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A mostrar mensagens de julho, 2021

DANÇA DA REDENÇÃO

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Qualquer pecado que fizemos ou que fizermos já foi redimido pelo sangue de Cristo uma vez para sempre! O que nos condena, mata não é o pecado, é o cerrar-se à graça salvífica de Deus. Teimamos em tentarmos ser felizes sozinhos. Em sermos infelizes sozinhos! Porque a solidão não faz ninguém feliz. Teimamos em ficar à margem do processo de conversão: passar da razão que tudo justifica ao coração que tudo ama! O que nos espera à hora da morte não é a lista completa das nossas falhas, do nosso pecado em formato excell guardada nos arquivos do Paraíso. Espera-nos, sim, o abraço terno e eterno do nosso Pai.

PÃO PARTILHADO, PÃO MULTIPLICADO

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Os quatro evangelistas reportam o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes e são unânimes nos detalhes: Jesus com cinco pães e dois peixes mata a fome a 5000 homens – sem contar mulheres e crianças – num piquenicão num ermo verdejante. Foi, sem dúvida, um sinal muito importante. Jesus, primeiro, explorou a solução de mercado: perguntou quanto custava comprar pão para toda a gente em vez de os mandar para casa de barriga vazia. Duzentos denários – duzentos dias de trabalho – não chegavam e a bolsa de Judas não comportava tal despesa. Optou então pela solução local. Os discípulos trouxeram-lhe o que encontraram: cinco pães e dois peixes que – João explica – era a merenda de um rapazito. Os pães, feitos de farinha de cevada, eram o alimento dos pobres. Jesus manda aos discípulos que sentem a multidão em grupos. Que se reclinem no prado – como nos banquetes romanos! Quer que a multidão seja tratada com dignidade, que sejam seus convidados. Depois pegou nos pães, deu graças e distribu...

DESCANSO E COMPAIXÃO

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Os apóstolos reuniram-se junto de Jesus e anunciaram-lhe tudo quanto tinham feito e ensinado. E Ele disse-lhes: «Vinde a sós para um lugar deserto e descansai um pouco». De facto, eram tantos os que chegavam e partiam que eles nem sequer tinham tempo para comer. Partiram, então, a sós no barco, para um lugar deserto. Porém, citam-nos partir e muitos perceberam para onde iam; e de todas as cidades para lá acorreram a pé e chegaram antes deles. Ao sair, viu uma numerosa multidão e compadeceu-se profundamente deles, porque eram como ovelhas sem pastor, e começou a ensinar-lhes muitas coisas — conta o evangelista Marcos. Esta porção do evangelho tem uma atualidade extraordinária. Em plena estação de férias Jesus diz-nos o que disse aos apóstolos: «Vinde a sós para um lugar deserto e descansai um pouco». Habituamo-nos a contabilizar o tempo em termos económicos — os ingleses dizem que tempo é dinheiro — e os nossos dias transformaram-se numa exaustiva etapa de contra-relógio. Por outro lado...

A ESTRELA QUE NÃO SE APAGA

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Na madrugada do Sábado Santo, correu a voz de que a gasolina tinha chegado. Finalmente! Não posso perder a ocasião, vou tentar mais uma vez, pensei decididamente. Morto de sede, o todo-o-terreno da missão comboniana estava imobilizado há cerca de dois meses.  Ao nascer do sol eu já estava a chegar ao local anunciado para a distribuição. Outros dias como este vêm-me à mente: oxalá que hoje corra melhor do que aquele dia em que tive que passar a noite no carro, só tendo sido atendido ao meio-dia do dia seguinte. De todos os modos, há que ser otimista e arriscar. Junto com o breviário e algum material de leitura, tenho comigo pão, tâmaras e água que me asseguram o essencial para o dia inteiro.  À minha frente, vejo uma fila de carros que se estende por mais de um quilómetro. Aqui e ali, debaixo da jalabia, a longa túnica de alguns homens, entrevejo um facalhão atado ao braço, coisa tradicional entre muitos sudaneses.  Chegam vozes de que há muito rebuliço e até mesmo b...

DE CAJADO E SANDÁLIAS

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Marcos narra a missão dos Doze Apóstolos em meia dúzia de versículos (Mc 6, 7-13). Diz que Jesus os chamou — a vocação é sempre um ato de amor e de confiança da parte de Jesus — e os enviou dois a dois. Se os enviasse um a um chegariam ao dobro das localidades. Mas Jesus não se preocupa com a eficiência, mas com a eficácia: os apóstolos, enviados aos pares, vivem e testemunham a fraternidade global que Jesus instaura com o seu ministério. Jesus empoderou os apóstolos contra os poderes do mal para realizarem a sua missão. Deu-lhes a graça necessária, a energia do seu amor. A lista de bens-base para a viagem missionária é curta: um bastão e sandálias. Os meios necessários para fazer caminho. A missão é sair — do umbigo, do sofá, do medo — para ir ao encontro do outro onde ele está. É pôr-se a caminho, em direção ao outro. Uma jornada que é psicológica antes de ser física. Jesus quer que os Doze viagem ligeiro: sem pão, alforge, dinheiro ou muda de roupa. O sucesso da missão não está na t...

SUDÃO DO SUL: DEZ ANOS DE INDEPENDÊNCIA MUITO COMPLICADOS

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  O Sudão do Sul celebrou a sua independência do Sudão a nove de julho de 2011. Um acontecimento que vivi em primeira pessoa e trago tatuado na memória. Reli o registo no meu diário desse dia histórico: Eram 13h19 quando o presidente da Assembleia do Sudão do Sul começou a ler a declaração de independência. O texto de nove pontos tinha sido aprovado na quinta-feira pela assembleia e levou doze minutos a ler. Quando James Wani Igga, usando uma veste branca africana, pronunciou as palavras mágicas «Declaro o Sudão do Sul independente» a multidão que apinhava o recinto junto ao túmulo do Dr. John Garang desde as oito da manhã a aturar um sol inclemente, irrompeu numa exclamação de júbilo misturando gritos de alegria com lágrimas, palmas e tambores. Depois, o São Pedro também quis participar com chuva e trovoada no final do programa. A celebração, essa tinha começado depois das nove da noite do dia 8 com milhares de pessoas nas ruas a pé, de carro ou de motorizada a buzinar, cantar, da...

BUGANVÍLIA

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O meu coração buganvília encarnada de amor; laranja de fogo; branca de paz; amarela de ternura; roxa da dor. Está sempre em flor! Os espinhos defendem; as verdes folhas bandeiras de esperança desfraldadas no mar imenso azul do céu que o sol faz o dia e a lua faseia noite. O meu coração é buganvília de três brácteas coloridas, companheiras da minúscula flor creme no grande arranjo da criação, obra sempre recriada de Deus, o florista-mor.

CAIM E ABEL

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  O conflito entre agricultores e pastores cresce. A agricultura e o pastoreio são dois modos de vida que surgiram há uns dez mil anos com a revolução agrícola. A competição pelos recursos tem oposto pastores e agricultores ao longo dos tempos. A Bíblia representa esta tensão primordial por meio de um episódio entre Caim e Abel, os filhos de Eva e Adão. Conta o Livro do Génesis no capítulo quarto que Abel (o pastor) e Caim (o agricultor) apresentaram ao Senhor os respectivos dons: primícias do rebanho e respectivas gorduras e uma oferta dos frutos da terra. O Senhor gostou mais da oferta de Abel, e Caim, zangado, matou o irmão. A narrativa do homicídio de Abel é testemunho da violência latente entre as comunidades que se dedicam à agricultura e à pastorícia, embora nas minhas observações tanto na Etiópia como no Sudão do Sul sejam os pastores os mais violentos. Esta tensão tem aumentado na última década sobretudo na zona semiárida do Sahel, devido aos conflitos agro-pastoris e aos ...