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A mostrar mensagens de janeiro, 2019

Consagrados: COMUNIDADES SANTAS E MISSIONÁRIAS

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Na Semana do Consagrado de 2019 ecoa uma palavra do recente Sínodo dos Bispos sobre Os jovens, a fé e o discernimento vocacional : «O dom da vida consagrada, na sua forma, quer contemplativa quer ativa, que o Espírito Santo suscita na Igreja, tem um particular valor profético porquanto é testemunho alegre da gratuidade do amor. Quando as comunidades e as novas fundações vivem autenticamente a fraternidade, elas tornam-se escolas de comunhão, centros de oração e contemplação, lugares de testemunho, de diálogo intercultural e intergeracional e espaços para a evangelização e a caridade». Este nº 88 do Documento Final do Sínodo conclui reconhecendo que «a Igreja e o mundo não podem passar sem este dom vocacional, que constitui um grande recurso para o nosso tempo». A vida consagrada é um recurso valioso, um tesouro, que urge redescobrir, revalorizar e renovar. Uma das suas facetas mais belas e significativas é a sua expressão comunitária. O desejo manifestado pelos jovens na pre...

NÚMEROS DA INIQUIDADE

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26 indivíduos sozinhos detêm a mesma riqueza que a metade mais pobres da humanidade junta, 3,8 mil milhões de pessoas. As contas foram feitas pela OXFAM e publicados no relatório Public Good or Private Wealth? lançado antes do Fórum Económico Mundial que decorre em Davos, na Suíça, e mostram que as fortunas dos super-ricos atingiram níveis sem precedentes. Os números que desmistificam a iniquidade do sistema capitalista que nos governa:  Os bilionários viram a sua riqueza crescer 900 mil milhões de dólares no ano passado, ao ritmo de 2,5 mil milhões por dia;  A riqueza dos 3,8 mil milhões mais pobres caiu em 11%;  3,4 mil milhões de pessoas vivem com menos de 5,5 dólares por dia;  Os homens detêm mais do dobro da riqueza das mulheres (na lista Forbes só há duas mulheres entre os 26 bilionários)  Os super-ricos pagam cada vez menos taxas e escondem 7,6 triliões de dólares em offshore ;  Se 1% dos super-ricos pagassem uma taxa extra de 0,5% podiam ed...

O MILAGRE DA VIDA

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A avó Mary, há três anos trouxe-me um pequeno embrulho: a sua neta Adela. Muito pequena, desnutrida e doente. A bebé tinha 12 meses, mas mostrava uns quatro. A mãe, afetada pela sida, morreu poucas semanas após o parto, deixando a Adela com a avó, que, no entanto, tinha dificuldade em a alimentar. A malnutrição, juntamente com todas as infecções oportunistas que se juntaram, estavam a «comer» a bebé. A avó estava decidida a manter a netinha, acompanhando-a até a morte, certa de que logo voaria para o céu como a sua mãe. MAS ESTES NÃO ERAM OS PLANOS DE DEUS «cujos pensamentos não são os nossos pensamentos, cujos caminhos não são os nossos caminhos» (Is 55). Eu tinha chegado recentemente ao Uganda quando a avó Mary nos procurou uma tarde para levar uma pequena sacola com comida, como fazia todas as semanas. A minha irmã, que a atendeu, disse-lhe para me mostrar a bebé, porque eu era enfermeira e já tinha lidado com crianças em condições semelhantes. Mas por medo, superstição ou qu...

«NÃO TEMOS MEDO»

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« Ma benekhaf!!! », «Não temos medo!!!», diz este cartaz provocador, sinal desafiador da presença massiva das mulheres nos protestos do Sudão. Estou em Roma há dois dias. Em Cartum deixei multidões de pessoas atrapalhadas, famintas, cansadas, feridas ou mortas na rua sem poderem ser sepultadas dignamente. Quase todos os dias nas ruas, em demonstrações revolucionárias contra os preços que subiram aos píncaros desde há precisamente um ano. Gritam contra o Presidente da República, Omar al Bashir, e os seus governadores dos Estados Federais e os seus seguidores. Que são muitos. São mais de metade da população do Sudão. Agora, a gente grita abertamente nas ruas e sem medo contra a fome e a vida impossível. À procura de viver. Retrocedo uns dias no calendário. Foi há menos de um mês. E não foi só poesia de uma noite de frio de inverno, ou de neve, ou das renas do Pólo Norte, ou do pai natal, ou um qualquer conto de fadas. E é propriamente esse, e não outro, que é o verdadeiro sentid...

TEMPO E RELÓGIOS

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O Ano Novo é tempo bom para pensar o tempo.  A ideia de dividir o ano em meses, semanas e dias usando como medida o tempo da translação da Terra em volta do Sol nasceu na África: os astrónomos egípcios calcularam o ano solar há mais de seis mil anos. Dividiam o ano em 12 meses de 30 dias (agrupados em três quadrimestres relacionados com o ciclo agrícola – as cheias, as sementeiras e as colheitas) e juntaram um décimo terceiro mês de cinco dias para acertar as contas do ano solar. Chamavam-lhe Epagomene e marcava o início do ano, uma espécie de celebração prolongada do Ano Novo dedicada aos deuses. A semana tinha dez dias. Hoje, a Etiópia e a Eritreia ainda seguem este calendário de 12 meses mais um e na Etiópia chamam Pagomê ao mês de cinco (ou seis dias em ano bissexto) que colocam no fim do ano. Chamamos gregoriano ao calendário que nos governa desde Outubro de 1582, porque foi o Papa Gregório XIII que pediu aos astrónomos que corrigissem as imprecisões do calendário jul...

Sudão: «VAI-TE, BASHIR!»

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O grito «VAI-TE, BASHIR!», grafitado em árabe com uma silhueta do presidente sudanês, tomou conta das paredes de Cartum e de outras cidades do país. Regista a vontade de milhões de sudaneses que, há três semanas, estão nas ruas a exigir o fim do regime de Omar al-Bashir. O general, de 75 anos, tomou o poder há quase três décadas através de um golpe de estado. A revolta começou na cidade de Atbara a 19 de dezembro. Manifestantes incendiaram a sede no NCP, o partido de Bashir. O aumento do preço do pão e a falta de combustíveis foram o detonador da revolta sudanesa. Mas os manifestantes são contra a ditadura que tem o país a ferro e fogo. As primeiras imagens da revolta mostravam militares a saudar os manifestantes. Entretanto, as forças de segurança do governo atacaram os manifestantes com gás lacrimogéneo e balas reais, prenderam activistas, líderes da oposição, intelectuais e jornalistas, desligaram a internet para tentar conter a revolta. O governo diz que há 19 mo...