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A mostrar mensagens de setembro, 2017

SEM MUROS

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A liturgia de hoje oferece-nos um texto muito antigo mas também muito atual. É tirado da profecia de Zacarias, escrita cerca de 500 anos antes de Cristo. Diz assim: «Jerusalém deverá ficar sem muros, por causa da multidão de homens e animais que haverá nela. E Eu serei para ela – diz o Senhor – uma muralha de fogo à sua volta e no meio dela serei a sua glória» (Zacarias 2, 8-9). Num tempo em que se fala tanto de construir muros e puxar as fronteiras para longe - as da Europa já chegam às praias da Turquia e da Líbia, de derivas xenófobas, este texto é revelador e desafiante. Jerusalém, destruída pelos sírios, não precisa de muros novos: é casa de esperança para uma multidão sempre a crescer, um regaço aconchegante, um seio acolhedor, um ponto de encontro multicultural. As migrações são uma constante histórica: não há raças puras; trazemos nos nossos genes a herança de inúmeros povos andarilhos à procura de sítios e vidas melhores. Se não temos muros nem fronteiras, se somo...

LATINICES

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O Papa Francisco, na peregrinação centenária a 12 e 13 de maio, fez um gesto profético que – parece – passou ao lado dos liturgistas do Santuário de Fátima: celebrou a missa integralmente em português com aquele sotaque latino-americano gostoso. O Papa quebrou o «protocolo litúrgico» em uso no Santuário que impõe que algumas saudações da missa e a própria consagração sejam feitas em latim. Pensei que quem de direito tivesse tomado nota do gesto papal. Enganei-me: o latim continua a ser usado na Eucaristia. Por volta do santo os acólitos distribuem umas folhinhas brancas com letra e música de algumas partes da oração eucarística em latim… Talvez por um saudosismo mal resolvido, um revivalismo anacrónico, a ânsia de uma linguagem mistérica...  Tudo menos liturgia, porque a liturgia literalmente é a energia do/no povo! Não percebo o alcance da opção. Se é para chegar a mais gente – já que Fátima é um santuário internacional – então é uma falácia: o latim é uma língua morta e pouc...

ANA TABAN, ESTOU CANSADO

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Colectivo sul-sudanês usa as artes para promover paz e liberdade de expressão. Há cerca de um ano, um grupo de artistas do Sudão do Sul juntou-se para criar uma plataforma activista pela paz na sequência dos combates de Julho de 2016 em Juba que fizeram um número indeterminado de mortos. Decidiram chamar-se Ana Taban («Estou Cansado», em árabe). Músicos, actores, comediantes, guionistas, criadores de moda, artistas plásticos formaram o Ana Taban para terem uma influência positiva na nação em guerra consigo própria desde Dezembro de 2013. Estão cansados da guerra e do sofrimento; de verem de braços cruzados o país a arder; de viverem num país rico em recursos naturais com uma economia em colapso; de formarem uma diversidade cultural linda destruída pelo tribalismo; de verem um povo faminto numa terra fértil; de serem usados para se matarem uns aos outros para benefício de alguns. Ana Taban propõe-se promover os valores da paz, coragem, integridade, cidadania, não-violência e não-al...

MISSÃO DO CORAÇÃO AO CORAÇÃO

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As Jornadas Missionárias 2017 decorreram em Fátima a 16 e 17 de setembro sob o tema inspirador «Missão do coração ao coração» no âmbito do jubileu centenário de Fátima. D. Manuel Linda, presidente da comissão episcopal Missão e Nova Evangelização, abriu as jornadas dizendo que é no coração, fonte do pensar e do querer, que se abraçam as grandes opções de vida. A Doutora Isabel Varanda reflectiu sobre o tema «Sim… Faça-se… – Aceitação da missão. Acreditar no impossível». «Ser missionário é não ser autorreferencial», sublinhou a teóloga da UCP- Braga. Dom António Couto tratou o tema mariano «Feliz porque acreditaste… – Participação do missionário no mistério de Cristo». «O missionário verdadeiro tem que ter o sabor de Deus, tem que estar ao dispor de Deus» ao jeito de Maria, disse o biblista, Bispo de Lamego. E recordou: «Meia hora de leitura diária da Bíblia dá uma indulgência plenária e é a grande porta santa que nos abre à vida.» O padre Adelino Ascenso, Superior Geral dos Mission...

BEM-HAJA, D. ANTÓNIO

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Conheci-o na minha infância: foi coadjutor em Cinfães nos dois anos a seguir à sua ordenação a 8 de dezembro 1972. Éramos vizinhos. Ficámos amigos.  Aprendi a apreciar a sua simplicidade, o seu sorriso tranquilo, o seu conversar manso, a profundidade do seu pensamento, a arte de bem pregar um sermão… Encontrámo-nos muitas vezes em Cinfães, Lamego, Braga, Aveiro, Porto, Fátima… Conversas longas, tranquilas, sem a pressa do despachar… a querer saber de todos e de tudo, uma curiosidade amiga, uma amizade preocupada com as pessoas. Entesouro as nossas conversas, a sua amizade, o seu testemunho de homem de Deus e homem da Igreja, construtor de pontes e de consensos, com uma paciência extremada… Sempre me senti bem recebido pelo Dr. António – como lhe chamávamos em Cinfães. Aprendi muito com o senhor e do senhor! Homem dedicado até ao limite! Numa das visitas que lhe fiz no Porto, encontrei-o cansado. Perguntei: – O Dom António não fez férias? – Ó Zé, o meu pai ...