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A mostrar mensagens de fevereiro, 2007

Hora sudanesa

Quando era miúdo, achava piada à maneira como a minha avó falava das horas: para ela, havia o meio-dia novo (12h00) e o meio-dia velho (13h00). Em Juba, descobri outro conceito diferente do tempo: a hora sudanesa. Explico. Ontem fui convocado para uma conferência de imprensa que o Dr. Riek Machar, Vice-Presidente do Sul do Sudão, iria dar às 17h00 sobre o desarmamento da sociedade civil. Às 17h00 estava eu no Sunflower Inn, junto ao Nilo Branco para a referida conferência com outros camaradas da imprensa, rádio e televisão. Mas o agendado encontro com a comunicação social - «com a matilha das hienas», como gracejava a correspondente da Reuters - só aconteceu às 19h50! Foi agradável estar ali junto ao Nilo Branco, com uma garrafa de água fresca - estava em serviço! - a contemplar o entardecer, a ver as barcaças chegarem de Kosti carregadas de mercadorias, trocar impressões sobre Juba, os seus problemas e a sua história, sobre a actividade jornalística com a música de Bob Marley em fundo...

A centopeia

Um fulano vivia sozinho e, por isso, achou que a sua vida melhoraria bastante se tivesse um animalzinho de estimação por companhia. Foi a uma loja de animais e disse ao empregado que queria um bichinho mas fora do comum. Ele era especial. Depois de alguma discussão, chegaram à conclusão que deveria ter uma centopeia por companhia. A centopeia é mesmo um bichinho de estimação fora do comum: tão pequeno e logo com 100 pés!!! A centopeia veio dentro de uma caixinha branca, a sua nova casinha... O centopário levou a caixinha para casa, arranjou um bom lugar para a colocar e achou que a melhor recepção que podia fazer à nova companhia era levá-la a tomar uma cervejinha... - Gostavas de ir comigo ao bar da esquina tomar uma cerveja? A pergunta ficou sem resposta. Meio chateado, esperou um pouco e perguntou de novo: - Que tal ires comigo tomar uma cervejinha, hei? Silêncio da nova amiguinha... Esperou mais um pouco, pensando e repensando sobre o que estava a acontecer. Chegou-se à caixinha br...

Realpolitk

O Conselho Provisório Nacional do SPLM reuniu-se em Yei, de 8 a 12 de Fevereiro, para debater a transformação do Movimento de Libertação do Povo Sudanês em partido político. A decisão mais bombástica foi a transferência da sede nacional do SPLM de Juba para … Cartum. O SPLM assume-se como partido nacional, defensor da unidade do país e pronto para disputar as eleições com o Congress Party, do presidente Al Bashir. «Não temos medo da concorrência. Temos a confiança do povo», declarou Pagan Amum, secretário-geral do Sector Sul do SPLM. O SPLM iniciou uma ronda de contactos com partidos da oposição sudanesa para partilhar as conclusões da reunião do politburo em Yei. Pagum Amum já se encontrou com a liderança da NDA (Aliança Democrática Nacional) e do Partido Umma para «promover paz e democracia no Sudão». Dr. Abdal-Nebi Ali Ahmed, presidente do Umma, declarou querer trabalhar com o SPLM «para resolver os problemas do país.» A mudança da sede nacional do SPLM de Juba para Cartum é um acon...

José

Não sou o único português em Juba nem o primeiro a chegar à capital do Sul do Sudão. Antes de mim veio outro José, Lopes de sobrenome, que trabalha na formação da magistratura, patrocinado pela União Europeia. É da zona de Coimbra A maneira como nos conhecemos foi atípica. Passo a contar! A nossa cozinheira descansa ao domingo. Por isso, normalmente vamos almoçar fora. E variamos de restaurante de acordo com o que nos apetece. Normalmente vamos ao Safari comer fígado ou peixe frito. Quando queremos frango, vamos uma espécie de tasca na estrada nova para o Aeroporto. Come-se bem, mas com as mãos: frango e pão e um molho picante. Pois claro, estamos em África. Naquele domingo fomos ao Café de Paris comer uma piza. Um lugar mais chique, dirigido por um jovem do Burindi. Tínhamos uma visita do Uganda e queríamos ser bons anfitriões. A piza – muito cara – estava uma maravilha. No fim, disse em inglês alto e em bom som: - No meu país dizemos: Comi como um padre! Um «kawaja» de meia idade, qu...

Refracções

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© JVieira CAMINHA Caminha! Só te peço que caminhes Que continues Ainda que não entendas… Caminha! Os teus passos Ninguém os entende, Indicam-te outro caminho, Querem fazer prevalecer As suas vontades Sobre a tua. Não deixes, Dá-lhes só uma resposta: Caminha! Não esperes que te entendam, Ninguém o fará. Críticas? Muitas, Mas mesmo assim continua, Caminha! Quando já não tiveres forças, O cansaço se apoderar de ti, E o suor descer sobre o teu rosto, Não pares, Caminha. Porque há aqueles que caminham E não sabem onde vão. Mas tu, sim! Sabes onde te leva o teu Caminhar!

Vizinhos

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© JVieira Nas traseiras de Comboni House, onde vivo, havia uma pequena praça. Havia, porque o espaço se transformou em quartel «informal» da segurança pessoal de Oboto Mamur, um dos cinco comandantes do SPLA, que é nosso vizinho. O comandante Oboto Mamur veio de Torit, perto da fronteira com o Uganda, e pertence à etnia lotuko. Tem cerca de uma centena de homens no seu exército pessoal. «Quando se chega a um determinado posto não se pode confiar em ninguém», explicou-me um sudanês. Os homens do comandante Mamur não são grande vizinhança. Fizeram a «casa-de-banho» junto à nossa vedação e temos que aguentar o cheiro e a cena diária do banho «semi-público». Além disso, às vezes disparam durante a noite e têm o hábito de ouvir música em altos brados até tarde. Os arbustos da nossa vedação também sofrem cada vez que varrem a improvisada parada. Um hóspede sudanês uma vez repreendeu os militares por estarem a danificar os arbustos. «São dos kawaja», dos estrangeiros – responderam. Ambiente s...

Reparação

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Obrigado, Zezita

Sabedorias

O CAÇADOR QUE FALOU DE MAIS Pela boca morre o peixe, diz-se entre nós. Esta fábula do Benim vai um pouco mais longe: quem fala sem pensar bem no que diz pode causar muito dano a si e aos outros. Era tempo de escassez, como muitas vezes acontece em África, onde a fome e a sede visitam com frequência as aldeias. Um dia, de manhã cedo, apenas o galo cantou pela primeira vez, Koumba, o caçador, juntou as suas flechas e o seu arco e embrenhou-se pela floresta à procura de caça. Andou durante muito tempo, até o Sol nascer, mas de caça nem o rasto… Koumba não se deixou vencer e continuou a sua busca durante o dia, até ao pôr do Sol. Estava a ficar desanimado por ter de regressar à aldeia de mãos a abanar, quando de repente deparou com o sapo Ponta, que tecia algodão enquanto guardava o seu campo de milho. Uma coisa nunca vista: um sapo tecedor que cultivava um campo de milho! O caçador aproximou-se devagar, com prudência, para cumprimentar o sapo. Ponta mostrou-se muito cordial e convidou-o a...

Código feminino

Afinal Daniel Awet não anda só preocupado com o cruzar dos ciclistas com militares. O Governador do Lakes State também decretou um código de conduta para mulheres. No Lakes State, no coração do Sul do Sudão, elas não podem vestir calças, não podem usar óculos escuros, não podem vestir blusas ou T-shirts justas, não podem mostrar o umbiguinho e… acima de tudo, não podem andar de bicicleta. Pois claro! Descobri todas estas proibições quando comentava com um padre de Rumbek a notícia do The Juba Post sobre o código do ciclista. Para o referido clérigo, a fonte da legislação restritiva sobre bicicletas - e mulheres - no Lakes State não é o Governador, mas sim o chefe da segurança do estado. O homem tem mesmo um problema freudiano com os velocípedes. Aqui fica a suposta correcção para que conste.

Carnaval

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Estás linda, Ju!

Código do ciclista

Daniel Awet, Governador do Lakes State, decretou que homens-ciclistas, ao cruzarem-se com militares ,devem desmontar o velocípede em sinal de respeito. The Juba Post noticiou que dois seguranças privados não respeitaram a lei e viram as respectivas bicicletas confiscadas na cidade de Rumbek. Salvou-os do aperto a intervenção da UNMIS, a Missão das Nações Unidas no Sudão.O semanário de Juba conta ainda que os soldados do SPLA se divertem a derrubar ciclistas. Viajam em pick-ups em alta velocidade – alguns com metralhadoras pesada montadas na parte de trás – e atingem os velocipedistas com canas de bambu .

Bicicletas

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No Kosovo quem não tem bicicleta não vê futebol! Obrigado, Rebelo

VIRTUAL

Entrei apressado e com muita fome no restaurante. Escolhi uma mesa bem afastada do movimento, porque queria aproveitar os poucos minutos que dispunha naquele dia, para comer e acertar alguns «bugs» de programação num sistema que estava a desenvolver, além de planear a minha viagem de férias, coisa que há tempos que não sei o que são. Pedi um filete de salmão com alcaparras em manteiga, uma salada e um sumo de laranja. Afinal de contas fome é fome, mas regime é regime não é? Abri o meu portátil e apanhei um susto com aquela voz baixinha atrás de mim: - Senhor, não tem umas moedinhas? - Não tenho, menino. Só uma moedinha para comprar um pão. - Tá bem, eu compro um. Para variar, a minha caixa de entrada está cheia de e-mail. Fico distraído a ver poesias, as formatações lindas, rindo com as piadas malucas. «Ah! Essa música leva-me até Londres e às boas lembranças de tempos áureos.» - Senhor, peça para colocar manteiga ou queijo. Percebo nessa altura que o menino tinha ficado ali. - Okey. V...

Orçamento

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© JVieira O Governo do Sul do Sudão aprovou o orçamento para 2007. Dos mais de 1,5 mil milhões de dólares disponíveis para as despesas de Estado, 550 milhões vão para o SPLA (sigla em inglês do Exército de Libertação do Povo do Sudão), o exército sulista. O ministro tinha pedido 750 milhões. Habitação, Terras e Serviços Públicos foi o segundo ministério mais beneficiado seguido da Educação. O SPLA gasta 40 por cento do total do orçamento. A segurança é uma das questões mais delicadas do Sul do Sudão. Por causa dos ataques do LRA (o Exército de Resistência do Senhor, os rebeldes do vizinho Uganda), por causa das lutas inter-tribais, e por causa do Norte. O Juba Post noticiou que duas empresas de defesa norte-americanas estão a treinar o SPLA. Alguns observadores estão afirmam que se a implementação do CPA (Tratado Global de Paz) continuar a ser boicotada por Cartum, dentro de dois anos o Sul proclama a independência unilateral. E os americanos querem reconquistar o acesso aos poços de p...

Perucas

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© JVieira As perucas são um adereço de sucesso em Juba. Por cerca de 10 euros, as jubanas podem ostentar cabeleiras fartas, frisadas ou encaracoladas, curtas ou longas, em tons vermelhos, azuis, roxos, louros ou castanhos. Confesso que às vezes me distraio a apreciar os mais variados penteados quando celebro na paróquia! T odos os dias, de manhã, quando vou para a Rádio Bakhita, cruzo-me com uma jovem de ar místico que usa na cabeça um autêntico «ninho de cegonha» em tons castanhos estilo rasta! A peruca, apesar de ser muito «in», também tem os seus inconvenientes. Em conversa com uma amiga que abandonou o uso do referido «capacho», descobri que o artefacto além de pesado, é extremamente quente. O que não é um dado irrelevante num clima equatorial como o de Juba onde o mercúrio facilmente passa a barreira dos 40 graus! Para quem não se quer submeter à «tortura» da peruca sintética há a alternativa dos alongamentos, com traças de todas as cores e comprimentos.

Vida: um intervalo

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Obrigado, Kikas

World Press Photo 2006

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Spencer Platt ganhou o prémio Foto do Ano do World Press Photo 2006. A imagem vencedora foi tirada no Sul de Beirute. Jovens da classe alta passeiam-se num descapotável numa parte da cidade bombardeada pela aviação israelita. O retrato foi feito a 15 de Agosto de 2006, primeiro dia do cessar-fogo entre o Hezbollah, o Partido de Deus, que controla o Sul do Líbano, e Israel. Spencer Platt é norte-americano e trabalha para a agência Getty Images. Vai receber 10 mill euros de prémio numa cerimónia em Amesterdão, na capital da Holanda, a 22 de Abril. O júri internacional premiou mais 58 fotógrafos, repartidos por dez categorias de entre 78.083 imagens enviadas a concurso por 4460 profissionais. O Prémio World Press Photo foi criado, em 1955, pela União dos Foto-Jornalistas Holandeses para dar uma dimensão internacional para o seu concurso anual.

Refracções

UMBRÍO POR LA PENA Umbrío por la pena, casi bruno, porque la pena tizna cuando estalla donde yo no me hallo, no se halla hombre más apenado que ninguno. Pena con pena y pena desayuno, pena es mi paz y pena mi batalla, perro que ni me deja ni se calla, siempre a su dueño fiel, pero importuno. Cardos, penas me oponen su corona, cardos, penas me azuzan sus leopardos y no me dejan bueno hueso alguno. No podrá con la pena mi persona circundada de penas y de cardos: ¡cuánto penar para morirse uno! Miguel Hernández (1910 - 1942)

Bom-dia Portugal

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Rádio Bakhita

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© JVieira ABERTURA OFICIAL Rádio Bakhita 91 FM foi oficialmente inaugurada em Juba a 8 de Fevereiro de 2007, dia em que a Igreja celebra a memória de Santa Josefina Bakhita. A inauguração começou cedo pela manhã. Denis Dramalo, chefe supremo do Condado de Juba, executou uma bênção tradicional com o sangue de um boi imolado par marcar a ocasião. A cerimónia principal decorreu ao entardecer. O Arcebispo de Juba, Dom Paolino Lukudu Loro, cortou a fita e abençoou as instalações da Rádio Bakhita. Foi acompanhado pelos ministros das Estruturas Físicas, em representação do Governador, e da Cultura e Informação do Governo do Estado de Central Equatoria, P. Moses Hamungole, director do departamento de comunicação da AMECEA, pessoal eclesiástico e mais de 150 convidados. Os coros árabe e inglês da paróquia de S. José abrilhantaram em conjunto a cerimónia. O evento terminou com um jantar volante oferecido aos participantes. Durante os discursos, o P. Moses Humungole sublinhou que a Rádio Bakhita...

Carta aberta

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A Igreja celebra hoje, 8 de Fevereiro, a memória de Santa Josefina Bakhita (Darfur - Sudão, 1869; Schio - Itália, 1947). Um missionário comboniano a trabalhar no Darfur escreveu-lhe. Querida amiga Bakhita, Aqui estou, de novo. Sinto-me bem a falar contigo. É maravilhoso sentir a tua presença quando me sinto só. Às vezes estou como que encurralado no tão pequeno raio de acção que me é permitido. Excepto quando vou a Bileil, a 14 quilómetros, celebrar a eucaristia para os refugiados. E ainda assim, tudo depende do humor dos soldados de turno nos três pontos de controlo que encontramos no caminho. Quando penso em ti, há outra pessoa que se faz, naturalmente, bem-vinda, porque é de casa. Refiro-me a Daniel Comboni. Será mesmo que não te tenhas encontrado com ele nas tuas aventuras de escrava aqui no Darfur, Cordofão ou mesmo em Cartum? Creio não ser absurdo pensar que ele só não te arrancou da escravidão por mera casualidade. Sabes que Daniel Comboni sempre lutou pelo direito natural da ...

Inauguração

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Bakhita Radio 91 FM © JVieira Bakhita Radio 91 FM, a Voz da Igreja, inicia as emissões regulares a 8 de Fevereiro, dia em que a Igreja celebra a memória de Santa Josefina Bakhita, a primeira – e até agora única – santa sudanesa. As emissões regulares vão ser inauguradas com alguma pompa e circunstância. Manhã cedo, um chefe local vai imolar um boi e abençoar as instalações da rádio com o sangue. A cerimónia oficial decorre a partir das 17h00. Foram convidados o arcebispo de Juba, Dom Paolino Lukudu, os ministros da Informação, Rádio e Televisão e das Telecomunicações e Serviços Postais e a ministra do Género e dos Assuntos Religiosos do Governo do Sul do Sudão, o Governador de Central Equatoria, representantes da UNMIS e de outros organismos da ONU, os directores das rádios da cidade e do Juba Post e membros da Igreja local. Depois da bênção das instalações pelo arcebispo de Juba, seguem-se os discursos de algumas individualidades. A celebração termina com um jantar. O grupo coral ár...

Sabedorias

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Deslumbres

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© JVieira HE ANDADO MUCHOS CAMINOS He andado muchos caminos, he abierto muchas veredas; he navegado en cien mares, y atracado en cien riberas.´ En todas partes he visto caravanas de tristeza, soberbios y melancólicos borrachos de sangre negra, y pendantones al paño que miran, callan, y piensan que saben, porque no beben el vino de las tabernas. Mala gente que camina y va apestando la tierra... Y en todas partes he visto gentes que danzan o juegan, cuando pueden, y laboran sus cuatro palmos de tierra. Nunca, si llegan a un sitio, preguntan adónde llegan. Cuando caminan, cabalgan a lomos de mula vieja, y no conocen la prisa ni aún en los días de fiesta. Donde hay vino, beben vino; donde no hay vino, agua fresca. Son buenas gentes que viven, laboran, pasan y sueñan, y en un día como tantos, descansan bajo la tierra. António Machado em "Soledades, galerías y otros poemas"

Clima

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© JVieira TERRA ESTÁ A AQUECER A Terra está a aquecer e até ao final do século a temperatura média deve subir entre 1,8 e 4 graus centígrados. O aquecimento global vai fazer subir o nível dos mares até mais de meio metro e provocar grandes secas e vagas de calor. O alerta foi lançado pelos 500 membros do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC). Os especialistas em alterações climáticas que integram o IPCC atribuem o aquecimento global a factores naturais e sobretudo à actividade humana. As concentrações de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, sublinham, nunca foi tão elevada desde há 650 mil anos.A subida do mercúrio nos termómetros vai fazer subir os oceanos e provocar episódios meteorológicos extremos como vagas de calor, episódios de seca e precipitações intensas. Estes fenómenos poderão causar cerca de 200 milhões de refugiados climáticos até ao fim do século devido à submersão de zonas ribeirinhas e a desertificação. É altura de os políticos assumirem a sé...

Compras

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© J. Vieira O Sudão tem uma nova moeda desde 9 de Janeiro. A libra sudanesa substitui o dinar desde o dia do segundo aniversário do Acordo Global de Paz entre o Governo de Cartum e o Exército de Libertação do Povo do Sudão (SPLA). Esta é a terceira mudança de moeda nos últimos 15 anos. O dinar sudanês substituiu a libra sudanesa em 1992, três ano depois de Al Bashir tomar conta do poder. Mas a gente continua a fazer as contas em libras velhas – que tinham mais um zero – embora paguem com dinares. Se antes ir às compras exigia alguma ginástica mental, agora a situação piorou «muito bem». Explico! Um quilo de carne de vaca custa no mercado de Juba Velha 1000 dinares, cerca de 3,50 euros. Quando pergunto o preço da carne, o vendedor tanto pode responder 1000 como 10 mil. Nunca fala em dinars ou libras velhas. Por isso, é preciso esclarecer em que moeda está a fazer as contas e começar a discutir o preço. Agora entrou em cena a libra nova que tem menos dois zeros em relação ao dinar e trê...

Refracções

MISSÃO Missão é partir, Caminhar, deixar tudo, sair de si, Quebrar a crosta do egoísmo Que nos fecha no nosso eu. É parar de dar a volta ao redor de nós mesmos Como se fossemos o centro do mundo e da vida; É não se deixar bloquear Nos problemas do mundo a que pertencemos: A humanidade é maior. Missão é sempre partir, Mas não devorar quilómetros. É sobretudo abrir-se aos outros como irmãos, Descobri-los e encontrá-los. E, se para encontrá-los e amá-los É preciso atravessar os mares e voar lá nos céus, Então, missão é partir até aos confins do mundo. Dom Hélder Câmara