UM SÁBADO EM MISSÃO
Adola, seis da manhã de cinco de fevereiro. Acordo, estremunhado, com o cantar sério e solene de um clérigo ortodoxo através do altifalante da igreja vizinha. A luz que entra pela janela ainda é pálida. O sol, preguiçoso, anda a levantar-se mais tarde. Depois da eucaristia com as Missionárias da Caridade e do pequeno-almoço volto para o quarto dos hóspedes para preparar a homilia de domingo — como faço todos os sábados de manhã. Pego no livro das leituras em inglês e guji, na folha onde desenho um pequeno esquema da homilia em inglês e no caderno onde a escrevo em guji. E o dicionário inglês-guji? Esqueci-o em Qillenso! Entro em pânico: como vou escrever a homilia sem o dicionário? Qillenso fica a 35 quilómetros que Adola e está quase 500 metros mais alto. Vou ter que escrever a homilia sem dicionário. As palavras que não sei escrevo-as em inglês e depois à tarde — tenho de ir a Qillenso — procuro no dicionário. A rotina da preparação da homilia é simples: rezo as leituras em i...