Mensagens

A mostrar mensagens de outubro, 2014

AMOR-CHAVE

Imagem
Os centros de interpretação são uma ferramenta recente para explicar lugares históricos que o evangelho deste domingo me recordou. Conta Mateus (22: 34-40) que um doutor da lei propôs um debate a Jesus sobre qual era o maior mandamento da lei. Os dez mandamentos que Deus deu a Moisés em duas pedras no Monte Sinai, no tempo de Jesus tinham sido fragmentados em 613 leis: 365 proibições (tantas como os dia do ano) e 248 obrigações (tantas como os ossos do corpo – pensava-se). Um judeu piedoso contemporâneo de Jesus vivia num sobressalto constante: com isto estou a cumprir ou a contradizer a lei? Não é fácil recordar de cor 613 prescrições. Daí a pergunta do legista: Qual das 613 leis é a mais importante? Jesus responde juntando uma frase do Livro do Deuteronónio (6:5) - «Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente», parte da Shemá, a oração que os hebreus recitam duas vezes por dia, - com outra frase do Levítico (19:18): «Amarás ao teu ...

DOXOLOGIA

Imagem
No verão de 1980 passei um mês no Hospital  de São João de Deus em Montemor-o-Novo. A estada no centro ortopédico infantil foi parte do noviciado, o tempo de formação para a vida missionária comboniana. No hospital havia um capelão, um padre já idoso, que costumava perguntar aos pequenos acamados: -Meu menino, o que é o Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo? Os miúdos respondiam com olhares arregalados. -É uma doxologia, meu menino! – repetia o capelão, sorridente, a esfregar as mãos. Foi assim que eu aprendi que o Glória ao Pai se chamava doxologia. Esta palavra vem do grego e quer dizer palavra de louvor, glorificação. Muitos anos mais tarde, a 6 de Outubro de 2003, o Cardeal Gabriel Zubeir de Cartum presidiu a uma missa de acção de graças na Basílica de São Pedro, no Vaticano. No dia anterior, Daniel Comboni , o primeiro bispo de Cartum e fundador dos Combonianos, tinha sido canonizado pelo Papa (agora São) João Paulo II. O Cardeal Zubeir confidenciou durante a ho...

RIO DE ALEGRIA

Imagem
Nilo Branco ©JVieira O Papa escreveu a mensagem para o Dia Mundial das Missões 2014 – que se celebra no domingo, 19 de outubro – sob o signo da alegria. De facto, ele repete a palavra 27 vezes, ecoando a exortação de Paulo: «Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos!» (Filipenses 4:4). O vocábulo amor aparece dez vezes. Alegria e amor são os ingredientes com que se faz a missão. Francisco define o Dia Mundial das Missões como uma «celebração de graça e alegria» através de «orações e gestos concretos de solidariedade» para com as igrejas jovens. A evangelização é um rio de alegria em que os baptizados são convidados a navegar e a alimentar através de uma peregrinação interior ao «primeiro amor» para perseverar com o Senhor e fazer a sua vontade, partilhando a fé, a esperança e a caridade evangélica. Tomando como ícone a narrativa lucana do regresso jovial dos 72 da primeira experiência missionária (Lucas 10:17-23), o Papa recorda que Jesus disse aos discípulos p...

COMO JESUS, COMO COMBONI

Imagem
A Igreja «deu» à família comboniana a segunda parte do capítulo décimo do Evangelho segundo São João (versículos 11 a 16) para celebrarmos a solenidade de São Daniel Comboni, oferecendo o bom pastor do coração trespassado como o modelo de serviço missionário. Jesus apresenta-se nesta porção dos Evangelhos como o pastor belo, o bom pastor que dá a vida (João 10:11), que oferece a vida pelas ovelhas (João 10:15). Antes tinha proclamado o coração do seu ministério: «Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância» (João 10:10). Jesus cumpre a promessa de Deus ao seu povo através da profecia de Jeremias: «Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração» (Jeremias 3:15). Ele é o bom pastor do coração trespassado que nos envia para sermos sua presença no tempo e no espaço. Jesus é o belo pastor, o bom pastor, o grande pastor (Hebreus 13: 20), o supremo pastor (1 Pedro 5:4). Antes de mais, Jesus recupera a figura do pastor. No seu tempo, o ofício de guardador de rebanhos tinha perdido a mí...

MENTIRA BOA

Imagem
« A boa mentira » conta a odisseia horrenda de sete irmãos e uma irmã que a guerra civil forçou a abandonar a aldeia natal em Bahr el Ghazal, no Sudão do Sul.  Depois de mais de mil quilómetros a pé – dois morreram e um foi preso pelos soldados sudaneses – chegaram ao campo de refugiados de Kakuma , no norte do Quénia. O terceiro irmão faleceu de exaustão à chegada. Os quatro sobreviventes, três rapazes e uma rapariga, tiveram a sorte de serem remetidos para os Estados Unidos. A saga das oito crianças dincas foi repetida até à exaustão por mais de 20 mil rapazes e algumas raparigas com idades entre os sete e o 17 anos, dincas e nueres, no final dos anos 80. Primeiro, caminharam a pé para a Etiópia. Quando regime de Menguistu caiu, em 1991, foram corridos a tiro e dirigiram-se para Kakuma. Foram apodados de  lost boys , crianças perdidas, pelos trabalhadores humanitários. Muitos miúdos fugiram do inferno da segunda guerra civil que consumiu o Sudão do Sul entre 1983 e ...

INOVAÇÃO PASTORAL

Imagem
253 pessoas, incluindo cardeais, bispos, religiosos, peritos, casais e representantes de outras igrejas, estão a participar no Sínodo extraordinário sobre «os desafios pastorais da família, no contexto da evangelização.» A assembleia começou a 5 de Outubro e vai até 19. O instrumento de trabalho para a assembleia explica que o sínodo vai tratar de três âmbitos: o evangelho da família a ser proposto nas circunstâncias actuais; a pastoral familiar a ser aprofundada face aos novos desafios; a relação generativa e educativa dos pais em relação aos filhos (nº 158). Há muitas expectativas para o sínodo já que a situação dos divorciados, recasados e juntos coloca desafios pastorais a que a Igreja tem sentido alguma dificuldade em responder. Há um ponto assente: Jesus era contra o divórcio. A evidência bíblica é conclusiva: «Não separe o homem aquilo que Deus uniu» (Marcos 10:9). No tempo de Jesus, o judaísmo permitia o divórcio: «Moisés permitiu escrever carta de divórcio e despedir a mul...

AFRICANOS MISSIONÁRIOS

Imagem
Ir. Tiberh Zerezghi , Missionária Comboniana eritreia,  com crianças de Bahia, Brasil A África passou de terra de missão a Igreja missionária aberta a todo o mundo, incluindo Portugal. No Verão de 1969, Paulo VI esteve em Campala, a capital do Uganda, para participar no encerramento de um simpósio organizado pelos bispos africanos. Na homilia lançou um apelo decisivo ao continente: «Africanos, sede missionários de vós próprios!» A Igreja africana aceitou o desafio de ser missionária «em casa» e fora dela: africanas e africanos saíram em missão para outros continentes, incluindo para Portugal, onde ministram em comunidades religiosas e paróquias. Apesar de não haver estatísticas disponíveis para quantificar a missionariedade do Continente Negro, há alguns indicadores que nos permitem entrever essa realidade. Tomemos, a título de exemplo, a congregação dos Apóstolos de Jesus , a primeira congregação missionária africana. Foi fundada a 22 de Agosto de 1968 em Moroto, n...