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A mostrar mensagens de setembro, 2026

TRÊS PORTÁTEIS NO DESERTO: UM CAMINHO DE FUTURO

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Chegaram cedo. Era a sua primeira aula de informática numa aldeia beduína do deserto da Cisjordânia. Uma organização ajudou-nos a adquirir três computadores portáteis: poucos para tantas mulheres e, sobretudo, para tanta vontade de aprender. Entre as mais entusiastas está uma jovem beduína que, há apenas alguns meses, fundou uma associação para promover o desenvolvimento das mulheres da sua comunidade. É também uma das educadoras do jardim de infância que acompanhamos, nós, as Combonianas. Quer aprender tudo. Olha para o ecrã com os olhos muito abertos, como se quisesse guardar cada conhecimento no seu olhar. Quem lhes dá formação é outra jovem beduína, recém-licenciada em Engenharia Informática e a primeira classificada do seu curso. Acompanhámo-la com uma bolsa durante os seus estudos; hoje, ela coloca generosamente os seus conhecimentos ao serviço das educadoras e das mulheres que bordam o tatreez. O objetivo é concreto: aprender a organizar os seus projetos, comunicar, cria...

DEUS É BOM E QUER SER BOM

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É bom escutar a parábola dos vindimadores em tempo de vindimas! É um cenário perfeito para entender os tempo s, a urgência, a azáfama da colheita das uvas no momento certo para fazer um vinho de qualidade. No tempo de Jesus, o vinho, o trigo e o azeite eram as três produçõe s mais importantes para os agricultores da Palestina. Depois, na Bíblia a vinha  representa o povo de Israel. Jesus faz uma introdução à parábola: «O reino dos Céus pode comparar-se a um proprietário [ a um senhor da casa ] que saiu muito cedo para contratar trabalhadores para a sua vinha». Jesus usa a imagem da vindima para nos falar de Deus , do seu modo de ser e de nós! Jesus conta que o proprietário saiu cinco vezes a contratar pessoal : da manhã cedo, e às horas terça, sexta, nona e décima primeira. Era a maneira de contar as horas naquele tempo. Hoje diríamos às seis, às nove, ao meio dia, e às duas e cinco da tarde. A paga para uma jorna era um denário, uma pequena moeda romana de prata que pesav...

OBRA MARAVILHOSA

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A MATEMÁTICA DO PERDÃO

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  Jesus tinha uma matemática própria, não euclidiana. Pedro perguntou-lhe se devia perdoar até sete vezes ao irmão que o ofendesse – sete é o número bíblico perfeito – e ele responde: «Não te digo até sete, mas até setenta vezes sete». Jesus não disse a Pedro para perdoar quatrocentos e setenta vezes. Era complicado manter o registo de tanto perdão. Disse-lhe para perdoar sempre. Jesus explica o ensinamento com a parábola de um rei que perdoou dez mil talentos a um devedor. Nas tabelas cambiais daquele tempo, um talento era igual a seis mil denários. O denário era a moeda romana para pagar uma jorna de trabalho. Dez mil talentos são sessenta milhões de denários ou duzentos mil anos de trabalho. Uma dívida colossal.  Impagável . Jesus contou que, porque o homem não tinha com que pagar o senhor mandou-o vender como escravo juntamente com a família para amortizar uma pequenina parte da dívida. Para não ser uma perda total. O devedor pediu paciência ao rei para pagar a dívida. Est...

BOA NOITE

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VIOLÊNCIA XENÓFOBA

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Os  imigrantes africanos vivem dias difíceis na África do Sul. Lá como cá, há quem solte a bandeira da xenofobia — ou, melhor, da afrofobia — para culpar os estrangeiros (sobretudo indocumentados e ilegais) por todos os males que afligem o País do Arco-Íris. Estatísticas oficiais indicam que na África do Sul há cerca de 2,5 milhões de imigrantes. Contudo, muitos são ilegais e outros indocumentados — pediram a renovação dos documentos de residência, mas a máquina burocrática não dá resposta atempada—e, por isso, o número real pode aproximar-se dos cinco ou seis milhões. Vêm sobretudo dos países vizinhos (Moçambique, Zimbabué e Maláui), mas também de geografias mais distantes como a República Democrática do Congo. Em 1994, o ANC (Congresso Nacional Africano), sob a liderança de Nelson Mandela, assumiu o poder e prometeu uma nação próspera. Mais de três décadas depois — ainda com o ANC ao leme — má gestão económica, corrupção e a captura do Estado colocou a África do Sul numa posição ...