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A mostrar mensagens de abril, 2007

Pitão

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Forte de Jesus

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© JVieira OS GRAFITOS DA SAUDADE Os Portugueses construíram o Forte de Jesus em 1593 para controlar a entrada do porto da cidade-ilha de Mombaça e as rotas comerciais do Oceano Índico. Em 1698, depois de mais de dois anos de cerco, a fortaleza foi tomada pelos árabes. Uma das atracções do Forte de Jesus são os grafitos que os marinheiros portugueses pintaram em duas paredes de uma caserna. Naquele tempo não havia latas de spay. Por isso, tiveram que se contentar com carvão e ocre. Os desenhos «falam» do mar e da saudade. Mombaça ficava a seis meses de viagem de Lisboa. Um coração atrai a vista dos visitantes: suspiro por um amor distante. Uma mulher acena adeus das arcadas de um palácio. Há igrejas, um cruzeiro, um castelo. Um português raçudo desafia sete inimigos árabes chineses. E muitos navios: barcos, caravelas, naus, galeões. Há ainda dois peixes e um bicharoco que se parece com um camaleão. Os desenhos foram restaurados em 1967 através de uma ajuda da Fundação Gulbenkian.

Mona Lisa

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FC Porto global

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Forte de Jesus - Mombaça Jovem queniano veste camisola do FCP © JVieira

Uganda

CONVERSAÇÕES DE PAZ As conversações de paz entre o governo ugandês e o Exército de Resistência do Senhor (LRA em inglês) foram retomadas hoje em Juba sob a mediação de Joaquim Chiçano, ex-presidente de Moçambique e enviado especial da ONU para o Norte do Uganda e o Governo do Sul do Sudão. O LRA sentou-se à mesa das negociações em Julho passado. As conversações foram interrompidas em Dezembro. Os rebeldes ugandeses alegaram razões de segurança e falta de confiança no mediador, Riek Machar, o vice-presidente do Sul do Sudão. As conversações de paz são seguidas pela sociedade civil e religiosa ugandesa, por representantes de cinco países africanos e por enviados da Pax Christi e da African Peace Point. Joseph Kony, o lídel do LRA encontra-se no seu refúgio na floresta da RD Congo. Os rebeldes intervêm no norte do Uganda e no Sul do Sudão e fizeram milhares de mortos em 21 anos de confrontos, além de empregarem crianças-soldados e obrigarem as meninas a serem escravas sexuais dos seus líd...

Dias de paraíso

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Mombaça © JVieira Trago nos olhos o verde do mar, o azul do céu, os lagartos e as flores de todas as cores; Trago nos ouvidos o falar do mar, o chilrear dos pássaros, o silêncio da noite de luar, o bailar dos coqueiros agitados pelo vento; Trago no corpo o sabor a sal, o bronze do sol, a carícia cálida da noite e da água quente do Índico; Trago na boca o sabor doce de comidas temperadas com especiarias, a água fresca do coco, a textura da sua polpa doce; Trago a memória de batalhas sem fim no Forte de Jesus, a saudade escrita com grafitos desenhados a carvão na parede da caserna, o desmoronamento de um império maior que si mesmo; Trago no coração as conversas de praia com jovens sem grande futuro, que ganham umas moedas a vender porta-chaves de pau-preto, a trazer cerveja, meninas, rapazes, entretenimento para «muzungos» carentes e com dinheiro; o sorriso inocente das crianças; os olhos vivos de mulheres literalmente tapadas dos pés à cabeça; Trago na alma o celebrar alegre de comunid...

Até já

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Mãe e filha (Amel) dinkas © JVieira Durante uns dias estou no Quénia. Prometo voltar a postar logo que me seja possível. Abraço!

Mbeki visita Juba

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Mbeki recebe insígnias sudanesas © JVieira Thabo Mbeki completou uma visita de dias ao Sudão com uma breve passagem por Juba. Em Cartum, o presidente da África do Sul pressionou o seu homólogo sudanês a aceitar uma força híbrida de paz para o martirizado Darfur. As Nações Unidas querem enviar para o Oeste do Sudão 22 mil soldados da ONU e da União Africana, mas o Governo de Cartum continua a dizer que os 8 mil soldados mal equipados e mal treinados da União Africana chegam para pacificar um território do tamanho da França. Mais de 200 mil pessoas morreram desde que os rebeldes do Darfur pegaram em armas contra o Governo em 2003 acusando Cartum de descriminar os agricultores não árabes do oeste do país. O conflito deslocou mais de 2,5 milhões de pessoas e alastrou-se ao vizinho Chade. Organismos internacionais de ajuda a operar no Darfur acusam as tropas sudanesas de usar a violação como arma de guerra contra as mulheres. O presidente Mbeki chegou a Juba às 10 da manhã e foi recebido pe...

Regresso às aulas

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Alunos da St. Joseph Catholic Elementary School © JVieira Os alunos do ensino básico do Sul do Sudão iniciaram hoje o novo ano lectivo depois de três meses de férias. As ruas e os recreios das escolas voltaram a encher-se de crianças com uniformes ainda impecáveis. Pelas contas da UNICEF, 850 mil alunos estão matriculados no ensino básico do sul do Sudão. Trinta e quatro por cento são meninas. Dois recordes absolutos comparados com os 343 mil estudantes que frequentavam a escola primária durante os anos da guerra civil, quase todos rapazes, entre 1984 e 2005. O novo ano lectivo traz novos desafios. A mudança de programas é um. Até ao ano passado, o árabe era a língua usada no ensino em todo o Sudão. A partir de agora, os professores do Sul do país passam a leccionar em inglês e nem todos estão suficientemente familiarizados com a língua de Shakespeare. Sobretudo os dos condados de Juba e de Terekeka, dois bastiões árabes durante os anos de conflito. O outro desafio tem a ver com o orça...

Vice-Presidente trava suicídio

Dr. Riek Machar, vice-presidente do governo do Sul do Sudão impediu uma ameaça de suicídio na manhã de ontem. Um jovem desempregado escalou uma das antenas de transmissão da Southern Sudan Radio e ameaçou suicidar-se em protesto pela falta de trabalho. Instigado pelos transeuntes a desistir da ideia e a descer, disse que só o faria se primeiro falasse com o presidente ou o vice-presidente do governo do Sul do Sudão. O Dr. Machar dirigiu-se às antenas da rádio, na May Avenue, a espinha dorsal de Juba. Através do megafone de um carro-patrulha pediu ao jovem que descesse a troco de uma promessa de emprego. O jovem desceu da antena e o vice-presidente levou-o para o seu gabinete pondo termo à ameaça de suicido. O desemprego é um dos grandes problemas de Juba. A vida na cidade é muito cara e nem toda a gente consegue trabalho devidamente remunerado.

Abrir aspas

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A FELICIDADE EXIGE VALENTIA Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas, não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta. Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo... Fernando Pessoa Obrigado, Leopoldo

Vi o Senhor

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© JVieira Do Evangelho segundo São João (20, 1-18) No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo logo de manhã, ainda escuro, e viu retirada a pedra que o tapava. Correndo, foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo, o que Jesus amava, e disse-lhes: «O Senhor foi levado do túmulo e não sabemos onde o puseram.» Pedro saiu com o outro discípulo e foram ao túmulo. Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo correu mais do que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. Inclinou-se para observar e reparou que os panos de linho estavam espalmados no chão, mas não entrou. Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no túmulo e ficou admirado ao ver os panos de linho espalmados no chão, ao passo que o lenço que tivera em volta da cabeça não estava espalmado no chão juntamente com os panos de linho, mas de outro modo, enrolado noutra posição. Então, entrou também o outro discípulo, o que tinha chegado primeiro ao túmulo. Viu e começou a crer, pois ainda não ti...

Páscoa Feliz

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© JVieira O pê de Páscoa é também o pê de Paz. Que a passagem do Ressuscitado na tua vida te encha da sua paz, da sua plenitude.

O ENCANTO DO CRUCIFICADO

O Darfur é uma província de morte no Oeste do Sudão. Mas também é lugar para um diálogo inter-religioso baseado no respeito mútuo como conta um missionário que lá vive. «Eina! Olha quantas cruzes! E que bem alinhadas que estão ao longo de toda a igreja», exclamou Khalid, um aluno muçulmano durante uma visita de estudo à igreja paroquial de Nyala, no Sul do Darfur, surpreendido com a distribuição da via-sacra na parede da igreja. Não havia cristãos entre os alunos. O que não me surpreende. A maioria dos católicos são desalojados e não têm dinheiro sequer para frequentar uma escola do estado quanto mais uma privada! “Hoje trouxemos 195 alunos. A outra metade vem amanhã” – diz-me um dos professores. A visita honra o estabelecimento escolar e, ao mesmo tempo, é uma prova concreta de diálogo inter-religioso entre muçulmanos e cristãos. O Gabriel – o catequista-chefe da paróquia – fez, no adro, uma apresentação geral da Biblia e da Igreja Católica. Depois os professores dividiram os alunos e...

Lixo

O lixo que suja as ruas de Juba e põe em risco a saúde pública, continua a ser tratado como questão de estado e voltou a entrar na agenda do Conselho de Ministros. O ministro da Informação disse no final do Conselho de Ministros que não era claro a quem competia limpar Juba da porcaria que se acumula juntos aos mercados, áreas residenciais e hotéis. O Ministro Samson L Kwaje rematou que «Juba é a cidade mais suja do mundo.» Juba encontra-se debaixo de três autoridades distintas de que é capital: condado, Estado de Central Equatoria e Governo do Sul do Sudão. O executivo decidiu passar a bola ao Comissário de Juba, que opera sob as ordens do Governador do Estado de Central Equatoria. O Governador, entretanto, decidiu privatizar a recolha e tratamento de lixo. Será desta que Juba vai ter a cara lavada? As chuvas aproximam-se e a cólera pode atacar de novo se entretanto a cidade não for limpa.

Refracções

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© JVieira Fico aqui bebendo as tuas palavras, sorrindo para elas e elas para mim, vejo nelas a vida que brota e deixo-me envolver nessa Vida! Olho o mundo através do doce olhar, que pões em cada palavra, pressinto em cada uma, o teu amor a esse mundo, e fazes dele a tua casa, as tuas roupas são as pessoas com que te cruzas, e vais colorindo o mundo, com as cores do teu coração, que irradiam alegria, vida e amor! Vejo as tuas mãos vazias, mas o coração cheio, aí tens o teu tesouro, que vais dando, e vais enchendo outros corações, pela tua casa fora, porque a tua casa é o mundo! elsa sekeira Shukran, Sabitayi

Mangas da discórdia

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© JVieira Kworijik Luri é uma pequena aldeia a uma dúzia de quilómetros atrás do aeroporto internacional de Juba. Fica numa imensa planície com o horizonte a perder-se de vista. Está relativamente perto de Juba, mas o clima é mais agradável e a vegetação muito diferente. De entre as muitas espécies vegetais presentes na planura de Kworijik sobressaem as mangueiras: árvores enormes, imponentes, frondosas, carregadas de mangas maduras e saborosas. A primeira colheita deste ano. A segunda virá antes do Natal! As árvores pertencem aos habitantes daquela zona, o povo Bari. Entretanto os Mundari – pastores nómadas – chegaram com as suas vacas e alimentam o gado com as mangas que não lhes pertencem. Peter Moga Kenyi, um ancião, queixou-se, sentado debaixo de uma mangueira, que o que os Mundari fazem não está correcto: «Além de darem as mangas às vacas, batem nas nossas crianças.» «Mas os Mundari têm armas e nós temos paus», concluiu resignado. E pediu que as autoridades interviessem para pôr...