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A mostrar mensagens de março, 2026

COSER O FUTURO

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– Eu também quero! – Ainda és muito pequena... Mas a menina beduína insistiu… tal como a vida insiste. E conseguiu. Observava as mulheres da sua aldeia a bordar, no deserto, entre Jerusalém e Jericó.  O bordado palestiniano é um património rico, e nos seus olhos crescia um anseio: mais tecido, mais linha, mais espaço para sonhar. Começou com pequenos retalhos, mas o seu desejo não cabia neles. Queria pano para fazer uma bolsinha completa, com fecho, com forma, com sentido. E fê-la! Ponto a ponto, com paciência. – A minha mãe ajudou-me com o fecho!, confessa. E pergunta, à procura de aprovação:  – Está bonita, não está? Nas suas mãos, aquele pequeno objeto torna-se uma conquista: o seu primeiro ganho! À sua volta, o conflito. Mas as mulheres beduínas bordam com ânsia, aprendem a fazer acabamentos, apoiam-se umas nas outras. Cada ponto traz dignidade, traz pão, traz esperança para a mesa. Rosa aprende com a mãe, e, nesse gesto antigo e vivo, a vida continua a dizer-se: ensinar, ...

UMA ESCOLA PARA OS GUMUZ

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  O povo gumuz vive no noroeste da Etiópia, na região do Metekel, e no Sudão. Foi muito marginalizado pelas tribos vizinhas das terras altas, mais claras, de quem foi escravo por muitos séculos até à década de 1930 para ser utilizado na mineração do ouro. A região de Benishangul-Gumuz é das mais remotas e esquecidas da Etiópia. Os gumuz pertencem à família nilótica e vivem da agricultura de subsistência, da caça e comida que recolhem na floresta. Marginalizados e esquecidos, o acesso à saúde e educação é difícil. A família comboniana chegou ao Metekel no ano 2000. Primeiro vieram as Irmãs Missionárias Combonianas e três anos depois os Missionários Combonianos. Responderam ao apelo que o presidente da região de Benishangul-Gumuz fez aos líderes religiosos para voltarem o coração para o povo e a terra «abandonada pelo tempo».  As missionárias fixaram-se em Mandura e os missionários em Gilgel Beles e Gublak. Mais tarde chegaram a Gilgel Beles as Franciscanas Missionárias de Crist...

LAR, DOCE LAR

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Parti no fim de maio para três meses de férias em Portugal. A fórmula é simples: um mês na pátria por cada ano na missão. Contudo, um problema de saúde acabou por me reter nove!  Resolvi o problema e estou imensamente grato à minha médica de família, ao urologista que me tratou, ao pessoal de enfermagem e de assistência da USF da Veiga do Leça e do Hospital de S. João. Fala-se muito mal do sistema nacional de saúde, mas eu só tenho palavras de elogio: fui muito bem tratado! O regresso, no fim de fevereiro, foi marcado pela expetativa ansiosa: até que enfim! Adis-Abeba, a capital da Etiópia, continua um estaleiro a céu aberto. Altos e arrojados edifícios despontam por todo o lado. A música do martelar das obras ouve-se dia e noite. De onde vem tanto investimento é um mistério. A cidade está mais asseada com os seus muitos corredores que, vistos do avião, dão um efeito visual muito interessante. Encontrei, contudo, uma novidade: filas enormes para atestar os veículos. A falta de comb...

MAMÃS SOLARES

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  S ão carinhosamente conhecidas por «solar mamas», as mamãs solares: têm mais de 35 anos, não têm crianças pequenas nem frequentaram a escola, vêm de zonas remotas e pobres e aprenderam a montar, reparar e manter sistemas de energia solar simples que revolucionaram a vida e a saúde de muitas comunidades rurais sem ligação à rede elétrica. O projeto foi criado em 1997 pela Barefoot College International, uma organização sem fins lucrativos da Índia, expandiu-se para a América Latina e chegou à África. No início, as formandas eram levadas para a Índia para fazer um curso de meio ano sobre a montagem e manutenção de sistemas solares e aprender algumas noções gerais de saúde. Depois, na África a organização abriu centros de formação em Zanzibar (há dez anos), Madagáscar e Senegal. Técnicas solares do Maláui, Somalilândia e República Centro-Africana também foram formadas em Zanzibar. No final do curso, em vez do tradicional diploma, as participantes recebem meia centena de conjuntos de...

NO MEIO DA GUERRA, A VIDA INSISTE

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  Os mísseis iranianos nos céus do deserto da Judeia não assustam as missionárias que querem partilhar da vida das beduínas palestinianas em tempos de conflito. Desde esta manhã, após a missa, ouvimos as sirenes. Mesmo assim fomos para o deserto. Há alguns dias que as comunidades beduínas sofreram incursões de colonos. Não podíamos ficar longe. Queríamos estar presentes. Levar tecidos, fechos, linhas: pequenos sinais concretos para costurar bolsas, para aprender, para não desistir. Não se trata apenas de «promoção da mulher». É o pão de cada dia. É o sustento de uma economia familiar ferida, onde muitas vezes são as mulheres as únicas que podem contribuir para o lar.  Aprender, em tempos de conflito, é muito mais do que adquirir uma técnica: é manter a mente viva, acender a criatividade quando tudo parece apagar-se. É sobrevivência. É resiliência que se tece ponto a ponto. Quase trinta mulheres esperavam-nos, rodeadas por tantas crianças. Sob um espaço comunitário feito com co...