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A mostrar mensagens de 2022

O NATAL E OS TRÊS NASCIMENTOS DE JESUS

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Durante as quatro semanas da época do Advento, temos desejado, invocado, rezado: Marana tha, Vem, Senhor! Pois bem, " Hoje sabereis que o Senhor vem salvar-vos: amanhã vereis a sua glória " (antífona da Missa da Véspera, cf. Êxodo 16,6-7). De qual vinda se trata, já que a época do Advento evoca três vindas? Uma no passado (Cristo veio!), uma segunda no futuro (Cristo virá!) e uma terceira no presente (Cristo vem!)? Cristo preenche todos os tempos: « Jesus Cristo é o mesmo ontem e hoje e para sempre »! ( Hebreus 13.8). É reconfortante saber que Ele está presente no nosso passado, no nosso presente, e no nosso futuro. Toda a nossa existência é vivida no Seu eterno presente. E ai de mim, se eu não for « encontrado Nele » ( Filipenses 3,9). Então — repito — o que vem aí, de que nascimento estamos a falar? Na verdade, no Natal celebramos as três vindas ou nascimentos de Jesus. O monge Enzo Bianchi diz: a grande tradição da Igreja Católica, desde os antigos padres do Oriente e do...

Gilgel Beles (Etiópia): CAPELA PRISIONAL DEDICADA AO ARCANJO SÃO MIGUEL

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A nova capela prisional construída pelos Missionários Combonianos no estado regional de Benishangul Gumuz, na Etiópia, foi dedicada ao Arcanjo São Miguel. O Bispo Abune Lisanu-Christos Matheos, Eparca da diocese de Bahir Dar-Dessie, dedicou a nova capela construída no interior da prisão de Gilgel Beles. A cerimónia de dedicação teve lugar no sábado, 22 de Outubro de 2022. Devido às restrições do estabelecimento prisional, a participação externa na cerimónia de dedicação foi limitada aos catequistas, coro, irmãs missionárias e fiéis católicos que servem como autoridades locais. Na ocasião, Abune Lisanu-Christos administrou o sacramento da confirmação a uma dúzia de reclusos católicos. A nova capela é espaçosa. Construída com tijolos e cimento, substitui o antigo edifício feito de madeira, barro e zinco. O centro de culto da prisão funciona como uma capela da missão de Gilgel Beles. «Juntamente com a primeira evangelização nas aldeias e na cidade, o apostolado entre os presos tem sido u...

SEAREIR@S DE DEUS

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Jesus, quando designou os 72 discípulos para irem, à sua frente, dois a dois, a todos os lugares que queria visitar, explicou-lhes que o seu trabalho número um era o de rogar ao Senhor da Seara que mandasse trabalhadores para a sua seara. Só depois é que lhes ordenou: «Ide!» (Lucas 10: 1-3). A pastoral vocacional faz parte do serviço missionário que os Combonianos prestam na Etiópia. De três maneiras: através do testemunho alegre e generoso de cada missionário, da oração, e dos grupos vocacionais. Para cumprir o mandato de Jesus, em Qillenso, todas as quartas-feiras, às 18h00, fazemos uma hora de adoração pelas diversas vocações na Igreja. É um momento tranquilo, cheio dos sinfonia polifónica do crepúsculo, feito à luz de velas quando há apagões — que são frequentes. Durante as férias grandes, os candidatos e candidatas da missão em casas de formação, ou os postulantes combonianos que fazem a sua experiência de missão, acompanham os missionários quando vão celebrar a missa às divers...

A FESTA DA MISSÃO

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Todos os anos a Igreja Católica celebra a festa da missão no penúltimo domingo de outubro para nos recordar — como o Papa Francisco escreveu na mensagem para o Dia Mundial das Missões de 2022 — que todos somos missionários. Todos os batizados somos discípulos de Jesus. Somos enviados por Ele a testemunhar o amor do Pai por todas as pessoas e por toda a criação através do testemunho do nosso amor e da nossa palavra. Este ano celebrei a Festa da Missão na linha da frente, missionário entre missionárias e missionários. «Todos somos uma missão!», tem repetido o papa argentino vezes sem conta. No sábado à tarde, presidi à Eucaristia na capela do Centro de Acolhimento das Missionárias da Caridade, as Irmãs de Madre Teresa de Calcutá, em Adola. Gosto muito de celebrar a Eucaristia vespertina com os pacientes do centro. A capela é toda feita de tiras de canas de bambu, entrelaçadas como um cesto gigante invertido. Perco-me a contemplar os rostos sorridentes daquelas mulheres presas a uma cade...

VIVA SÃO DANIEL COMBONI

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Daniel Comboni, o santo fundador dos Missionários Combonianos, faleceu em Cartum, Sudão — onde era bispo — a 10 de outubro de 1881. Tinha 50 anos.  Sucumbiu às febres tropicais e às fadigas apostólicas. São João Paulo II canonizou-o a 5 de outubro de 2003. A festa litúrgica é celebrada no dia do seu falecimento. São Daniel Comboni é o padroeiro da igreja que os combonianos construíram na cidade de Adola, paróquia de Qillenso. Foi sagrada a 7 de março de 2016. O adro da igreja tem uma estátua cinzenta sua com chaves na mão, uma iconografia incomum. Normalmente, S. Pedro é o santo das chaves. Os católicos de Adola celebraram a festa do seu padroeiro a 9 de outubro, o domingo antes da sua memória. Contudo, as celebrações começaram no dia 7 à noite. Trinta e sete romeiros de algumas das oito capelas à volta de Adola vieram pernoitar na igreja. A manhã de sábado, dia 8, foi dedicada à formação dos fiéis com ensinamentos sobre a vida do padroeiro, identidade católica e as novas normas l...

MISSIONÁRIA PARA SEMPRE

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Gebaynesh Gebre Emmo fez os votos perpétuos como Irmã Missionária Comboniana no dia 4 de setembro de 2022.  A celebração, presidida pelo bispo local, D. Markos Gebremedin, decorreu na paróquia de São Paulo, na cidade natal de Bonga. É a capital do estado regional de Kaffa, a pátria do café, na Etiópia Central. A Ir. Gebay nasceu há 35 anos numa família com dez filhos: sete raparigas e três rapazes. É a quarta mais nova. O irmão mais velho é padre Vicentino. Começou o discernimento vocacional quando andava na faculdade, com mais dez meninas. «Estávamos todas na faculdade e tínhamos um encontro mensal. Pedi para entrar no Instituto quando terminei os estudos. Fui atraída pelo carisma e espiritualidade de São Daniel Comboni, a sua paixão pelos pobres e mais abandonados, a coragem e a força das primeiras irmãs na missão, a sua auto-doação e simplicidade», recorda. A formação de base levou-a a muitos sítios: fez o pré-postulantado em Adis-Abeba, na Etiópia, o postulando em Nairobi, no...

Qillenso: CAMPO DE FÉRIAS

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A pequenada de Qillenso e das vizinhanças preparou a chegada do Ano Novo etíope — celebrado a 11 de setembro — com uma experiência inédita: um campo de férias. O evento, organizado pelas Missionárias da Caridade, as irmãs de Santa Madre Teresa de Calcutá, foi animado poe elas e por quatro voluntários de Adola: o catequista do hospício das Missionárias, mais uma aluna e dois alunos do décimo ano. Cerca de sete dezenas de crianças entre os quatro e os catorze anos participaram no evento. Algumas faziam quatro quilómetros a pé para para participarem na semana de atividades várias. O campo de férias decorreu de segunda a sábado das nove às treze horas. Nem o nevoeiro matinal nem a humidade — que é costume nestes meses — nem alguma chuva esfriaram o entusiasmo dos participantes. As atividades começavam com uma pequena oração. Era impressionante a concentração dos mais pequenos, autênticos adultos em miniatura. Depois havia uma catequese bíblica e a aprendizagem de cânticos em guji — a nos...

É TÃO BOM VOLTAR A CASA

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Tive de ir a Portugal a meados de julho, nove meses depois de ter chegado à Etiópia. Normalmente vamos de férias por três meses cada três anos. Quando vim, no fim de Outubro de 2021, o meu passaporte tinha quase 11 meses de validade: ainda não era renovável. A embaixada em Adis Abeba informou-me que, não tendo serviço consular, não renovava passaportes. Podia fazê-lo noutro país africano ou em Portugal. Decidi ir a casa para estar com os meus pais e com a minha família e para celebrarmos juntos o primeiro aniversário da morte da minha irmã Celeste. E estar com a comunidade cristã de Cinfães, que me viu nascer, introduziu à fé e em nome de quem também sou missionário. Passei uma semana em Fátima em retiro anual para renovar o meu compromisso com a missão e participar na peregrinação nacional da família comboniana, ocasião para abraçar colegas, benfeitores e amigos. Também tive a graça de participar no último adeus ao P. José de Sousa. Foi o maior animador missionário dos combonianos e...

O TEU SORRISO

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Reza a bênção antiga:      O Senhor te abençoe e te guarde!      O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti e te seja benigno!      O Senhor mostre para ti a sua face e te conceda a paz! É o teu rosto que eu procuro, Senhor, É o teu sorriso que busco e encontro nos olhares resplandecentes e translúcidos dos anjos que me envias, sorrisos de paz e de ternura, sorrisos de amor e de conforto, sorrisos de paz e alegria, esplendores do teu sorriso amoroso a cada uma das tuas criaturas. O teu sorriso eu procuro, Senhor, o teu sorriso eu encontro nos sorrisos transparentes, sem dentes, dos bebés e dos anciãos. Cada sorriso é expressão do único sorriso cósmico, o teu divino sorrir! Que o teu sorriso acompanhe cada dia da minha vida. Amen!

A CAPELA AZUL

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  Ouvia falar de Massina quando ia celebrar a missa à capela de Jalahu, no fundo de um vale apertado junto ao rio Hawata. Missionava em Haro Wato, nos montes Uraga. Nessa altura, há um quarto de século, Jalahu era um sítio ermo. As pessoas iam ao mercado e ao moinho a Massina, do outro lado do rio. Agora, Massina tem uma capela católica que pertence à zona de Adola, da paróquia de Qillenso. A aldeia fica a cerca de vinte quilómetros de Adola, metade em asfalto, metade em terra batida. A picada acompanha a margem esquerda do rio Hawata por entre plantações de café, chat — uma planta alcalóide que é legal na Etiópia —, falsas-bananas, árvores de fruto e milharais. O cenário é de encantar. Há muitas acácias, árvores típicas da savana africana. Os habitantes são amistosos e saúdam a nossa passagem com alegria, sobretudo as crianças. Quando vivia em Haro Wato, tomei banho várias vezes nas águas límpidas e refrescantes do Hawata, junto à capela de Tuta. Nesta secção, o rio vai muito su...

Haro Wato: MATAR SAUDADES

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  Voltei a Haro Wato, a missão que comecei com dois colegas em abril de 1995. A ocasião foi uma manhã de recoleção na véspera do Pentecostes para as comunidades combonianas (uma feminina e duas masculinas) que servem o povo Guji. Os cerca de 50 quilómetros de estrada de terra batida que atravessam os Montes Uraga entre Bore e Haro Wato estão em bom estado e a viagem foi agradável apesar de um forte aguaceiro na parte mais alta do percurso. Vi muitos batatais em flor, promessa de uma boa colheita. E os milharais crescem com a chuva. No cruzamento com a estrada Dilla-Shakisso, onde havia duas ou três cabanas-tabernas para reabastecimento, nasceu Damma, uma aldeia enorme com hospital. Demos boleia a duas jovens que andavam a vacinar as pessoas contra o Covid. Nalgumas partes onde antes havia floresta densa, agora há campos agrícolas e plantações de eucaliptos. A pressão sobre a natureza é grande e o equilíbrio entre conservação e desenvolvimento é difícil. A pequena aldeia que se form...

DIZER DEUS

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As culturas orais tradicionais falam de Deus usando estórias, narrativas, lendas e mitos fundacionais em vez de um discurso teórico teológico e dogmático. Os Gujis do Sul da Etiópia têm uma lenda muito interessante para definir Deus. Contam que no princípio Deus — Waaqa — amava tanto a terra que quase lhe tocava com a barriga. E fertilizava-a com a chuva diária. Ora, a mula, farta de trazer o lombo molhado, um dia deu um coice na barriga de Deus. Deus ficou muito zangado e amaldiçoou-a: «A partir de agora vais ficar estéril! Não vais emprenhar e parir mais!» Depois, Deus foi para muito longe! Mas continua a amar a terra e a fertilizá-la com a chuva. E usa os pássaros quando quer enviar mensagens aos humanos. Por isso, antes de qualquer grande decisão — desde o programar de um casamento ao cultivo dos campos — perscrutam o voo dos pássaros no horizonte ao cair da tarde para discernir a vontade de Deus. Chamam-lhe ver o kaayo , o agouro, o augúrio, o presságio. Os mitos fundacionais ta...

«ESTIVE NA PRISÃO…»

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A pastoral carcerária é uma das novidades do serviço missionário oferecido pela paróquia de Qillenso, no sul da Etiópia, na prisão masculina de Adola. Os combonianos construíram há alguns anos uma sala de oração simples de cerca de sete por sete metros, que partilham com outras confissões cristãs. Ofereceram o material que sobrou aos ortodoxos para iniciarem a construção da própria igrejinha. Junto aos dois espaços de oração cristãos há também uma pequena mesquita. A pastoral na prisão é uma resposta à afirmação de Jesus: «estive na prisão e fostes ter comigo» (Mateus 25, 36). Visitamos a prisão cada terça-feira para rezar e estar com os detidos que participam no nosso encontro. Normalmente vamos quatro pessoas: duas Missionárias da Caridade (as irmãs de Madre Teresa), um leigo e um missionário. Começamos com uma pequena oração de mãos dadas fora da prisão pedindo a inspiração do Espírito Santo para a nossa visita. Depois de entrarmos no estabelecimento de correção, os homens somos rev...

MAIO «LOUVADO SEJAS»

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A diocese de Hawassa, no sul da Etiópia, celebra em maio o Mês Louvado Sejas para aprofundar a Carta Encíclica Laudato Si’ ( Louvado Sejas ) que o Papa Francisco escreveu «sobre o cuidado da casa comum» a 24 de Maio de 2015.  O Mês Louvado Sejas abriu a 3 de maio, com uma eucaristia na catedral. Na celebração, presidida pelo administrador apostólico, o comboniano P. Juan Núnez, participaram quase todos os párocos da diocese e representantes das suas vinte paróquias. O vicariato tem sensivelmente o tamanho de Portugal. Os participantes receberam um desdobrável com o sumário da encíclica em que o Papa propõe uma ecologia integral que cuida da criação e cuida dos pobres. O documento, intitulado Uma jornada com a criação: Mês de Maio Louvado sejas, Comprometidos a cuidar da nossa casa comum , foi preparado pela Comissão do Movimento Laudato Si’ do Vicariato de Hawassa. No final da eucaristia, cada paróquia recebeu uma pequena árvore para plantar junto à igreja como monumento à encí...

FEZ-SE PÁSCOA!

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Este ano a Páscoa do Calendário Juliano — em uso pela comunhão ortodoxa e também pelos católicos na Etiópia — foi celebrada uma semana depois da Páscoa segundo o Calendário Gregoriano — seguido pela grande maioria das Igrejas cristãs.  Uma vez cada oito anos a data coincide nos dois contadores do tempo, mas a diferença a separar as duas páscoas pode chegar às quatro semanas. Não me pergunte porquê, porque não sei. No programa pastoral para as celebrações pascais coube ao pároco ir para a zona pastoral de Adola. Eu fiquei na sede da missão. Em Qillenso, a vigília pascal estava marcada para as 19h00, 13h00 segundo a hora local — aqui as zero horas são às seis da manhã. Uma hora antes começamos os preparativos. Sob um céu muito carregado, com alguns trovões fortes, apanhamos a lenha para a fogueira pascal, sempre com um olho nas nuvens. Felizmente, foram despejar a carga de água a outro sítio e pudemos iniciar a vigília pascal — a mãe de todas as vigílias — já passava das 19h30, à es...