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A mostrar mensagens de março, 2020

CAIRO NO MESMO BARCO

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Hoje, na cidade do Cairo, capital do Egipto, está decretado o recolher obrigatório desde as seis horas da tarde até às sete de amanhã. E isto é só o princípio do que está para vir. As medidas de precaução contra a pandemia coronavírus serão ainda mais fortes num futuro muito próximo.  Diz-se que é tempo de guerra. O inimigo está aqui, está ali, em qualquer canto, está no meio de nós, sem que ninguém o veja. É um papão que não olha a classes ou categorias de pessoas. Para ele não há ricos ou pobres. Silencioso e matreiro, vai oferecendo com ironia e sarcasmo o seu presente mortífero. Aqui e além, vêem-se fanfarrões a rir e a fingir de valentes, mas, pouco a pouco, também eles se vão rendendo, juntando-se ao comum dos mortais, deixando à vista a marca de terror nos seus rostos. Quem tem a mínima noção do modo de vida nesta cidade do Cairo sabe que se vive até altas horas da noite sob o ritmo barulhento e buliçoso do trabalho. A propósito, basta citar o que me aconteceu há dias. ...

O ENCANTO (TRABALHOSO) DA AMIZADE

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O Evangelho que a liturgia propõe para este domingo (celebrado na Igreja doméstica que é a família) é a narrativa comovente da ressuscitação de Lázaro (João 11, 1-44). Começa com um recado singelo, mas suplicador: «Senhor, eis que aquele de quem és amigo, está doente». Um grito de socorro das manas de Betânia que põe Jesus a caminho. João explica: «Jesus amava Marta, a irmã dela e Lázaro». Os discípulos não ficam contentes com a decisão de Jesus de voltar à Judeia: está a pôr a vida em risco, porque já tinham tentado apedrejá-lo. Mas Lázaro, «o nosso amigo», precisa dele. Quando Jesus chega a Betânia, no topo da colina em frente a Jerusalém, encontra uma grande comoção e fica perturbado. «Jesus chorou», diz João sem receio. Ele vive o sofrimento das manas enlutadas, não tem vergonha de mostrar a própria vulnerabilidade. Os presentes comentam: «Vede como era seu amigo». Outros mandam bocas: Se restituiu a vista aos cegos porque deixou Lázaro morrer? Jesus, «profunda...

COVID19: MENSAGEM DE SOLIDARIEDADE À FAMÍLIA COMBONIANA

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Dia do nascimento de São Daniel Comboni Roma, 15 de março de 2020 « ...Sinto tal peso no coração, que me vejo obrigado a voar ao Céu com as minhas ideias e a pensar que vós tendes um apoio mais sublime, seguro e infalível que o meu, que estais mais protegidos sob a custódia de Deus do que sob a minha » (Escritos 219)  S. Daniel Comboni ao pai pela mãe doente Queridas irmãs e irmãos, Saudamos-vos com carinho neste momento de emergência que, em nome de nosso Senhor Jesus e juntamente com nosso Pai São Daniel Comboni, nos une ainda mais como família comboniana. Vivemos uma situação sem precedentes, causada pela pandemia de coronavírus, que já está presente em mais de 100 países dos cinco continentes. Um dos países mais afectados é a Itália, que luta com todos os meios possíveis para interromper o contágio. Os mais vulneráveis aos efeitos deste vírus são os idosos ou pessoas que sofrem de doenças crónicas, categoria na qual se encontram vários dos nossos irmãos e irmãs. Essa...

O ROSTO DO MEU PAI

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Catedral de El Obeid – Foto M. Santsch i – Eh, passas por nós e nem dizes olá?! Parece que já não conheces os teus amigos do Darfur! Apesar do sol poente que me cegava, levantei um pouco o boné e os meus olhos toparam com os três amigos. Era o P. Anthony, o novo pároco de Nyala, com a Margaret e o Gassim, representantes do conselho paroquial. – Esquecer? Creiam-me, já há mais de um ano que deixei o Darfur, mas o pensamento ainda me foge, até demais, para as bandas de lá. – Demais? Pelo contrário, é bom sinal. As pessoas de Nyala também perguntam muito por ti e estão desejosos de uma visita da tua parte, repostou a Margaret com entusiasmo lisonjeiro. Os três amigos forasteiros tinham acabado de chegar à cidade de El Obeid para a reunião anual dos agentes pastorais da diocese. A sua presença foi, ao mesmo tempo, uma oportunidade para pormos a conversa em dia. Assim, fiquei contente em saber que o P. Anthony já teve ocasião de visitar as distantes e remotas zonas da paróquia,...

PRAGA DE GAFANHOTOS

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Gafanhoto-do-deserto ataca Corno de África. Uma nuvem densa e voraz de milhares de milhões de gafanhotos-do-deserto pôs em sobressalto o Corno de África ao destruir culturas e pastos e pondo em risco a segurança alimentar de milhões de pessoas. Os enxames de gafanhotos desenvolveram-se numa zona remota da península arábica desde Junho de 2018 devido a chuvas abundantes e dois ciclones, resultado das mudanças climáticas. Quando a vegetação começou a escassear, os gafanhotos, à boleia do vento, atravessaram o mar Vermelho e rumaram em direcção ao Quénia, Etiópia e Somália em números sem precedentes. Há vinte e cinco anos que a Etiópia e a Somália não testemunhavam uma praga destas dimensões e o Quénia há setenta. Nuvens de saltões já estão a chegar ao Egipto, Sudão, Eritreia, Tanzânia e Uganda e podem invadir o Sudão do Sul. A FAO, a organização das Nações Unidas para a alimentação e agricultura, alerta que, se nada for feito para travar a praga, em Junho os saltaricos vão multiplicar-...