Haro Wato: MATAR SAUDADES
Voltei a Haro Wato, a missão que comecei com dois colegas em abril de 1995. A ocasião foi uma manhã de recoleção na véspera do Pentecostes para as comunidades combonianas (uma feminina e duas masculinas) que servem o povo Guji. Os cerca de 50 quilómetros de estrada de terra batida que atravessam os Montes Uraga entre Bore e Haro Wato estão em bom estado e a viagem foi agradável apesar de um forte aguaceiro na parte mais alta do percurso. Vi muitos batatais em flor, promessa de uma boa colheita. E os milharais crescem com a chuva. No cruzamento com a estrada Dilla-Shakisso, onde havia duas ou três cabanas-tabernas para reabastecimento, nasceu Damma, uma aldeia enorme com hospital. Demos boleia a duas jovens que andavam a vacinar as pessoas contra o Covid. Nalgumas partes onde antes havia floresta densa, agora há campos agrícolas e plantações de eucaliptos. A pressão sobre a natureza é grande e o equilíbrio entre conservação e desenvolvimento é difícil. A pequena aldeia que se form...