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A mostrar mensagens de junho, 2026

DESTA PARTIU

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Quando nasceste puseram-te o nome Desta, Felicidade em amárico. Um nome que te assentava como uma luva fina. Conheci-te em novembro de 2021. Participavas na missa com os utentes da casa de acolhimento das Missionárias da Caridade, as freiras de Santa Teresa de Calcutá, em Adola, cada sábado ao cair da tarde, numa cadeira de rodas. E vestindo um enorme sorriso! A doença foi enfraquecendo o teu corpo e acamaste. Levava-te a comunhão no fim da missa. A ti e à tua vizinha de enfermaria. Recebias sempre o Senhor com o teu sorriso rasgado. E uma fé enorme, expressa no modo como como rezavas. Quando regressei de Portugal, em fevereiro passado, encontrei-te muito pior. Já não mexias os braços, estavas pele e osso. Cada vez mais magra, cada vez mais enfraquecida. Mas o teu sorriso era cada vez mais lindo. Radiante.  A notícia do teu falecimento não me surpreendeu. Surpresa foi a grande luta que mantiveste com essa doença prolongada sem perderes o sorriso. Sem deixares de ser Desta. Ou Déssi...

SEXTA-FEIRA, 13 – OU 17?

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Aprendemos a olhar cada sexta-feira no dia 13 com muito receio: em cada segundo seu pulsa o alarme do azar! Se lhe juntarmos escadas, gatos negros, espelhos partidos, guarda-chuvas abertos em casa, pentes caídos – sei lá que mais – temos os ingredientes para um dia verdadeiramente aziago, azarado!  Como se formou esta superstição? Dizem os entendidos que esta crendice vem de uma salada russa de lendas e mitos religiosos caldeados com alguns acontecimentos históricos. Nas culturas cristãs, a sexta-feira é relacionada com a crucifixão e morte de Jesus. Daí o seu carácter nefasto. Já o número 13 pode ter origens diversas: -        13 era o número dos convivas na última ceia: Jesus mais os 12 apóstolos; -        13 era o número dos convivas no banquete de Odin na mitologia nórdica: 12 deuses convidados, mais o penetra Loki, o deus da discórdia, que criou o caos de que resultou na morte de Balder, deus amado na mitologia nórdic...

«SOU ESPECIAL!»

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Conhecemo-la há três anos. Uma menina beduína palestiniana numa aldeia do deserto da Cisjordânia. Extremamente tímida. Sempre afastada. Quase sem falar. Parecia viver por detrás de um muro invisível. Esta semana, durante o acampamento de verão na sua aldeia, mal podíamos acreditar no que estávamos a ver. Hoje tem seis anos. E é outra criança. Cresceu ao lado de uma irmãzita apenas um ano mais velha, espontânea, segura e extrovertida. Desde o primeiro dia, repetimos vezes sem conta a mensagem do acampamento: «Sou especial. Sou única. Obrigada por ser quem sou!» Ao ritmo do hino que acompanhou estes dias, vimo-la sorrir, brincar, participar, falar e acercar-se. A menina que antes se escondia agora corre ao nosso encontro. Procura as outras crianças, partilha, colabora e oferece abraços cheios de confiança. Esta transformação não aconteceu num instante. É fruto de anos de presença, proximidade e carinho. Fruto de se sentir amada, aceite e valorizada. Fruto de um caminho percorrido ao lado...

A-DEUS, P. GREGÓRIO

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Querido padre Gregório, A notícia do teu falecimento apanhou-se de surpresa no metro, esta manhã, a caminho da escola de italiano.  Mamma mia ... O P. José Rebelo, o superior provincial, postou no grupo esta mensagem: «Caros colegas, com o coração pesado queria informar-vos que o P. Gregório faleceu esta manhã, às 5, no hospital de Viseu». A notícia deixou-me muito triste. Sem palavras. Tinhas 84 anos, muitos deles vividos em serviço missionário no Brasil de onde trouxeste um sotaque interessante. Confesso que fiquei preocupado quando li que tinhas sido submetido a uma traqueostomia de urgência por dificuldades respiratórias.  Perguntei à inteligência artificial que cirurgia era essa. Fiquei mais tranquilo quando soube que estavas bem, à espera de cama para seres internado. Lembrei-me da tua dificuldade em falar e da possibilidade de cancro na garganta cujo diagnóstico dividia os clínicos de Viseu e de Coimbra. Partiste. Estás no abraço terno e eterno de Deus. No metro, uma da...

IGREJA DE ADIS-ABEBA TEM NOVO LÍDER

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O papa aceitou hoje a renúncia do arcebispo de Adis-Abeba e nomeou o auxiliar para o substituir. O Vaticano anunciou hoje ao meio-dia de Roma que «o Santo Padre aceitou a renúncia ao governo pastoral da Arquieparquia de Adis-Abeba (Etiópia) apresentada por Sua Eminência o Cardeal Berhaneyesus Demerew Souraphiel» e «nomeou Arcebispo Metropolitano de Adis-Abeba (Etiópia) S.E. Abune Tesfaye (Tesfasilasie) Tadesse Gebresilasie, até agora Bispo Auxiliar da mesma Sé». O Cardeal Berhaneyesys, Lazarista, completa 78 anos em julho. Liderava a Igreja de Adis-Abeba desde junho de 1999. Foi nomeado cardeal pelo Papa Francisco em 2015. O novo metropolita Dom Tesfaye Tadesse é Missionário Comboniano. Desempenhava as funções de bispo auxiliar de Adis-Abeba desde novembro de 2024. O novo Arquieparca nasceu há 56 anos em Harar, no leste da Etiópia e é licenciado em Estudos Islâmicos. Ordenado presbítero em 1995, serviu como missionário na Etiópia e no Sudão.  Foi Superior Provincial dos Combonianos...

COMBONIANO RECEBE NOBEL DOS MISSIONÁRIOS

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O missionário comboniano italiano padre Diego Dalle Carbonare, Superior Provincial dos Missionários Combonianos no Egito-Sudão, foi distinguido com o Prémio Cuore Amico 2026 na categoria Religiosos pela Associação Missionária Cuore Amico Fraternità ETS. O galardão é por vezes designado como o «Nobel dos Missionários». No comunicado oficial, datado de 5 de junho de 2026, a Associação sublinha que o prémio foi atribuído ao padre Dalle Carbonare pelo seu empenho missionário no Sudão, num contexto marcado pela guerra, pelo sofrimento e por graves emergências humanitárias.  O prémio valoriza em particular o trabalho de coordenação e apoio às comunidades missionárias combonianas que continuam presentes ao lado da população, através de atividades pastorais, educativas e caritativas em favor das pessoas deslocadas e mais vulneráveis. Instituído há 36 anos por Don Mario Pasini, sacerdote e jornalista de Brescia, o Prémio Cuore Amico é considerado um dos mais importantes prémios missionários...

ISIRO (RD CONGO): GUERRA E FUGA EM MASSA

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  Na madrugada de 30 de maio de 2026, a cidade de Isiro, a capital e maior cidade da província de Alto Uele, no norte da República Democrática do Congo, foi despertada pela chegada em massa de deslocados que fugiam dos terroristas. A onda ruidosa, vinda de cerca de 125 quilómetros a leste, atravessou dezenas e dezenas de aldeias na floresta. Impelidos pelo medo, encheram durante vários dias a grande estrada internacional que liga Isiro ao Uganda e procuraram refúgio na capital da província. O governo provincial foi apanhado de surpresa. Acreditava-se que a guerra era o destino dos povos do Leste e do Nordeste do país, não no Norte. Além disso, todos acreditavam que os reforços militares enviados para Gombari (a duas centenas de quilómetros de Isiro) e para Mungbere (a 125 quilómetros) eram suficientes para dissuadir os guerrilheiros que, ao que parece, vêm do Nordeste. A estratégia da guerrilha pôs a nu a desorganização e a fraqueza das forças do governo.   Acolhimento e ...

A GUERRA DOS ELEFANTES

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O Sudão entrou no quarto ano de uma guerra civil devastadora e sem tréguas entre dois generais. Os civis são as vítimas maiores desta crise ignorada.  Nota um ditado africano que, quando dois elefantes lutam, é o capim que sofre. O símile ilustra perfeitamente o que se passa no Sudão desde 15 de Abril de 2023 quando, em Cartum, a capital do país, forças do Exército (SAF), comandado pelo general Abdel Fattah al-Burhan, e paramilitares das Forças de Apoio Rápido (RSF) chefiadas pelo general Mohamed Hamdan Dagalo, conhecido por Hemedti, entraram em confronto directo pelo poder que dividiam desde o golpe de Estado de Outubro de 2021. As RSF vieram dos janjaweeds do Darfur transformados em força pretoriana do ditador Omar al Bashir, deposto em 2019. Essas milícias árabes, que controlam muitas minas de ouro no país e contam com o apoio dos Emirados Árabes Unidos (EAU), ocuparam Cartum e rapidamente tomaram conta de infra-estruturas críticas no país. Entretanto, o Governo mudou-se de ...