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A mostrar mensagens de 2021

TENTAÇÕES DE NATAL

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Caros amigos, O Natal chegou pontualmente, como todos os anos. Um acontecimento que desafia e provoca a rotina cinzenta do nosso quotidiano. Uma graça que encontra resistência em nós e é ameaçada por tentações particulares. Este ano venho compartilhar com vocês ... precisamente as minhas tentações! Me ajudareis a vencê-las! A primeira é a imobilidade . Esperei por este Natal na minha cadeira de rodas. Ele chegou e receio que vá embora e eu permaneça aqui imóvel, sem que nada mude. A ESPERANÇA de alguma mudança foi desapontada muitas vezes. Peço boleia, deixando-me levar pela comunidade, pelos ritos, pelas celebrações ... Mas sei que sem caminhar como os pastores e os Reis Magos não há Natal. Paralisado, peço ao Espírito Santo que me conceda as suas asas de águia. (Isaías 40,31) Mas existe uma tentação ainda mais insidiosa. A do escândalo ! Se a distância de Deus era um obstáculo para mim, agora sua proximidade me escandaliza! Um Deus criança, frágil, indefeso, mortal, é demais para ...

ALEGRAI-VOS

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No meio do advento e da quaresma a liturgia convida os católicos à alegria. No terceiro domingo do advento e no quarto domingo da quaresma, tempos litúrgicos penitenciais de roxo vestidos, os paramentos podem ser cor-de-rosa para alegrar as celebrações! «Alegrai-vos sempre no Senhor. Novamente vos digo: alegrai-vos» — exorta Paulo a comunidade grega de Filipos e cada um de nós. Estamos habituados a rezar a vida como um vale de lágrimas. O grande amor e a grande dor são o caminho que leva à transformação pessoal, escreve Richard Rohr, o místico franciscano norte-americano. Contudo, as lágrimas e o sofrimento não são a estação derradeira do peregrinar cristão. «Aqueles que semeiam com lágrimas, vão recolher com alegria. À ida vão a chorar, carregando e lançando as sementes; no regresso cantam de alegria, transportando os feixes de espigas», proclama o salmista. A alegria do Senhor — que é a nossa fortaleza — é o destino final de cada um! Não é por acaso que o Papa Francisco colocou a pa...

FÉRIAS FORÇADAS

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Viajei para a Etiópia com um visto de turista, mas, para obter a licença de residência e a autorização de trabalho — oficialmente sou professor voluntário, preciso de um visto ONG. A Igreja Católica na Etiópia — o meu empregador legal — é classificada como organização não governamental. No fim do mês de novembro viajei para Nairobi, Quénia com um colega da R. D. do Congo que estava nas mesmas circunstâncias para pedir um visto ONG. O processo — que normalmente leva dois a três dias (no caso do colega) — demorou quase duas semanas para mim. O governo etíope acusa o Oeste de apoiar os rebeldes tigrinos no confronto com o governo federal e pode ser que tenham demorado a passar o visto em retaliação. Fomos acolhidos em Nairobi — uma cidade em crescimento constante, verde e agradável — na sede provincial dos combonianos. Os colegas receberam-nos fazendo jus à proverbial hospitalidade africana. Nas duas semanas que aqui passei tive oportunidade de visitar cinco comunidades na capital e inte...

REZAR JUNTOS

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As Missionárias da Caridade, como são conhecidas oficialmente as irmãs de Santa Madre Teresa de Calcutá, construíram na cidade de Adola um pequeno bairro para alojar 12 famílias que necessitam de apoio porque têm membros com deficiências físicas ou mentais. Uma das casinhas tem uma divisão que foi transformada em espaço de oração com um pequeno oratório de Nossa Senhora de Fátima. Todas as segundas-feiras, por volta das cinco da tarde, alguns dos moradores do pequeno bairro juntam-se para a reza do terço com algumas das missionárias e outros católicos da cidade.  Petrós, o catequista do hospício que as irmãs têm noutra parte de Adola, é quem preside à oração mariana. Quando estou em Adola também participo. Faz-me muito bem! Os pai-nossos e as ave-marias são rezados, de vagar, em tom de cantilena com um cântico e uma pequena introdução a cada dezena. Desfruto imenso daquela hora que passa, tranquila, sem se dar conta, a embalar o coração. Um momento profundo, mágico mesmo, de oração...

ETIÓPIA: PRIMEIRAS IMPRESSÕES

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O avião aterrou no aeroporto de Adis Abeba — a Nova Flor — por volta das seis da manhã de 30 de Outubro. Na contagem etíope, era zero horas, o início do novo dia. Para mim é a hora zero de uma nova fase de serviço missionário comboniano, 21 anos depois da minha primeira estada na Etiópia. As montanhas gastas e enrugadas que desenham a linha do horizonte do aeroporto, em cambiantes cinza e laranja, coloridas pelo sol nascente, afirmam que estou a pisar um país antigo, nobre, grandioso. Sagrado. A cidade parece mais limpa, arrojada, maior. As construções de zinco entre o aeroporto e o centro deram lugar a grandes edifícios modernos, de muitos andares. As avenidas, mais largas e bem pavimentadas. O metro de superfície atravessa, em viaduto, a capital com duas linhas. O primeiro-ministro Abiy Ahmed Ali dá, de sorriso rasgado, as boas-vindas de um póster gigante na empena de uma torre na Praça da Cruz, o centro da cidade, que também cresceu em altura com edifícios de linhas arquitectónica...

A RIQUEZA DO LEITE DE CAMELA

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O leite de camela ganha o estatuto de superalimento e afirma-se como fonte de rendimento. Algumas economias africanas têm beneficiado com as novas dietas divulgadas pelos influenciadores das redes sociais como o consumo de abacate – que já tratei nesta coluna – e a descoberta do tef , um cereal resistente, miúdo e muito nutritivo oriundo da Etiópia que é a base da injera , o pão nacional etíope. Agora é o leite de camela que ganha o estatuto de superalimento depois de os nutricionistas terem vindo a afirmar os seus benefícios para a saúde. Encontra-se à venda fresco, congelado, em pó, em iogurte, queijo, gelados e até com vodca. Afigura-se como mais uma oportunidade económica para a África, onde vivem mais de 80 por cento da população global dos dromedários. A lista dos maiores produtores mundiais é encabeçada pelo Quénia, seguido da Somália, Mali, Etiópia e Arábia Saudita. Em 2020, o mercado global do leite de camela gerou mais de 2000 milhões de euros. A grande procura e oferta limit...

DE VOLTA A ONDE FUI FELIZ

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«O missionário deve estar disposto a tudo: à alegria e à tristeza, à vida e à morte, ao abraço e à despedida. E a tudo isso estou disposto também eu», escreveu o jovem padre Daniel Comboni ao pai pouco depois de chegar a Santa Cruz, a missão entre os dincas que o acolheu na margem do Sudd, o grande pantanal do Sudão do Sul. Visto esta disposição na hora em que me preparo para regressar à Etiópia 21 anos depois. É a estação da alegria e da tristeza. Alegria de partir finalmente para um sonho que foi adiado em 2007 e em 2013 para aceitar outros serviços que me foram pedidos no Sudão do Sul e em Portugal. Tristeza das saudades. Da vida e da morte: é preciso dizer adeus para poder dizer olá! Dos abraços e da despedida. E eu gosto muito de abraços… E também dos agradecimentos! O meu enorme bem-hajam, antes de mais, à Trindade bondosa por estes quase oito anos vividos dentro de portas exercendo um cargo de liderança que nunca ambicionei e que me fez crescer em humanidade e humildade! ...

CELEBRAR COMBONI, CELEBRAR A MISSÃO

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10 de Outubro de 2021, Festa de São Daniel Comboni «Também nós, circundados como estamos de tal nuvem de testemunhas, deixando de lado todo o impedimento e todo o pecado, corramos com perseverança a prova que nos é proposta, tendo os olhos postos em Jesus, autor e consumador da fé» ( Hebreus 12, 1-2) Caríssimos confrades, saudações e orações de Roma e BOA FESTA do nosso Pai e Fundador São Daniel Comboni! São Daniel Comboni tinha escrito a 23/09/1867, «o meu Plano é aprovado por um grande número de bispos… Por isso, eu tento por todos os meios. Se não conseguir nada, Deus contentar-se-á com a boa intenção. Claro que não me pouparei a fadigas, nem a viagens, nem a vida para que a empresa vingue: eu morrerei com a África nos lábios» ( Escritos 1441). São Daniel faleceu a 10 de Outubro de 1881, há 140 anos, circundado dos seus missionários e missionárias, aos quais e às quais pediu a fidelidade à missão, fixando o seu olhar em Jesus e repetindo «Meu Jesus, misericórdia». Regressei há pouc...

A LEVEZA DA ALEGRIA

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Visitei Assis pela última vez em 2015. A peregrinação começou no complexo franciscano: uma sucessão de construções erguidas a partir de 1230 à volta e por cima do túmulo de São Francisco de Assis, pobre na morte como o foi na vida: uma coluna protegida por uma grade de ferro. Deslumbrou-me a beleza leve e alegre dos frescos tanto da basílica inferior como da superior: uma simplicidade colorida, um despojamento tecnicolor, um hino policromático à memória do Santo de Assis, o irmão menor universal que nos faz todos irmãos. Fratelli tutti . Esta festa de alegria leve e colorida contrasta com a sobriedade pétrea, sisuda e despojada da Igreja beneditina de São Pedro, o último templo da visita. Uma construção do século X refeita no século XIII que convida ao silêncio frio, contemplativo. O contraste arquitetónico entre as construções beneditina e franciscana é uma parábola sobre a grande revolução espiritual que a simplicidade pobre e humilde de Francisco trouxe à igreja e ao mundo.  A l...

AFRICANIZAR O CRISTIANISMO

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A fé precisa de um processo de inculturação cultural. Apesar de ter um nome difícil de pronunciar, Chimamanda Ngozi Adichie é um caso sério de sucesso na literatura anglófona africana contemporânea e uma conferencista notável e premiada, de pensamento original. Nasceu na Nigéria há 44 anos e foi estudar para os Estados Unidos da América com 19. Define-se como contadora de histórias. Tem três novelas publicadas ( A Cor de Hibisco , Meio Sol Amarelo e Americanah ), uma colecção de pequenos contos ( A Coisa à Volta do Teu Pescoço ) e três obras de não-ficção ( Todos Devemos Ser Feministas , Querida Ijeawele – Como Educar para o Feminismo e Notas sobre o luto – uma reflexão sobre a perda do pai). A obra está traduzida em 31 línguas, português incluído. Em Junho, deu uma entrevista em directo de Lagos, na Nigéria, ao programa Roda Vida da TV Cultura do Brasil. À pergunta sobre o papel da religião e como é que as religiões de matriz africana podem ajudar a construir um novo modelo de rel...

REZO

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Rezo com o olhar cheio do verde do monte que se desdobra até ao horizonte pintado de roxo das urzes que cheiram a mel. Rezo com o marulhar da água do riacho, murmúrio de vida por entre pedras gastas, espelho cristalino da beleza divina. Rezo com o silêncio cheio de vida, respiro de Deus que me envolve. Rezo com a brisa suave, carícia divina que afaga a pele e resfria o sol. Rezo com o azul profundo do céu que me abraça e envolve. Rezo com as nuvens brancas, eternas caminheiras, companheiras no espaço sideral. Rezo com as pedras do caminho que gemem sob os meus passos incertos, cansados. Rezo com quem comigo caminha, anjo custódia que encarna o cuidar de Deus. Rezo porque Deus me abraça, presente de amor, vida para contemplar, cuidar. Rezo porque respiro. Rezo, sim!

MAIATOS HOMENAGEIAM COMBONIANO FUTEBOLISTA

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Um grupo de pessoas ligadas à antiga equipa do Futebol Clube da Maia reuniu-se na tarde de 22 de setembro no Seminário Comboniano da Maia para prestar homenagem ao padre Carlos Bascarán no primeiro aniversário do seu falecimento. O padre Carlos jogou no Futebol Clube da Maia durante o tempo em que estudou teologia no Porto e desempenhou as funções de prefeito no seminário entre 1966 e 1970. O comboniano espanhol, natural de Oviedo, faleceu vítima do Covid-19 a 22 de setembro de 2020 em Santa Rita, estado da Paraíba, no Nordeste do Brasil. Tinha 79 anos, a maioria dos quais passada naquele país. O padre Joaquim Fonseca — companheiro de comunidade e de doença do padre Carlos — presidiu à eucaristia e recordou na homilia o missionário e a sua obras. «Era um padre bom de bola e bom de missa», frisou, evocando o título de uma reportagem da Rede Globo sobre a presença do padre Carlos na equipa da Ferroviária de João Neiva. Frei José António Fonseca Santos, padre capuchinho do Amial,...

OUTONO

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Os dias minguam em noites longas, resfriadas a pedir aconchego de corpo e coração. As folhagens pintam-se, vaidosas, de ocres, castanhos, rubros, fogo de artifício de fim de festa... Restam os dióspiros, solitários, fogo-de-Deus, bolas de natal ao natural a decorar árvores nuas. O sol, esgotado dos fulgores estivais, arrefece pálida luz, que acaria a pele sem o ardor estiolado do verão passado. Outono, o ícone colorido do ocaso que vai ressuscitar na erupção da Primavera depois do hibernar invernal. A vida decorre: estação segue estação, coração alimenta coração.

PAPA PÕE IGREJA CATÓLICA A MEXER

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A Igreja tem sido representada como uma rocha que permanece firme perante as intempéries da história, bastião da fé e das certezas permanentes. Contudo, no princípio a Igreja era entendida como a «Via» do Senhor (Actos 18, 25), um caminho, uma comunidade ativa, em movimento. Os cristãos são os «desta Via» (Actos 9, 2). O Papa Francisco, ao escolher para o Sínodo dos Bispos de 2023 o tema «Para uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão», recupera este conceito dinâmico de Igreja que faz sair os católicos das igrejas em direção às periferias em missão. O Papa não cessa de proclamar a sinodalidade — o caminhar juntos — como modo de ser Igreja, hoje, desde o acreditar ao evangelizar e governar a comunidade eclesial: «o caminho da sinodalidade é precisamente o caminho que Deus espera da Igreja do terceiro milénio». O Documento Preparatório para o próximo sínodo, publicado nestes dias, explica que «caminhando lado a lado e refletindo em conjunto sobre o camino percorrido, com o que...

CONTRABANDO DE OURO

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Negócio ilegal de ouro afecta economias da África de Leste e Austral. A Global Initiative Against Transnational Organized Crime, com sede em Genebra, na Suíça, publicou em Maio um relatório sobre os mercados ilícitos de ouro na África Oriental e Austral. O documento analisa a mineração artesanal e em pequena escala de ouro no Sudão do Sul, Uganda, Quénia, Zimbabué e África do Sul e os seus circuitos de comercialização. De fora da investigação ficaram a Tanzânia, Moçambique e Madagascar, três importantes produtores, por falta de fundos e de tempo. O ouro é explorado na região há mais de mil anos sobretudo por métodos artesanais. O seu potencial de desenvolvimento está a ser desviado dos canais oficiais de comercialização, apesar de alguns governos terem tentado regular a exploração informal do metal precioso. Trata-se de uma actividade altamente lucrativa e uma alternativa económica poderosa à agricultura de subsistência. A investigação apresenta uma gama variada de sistemas de mineraçã...

AS MULHERES, SUBMETAM-SE AOS SEUS MARIDOS

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A segunda leitura da liturgia do domingo passado, tirada da Carta aos cristãos de Éfeso (5, 21-32) criou um verdadeiro vendaval nas redes sociais, com algumas figuras públicas a expressar indignação pelo seu conteúdo — no seu entender inapropriado para os dias que correm — e, pior ainda, por ter sido lida por uma mulher na missa transmitida pela RTP1. O texto em causa é este: «Submetei-vos uns aos outros, no respeito que tendes a Cristo: 22 as mulheres, submetam-se aos seus maridos como ao Senhor, 23 porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da Igreja, seu Corpo, do qual é salvador. 24 Ora, como a Igreja se submete a Cristo, assim as mulheres se devem submeter em tudo aos maridos. 25 Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e Se entregou por ela, 26 para a santificar, purificando-a, no banho da água, pela palavra. 27 Ele quis santificá-la, purificando-a no batismo da água pela palavra da vida, para a apresentar a Si mesmo como Igreja cheia ...

SUDÃO DO SUL: REDE DE RÁDIOS CATÓLICA PREMIADA

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A Rede de Rádios Católica do Sudão do Sul e dos Montes Nuba (CRN na sigla em inglês) é a vencedora do Prémio Paz 2021 da Pax Christi International. O anúncio foi feito a 17 de agosto pelo próprio organismo: «Temos o prazer de anunciar que CRN é a galardoada com o Prémio Internacional da Paz Pax Christi 2021».  O prémio reconhece a importância da CRN na construção do Sudão do Sul, o país mais jovem da África. «Ao tomarem a sua decisão, os membros da direcção da Pax Christi International reconheceram os tremendos desafios que o Sudão do Sul enfrenta devido à guerra, pobreza extrema, falta de cuidados de saúde, educação, e infra-estruturas governamentais», a Pax Christi explica em comunicado.  E continua: «Um sistema de rádio público coordenado e de base é uma ferramenta vital para alimentar a esperança e a paz no Sudão do Sul, uma vez que afecta as mudanças nas casas e comunidades em todo o país». Greet Vanaerschot, secretário-geral do movimento, justifica a atribuição do prémi...

SUDÃO DO SUL: DUAS FREIRAS MORTAS EM ATAQUE DE ESTRADA

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Duas freiras foram mortas num ataque perpetrado por homens armados a dois meios de transporte público na estrada Nimule-Juba, no Sudão do Sul, na segunda-feira de manhã. A notícia do assassinato de Regina Roba e Mary Abut, religiosas da Congregação das Irmãs do Sagrado Coração, encheu de consternação as redes sociais. As irmãs tinham participado no domingo na festa do centenário da missão de Loa e regressavam a Juba. O presidente da República, Salva Kiir Mayardit, e o vice-presidente, James Wani Igga, também participaram nos festejos. A missão, aberta pelos Missionários Combonianos em 1921, é dedicada à Senhora da Assunção. O ataque vitimou mais dois passageiros e um motociclista, atropelado por um pesado na confusão do ataque. As forças de segurança já fizeram três prisões relacionadas com o ataque. A Irmã Mary tinha 68 anos. Foi superiora geral do instituto. Dirigia uma escola primária privada em Juba. A Irmã Regina trabalhava no sector da saúde. A Congregação das Irmãs do Sagrado Co...

RAMOS DA MESMA VIDE

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  O Conselho Geral convidou os missionários combonianos a prepararem-se para o XIX Capítulo Geral com o dito de Jesus «Eu sou a videira; vós os ramos. O que permanece em mim e Eu nele, este dá muito fruto» no coração. Este ícone é poderoso e diz-me imenso. Nasci e cresci literalmente debaixo das ramadas de vides, à volta das casas e por cima dos caminhos públicos. Além das uvas, davam boa sombra. A alegoria remete-nos para o essencial do serviço missionário do Instituto: somos chamados a Jesus para ser enviados dois a dois ( Marcos 6, 7), convocados a estar para ir, a ser discípulos para ser missionários, discípulos missionários nas pisadas de São Daniel Comboni. UM ÍCONE ANTIGO Jesus colhe o ícone da videira no vasto repositório de imagens das Escrituras Judaicas que ilustram a relação íntima entre Deus e o seu povo. O Salmo 80 — uma oração pela restauração de Israel — representa, nos versículos 9 a 16, a história do povo de Deus como uma videira que o Senhor transplantou do Eg...

DANÇA DA REDENÇÃO

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Qualquer pecado que fizemos ou que fizermos já foi redimido pelo sangue de Cristo uma vez para sempre! O que nos condena, mata não é o pecado, é o cerrar-se à graça salvífica de Deus. Teimamos em tentarmos ser felizes sozinhos. Em sermos infelizes sozinhos! Porque a solidão não faz ninguém feliz. Teimamos em ficar à margem do processo de conversão: passar da razão que tudo justifica ao coração que tudo ama! O que nos espera à hora da morte não é a lista completa das nossas falhas, do nosso pecado em formato excell guardada nos arquivos do Paraíso. Espera-nos, sim, o abraço terno e eterno do nosso Pai.

PÃO PARTILHADO, PÃO MULTIPLICADO

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Os quatro evangelistas reportam o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes e são unânimes nos detalhes: Jesus com cinco pães e dois peixes mata a fome a 5000 homens – sem contar mulheres e crianças – num piquenicão num ermo verdejante. Foi, sem dúvida, um sinal muito importante. Jesus, primeiro, explorou a solução de mercado: perguntou quanto custava comprar pão para toda a gente em vez de os mandar para casa de barriga vazia. Duzentos denários – duzentos dias de trabalho – não chegavam e a bolsa de Judas não comportava tal despesa. Optou então pela solução local. Os discípulos trouxeram-lhe o que encontraram: cinco pães e dois peixes que – João explica – era a merenda de um rapazito. Os pães, feitos de farinha de cevada, eram o alimento dos pobres. Jesus manda aos discípulos que sentem a multidão em grupos. Que se reclinem no prado – como nos banquetes romanos! Quer que a multidão seja tratada com dignidade, que sejam seus convidados. Depois pegou nos pães, deu graças e distribu...

DESCANSO E COMPAIXÃO

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Os apóstolos reuniram-se junto de Jesus e anunciaram-lhe tudo quanto tinham feito e ensinado. E Ele disse-lhes: «Vinde a sós para um lugar deserto e descansai um pouco». De facto, eram tantos os que chegavam e partiam que eles nem sequer tinham tempo para comer. Partiram, então, a sós no barco, para um lugar deserto. Porém, citam-nos partir e muitos perceberam para onde iam; e de todas as cidades para lá acorreram a pé e chegaram antes deles. Ao sair, viu uma numerosa multidão e compadeceu-se profundamente deles, porque eram como ovelhas sem pastor, e começou a ensinar-lhes muitas coisas — conta o evangelista Marcos. Esta porção do evangelho tem uma atualidade extraordinária. Em plena estação de férias Jesus diz-nos o que disse aos apóstolos: «Vinde a sós para um lugar deserto e descansai um pouco». Habituamo-nos a contabilizar o tempo em termos económicos — os ingleses dizem que tempo é dinheiro — e os nossos dias transformaram-se numa exaustiva etapa de contra-relógio. Por outro lado...

A ESTRELA QUE NÃO SE APAGA

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Na madrugada do Sábado Santo, correu a voz de que a gasolina tinha chegado. Finalmente! Não posso perder a ocasião, vou tentar mais uma vez, pensei decididamente. Morto de sede, o todo-o-terreno da missão comboniana estava imobilizado há cerca de dois meses.  Ao nascer do sol eu já estava a chegar ao local anunciado para a distribuição. Outros dias como este vêm-me à mente: oxalá que hoje corra melhor do que aquele dia em que tive que passar a noite no carro, só tendo sido atendido ao meio-dia do dia seguinte. De todos os modos, há que ser otimista e arriscar. Junto com o breviário e algum material de leitura, tenho comigo pão, tâmaras e água que me asseguram o essencial para o dia inteiro.  À minha frente, vejo uma fila de carros que se estende por mais de um quilómetro. Aqui e ali, debaixo da jalabia, a longa túnica de alguns homens, entrevejo um facalhão atado ao braço, coisa tradicional entre muitos sudaneses.  Chegam vozes de que há muito rebuliço e até mesmo b...