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A mostrar mensagens de maio, 2025

AMOR SECANTE

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No evangelho do quinto domingo da estação pascal para o ano C Jesus anuncia: «Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros; como Eu vos amei, que também vós vos ameis uns aos outros. Nisto saberão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros» ( João  13, 34-35). Este é o pulsar do coração do Evangelho de Jesus: o amor ao seu jeito é o caminho que nos repara e salva, que nos faz felizes. Por outro lado, o que nos distingue como cristãos não são tanto as cruzes mais ou menos valiosas e trabalhadas que levamos ao pescoço, mas o amor até ao fim, extremado, brutal, consumado. Ao jeito de Jesus de Nazaré. Jesus ensina-nos através do seu viver que amar é autodescentrar-se. Amar é colocar o OUTRO no centro do coração. Um esforço árduo e contracultura em tempos da ditadura globalizada do eu. Quando preparo a homilia dominical em guji, gosto de conferir a mensagem do evangelho com algum ditado do povo com quem vivo há uma dúzia de anos. Este povo tem um provérbio...

PÁSCOA UNIDA

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Este ano os cristãos da Etiópia – ortodoxos e católicos – celebraram a Páscoa do Senhor unidos às outras Igrejas. Mas nem sempre é assim. No ano passado, por exemplo, enquanto a maioria festejou a ressurreição do Senhor a 31 de Março, as Igrejas da comunhão ortodoxa e os católicos da Etiópia fizeram-no a 5 de Maio. Porquê? A regra para a celebração da Páscoa foi estabelecida há exatamente 1700 anos no Concílio de Niceia: a ressurreição do Senhor celebra-se no domingo depois da lua cheia do equinócio da Primavera. O desacerto vem do facto de a comunhão ortodoxa seguir o calendário juliano e as Igrejas do Ocidente usarem o calendário gregoriano que o substituiu em 1582. O mês, entre os dois calendários, começa com uma diferença de treze dias. Por isso, a data da Páscoa varia entre 22 de Março e 25 de Abril segundo o calendário gregoriano e 4 de Abril e 8 de Maio segundo o juliano. O Papa Francisco sublinhou por diversas vezes a necessidade da celebração comum da Páscoa. Em Janeiro, na co...

«ALHAMDULILLAH!»

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« Alhamdulillah !  Alhamdulillah ! Bendito seja Deus! Bendito seja Deus!», repetem vezes sem conta a professora beduína e o seu marido, enquanto olhamos para os restos carbonizados daquilo que foi a casa deles.  Ela estava a cozinhar com a tia. Tinha deixado a máquina de lavar a trabalhar. O calor abrasador, as chapas de zinco sobreaquecidas... bastou um mau contacto. Em poucos minutos, o fogo tudo devorou. A casa, no meio da aldeia beduína, ficou completamente destruída. O marido mostra-nos o motor carbonizado da máquina de lavar: é o que resta.  A família, com os quatro filhos, vive agora com uma tia. O vestido usado pela professora foi-lhe emprestado pela irmã. Todos os seus pertences foram consumidos pelas chamas.  «Não conseguimos salvar nada», murmura. E, no entanto, repete com uma fé serena: “ Alhamdulillah , estamos bem». Eles já tinham tão pouco e perderam tudo. «Graças a Deus, estávamos fora», explica a professora.  Acena silenciosamente com a cabeça, ...

REVER O FUTURO

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Vinte e três membros da província etíope dos Missionários Combonianos reuniram-se de 6 a 9 de maio na Casa Comboni de Hawassa para celebrar a assembleia provincial de 2025, tendo como intento principal a revisão do Diretório Provincial, o documento que regula a vida da província. Quatro membros estavam ausentes, sobretudo por motivos de saúde ou escolares. O P. Isaiah Nyakundi deu o mote para os quatro dias de trabalho com a reflexão motivacional de abertura sobre «A província que sonhamos ter». O comboniano, nascido no Quénia, trabalha entre os Gumuz há uma dúzia de anos. O P. Asfaha Yohannes, superior provincial, apresentou o seu relatório sobre o estado da província em cinco pontos: situação sócio-político-económica, formação, pessoal, missão e economia. Deu também as boas-vindas aos missionários que chegaram recentemente à terra das origens. Em seguida, a assembleia começou a estudar o novo Diretório Provincial, capítulo por capítulo, debatendo-o e aprovando-o. O esboço foi prepara...

TEMOS PAPA

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  Cento e trinta e três cardeais, reunidos em conclave, durante pouco mais de 24 horas, escolheram o cardeal norte-americano Robert Francis Prevost, « um filho de Santo Agostinho»,  como o papa número 267. A escolha gerou alguma surpresa, mas o Prefeito do Dicastério para os Bispos desde 2023 fazia parte de algumas listas de papáveis, embora não fosse candidato de topo. Dom Robert Francis – partilha o nome com o papa que o precede – escolheu o nome de Leão XIV, o que motivou alguns sportinguistas a fazer montagens com o novo papa vestindo as cores e o emblema do clube. Segui o conclave com expetativa até porque o sector da Igreja mais tradicionalista se empenhou numa campanha para tentar «queimar» os candidatos mais dispostos a seguir o legado do papa Francisco. Produziram um dossier sobre quarenta cardeais com os seus pontos de vista em matérias mais fraturantes e a promover os próprios candidatos, e ofereceram o livro aos participantes no conclave. O dinheiro e o ruído mediá...

SONHAR AO SOL

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«Vou ser médico!», diz um rapaz beduíno com firmeza enquanto põe os meus óculos com um sorriso travesso. Ao lado dele, uma rapariga experimenta uns óculos de sol que lhe tapam metade da cara. «Também vou ser médica!», diz entusiasmada. Com gestos inocentes, simula uma cesariana: «Vou abrir a barriga das mães para os bebés nascerem.».  Outra, pequenina e determinada, anuncia que vai ser dentista e espreita para dentro da minha boca como se já estivesse a examinar os pacientes. Ironias da vida: os seus próprios dentes estão estragados pela cárie, sinal doloroso da falta de acesso aos cuidados mais básicos de saúde. Observo-os com ternura. Todos querem a minha atenção, sonham em grande, agem como se o futuro já estivesse nas suas mãos. Mas a realidade é dura: a rapariga que sonha ser ginecologista vai deixar o jardim de infância dentro de um mês e provavelmente terminará aí a sua educação formal. A única escola da aldeia, perdida entre as colinas e os vales do deserto, mal sobrevive. ...