2 de março de 2026

MAMÃS SOLARES

 

São carinhosamente conhecidas por «solar mamas», as mamãs solares: têm mais de 35 anos, não têm crianças pequenas nem frequentaram a escola, vêm de zonas remotas e pobres e aprenderam a montar, reparar e manter sistemas de energia solar simples que revolucionaram a vida e a saúde de muitas comunidades rurais sem ligação à rede elétrica. O projeto foi criado em 1997 pela Barefoot College International, uma organização sem fins lucrativos da Índia, expandiu-se para a América Latina e chegou à África.

No início, as formandas eram levadas para a Índia para fazer um curso de meio ano sobre a montagem e manutenção de sistemas solares e aprender algumas noções gerais de saúde. Depois, na África a organização abriu centros de formação em Zanzibar (há dez anos), Madagáscar e Senegal. Técnicas solares do Maláui, Somalilândia e República Centro-Africana também foram formadas em Zanzibar. No final do curso, em vez do tradicional diploma, as participantes recebem meia centena de conjuntos de energia solar para instalar e manter nas próprias aldeias.

A iniciativa simples e revolucionária promove uma verdadeira transformação em áreas rurais sem acesso à eletricidade. Primeiro, porque oferece às mulheres um trabalho que lhes dá algum rendimento, combatendo a pobreza. Depois, porque as empodera em culturas onde geralmente são vistas como mães e cuidadoras, fazendo trabalhos tradicionalmente reservados aos homens.

A energia solar além de sustentável é limpa e quando há alguma avaria, a técnica está lá para a resolver. Por outro lado, as famílias põem de lado velas ou querosene para combater a noite, que, além de caras, são perigosas para a saúde por causa dos fumos e incêndios. 

Há ainda o fator segurança: a luz afasta os animais selvagens das casas e as pessoas podem usar latrinas externas sem medo. Além disso, os equipamentos são montados em casa resguardados dos larápios. 

Finalmente, os estudantes podem fazer os deveres com boa iluminação e as mamãs fazem algum dinheiro extra com o carregamento de telemóveis ou outros negócios energéticos.

O caso do Zanzibar é emblemático. O arquipélago tanzaniano semiautónomo do Índico tem cerca de dois milhões de habitantes. Metade não tem luz. As mamãs já montaram sistemas solares em mais de 1800 casas. Lá, o curso dura três meses e no final o Governo dá a cada participante 25 conjuntos solares para instalar na aldeia. A técnica cobra dois euros e meio por mês durante cinco anos por cada instalação. Em Madagáscar, a iniciativa planeia formar 700 mulheres e instalar sistemas solares de eletricidade em mais de 500 mil lares. No Senegal, o programa já formou 19 técnicas que levaram energia solar a 17 mil pessoas e estão a eletrificar uma maternidade, um contributo importante na luta contra a mortalidade infantil.

O programa já treinou mais de 4250 mamãs solares em 93 países da Ásia, América Latina e África, e tem quase 7,5 milhões de beneficiários diretos. A ONG também organiza cursos de corte e costura, produção de mel e agricultura sustentável.

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