Mensagens

A mostrar mensagens de agosto, 2020

ROUPA USADA

Imagem
Africa dá segunda vida a roupas descartadas no Norte. Andava a explorar os arredores do Forte de Jesus, em Mombaça, no Quénia, quando me chamou a atenção um adolescente com uma camisola do Futebol Clube do Porto com as listas finas dos tempos do patrocínio da PT. Noutras latitudes africanas também encontrei alguém com o equipamento alternativo laranja muito desbotado do mesmo clube e uma camisola do Benfica bastante maltratada. Os equipamentos dos clubes rivais portugueses chegaram aos mercados africanos através do negócio de roupas usadas, que, pelos dados da ONU, movimenta anualmente mais de três mil milhões de euros. A Oxfam calcula que África gasta cerca de 40 milhões de euros por ano na importação de roupa em segunda mão, geralmente artigos de Primavera e Verão. Mas também gorros de lã, sobretudos e outros artigos de Outono e Inverno. A ditadura da moda obriga muita gente dos países ricos a renovar o guarda-roupa todos os anos e a descartar o que já não se usa. Um americano deita ...

HUMILDE VIOLETA

Imagem
LEÓNIA MARTIN é a filha do meio das cinco sobreviventes do casal Zélia e Luís Martin.  A irmã mais famosa é a benjamim da família: Santa Teresinha do Menino Jesus. Leónia descreve-se como «o pequeno diabrete».  Teve uma infância e adolescência difíceis devido à saúde precária e ao seu carácter irreverente e difícil. As quatro irmãs — Maria, Paulina, Celina e Teresa — entraram no Carmelo de Lisieux.  Leónia professou nas visitandinas de Caen, seguindo os passos de uma tia. No mosteiro de Caen, onde tomou o nome der Irmã Francisca Teresa, seguiu a pequena via da infância espiritual que a irmã mais nova plasmou nos seus escritos. Descreve-a como «o caminho mais curto, o mais acertado para me conduzir à santidade da minha vocação». Diz-se «humilde violeta».  É a santa boa e alegre da humildade, da vida escondida, das pessoas simples. Está a caminho dos altares. Uma santa mais próxima de nós, o comum dos mortais. Sabia que pertencia a uma família de santos e não quer...

"PEGAI EM MIM!"

Imagem
Caros amigos, Hoje, 15 de agosto, festa da assunção de Nossa Senhora, é o aniversário da minha ordenação sacerdotal, mas sobretudo o 50º aniversário da minha primeira profissão (votos religiosos), em 15 de agosto de 1970, em Valência (Espanha). Os tempos não são para festejos. Comemoro este aniversário particular com gratidão e ... uma certa saudade. No último momento achei oportuno comunicar-vos este aniversário, para que a comunhão fraterna dê mais glória a Deus. Então, por favor, dai glória a Deus comigo pela sua paciente e misericordiosa fidelidade ao longo destes 50 anos. Agradecei à Virgem Maria comigo pelo seu carinho maternal ao longo do caminho da minha vida. Durante a semana de retiro antes dos votos, fui ter com o meu Padre Mestre (o P. João Batista Bressani, agora doente aqui comigo em Verona), para partilhar com ele, uma vez mais, as minhas dúvidas e temores. Ele respondeu-me: E tu achas que os teus companheiros não sentem medo? Só que eles fecham os olhos e pulam, e tu...

EXISTÊNCIAS CONFISCADAS

Imagem
O confinamento, o esforço coletivo para conter o alastrar da pandemia do novo coronavírus e proteger os mais vulneráveis, foi um fechamento difícil e problemático. Mas representou um tempo de criatividade produtivas para escritores, músicos e outros artistas. José Tolentino Mendonça acaba de publicar a sua própria reflexão sobre o confinamento na obra O que é amar um país - o poder da esperança  com a chancela da Quetzal. O livro abre com o discurso memorável, magistral do Dez de Junho, que dá o título à obra, e um ensaio com o subtítulo do livro. A terceira parte, Do tempo da calamidade ao tempo da graça, é composta por uma dúzia de textos curtos, uma reflexão criativa, contemplativa, poética, lúcida sobre a pandemia global, os seus desafios imensos e as inúmeras oportunidades que abre. O Cardeal Mendonça define o confinamento como «confiscação da existência». Resiliência é, para ele, a palavra-chave que abre a nova normalidade. «A presente pandemia começou por ser enfrentada co...

MEU CORAÇÃO EXULTA NA ETIÓPIA

Imagem
Queridos amigos e amigas, escrevo agora mais perto de vós, desde a minha santa terra, Ervedal, no Alentejo. O tempo de quarentena foi um tempo especial, de descanso, oração, de paragem para reflectir sobre a missão e preparação para este tempo em Portugal.  A casa onde fiquei a fazer a quarentena, casa com todas as condições, por 19 dias, foi cedida totalmente grátis pelo ser missão de alguém que o sente de fazer por inspiração de Nossa Senhora de Fátima. E os alimentos para esses dias também foram cedidos, principalmente por duas famílias, igualmente generosas no seu ser missionárias.  Com a graça de Deus, também tive quem se disponibilizasse com transporte para tudo. Mesmo em quarentena ainda fui mimado com várias visitas que me ajudaram imenso. Depois de feito o teste à Covid-19, de saber o resultado, negativo, foi tempo de agradecer a Deus Pai e à Nossa Mãe e, depois, viajar para casa e estar com a família. Entretanto, a mãe foi chamada para realizar uma cirurgia à bexiga,...

CHEGUEI!

Imagem
Finalmente cheguei à missão. A viajem correu bem: foram 24 horas de máscara posta, seja nos aviões seja nos aeroportos, depois… liberdade! À chegada a Lusaka mediram-me a febre, mas estava mais fresquinho que uma alface. Depois fizeram-me o teste, mas a quarentena faço-a na missão. Um dia em Lusaka e na sexta viajei de carro: saímos às 5h00 da manhã, parámos em Chipata a fazer umas compras e às 6h30 da tarde já estávamos na missão. Isto é outro mundo! Higienização? Distância social? Máscara? Quem a não tem põe um pano na boca a fazer de conta, ou simplesmente não põe nada (a maioria)! Ai se os doutores daí nos vissem!... Se o vírus cá chega, salve-se quem puder! No domingo à noite fizemos a pizza para celebrar a minha chegada juntamente com os voluntários franceses e austríacos. Éramos 12 “jovens” (uns mais que outros!). O meu colega de 80 anos é um herói: tem aguentado, mas dá pena vê-lo, está muito magrinho… Oxalá aguente até ao fim de Agosto que é quando pensa ir a casa na Italia. ...

CHEIA DE GRAÇA

Imagem
Reunimo-nos para celebrar a festa da Senhora da Graças em tempo de pandemia global. Hoje fazemos uma celebração mínima, reduzida ao essencial: a Eucaristia — que é a fonte e o cume, o princípio e o fim da vida cristã — numa igreja enfeitada com os nossos corações engalanados. Esta festa ajuda-nos a manter viva a nossa fé e a alimentar sua dimensão mariana de cinfanenses: com Maria, a mãe de Deus e a nossa mãe, aprendemos a ser discípulos missionários de Jesus. Celebramos a Virgem Maria sob o título de Senhora das Graças. Cheia de graça é o nome novo que o Anjo Gabriel chamou a Maria durante a anunciação. Cheia de graça é o nome com que chamamos a Mãe cada vez que rezamos a ave-maria, a oração mais simples e talvez a mais efetiva que aprendemos desde pequeninos. Saudamos a Senhora das Graças com as palavras do arcanjo Gabriel e com as palavras de Santa Isabel, a mãe de São João Batista, o nosso padroeiro. Maria é cheia de graça, porque foi agraciada pelo Senhor. Ela é a cheia do amor d...