SEM MUROS
A liturgia de hoje oferece-nos um texto muito antigo mas também muito atual. É tirado da profecia de Zacarias, escrita cerca de 500 anos antes de Cristo. Diz assim: «Jerusalém deverá ficar sem muros, por causa da multidão de homens e animais que haverá nela. E Eu serei para ela – diz o Senhor – uma muralha de fogo à sua volta e no meio dela serei a sua glória» (Zacarias 2, 8-9). Num tempo em que se fala tanto de construir muros e puxar as fronteiras para longe - as da Europa já chegam às praias da Turquia e da Líbia, de derivas xenófobas, este texto é revelador e desafiante. Jerusalém, destruída pelos sírios, não precisa de muros novos: é casa de esperança para uma multidão sempre a crescer, um regaço aconchegante, um seio acolhedor, um ponto de encontro multicultural. As migrações são uma constante histórica: não há raças puras; trazemos nos nossos genes a herança de inúmeros povos andarilhos à procura de sítios e vidas melhores. Se não temos muros nem fronteiras, se somo...