia, um grupo de mulheres — avós, mães e jovens estudantes — reúne-se na creche da aldeia, transformada em ateliê e espaço de encontro. Com linhas e agulhas, elas aprendem, ensinam, partilham.  O bordado palestiniano — arte milenar, memória viva, símbolo de identidade e resistência — volta a ganhar vida entre os seus dedos. — Posso convidar outra pessoa? Hoje ela não pôde vir... — pergunta alguém.  Outra mostra, orgulhosa, o seu primeiro desenho.  Elas riem, animam-se, prometem avançar juntas.  Em um mês, dizem, todas bordarão com desembaraço.  Quem sabe mais, ensina; quem aprende, agradece. Recebem agulhas, linhas, padrões e uma pequena bolsa como quem recebe uma semente.  Cada ponto...

ETIÓPIA: MISSIONÁRIAS DA CARIDADE CELEBRAM 25 ANOS EM ADOLA

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As Missionárias da Caridade celebraram hoje a presença de um quarto de século em Adola. Em amárico, a capital administrativa e cidade santa do povo Guji, chama-se Kibre Menguist. O P. Eliseo Citton – missionário comboniano da província italiana que trabalhou com o povo guji – presidiu à Eucaristia, que foi concelebrada pelos párocos de Qillenso (de que Adola faz parte) e de Soddu Abala, assistidos por um diácono capuchinho. A missa jubilar foi muito participada por católicos das duas paróquias, uma verdadeira celebração cheia de vida e cor.  As autoridades locais também marcaram presença. No fim da missa, os participantes visitaram algumas instalações, sobretudo onde os pacientes estão internados. Os jovens prepararam um drama e algumas danças típicas para animar a ocasião. Depois, os participantes ofereceram presentes às irmãs, agradecendo os 25 anos de serviço missionário sobretudo aos mais pobres entre os pobres em Adola e Soddu Abala. Os festejos concluíram com um almoço partil...

TRANSIÇÃO ENERGÉTICA

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O s bispos africanos denunciaram recentemente que «as alterações climáticas podem expor mais de 100 milhões das pessoas mais pobres de África a secas, inundações e calor extremos até 2030». É trágico que os mais empobrecidos do continente que menos contribuiu para a pegada global de carbono e que mais energias renováveis usa estejam a pagar a fatura do aquecimento global causado pela queima de combustíveis fósseis. De facto, enquanto a América produz só 12,4 por cento da eletricidade que consome através das energias renováveis, a Europa 15,3 por cento e a Ásia 16,8 por cento, a África gera mais de metade eletricidade recorrendo a fontes limpas e contribui com apenas três por cento para as emissões globais de CO 2 . Por outro lado, 18 por cento da população mundial vive em África, mas só consome seis por cento da energia global. Mais de metade da população do continente ainda não tem acesso à corrente elétrica. O continente, contudo, tem grandes alternativas para fazer a transição energ...

ELA NÃO DESISTE

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Tem olhos vivos e uma energia contagiante. É jovem, tem apenas 21 anos, mãe de duas meninas e grávida da terceira. É uma das líderes mais ativas da sua comunidade beduína, no meio do deserto escaldante da Cisjordânia, na Terra Santa.  Incerteza. Num território onde a terra é disputada e os direitos são negados, elas persistem, invisíveis, mas indispensáveis. Escrevemos no grupo do WhatsApp da comunidade: —Podemos visitá-las hoje? —A que horas? —respondeu imediatamente. —Tem consulta médica? —Não. Venham. Mas, se possível, antes do meio-dia. E assim foi.  Chegámos. O sol escalda. Elas estão à nossa espera. Reunidas sob a tenda de lona aberta, onde o vento sopra livremente, misturando poeira e areia.  Sentámo-nos no chão, como sempre.  Algumas costuram à máquina, outras bordam, aprendem a fazer bolsinhas, porta-chaves, separadores. Algumas tentam pela primeira vez. Ela, como sempre, orienta-as. Mesmo com o corpo cansado, não deixa de estar presente. — Não dói? — Não mu...