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A mostrar mensagens de abril, 2024

A-DEUS, PEPPE!

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  A face sorridente do Irmão Giuseppe Redaelli – o Peppe, como o chamávamos – apareceu  nos alertas do telemóvel e deixou-me perplexo. O que se passa com ele? A notícia era arrasadora e deixou-me incrédulo: o Peppe faleceu no sábado, 27 de abril, em Wau, no Sudão do Sul. Contava 76 anos.  «O irmão há muito tempo que não estava bem e desta vez não resistiu a uma forte malária. Em três dias se foi», contou-me a Ir. Beta Almendra, uma comboniana da Ericeira missionária em Wau. O Peppe nasceu a 10 de março de 1948 em Casatenovo, Milão, no norte da Itália. Vocação adulta, fez a primeira profissão religiosa com 33 anos, a 6 de junho de 1981, no mesmo dia que eu. Conhecemo-nos um mês mais tarde, em Elstree, nos arrabaldes de Londres. Estudamos inglês juntos até janeiro de 1982. Nessa altura, eu comecei o curso de teologia no Instituto Missionário de Londres. Ele partiu para Gilgil, no Quénia, com mais dois colegas portugueses e um italiano para terminarem a sua formação de base ...

ETIÓPIA SOB A AMEAÇA DA FOME

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A Etiópia volta a estar sob a ameaça da fome devido à guerra, ao roubo de ajudas humanitárias e, sobretudo, à seca.   Quatro décadas depois de o país ter sido palco de uma enorme carestia que matou mais de um milhão de pessoas pela fome especialmente nas zonas – hoje Estados regionais – do Tigré e Amara, o espectro da morte volta a pairar sobre o país mais populoso do Corno de África. Os factores são sobretudo três: a guerra, os desvios de ajuda humanitária e o fenómeno climático  El Niño , que afecta as chuvas, fundamentais para a agricultura e pastorícia.   Guerra Quando, em 2018 assumiu o poder, o primeiro-ministro Abiy Ahmed prometeu eleições antecipadas. Contudo, devido à pandemia de covid-19, o acto eleitoral foi adiado para data a anunciar. Todavia, a Frente de Libertação do Povo do Tigré (TPLF, na sigla em inglês), o partido que governa aquele Estado regional, decidiu organizar eleições locais à revelia do Governo Federal. Os Tigrínios viram-se envolvido numa guer...

QUEBRAR O JEJUM

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  Não nos oferecem nem café nem chá quando chegamos às suas casas. É Ramadão. Esperamos pelo pôr-do-sol. Conversamos até que chega o ansiando momento do   iftar . No deserto de Judá, entre os beduínos, como noutras aldeia e comunidades muçulmanas, o  iftar  é a refeição que quebra o jejum do dia durante o Ramadão. Fazem jejum a partir dos sete anos. Desde as 04h00 da manhã não comem nada, nem água sequer. Mohamed e a irmã perderam peso de maneira considerável. Têm mais de sete anos e, por isso, jejuaram durante o mês do Ramadão. Com a chegada do entardecer, os beduínos reúnem-se por grupos de famílias ou tribos para quebrar o jejum.  Em Jerusalém, um disparo como o de um canhão anuncia o início do  iftar . Noutros lugares, é anunciado a partir das mesquitas. As aldeias beduínas que não têm mesquita escutam-no no telemóvel ou através da televisão. No deserto da Judeia, os beduínos o que primeiro comem são tâmaras ou bebem um trago de alguma bebida fresca. A ...

A CHUVA VOLTOU

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Deixei Qillenso no dia 25 de março para participar na Assembleia Provincial e no Conselho Provincial que se lhe seguiu em Hawassa, a cidade onde se encontra a sé-catedral da diocese com o mesmo nome. O nome que vem do lago que a embeleza. A natureza estava pintada de tons castanho: a erva secara há bastante tempo e o gado contentava-se em rapar o palhuço temperado com pó e aguentar as carraças que se multiplicam na poeira. Muitas árvores estavam nuas devido à canícula serrana que, este ano, começara no fim de novembro, um mês mais tarde garças ao fenómeno meteorológico chamado El niño. A estação seca, a  bonna , é a altura do ano que mais gosto de Qillenso pela temperatura amena, pela luminosidade, pela abundância de comida para as pessoas. Regressei uma dúzia de dias depois e o castanho tinha esverdeado: a  ganna gurracha , a estação escura das chuvas como os Gujis lhe chamam, tinha iniciado. A chuva apareceu pela calada convocada pelos dois piares agudos e um grave que forma...

FOI DEUS QUE TE ENVIOU!

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Não têm hora nem lugar. É quando quiseres e onde quiseres. Basta um sinal com a mão e tem-lo ali ao teu lado: assim é o tuque-tuque hoje, aqui, em Helwan e em muitos outros lugares do Egipto. Assim era também o tuque-tuque no Sudão, há alguns anos atrás. Foi assim naquele domingo de Páscoa em Nyala, onde fui missionário durante uma dúzia de anos. O tuque-tuque parou ao meu lado. – Dar el Salam? – perguntei. – Sim, entra se faz favor. Egípcio ou Sírio? – Nem um nem outro. Desculpa, desta vez não acertaste. Sou europeu. O meu país é Portugal! – sorri. O condutor do tuque-tuque ficou confundido, pois estava habituado a que os poucos brancos que se viam no Sudão serem, geralmente, de origem síria ou egípcia. – Não imaginava que me aparecesse um cliente conterrâneo do Cristiano Ronaldo, o meu jogador favorito! – respondeu. – O que é que te trouxe aqui a Nyala, a este remoto canto do Darfur, no Oeste do Sudão? Aposto que trabalhas para uma das muitas organizações da ONU, não é verdade? – pe...