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A mostrar mensagens de março, 2007

Shukran, Gina

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Gina despede-se das amiguitas © JVieira Gina tem 30 anos e vive em Cartum. É amiga da directora da Rádio Bakhita. Aliás, consideram-se irmãs. Trabalharam juntas no Departamento de Comunicação Social da Arquidiocese de Cartum. Formada em informática, estava desempregada há alguns meses. Por isso, decidiu vir para Juba para trabalhar dois meses como voluntária na Rádio Bakhita. A morte inesperada do tio levou-a a regressar a casa uma semana antes do previsto e a deixar suspensos alguns projectos. Gina dedicou-se incondicionalmente durante os dois meses que trabalhou para Bakhita 91 FM. Iniciou três programas: As Nossas Raízes - sobre provérbios e cultura africana, Pão Quotidiano – reflexões para uma vida melhor a partir de textos de Anthony de Mello, e Mulheres na Bíblia. Gina é ponto de encontro de mundos diferentes: nas suas veias corre sangue arménio, do Darfur e da Etiópia. Foi presa meia dúzia de vezes em Cartum por recusar a seguir as regras de traje islâmicas. «Sou cristã e não m...

Penumbra

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Luar © J Vieira Juba está a meia-luz desde sábado. Os técnicos estavam a efectuar uma reparação eléctrica, trocaram os fios e zás: queimaram o transformador de terra, inutilizando a central eléctrica inaugurada a 9 de Janeiro. Enquanto o novo transformador não chegar, a cidade de Juba é (mal) fornecida pela antiga central, explicou Ajoyi Magot Chol da Southern Sudan Electricity Corporation. O engenheiro informou que lugares sensíveis como o Hospital Escolar de Juba (com mais de 500 camas), a estação elevatória da água e os ministérios estão a receber electricidade normalmente. O resto da cidade tem que ter paciência porque a luz gerada não chega para as encomendas. Entretanto, o Director-Geral de Southern Sudan Electricity Corporation, Engenheiro Samuel Taban Yoze, assegurou que um técnico já se encontra a caminho de Juba para prover uma solução temporária até a peça chegar e que fornecimento de electricidade será normalizado no sábado. O Engenheiro Taban atribuiu a culpa da falha técn...

Prova de Matemática

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O regresso

Quase 9000 deslocados internos regressaram ao Sul do Sudão desde Janeiro, informou a UNMIS, a Missão das Nações Unidas no Sudão. O repatriamento de deslocados internos faz parte do Acordo Global de Paz (CPA na sigla em inglês), assinado em 9 de Janeiro de 2005 entre o Governo do Sul do Sudão e o SPLA, o Exército de Libertação do Povo Sudanês. É um exercício conjunto das Nações Unidas e dos governos do Sudão e do Sul do Sudão. A UNMIS comunicou que, desde Janeiro, 8944 deslocados internos regressaram aos estados de Bahr el Ghazal Norte, Warrab, Blue Nile e Jonglei, todos no Norte do Sudão meridional. Os novos retornados juntam-se a cerca de 850 mil deslocados internos e 102 mil refugiados que regressaram a casa e iniciaram a reintegração nas antigas comunidades desde 2005, altura em que a Segunda Guerra Civil do Sudão terminou. O conflito rebentou em 1984.

Bodas de Ouro

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Ir. Augusto Lopeta © Cecilia Sierra Os Irmãos de São Martinho de Porres, uma congregação de Juba, celebraram ontem 50 anos. Os primeiros cinco elementos fizeram a profissão religiosa a 19 de Março de 1957, em Kit. A estrela das bodas de ouro foi o irmão Augusto Lopeta, o único sobrevivente do primeiro grupo de irmãos. O irmão Augusto tem mais de 80 anos, mas é senhor de uma vitalidade surpreendente. Pertence à etnia Toposa. Durante a missa em que renovou a sua consagração, além do hábito – batina branca e faixa azul – tinha na cabeça um chapéu decorado com penas de avestruz e empenhava um penacho, insígnias dos chefes da sua tribo. E tocava um pequeno corno de veado para marcar o ritmo dos cânticos. No fim da cerimónia, vestiu também a pele de leopardo. Os Irmãos de São Martinho de Porres foram fundados em Kit, Juba pelo bispo Sisto Mazzoldi, missionário comboniano, em 1953. Hoje são cerca de 50 e dedicam-se ao ensino, pastoral, e actividades sociais e técnicas. Estão presentes no Sudã...

Nim

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© JVieira Juba é uma cidade verde, apesar do sol equatorial que a recoze. E o nim é a árvore que mais contribui para o ambiente aprazível da capital do Sul do Sudão. A mangueira, o tamarindo e outras árvores de fruto também são comuns, mas em pequenas quantidades e em locais privados. O nim – Azadirachta indica – é uma planta originária da Índia e pertence à família do mogno. Cresce rapidamente e atinge entre dez e 15 metros de altura e o tronco pode ter mais de um metro de diâmetro. Resiste ao calor e à seca, dá-se em climas semi-áridos e adapta-se com facilidade a qualquer tipo de solo. Uma vez que ganha raízes não precisa de ser regada. As folhas são perenes embora muitas caiam durante a canícula e alguns exemplares fiquem meio despidos. As flores, em cachos brancos, cheiram bem e fazem as delícias das abelhas. Os frutos têm o tamanho de uma azeitona. São cobertos por uma substância gelatinosa e têm uma fina pele verde-clara. O nim é uma árvore resistente à seca que cresce facilme...

Anti-corrupção

O Governo do Sul do Sudão iniciou uma operação de limpeza interna contra a corrupção. O ministro das Finanças e o líder da orientação política e moral do SPLA estão sob prisão domiciliária desde o início da semana. O ministro Arthur Akuen Chol está a ser investigado por supostas irregularidades na compra de veículos para o Governo. O seu ministério está em confusão total e o ministro tentou desviar a culpa pondo na rua os secretários de Estado. Estes por seu turno meteram um processo contra o ministro por difamação. O Major-General Isaac Mamur é acusado de ter usado fundos do exército sem autorização, ter enviado uma centena de homens do seu exército privado para treino no Uganda, ter mais de oito seguranças pessoais e de estar envolvido na importação e venda ilegal de viaturas do Quénia. A prisão do Comandante Mamur, o meu vizinho, trouxe alguma calma ao bairro de Amarat. Os seus soldados foram expulsos do quartel provisório atrás da nossa cozinha e o local encontra-se fortemente vigi...

Sudão

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© JVieira As primeiras fotos do Sul do Sudão já estão no «Foto-blogalerias» - JVieira. Três albuns: Rádio Bakhita (claro está), Madi (festa de Natal da comunidade Madi em Juba) e Rostos (colecção de retratos). Um obrigado ao meu compadre que além de alojar a minha gelria, tem a paciência de seleccionar e introduzir as fotos.

Organizações humanitárias

Em Fevereiro, havia 245 organizações humanitárias registadas a operar no Sul do Sudão: agências da ONU, organizações nacionais não governamentais, organizações internacionais não governamentais, organizações de base comunitária, organizações internacionais, organizações religiosas, Cruz Vermelha/Crescente Vermelho e outras. Cobrem todo o tipo de áreas: educação, saúde, infância, crianças-soldados, terceira idade, desminagem, alimentação, gripe das aves, veterinária, meio ambiente, segurança, paz e reconciliação… Em geral empregam gente muito jovem, entusiasta e generosa, mas com pouca experiência profissional; e pessoas de idade que fazem da ajuda ou cooperação internacional um modo de (bem) ganhar a vida e extremamente (pre)ocupadas com o progresso na carreira. Ajudam as populações desfavorecidas, preparam alguns quadros, recuperam infra-estruturas, fornecem consultadoria. Ganham muito bem e em dólares. Também pagam bem, inflacionam a economia local e criam um mercado artificial. Tend...

Última hora

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Grace and Patrick © JVieira Rádio Bakhita continua as suas emissões diárias das 17h00 às 21h00. A equipa de apresentadores, jornalistas e produtores regista melhorias diárias. Os programas estão mais ágeis e as vozes mais confiantes. O calor e o pó estão a fazer mossa no gerador que alimenta a estação. Estamos a tentar ligar os estúdios à rede pública. Mas é uma operação que requer muito dinheiro – dois postes de ferro usados custaram 350 euros – e doses massiças de paciência. O amanhã dos serviços de electricidade demora a chegar. Entretanto, o gerador que alimenta o transmissor foi vandalizado por desconhecidos. Os estragos foram poucos e a emissão diária não foi afectada. Mas é um gesto que nos deixa perplexos até porque não se entende facilmente o seu significado.

Inferno

O prazo de validade de José Impaciente da Silva expirou e o finado foi para o lado de lá da eternidade. Chegou à porta do céu e bateu. O anjo porteiro pediu-lhe os papéis: - Tenho que iniciar o processo de avaliação! – explicou. - E isso demora muito? - Vai demorar um bocado. Tenho que analisar 85 anos de arquivos. José Impaciente da Silva achou que não tinha tempo para esperar e decidiu apanhar o elevador para o Purgatório. - Lá não serão tão rigorosos na triagem! Sempre é um lugar de passagem… Chegado ao Purgatório bateu à porta. O anjo recepcionista abre o postigo e pede os papéis. - É para abrir o processo! - explicou. - E isso demora muito? - Um bocado. Tenho que analisar os arquivos de 85 anos. José Impaciente da Silva perdeu a pachorra e decidiu tentar a sorte no Inferno. Entrou no elevador e desceu para a cave do além. Estranho, a porta está entreaberta e parece não ter anjo de guarda – pensou José Impaciente da Silva. Com o pé empurrou a porta com cuidado e ficou espantado com...

Salva Kiir em tela

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Salva Kiir com Talbot Rice e o embaixador do Reino Unido no Sudão © JVieira O retrato oficial do General Salva Kiir, primeiro vice-presidente do Sudão e presidente do governo do Sul do Sudão, foi ontem apresentado ao público durante a sessão do Conselho de Ministros. O óleo sobre tela é de Alexander Talbot Rice, artista britânico de renome que, entre outras personalidades, imortalizou a Rainha de Inglaterra e o Príncipe consorte. O autor ofereceu a obra ao Sul do Sudão. Luka Biong, ministro dos Assuntos Presidenciais, declarou que o retrato de Salva Kiir «é um meio muito artístico de simbolizar a liderança.» O embaixador do Reino Unido em Cartum afirmou que o autor captou com precisão «a combinação de coragem, fortaleza e a sabedoria calma» que observou no presidente Kiir. O Dr. Riek Machar, vice-presidente do governo do Sul do Sudão, disse que o quadro tem semelhanças com a Monalisa. «Estava do lado direito e o presidente olhava para mim. Mudei-me para o lado esquerdo e Salva Kiir co...

Educação

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© JVieira A educação é um dos grandes desafios que o Governo do Sul do Sudão enfrenta. Vinte e um anos de guerra civil destruíram a rede escolar e paralisaram o sistema de ensino. As escolas estão em muito mau estado e os centros de formação de professores não funcionam. O ensino é assegurado por gente com a oitava classe e muitas vezes nm são pagos a tempo. Não admira portanto que num panorama destes 85 por cento da população seja analfabeta e só um quarto das crianças em idade escolar vá às aulas. Entretanto, este ano o Governo está a implementar um novo currículo escolar. O programa árabe de Cartum dá lugar ao curso em inglês no Sul apesar de os professores dominarem com dificuldade a língua de Shakespeare. A situação entre as fileiras do SPLA nã é melhor. O Major General Kuol Deim Kuol revelou que nove em cada dez soldados não sabem ler nem escrever. A tropa é recrutada nas zonas rurais onde as escolas não funcionam. Em 2006, o SPLA reservou 250 mil euros para a educação de 70 mi...

Ovos

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© JVieira O ovo cozido é um petisco que os habitantes de Juba não dispensam por nada. É um acepipe caro: um ovo cozido custa 50 dinares ou 50 piastras – na moeda velha ou na nova: qualquer coisa como 20 cêntimos. Os ovos são caros, porque são importados do Uganda – como a maioria das coisas que se consome na cidade desde as batatas, tomates, galinha, peixe… à água engarrafada, refrigerantes, cerveja e uma série de bebidas «brancas» de proveniência duvidosa da marca Royal (vodka, whisky, gin). Os ovos cozidos são vendidos por miúdos – e às vezes por miúdas – que calcorreiam as ruas da cidade com uma cartão na mão e uma saquita com sal ou montam banca em pontos estratégicos junto a hospitais, escritórios, paragens de transportes… Uma maneira de ganhar umas moedas e melhorar o orçamento caseiro. O ovo cozido é muito apreciado, porque é considerado um alimento limpo e energético e de fácil utilização: é cozinhado dentro da própria embalagem e depois de descascado, basta juntar-lhe uma pit...

Fósforo

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By Ciekawzzdjecie

Mulher

Sou mulher Toda a vida fiquei triste Por ser mulher Pensava que os homens eram muito mais felizes, As mulheres são seres subestimados Numa sociedade Terrivelmente machista. Por isso tornei-me guerreira, Inconformada, revoltada, Não há homem Que ponha um pé á frente do meu, Eu estarei sempre na linha da frente A lutar com as mesmas armas, A mostrar aos homens e ao mundo Que podemos tanto quanto eles, Que o mundo precisa De acção, movimento De corações de mulheres Que amem, Que sejam frágeis Ou guerreiras mas que lutem sempre! DairHilail no Loucuras

LRA

CHISSANO QUER SALVAR PAZ Joaquim Chissano chefia uma delegação que se vai encontrar este fim-de-semana com Joseph Kony, o líder do LRA, o Exército de Resistência do Senhor, algures na fronteira entre o Sudão e a RD Congo. A delegação pretende relançar as conversações de paz entre o governo ugandês e o LRA, suspensas em Dezembro passado. O ex-presidente moçambicano, enviado especial da ONU, o vice-presidente do Gorverno do Sul do Sudão, Dr. Riak Machar, representantes dos governos do Uganda e do Quénia e membros da organização Africa Peace Point e outras individualidades vão tentar reatar o diálogo entre Joseph Kony e o Governo de Campala e estabelecer o lugar para o encontro. Em princípio, Juba voltará a receber as delegações do LRA e das autoridades ugandesas. A mediação será assegurada por Joaquim Chissano em vez de Riak Machar e do Governo do Sul do Sudão. Delegações do governo ugandês e dos rebeldes Acholis estiveram sentadas à mesa das negociações em Juba até Dezembro passado. Ria...

Dia da Mulher

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© JVieira Juba também celebrou o Dia Mundial da Mulher. A festa decorreu no estádio e juntou uma multidão considerável que aguentou com paciência sob o sol escaldante o já crónico atraso dos políticos. O evento estava marcado para as 9h00 mas os dignitários chegaram depois do meio-dia. O Vice-Presidente do Sul do Sudão, Dr. Riak Machar, foi o convidado de honra das mulheres de Juba. Estavam presentes a ministra do Género, o ministro dos Assuntos Parlamentares e o representante do Governador de Central Equatoria. «Acabar com a impunidade da violência contra as mulheres; violência é um crime e se tu violas uma mulher violas a sociedade» foi a frase de ordem da festa de Juba. Um grupo de mulheres desfilou até ao estádio com camisolas 25% em apoio à política do governo que reserva um quarto dos assentos parlamentares para deputadas. As forças militares e policiais femininas marcharam com garbo sobre a relva do estádio. O representante do Governador do Estado de Central Equatoria propôs uma...

Cólera

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Tratamento de lixo no Mercado de Custom - Juba © JVieira Juba está outra vez sob a ameaça da cólera. Os Médicos Sem Fronteiras estão a receber em média 30 novos casos por dia no posto de emergência que montaram para apoiar as vítimas da epidemia no princípio do mês. Até ontem tinham registado uma vítima mortal. Bakhita Radio está a difundir um alerta preparado pelos Médicos Sem Fronteira e pelo Ministério de Saúde do Governo de Central Equatoria com alguns conselhos de higiene e as medidas necessárias para combater a epidemia. Os surtos de cólera são comuns na capital do Sul do Sudão. Juba não tem sistema de recolha e de tratamento de lixos urbanos nem distribuição de água potável. O problema do lixo de Juba já foi a conselho de ministros. O Governo do Sul do Sudão preconiza a privatização dos serviços de limpeza para resolver a crise sanitária em que a cidade está mergulhada há mais de duas décadas. A população de Juba está a aumentar de dia para dia e o lixo abandonado nos mercados, ...

The beautiful game

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Obrigado, Zizo!

«Os Lusíadas»

A professora pergunta ao aluno: - Diz-me lá quem escreveu «Os Lusíadas»? O aluno, a gaguejar, responde: - Não sei, Sra. Professora, mas eu não fui. E começa a chorar. A professora, furiosa, diz-lhe: - Pois então, de tarde, quero falar com o teu pai. Em conversa com o pai, a professora faz-lhe queixa: - Não percebo o seu filho. Perguntei-lhe quem escreveu «Os Lusíadas» e ele respondeu-me que não sabia, que não foi ele... Diz o pai: - Bem, ele não costuma ser mentiroso, se diz que não foi ele, é porque não foi. Já se fosse o irmão... Irritada com tanta ignorância, a professora resolve ir para casa e, na passagem pelo posto local da GNR, diz-lhe o comandante: - Parece que o dia não lhe correu muito bem... - Pois não, imagine que perguntei a um aluno quem escreveu «Os Lusíadas» respondeu-me que não sabia, que não foi ele, e começou a chorar. O comandante do posto: - Não se preocupe. Chamamos cá o miúdo, damos-lhe um aperto, vai ver que ele confessa tudo! Com os cabelos em pé, a professora ...

The Juba Post

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The Juba Post já tem edição electrónica e pode ser folheado em www.thejubapost.com . Além da edição semanal, o sítio tem uma secção de oferta de emprego e de informações variadas. O semanário independente é publicado em Juba e sai às quintas-feiras. Foi fundado em 2004 por jornalistas que se recusaram a trabalhar sob sensores. O primeiro número saiu a 9 de Janeiro de 2005, dia em que foi assinado o Tratado Global de Paz entre Cartum e os rebeldes do SPLA. The Juba Post é publicado em inglês. Tem a redacção em Juba e uma delegação em Cartum, onde é impresso. O semanário de Juba pretende facilitar o desenvolvimento da sociedade civil, monitorizar a governação, promover a justiça e encorajar o diálogo Sul-Sul em questões de paz e reconciliação. A partir de Abril vai ter uma escola de jornalismo. O semanário é apoiado pela Noruegian Church Aid (Ajuda da Igreja da Noruega).

A ponte

Desde que parte do tabuleiro que dá acesso a Juba ruiu sob o peso de um camião de cimento em Dezembro, atravessar o Nilo Branco tornou-se mais complicado. A circulação faz-se só por uma via para quem entra e para quem sai da cidade. A ponte não é muito comprida e apesar de intenso, o tráfico parece fácil de gerir. Excepto quando as autoridades entram em conflito! O movimento de viaturas é controlado pela polícia de trânsito, mas a ponte é vigiada por soldados por ser um alvo militar. Meter polícias e tropas em exercício simultâneo de autoridade, é pedir confusão pela certa. Como ontem aconteceu! Dirigia-me para Gumbo atrás de um camião. Parámos em frente do posto da polícia. O agente, fardado de branco, mandou-nos avançar. Espreitei pelo lado do camião para me certificar se a via estava livre. Não havia viaturas do outro lado. Quase no final da travessia do rio, o camião à minha frente engrenou a marcha-atrás. E aparece um soldado esbaforido a esbracejar para recuarmos. Quando regresse...

Amor | Amizade

Um dia o Amor virou-se para a Amizade e perguntou: - Para que existes tu se já existo eu? A Amizade respondeu: - Para repor um sorriso onde tu deixaste uma lágrima! Obrigado, Margarida

Lua feiticeira

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Esta noite a lua eclipsou-se. O fenómeno foi visível em Juba. O céu estava limpo e estrelado. Às duas da manhã a Lua cheia era um imenso disco laranja com uma pontinha amarela. Lindo de se ver! Não fazia conta de me levantar para observar o fenómeno provocado pelo alinhamento da lua, da terra e do sol, com o planeta azul a cobrir o seu satélite com a sombra. Mas como não conseguia dormir, resolvi levantar-me e admirar o eclipse lunar. Valeu a pena. Não sei se era do eclipse ou do calor, mas foi impossível dormir até às 4h00 da manhã. A vizinhança de Amarat, o bairro onde vivo, estava em festa em duas ou três frentes. Houve de tudo: música ao vivo, gravada, discursos, lengalengas que soavam a orações. O meu colega alemão teve que colocar algodão nos ouvidos para poder ter algumas horas de sono e um hóspede disse que conseguiu descansar porque tomou três comprimidos para dormir. Uma curiosidade: Amarat literalmente significa arranha-céu. Não sei de onde vem o nome: a casa mais alta é um...

Gumbo

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© JVieira Os Salesianos têm uma missão em Gumbo, a 15 quilómetros de Juba, na margem sul do Nilo Branco. A paróquia, dedicada a São Vicente de Paulo, entrou em decadência nos anos noventa. O Exército de Resistência do Senhor (LRA), um grupo de guerrilha do Norte do Uganda com ligações ao Sudão, começou a atacar a área e os habitantes, da etnia Bari, trocaram Gumbo e pela segurança de Juba. Hoje, Gumbo é uma pequena aldeia de palhotas baixas. A velha igreja está em ruínas e a comunidade reúne-se num pequeno salão numa planície de perder de vista, ressequida pelo sol abrasador. Os salesianos querem construir uma escola, mas Gumbo ainda não é um lugar seguro. O último ataque do LRA aconteceu há dois meses. Depois disso, os guerrilheiros assinaram um cessar-fogo com o exército ugandês e iniciaram conversações de paz em Juba sob o patrocínio do Governo do Sul do Sudão. Entretanto, as conversações pararam e o período de tréguas acabou há dois dias. Por enquanto, os missionários vivem em Ju...

Projecto Rádio Bakhita

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Ir. Cecília Sierra em diálogo com Grace © JVieira FORMAÇÃO DE RADIALISTAS Bakhita Radio 91 FM, a Voz da Igreja, foi inaugurada a 8 de Fevereiro de 2007, em Juba, no Sul do Sudão. Trata-se da emissora-mãe da Rede Católica de Rádios do Sudão, montada pela família comboniana e oferecida à Conferência Episcopal. As revistas Audácia e Além-Mar lançaram um projecto para co-financiar a formação de radialistas de Bakhita Radio 91 FM, a Voz da Igreja. A primeira e única emissora católica na história sudanesa iniciou as emissões experimentais na noite de Natal. Depois da inauguração, Bakhita Radio emite regularmente das 17h00 às 21h00. O período de emissão será alargado quando a rede eléctrica de Juba entrar em funcionamento. A programação abre com a leitura do Evangelho do dia e uma reflexão. Juventude, acordo global de paz, evangelização, mulher, infância, informação e música religiosa e africana são alguns dos programas da grelha. Os programas são pré-gravados em inglês e árabe. Bakhita Rad...

Abrir aspas

O PRANTO DA AREIA Assim que chegou a Marrakesh, o missionário resolveu que passearia todas as manhãs pelo deserto que ficava nos limites da cidade. Na sua primeira caminhada, notou um homem deitado nas areias, com a mão acariciando o solo, e o ouvido colado na terra. "É um louco", disse para si mesmo. Mas a cena repetiu-se todos os dias, e passado um mês, intrigado com aquele comportamento estranho, ele resolveu dirigir-se ao estranho. Com muita dificuldade – já que ainda não falava árabe fluentemente – ajoelhou-se ao seu lado. - O que estás a fazer? - Faço companhia ao deserto, e o consolo por sua solidão e suas lágrimas. - Não sabia que o deserto era capaz de chorar. - Ele chora todos os dias, porque tem o sonho de tornar-se útil ao homem, e transformar-se num imenso jardim, onde se pudesse cultivar cereal, flores, e carneiros. - Pois diga ao deserto que ele cumpre bem a sua missão – comentou o missionário. – Cada vez que caminho por aqui, entendo a verdadeira dimensão do s...

Juba

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Nilo Branco © JVieira