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A mostrar mensagens de dezembro, 2024

BORDAR EM PONTO DE ESPERANÇA

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Chegou radiante, com a sua pequena almofada bordada e cosida à mão. Mostrou-ma com orgulho:  – Não é linda? Diz-me que está bonita! Peguei na almofada bordada e examinei-a com atenção.  Ao reparar na minha expressão de dúvida, acrescentou rapidamente: – Bem, eu estou a aprender... Mas diz-me que estou a ir bem. Ela é uma mulher beduína muito bonita.  A sua filha acaba de casar com o filho da irmã. É um costume beduíno comum de casamento entre parentes próximos. – A almofadita está bem feita. Porém, não a podemos enviar para outro país com o enchimento que puseste! – expliquei-lhe.  Ela não desanimou. Na aula seguinte, trouxe-a de volta, sem o enchimento.   – Achas que a vão comprar? – pergunta com esperança no olhar. – Vamos ver! – respondi-lhe, confiante de que alguém vá apreciar o seu esforço. A almofadita é o seu primeiro trabalho no curso de bordado beduíno que iniciámos há três meses.  É muito mais do que um objeto: é um símbolo de esperança no me...

NATAL DE MISSIONÁRIOS PORTUGUESES EM ÁFRICA

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  “Temos de viver no essencial, e o essencial é Jesus” No Sudão do Sul, maioritariamente cristão, ou na Etiópia, onde os católicos são apenas 1% da população, a quadra natalícia é vivida com grande devoção e alegria, apesar das dificuldades e do aumento da insegurança. É o testemunho deixado à Renascença por uma religiosa e um padre, ambos missionários combonianos. O Natal cristão é celebrado em todos os cantos do mundo, e mesmo nos mais longínquos e improváveis encontramos missionários portugueses. É o caso do Sudão do Sul, o país mais jovem do mundo. “Estou aqui há cinco anos”, conta à   Renascença   a irmã Beta Almendra. Esta missionária comboniana diz que “a maioria dos sudaneses são cristãos”, mas que enfrentam graves problemas de sobrevivência. “As maiores dificuldades deste país são básicas: educação, saúde, água, luz, estradas. São coisas que ainda estamos a sonhar tê-las com qualidade”, diz a missionária. A   irmã Beta Almendra   dá como exemplo a situa...

DEUS, MINHA MÃE

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Por defeito profissional, quando leio um romance, procuro notar qual é a relação do autor com Deus. Valter Hugo Mãe, no seu  Deus na escuridão  – uma ficção que tem a Medeira como cenário – fala de Deus como mãe. Porque, como escreve Afonso Cruz em  Flores , «Deus não é macho». No décimo capítulo, que leva o título do livro, o autor escreve no primeiro parágrafo, que «Deus é certamente como as mães. Liberta Seus filhos e haverá de buscá-los eternamente. Passará todo o tempo de coração pequeno à espera, espiando todos os sinais que Lhe anunciam a presença, o regresso dos filhos».  E prossegue: «Deus é exatamente como são as mães, que criam e depois vão ficando para trás, à distância, numa distância que parece significar que não são mais precisas, e Ele, como elas, só sabe amar acima de qualquer defeito e qualquer falha, com cada vez maior saudade. [...]. Deus, como as mães, corre os dias inteiros à janela e escuta. [...] A casa de Deus tem a chave do lado de fora, deb...

CELEBRAR A PADROEIRA

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Qillenso – a missão entre o povo guji da Etiópia onde sirvo – foi estabelecida oficialmente em 1981, dedicada à Senhora das Dores. Entretanto, a festa da padroeira passou a ser comemorada a 8 de dezembro, Senhora da Imaculada Conceição.  Oficialmente a paróquia continua dedicada à Senhora das Dores. Porém, a data da solenidade foi mudada por duas razões.  Primeiro, setembro e outubro são, aqui, o ponto alto da estação das chuvas. Quando chove, chove mesmo e estorva a organização e as deslocações. Depois, em setembro os produtos agrícolas – milho, café, repolho, cereais – estão a crescer. Em dezembro, em plena estação seca o tempo das colheitas dá muito mais de comer e dinheiro para comprar. A festa deste ano celebrou-se no domingo, dia 8, mas os preparativos começaram nos dias anteriores. Os jovens ensaiaram a dramatização da parábola do filho pródigo e os coros deram lustro às atuações. Na sexta, um grupo de mulheres lavou o chão e as cortinas da igreja.  No sábado, as a...

AZUL DO CÉU

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Hoje o pintor encheu de anil o céu por cima de mim. Sem fiapo de nuvem nem grão de poeira. Um azul que envolve  e devolve, e enche o olhar de paz e o coração! Um céu que leva para além dele, atrás do horizonte: cor de infinito  sobre tela breve. Este azul celeste, da mana-saudade, que também é dele, fundo, altaneiro, regressa-me ao dia primeiro  quando a Voz criadora anelou: "Faça-se luz!" A luz?  Azul anilado, índigo!