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A mostrar mensagens de abril, 2021

AUTORIDADES REAGEM A ATENTADO CONTRA BISPO-ELEITO DE RUMBEK

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Algumas autoridades reagiram ao ataque que desconhecidos perpetraram contra o bispo-eleito da diocese católica de Rumbek, no Sudão do Sul. O comboniano italiano P. Christian Carlassare foi ferido nas pernas por dois homens armados durante a noite passada no seu quarto em Rumbek. O Conselho Geral dos Missionários Combonianos condenou o ataque através de um comunicado. «Juntamo-nos às muitas pessoas de boa vontade que expressam a sua consternação neste enésimo episódio de violência contra pessoas indefesas e inocentes», escreveu. E continua: «Seguindo o convite de D. Carlassare, rezemos pelas muitas pessoas de boa vontade que, no Sul do Sudão, sofrem com a persistência da insegurança e da violência. Rezemos também pela rápida recuperação de D. Carlassare, de modo a permitir-lhe receber a sua ordenação episcopal no dia 23 de Maio, como previsto». O arcebispo católico de Juba também expressou a surpresa e tristeza que o ataque lhe provocou. «Isto surgiu do nada. Nunca pensámos que tal cois...

SUDÃO DO SUL: BISPO-ELEITO FERIDO A TIRO

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O bispo-eleito de Rumbek foi ferido a tiro por desconhecidos esta noite. O P. Andrea Osman do clero de Rumbek disse à ACI-Africa que dois homens armados atacaram o bispo-eleito por volta das 0:45. Destruíram a porta do quarto a tiro, feriram o P. Christian Carlassare com três balas nas duas pernas e fugiram.  Não se conhece o motivo do ataque. O missionário comboniano foi assistido no hospital de CUAMM, uma ONG católica italiana, em Rumbek onde recebeu uma transfusão de sangue. O P. Louis Okot, superior provincial dos combonianos no Sudão do Sul, disse que P. Carlassare está fora de perigo e aguarda um avião para ser evacuado para Juba. Depois será transferido para Nairobi, Quénia, para tratamentos complementares. “Ele disse-me que perdoou aos atacantes”, o P. Okot escreveu em mensagem eletrónica. O P. Carlassare foi nomeado bispo eleito de Rumbek a oito de março. A sagração episcopal está marcada para 23 de maio, domingo de Pentecostes. Tem 43 anos e trabalha no Sudão do Su...

ROSTOS DA MISSÃO

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Quando, em Novembro de 2020, regressei de Portugal, nunca pensei viver os momentos que tenho experienciado nestes últimos meses. Vivo em Guilguel Beles, na Região de Benishangul-Gumuz, Oeste da Etiópia e, na missão, trabalhamos essencialmente com o povo Gumuz. Nós, Leigos Missionários Combonianos, vivemos com os Missionários Combonianos, na mesma missão.  Não fechamos as portas a ninguém, mas este é um dos povos mais esquecido e abandonado da Etiópia e do mundo. Várias pessoas de outras etnias, tais como Amara, Agaw, Chinacha, também aqui vivem. O solo é fértil e isso leva a que seja uma zona apetecível. E, por isso, muitas vezes, os Gumuz perderam terrenos que lhes pertenciam. Mas, mesmo assim, as pessoas viviam em paz, sem grandes problemas. Em 2019, já eu estava na Etiópia, uma aldeia Gumuz foi atacada, pessoas mortas, casas queimadas. A nossa missão foi pioneira em prestar auxílio aos deslocados. Quando regresso, em Novembro de 2020, rebeldes Gumuz começaram a atacar não Gumuz....

TESTEMUNHAS VIVENTES

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Há pequenos textos da Bíblia que se colam ao coração como a lapa à rocha, que nos acompanham ao longo dos dias, desassossegam o caminho, desinstalam, abanam as seguranças. Um desses textos que tem mexido comigo — sobretudo nestes dias de retiro — é o prólogo da Primeira Carta de João (1, 1-4). Diz: «O que existia desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplámos e as nossas mãos tocaram relativamente ao Verbo da Vida, — de facto, a Vida manifestou-se; nós vimo-la, dela damos testemunho e anunciamo-vos a Vida eterna que estava junto do Pai e que se manifestou a nós — o que nós vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também vós estejais em comunhão connosco. E nós estamos em comunhão com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo. Escrevemo-vos isto para que a nossa alegria seja completa.» Este texto é fundamental para mim, discípulo missionário, testemunha da Vida. Testemunhamos e anunciamos o que ouvimos, vimos, contemplamos, tocamos com as nossas ...

OUVIDOR DE QUESTÕES

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Há uns anos, fui convidado a animar uma semana de animação missionária na cidade da Horta, na ilha açoreana da Faial. Do programa que me propuseram constava um encontro com a ouvidoria. Não fazia ideia do que a ouvidoria fosse. Perguntei. Interessante: era a designação local para arciprestado, vigararia. O arcipreste chama-se ouvidor — dos colegas padres e diáconos e do bispo. Por defeito profissional, habituei-me a ser dispensador de respostas: para as perguntas que me fazem, para as perguntas que ficam por fazer. Dispensador de palavras. Aos 61, sinto a necessidade de mudar: de ser ouvidor das questões. Escutar as perguntas mais do que pensar as respostas. Entreter as perguntas com carinho, devoção mesmo, mais que resolvê-las ou pô-las de lado, debaixo da carpete das questões impertinentes. Sinto-me chamado a escutar o silêncio que habita cada pergunta, o silêncio da flor que abre do botão para amadurecer em fruto nutritivo e gostoso. O silêncio que acaricia e envolve cada palavra. A...

PÁSCOA DO TEMPO CORRENTE

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Gosto muito do relato da terceira manifestação do Ressuscitado segundo o evangelista João (21, 1-14), porque diz que o Senhor Ressuscitado está connosco em todas as circunstâncias da vida. Acontece não no primeiro dia da semana — como as outras que se deram durante a oração dominical da comunidade no contexto da celebração eucarística — mas nos dias úteis, em ambiente de trabalho, na ordinariedade do humano viver, na labuta suada e às vezes suja e sem grande sucesso do ganha-pão. Simão Pedro disse: «Vou pescar» e os outros responderam: «Também nós vamos contigo». Foram e naquela noite não pescaram nada. Acontece! O Ressuscitado aparece-lhes, anónimo, na madrugada de um trabalho mal sucedido. E ajuda-os: «Lançai a rede para a parte direita do barco». Eles fizeram-no e apanharam 153 peixões. Perante pescaria tão abundante e fora de horas, o discípulo amado reconhece o Senhor no estranho que lhes dá indicações preciosas. Pedro faz o contrário do que habitualmente fazemos na praia: veste ...

UMA PÁSCOA DE DESEJOS E PROMESSAS

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Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu abro os vossos túmulos, Eu ergo-vos das vossas sepulturas, meu povo!  (Ezequiel 37,12)  Caros amigos, a Páscoa do Senhor é o momento em que esta extraordinária promessa é cumprida. É um momento para recuperar a esperança perdida. Um novo vento primaveril sacode o ar velho do túmulo em que a pandemia nos manteve presos, para renovar a nossa vontade de viver! Em tempos particularmente difíceis como o nosso, cheios de incerteza, parece-me importante entrar em contacto com os nossos desejos mais profundos e os nossos medos mais profundos, que acabam por nos levar de volta ao desejo perene de vida e ao medo ameaçador da morte. Vivemos todos os dias com desejos e esperanças. Desejo pequeno ou grande, transitório ou persistente, pessoal ou altruísta... Creio, no entanto, que nós cristãos somos chamados a viver acima de tudo pelas promessas que Deus nos faz. «Deus não cumpre todos os nossos desejos, mas todas as suas promessas», diz o teólogo Bonho...

PASSAGENS DA PÁSCOA

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A primeira foi a páscoa dos hebreus: passagem ( pesach )   da escravidão do Egito à liberdade da terra da promessa através da porta do mar.  A Páscoa maior foi a de Jesus: a sua passagem da morta para a vida através da porta rolada do sepulcro novo cavado na rocha de um jardim. A nossa páscoa — a passagem do pecado à graça, do egoísmo ao amor, do eu ao tu, ao nós — e a páscoa da natureza — a passagem da exploração desenfreada ao uso sustentado através da ecologia— derivam da Páscoa de Jesus, atualizam-na. João escreve: «nós sabemos que passámos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama, permanece na morte» (1 João 3, 14). O Amor é a porta maior que dá acesso a paisagens de vida sempre novas. O amor redime-nos. Humaniza-nos. O olhar cínico da vida repete que o amor é para os românticos, os frouxos; o que conta sou eu — em inglês até se escreve com letra maiúscula, a expressão mais exaltada do euismo . O que move o mundo é o meu bem-estar. A ressurrei...

SEXTA-FEIRA SANTA

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Cerro o olhar, aligeiro o respirar, aquieto o pensar... Penso na morte do Justo há dois milénios;  e na dos crucificados de hoje: vítimas do Covid, da economia egoísta,  da violência à solta,  da cobiça do poder, dos desastres climáticos,  de males com remédio... Penso na morte, mas é de vida que Deus me fala: a vida que me rodeia, que respiro, que comparto neste banco de pedra sentado: no chilreio dos pássaros,  felizes; no assobio dos melros,  despreocupados; no cacarejar dos galináceos  a esgravatar; no zumbido dos insetos,  atarefados; no cheiro doce da natureza  em flor, na carícia cálida da brisa que aconchega. A morte é uma intermitência: a vida volta sempre, permanece! Primavera eterna que se renova a cada morte através do amar revolucionário, renovador, redentor, ressuscitador...

A ESPERANÇA DA PÁSCOA

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Mensagem do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa 1. A celebração anual da Páscoa do Senhor é o dia por excelência da passagem à vida nova, a festa das festas cristãs. Por isso, o grito da Igreja que nasceu da Páscoa está inundado pela admiração, exultação e alegria: « este é o dia que o Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria » ( Salmo 117). O encontro com o Ressuscitado transfigura o coração e é a razão para acolher o precioso dom e o compromisso da fraternidade e do cuidado integral. Infelizmente, pelo segundo ano consecutivo, o anúncio pascal chega em tempo de crise pandémica, que desterra a paz e a felicidade. Da Quaresma à Páscoa é uma grande peregrinação de Esperança. Todavia, como interpela o Papa Francisco: «Há cristãos que parecem ter escolhido viver uma Quaresma sem Páscoa. Reconheço, porém, que a alegria não se vive da mesma maneira em todas as etapas e circunstâncias da vida, por vezes muito duras. Adapta-se e transforma-se, mas sempre permanece pelo...

EM MEMÓRIA DO SENHOR

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A Igreja Católica celebra hoje a instituição da Eucaristia através da Missa da Ceia do Senhor, que inclui o gesto profundamente simbólico do lava-pés. Jesus inicia e explica a sua Páscoa — que inclui a sua paixão, morte e ressurreição — com a última ceia. O evangelista João — que hoje é lido na liturgia da Palavra — introduz o mistério pascal de Jesus com a afirmação: «Antes da festa da Páscoa, Jesus, sabendo bem que tinha chegado a sua hora da passagem deste mundo para o Pai, Ele, que amara os seus que estavam no mundo, levou o seu amor por eles até ao extremo» (João 13,1). A Páscoa de Jesus é a prova do seu amor levado até ao extremo. Extremado. Total. Integral. Ilimitado. Jesus, através dos gestos da ceia com os discípulos, explica o que vai fazer com a sua vida nesses dias que transformaram radicalmente o mundo, o Tríduo Pascal. Paulo é o autor do relato mais antigo da instituição da Eucaristia, escrito por volta do ano 55, uns 20 anos depois da Ceia do Senhor. Escreve aos cristãos...

VOZES PROFÉTICAS

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Bispos africanos estão a dar voz a posições arrojadas. O episcopado africano pode ser considerado conservador na teologia, pastoral e liturgia. Contudo, tanto as conferências episcopais como bispos em particular estão a dar voz a posições arrojadas por todo o continente. A SECAM – o Simpósio das Conferências Episcopais da África e Madagáscar – apresentou no fim de Janeiro o chamado «Documento de Campala», uma exortação pastoral de uma centena de páginas que nasceu das celebrações dos 50 anos da instituição. Pretende resolver as «dicotomias entre fé e política, Reino de Deus e transformação da Terra, salvação das almas e vidas terrenais, contemplação e acção». Alerta ainda para os perigos das espiritualidades de salvação e de prosperidade baseadas no sucesso e em soluções milagrosas. As eleições são ocasiões em que muitas conferências episcopais fazem sentir as suas vozes e os seus reparos. Os bispos do Uganda, por exemplo, antes das presidenciais de Janeiro passado, recordaram que o «n...