PÁSCOA
A minha Páscoa não teve amêndoas, mas teve alegria e mangas a rodos. A vigília pascal – a mãe de todas as vigílias – começou às sete (ainda havia luz) e demorou quase três horas. O adro da Igreja de São José estava à pinha sob um céu estrelado e refrescado por um ventinho ligeiro que teimava em apagar as velas. As adolescentes – muitas mesmo – puxavam pelos corpinhos com umas roupinhas novas e mais ousadas. As entradas do adro eram guardadas por piquetes da polícia de choque – aquela por onde entrei tinha quatro mulheres bem encorpadas e simpáticas. Nada que se compare com os brutamontes masculinos… As leituras foram feitas em inglês, árabe e bari – as línguas em uso na liturgia da arquidiocese de Juba – e o coro explodiu de alegria ao glória e à aleluia com gritos, ululações, palmas que me causavam arrepios gostosos. Via a presença de Jesus ressuscitado naqueles rostos compenetrados, sorridentes, orantes da multidão à minha frente. Eu disse que não tive amêndoas, mas não é b...