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A mostrar mensagens de março, 2006

Primavera

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Primavera Primarraquel Primaana Primaceleste Primacélia Primapaula Primaisabel Primalúcia Primaceleste Primamaria Primananda Primalivina Primalina Primamercês Primacristina Prim(ai)lda Estação de vida De ternura!

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GRIPE DAS AVES - Senhor, que fazemos sobre a crise global da gripe das aves? - Bombardeai as Ilhas Canárias e a Turquia! (Turkey em inglês significa peru) Ilustração de Zapiro para Mail & Guardian (Joanesburgo - África do Sul)

Mil palavras

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Alegria partilhada é alegria dobrada. Dor compartida é dor meio diminuída. Provérbio sueco

Leituras

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AMOR INTEGRADO Bento XVI escreveu a sua primeira carta encíclica sobre o amor. Chamou-lhe, em latim, «Deus Caritas Est», « Deus é Amor » (Paulinas 2006) e dividiu-a em duas partes: (1) A unidade do amor na criação e na história da salvação e (2) Caritas – a prática do amor realizada pela Igreja enquanto «comunidade de amor». O Papa Ratzinger remete-nos assim através do seu primeiro documento para o essencial da vida cristã: a experiência do amor de Deus por cada um de nós. Somos fruto da benevolência divina, do seu amor eterno (1Reis 10, 1-10). «As palavras [Deus é amor] exprimem o centro da fé cristã: a imagem cristã de Deus e também a consequente imagem do ser humano e do seu caminho» (n.º 1). Os Gregos têm três palavras para designar o amor: eros, philia e ágape; o amor erótico, a amizade e o amor oblativo. Muitos mestres cristãos viam nessa gradação o caminho espiritual a fazer: passar do eros à philia e desta ao ágape, o amor maior. O papa apresenta uma visão diferente: a integra...

Relax

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TENTAÇÕES Um padre novato e bonitão chega à paróquia, em substituição do velho abade que se aposentou. No seu primeiro dia de serviço, recebe uma paroquiana que se quer confessar. No escurinho do confessionário ela diz: - Padre, perdoe-me porque pequei... - Diga-me, filha: quais são seus pecados? - Padre, o demónio da tentação apoderou-se de mim, pobre pecadora! - Como é isso, filha? - É que quando falo com um homem, tenho sensações no meu corpo que nem sei como descrever! - Filha, eu também sou um homem! - Sim, Padre, por isso é que eu vim confessar-me ao senhor! - Bem, filha, como são essas sensações? - Não sei como explicá-las. Agora, por exemplo, o meu corpo não quer ficar ajoelhado e necessito de ficar mais a vontade! - Sério? - Sim, quero relaxar e ficar estendida... - Filha, estendida como? - De costas para o chão, até que me passe a tensão. - E o que mais? - É, vamos dizer, como se eu tivesse um sofrimento que não encontro conforto. - E o que mais? - É como esperar um pouco de ...

Mil palavras

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Crepúsculo na Barrinha de Esmoriz - J. Vieira

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«QUEM ME DERA SER UMA VACA JAPONESA!...» Os subsídios para agricultores europeus e norte-americanos foram tema do en­contro da Organização Mundial do Comércio, em Hong Kong. Parece um assunto para eco­nomistas. Não é. Tem que ver com todos nós. Há décadas que somos confrontados com a produção subsidiada de vegetais e de carne dos agricultores europeus e dos EUA. Numa palavra: fomos aceitar a lógica do mercado livre, mas esse princípio só vale para uns. O proteccionismo continua a ser válido desde que beneficie os próprios paí­ses ricos. Fiquemos com um primeiro facto: uma vaca europeia recebe dois euros diários por via dos referidos subsídios. Uma vaca japo­nesa recebe 5,7 euros. Milhões de pessoas, entretanto, vivem com 82 cêntimos de euro por dia. Uma segunda questão: será que esses subsídios vão para o agricultor pobre da Euro­pa? Admire-se o leitor incauto. O príncipe Al­berto do Mónaco não será um camponês po­bre. Mas ele juntamente com a rainha Isabel...

Galeria virtual

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A Virgem e o Menino (Filsetá) e a Trindade (Selassie) - J. Vieira PINTURA NARRATIVA ETÍOPE A Etiópia orgulha-se da sua cultura milenar única. A pintura folclórica é uma das suas expressões mais antigas, atraentes e garridas. Retrata em cores vivas e traços naïf os mitos fundacionais do país, a sua história, o quotidiano e as vidas dos seus santos. Manuel João Ramos , professor associado do Departamento de Antropologia do ISCTE e um especialista de renome em Estudos Etíopes, organizou uma mostra de pintura narrativa etíope: retratos religiosos, lendas, histórias e cenas de guerra, de caça, de festas e do quotidiano. Juntou-lhe uma retrospectiva da obra do pintor Jembere Hailu. E preparou um guião . A exposição foi montada em Lisboa, em Maio-Julho de 2000. Está agora disponível numa galeria virtual! Visita-a aqui .

Guerra e Paz

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Cidadania

PRIVILÉGIOS POLÍTICOS «O Projecto de Código Penal prevê que a pena de demissão de funções de políticos e funcionários seja aplicada em alternativa à prisão. Se for aprovada, terá de ser tida em conta nos julgamentos, de Fátima Felgueiras, Valentim Loureiro e Isaltino Morais», noticiou o Expresso de 25 de Março de 2006. Primeiro foi a ideia peregrina de julgar os políticos só nos tribunais superiores. Agora querem tratamentos especiais: demissão em vez de cadeia em penas mais pequenas! A Constituição da República Portuuesa é clara: os cidadãos são todos iguais perante a Lei. Porquê então esta proposta de tratamento especial? O cidadão comum também não tem os mesmos direitos? Há cidadãos mais iguais que outros. A classe política portuguesa além de rasca é descarada. E proteccionista. Só uma sociedade civil forte é capaz de zelar pelos direitos da cidadania.

13.ª Mini-Maratona

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35.000 A DAR À SAPATILHA A partida no «garrafão» da Portagem A ponte não caiu mas vibrou! Na saída para Alcântara A chegadas com mais de sete quilómetros nas pernas Alguns aporveitaram para serem solidários na zona de abastecimento Outros foram originais Até cachorros participaram Levei uma hora e vinte mais outro tanto para chegar a casa! Houve medalhas para todos

Imprensa Regional

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NOVOS CAMINHOS E DESAFIOS A Associação de Imprensa de Inspiração Cristã ( AIC ) celebrou o seu sexto congresso no Turcifal, Torres Vedras, de 23 a 25 de Março. Setenta e cinco congressistas, representando alguns dos 260 títulos associados, reflectiram sobre os novos caminhos que se abrem para o sector. A nova Entidade Reguladora para a Comunicação Social ( ERC ) e o novo Estatuto do Jornalista são dois dos desafios mais prementes que os média regionais enfrentam. Na boa tradição jacobina – durante a Revolução Francesa o condenado ou a família pagavam ao carrasco para fazer o trabalho depressa e bem –, o governo do Eng. Sócrates quer obrigar as empresas de comunicação social a financiar a ERC. Este organismo substitui a Alta Autoridade para a Comunicação Social. A boa notícia é que a imprensa regional está a ganhar consistente e paulatinamente novos públicos. Os média de expressão nacional, por seu lado, estão a perder audiências. Cai assim por terra o mito urbano que teima em qualific...

Juventude

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GERAÇÃO KLINEX A juventude francesa está na rua em peso contra o «Contrato do Primeiro Emprego» (CPE). Centenas de milhares de estudantes concentraram-se em Paris e noutras cidades. Mais de metade das 84 universidades públicas e muitos liceus encerraram. Os sindicatos aderiram ao protesto e convocaram uma greve geral. O CPE é uma iniciativa legislativa do primeiro-ministro Dominique de Villepin. Para aumentar a oferta do primeiro emprego, autoriza a despedimento sem justa causa nem aviso prévio de trabalhadores com menos de 26 anos durante os primeiros 24 meses de actividade. Os jovens insurgiram-se contra a consequente precariedade laboral em manifestações marcadas por actos de violência e vandalismo, geralmente atribuídos a extremistas e provocadores, que os manifestantes se esforçaram por isolar. Há que dizer que cerca de 23 por cento dos franceses com menos de 26 anos estão desempregados. Os jovens franceses retratam, em pequena escala, a juventude mundial. Se não vejamos: cerca d...

Ave engripada

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Tevê

O ESTADO DA ARTE Paulo Portas (PP) iniciou, há 15 dias, um novo programa de análise política na SIC Notícias . « O Estado da Arte » vai para o ar às 11 da noite de terça-feira, de duas em duas semanas. É moderado pela jornalista Clara de Sousa . Confesso que aguardava com alguma curiosidade o desempenho do PP pós interregno americano. O deputado aparece com uma nova postura, mais tranquilo, de pensador, numa displicência estudada. Não gostei – e não gosto – do seu sorriso «brilho dental» nem do olhar vago e vagueante. Prefiro olhos nos olhos. Quanto aos conteúdos não há novidades: o discurso continua a ser o da direita pura e dura. Ontem falou da questão da imigração, da justiça, da segurança, do terrorismo, dos três anos da invasão americana do Iraque, do PSD e do CDS. Confesso que não me entusiasmou o seu marialvismo político e irritou-me a postura elitista sobre o sufrágio universal. Está contra as directas para as lideranças partidárias porque «as multidões geram ditadores». Enfim!...

Abrir aspas 1

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CONFIO Senhor, confio os meus esforços e as minhas fraquezas à tua mansidão. Olha para mim: sou um pobre. Nos teus braços me refugio como uma criança, como um passarinho caído do ninho. Assegura-me, Senhor, que ainda me amas e tudo em mim reflorirá. A Deus eu não O conheço, mas por Ele sou conhecido e nisto está a minha esperança. R aou l Follereau em «Cantarei depois da Morte», edição da APARF (2006)

Abrir aspas

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Crianças de Pawe (Etiópia) - J. Vieira ONDE ESTÁ A FELICIDADE? Este é o título de um livro de Camilo Castelo Branco, homem de excessos que o atormentaram e acabaram por destruir. Mais tarde, Fernando Pessoa escreverá o belo poema «Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio», na sua pele de Ricardo Reis, e que acaba por ser também uma forma de configurar o perfil de uma felicidade. Poderíamos continuar a enumerar escritores e filósofos que fizeram da felicidade a meta das suas pesquisas e ficções. Mitos, crenças e teorias apontam a busca da felicidade como um objectivo natural da pessoa humana. Quem não deseja atingir o paraíso, aqui e agora, ou no fim da viagem para os crentes? No nosso dia-a-dia, são inúmeros os sinais de que aquilo que perseguimos na vida, não é mais do que descobrirmos a maneira de sermos felizes. Uns, talvez mais as mulheres que os homens, se acreditarmos nos casos publicitados, arriscam dolorosas operações de cosmética, gastam fortunas para encher os lábios, au...

Leituras

MORTE SUSPENSA O último romance de José Saramago chama-se – e trata – « As Intermitências da Morte » ( Editora Caminho 2005). Pensar na morte «é obrigatório fazerem-no todos os seres humanos» (pág. 160). Talvez porque o autor tem 83 anos. Talvez porque nascemos para morrer. Talvez porque morremos para viver. O romance começa com uma frase seca, curta, espantosa: «No dia seguinte ninguém morreu» (pág. 13). O pano de fundo é enigmático: a morte deixou de matar durante sete meses num país monárquico com dez milhões de habitantes e sem orla marítima. As instituições que lidam com a morte – ICAR (igreja católica apostólica romana), seguradoras, funerárias, lares de idosos, sistema de saúde e «máphia» – são obrigadas a encontrar novas respostas para o desafio da suspensão da morte. O Nobel da literatura trata o tema da morte, da vida e do amor com profundidade irónica e mordaz. A parca é «uma metamorfose», (pág. 78), «sempre foi uma pessoa do sexo feminino» (pág. 134). A afirmação mais fort...

Azul

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Cabo da Roca - J. Vieira Sou o azul do mar do céu do sonho

Darfur – Sudão

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MILHÃO DE VOZES Brian Steidle, ex-oficial dos marines norte-americanos, lançou a campanha Save Darfur – Salve Darfur para pressionar o presidente Bush a apoiar uma força multinacional mais forte que proteja os civis da província ocidental do Sudão. A população negra do Darfur é massacrada, desde 2003, pelos janjawid , milícias árabes apoiadas pelo Governo de Cartum. Duzentos mil civis morreram e dois milhões foram forçados a abandonar as terras. Mais de 200 mil refugiaram-se no Chade e 350 mil podem ser vítimas da fome ou doença se nada for feito. A história do Darfur está marcada pela tensão constante entre os agricultores negros islamizados e os pastores árabes pelo controlo da terra e da água. Em Fevereiro de 2003, dois movimentos do Darfur pegaram em armas para defender os direitos da população negra. O Governo respondeu com ataques aéreos e através dos Janjawid . A comunidade internacional tem-se mostrado impotente para parar o massacre. Não foi além de gestos diplomáticos pouco...

Memórias

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ESPAÇO PIRATA As «chiclas» Pirata eram duras, mas eram boas. Custavam dez tostões e até davam cromos. Foram um dos sabores da minha infância! Apesar de nuncas ter aprendido a fazer bolinhas!!! O «Espaço Pirata» faz-nos percorrer as alamedas da memória e revisitar as paisagens sonoras dos anos 70 e 80, os tempos lindos da minha adolescência e juventude. Publicidade televisiva e da rádio, séries de animação, programas infantis e juvenis, séries de ficção, música… Tudo à distância de um clique em « Espaço Pirata – Momento Mágico ». Porque, afinal, recordar é viver.

(ex)citações

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Menina etíope de Sollamo - J. Vieira PARA SER FELIZ «Todos nós, de uma forma ou de outra, pensamos na felicidade. A ela associamos sentimentos e sensações como o prazer, a alegria, a satisfação, a plenitude e o gozo, mas o conceito de felicidade acaba por transcendê-los a todos. Implica a posse de muitas coisas, e sobretudo a ideia de que é preciso fazer um caminho, com “trabalho, cultura e inteligência”, como diz o filósofo espanhol Enrique Rojas. […] A felicidade é um bem supremo para o qual todos tendemos. É um projecto de vida, uma vocação, uma meta a alcançar, em última instância é a nossa realização pessoal. O prazer, esse, é um filho menor, mas não deixa de ser uma componente essencial no processo, na medida em que ser feliz, ainda que pontualmente, implica naturalmente poder sentir a emoção do prazer ou “a capacidade de desfrutar” a vida.» ana.castro@xis.publico.pt In Xis , de 25 de Fevereiro de 2006

Ponte para o entardecer

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Lisboa, Ponte 25 de Abril - J. Vieira

Lisboa amanhece, tranquila

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Bairro do Príncipe Real - J. Vieira

Sudão

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AL BASHIR CONDECORA MISSIONÁRIO O presidente da República do Sudão , Omar Ahmed al Bashir, conferiu, a 13 de Dezembro de 2005, a medalha da Ordem das Ciências e das Artes ao padre Giuseppe Puttinato pelos méritos conseguidos no campo da educação. O padre Puttinato, de 73 anos, ensina no Comboni College de Cartum desde 1959. É italiano e pertence ao Instituto dos Missionários Combonianos . Em 2003, foi o responsável pela abertura da nova ala do Computer Science and Technology da escola. O padre Puttinato não é estreante em matéria de condecorações. Em Janeiro de 2004, foi nomeado cavaleiro pelo presidente da República italiana, Azeglio Ciampi. A condecoração foi recebida a 2 de Junho do mesmo ano, durante uma recepção na embaixada de Itália em Cartum. O Comboni College foi fundado em 1929 e é a escola católica com mais prestígio no país. É dedicado à memória de Daniel Comboni , o primeiro bispo do Sudão e fundador dos institutos combonianos.

Pessoas com deficiência

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OS MEUS HERÓIS Alison Lepper é uma artista com deficiência. Foi esculpida em mármore por Marc Quinn e está exposta temporariamente na praça de Trafalgar, em Londres. A sua figura luminosa e feminina contrasta com o tom masculino e cinzento que domina a praça e o tempo londrino. Sentada, sem braços, cabeça levantada, ventre saliente, a escultura é um poema à beleza e à vida. Trafalgar Square é sala de visitas de Londres. Lord Nelson – almirante rijo e maneta que derrotou Napoleão na batalha naval que deu o nome àquele rossio – domina a praça do topo da sua alta coluna. Aos seus pés espraiam-se edifícios e estátuas de outros homens, de cavalos e leões. E um pedestal, o quarto plinto, ocupado por obras escolhidas pela Forth Plinth Sculpture Commission, a Comissão da Escultura do Quarto Plinto. Os Ingleses têm cada coisa! Adiante. Por decisão da dita comissão, na Primavera de 2005 – e depois de três anos a servir de poleiro para as pombas – o plinto recebeu uma nova inquilina: a senhora...

Silêncio

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Escala musical

O NOME DAS NOTAS Todos sabemos que a escala musical vai de Dó a Si. Talvez não saibamos é a sua origem. Helder Guégués explica-nos . Todos os cruzadistas sabem, com a frequência com que surge nos problemas que resolvem, qual o «antigo nome da letra dó». Até eu, que não sou cruzadista, sei a resposta de cor: ut. Esta era a primeira palavra do hino a S. João Baptista, a partir do qual o monge beneditino Guido d’Arezzo (990-1050) construiu a escala musical. Guido d’Arezzo verificou que na primeira estrofe, com sete versos, cada uma das sílabas iniciais subia um grau na escala em relação à primeira sílaba do verso anterior. Assim, reflectiu que toda a gente que soubesse esse cântico saberia logo de que nota se tratava. A nota si apenas foi acrescentada no princípio do século XVII, a partir das iniciais de Sanctae Ioannes, que está aqui no vocativo. Eis a primeira estrofe desse hino: Ut queant laxis Re sonare fibris Mi ra gestorum Fa muli tuorum Sol ve polluti La bii reatum S ancte I oann...

Da Etiópia para Israel

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VAI, VIVE E FAZ-TE Mais de 35 mil etíopes foram levados para Israel entre 1981 e 1991 em operações sucessivas. São falachas , judeus negros da serra de Simien, no Norte da Etiópia. Chamam-se a eles próprios «Beta Esrael», a Casa de Israel. « Vai e Vive » - «Va, Vis et Deviens» na versão original – apresenta no grande ecrã o drama épico vivido pelos falachas desde o início da viagem até à (des)integração em Israel. Fá-lo através da odisseia do pequeno Schlomo. Os horrores da viagem, as dificuldades de adaptação, o medo, a desconfiança, o racismo, os conflitos de identidade – muitos dos evacudos, como Schlomo, eram, de facto, cristãos que se fizeram passar por falachas para escapar à fome – o conflito israelo-árabe, o amor, a saudade num arco de 20 anos. Um filme denso, cheio de beleza, mas também de dor e violência, que retrata o ambiente cénico e multicultural da Etiópia , a sonoridade do amárico, as suas danças e maneirismos, a beleza impar das suas gentes. O filme é realizado por Ra...

Caça à multa

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A BT também funciona assim!

Liberdade de expressão

DIREITO À BLASFÉMIA Vasco Pulido Valente (VPV), na sequência da polémica sobre os cartoons de Maomé, defendeu na sua coluna no Público o direito à blasfémia como consequência decorrente da liberdade de expressão. Dom José Policarpo, Cardeal-Patriarca de Lisboa, na sua homilia de Quarta-Feira de Cinzas, por seu turno, exigiu respeito pelas convicções religiosas alheias. Blasfémia das blasfémias, rabiscou VPV na crónica seguinte. E acusou o purpurado de não praticar a tolerância que prega. Em que é que ficamos? O direito à blasfémia - no fundo, o direito ao contraditório - só se pode fazer num sentido? Eu tenho o direito de gozar com as convicções do outro, mas o outro não pode beliscar as minhas certezas. Haja coerência de pensamento e decência democrática.

Frida Kahlo no CCB

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A COR DA DOR A exposição «Frida Kahlo - Vida e Obra» está patente no Centro Cultural de Belém até 21 de Maio. Merece uma visita mesmo se a espera for longa - como hoje. Frida Kahlo (1907-1954) é uma das pintoras mais importantes do México contemporâneo - e talvez a mais genial. Usou a pintura como catarse para os desastres que marcaram a sua vida: poliomielite, um acidente de viação grave, um aborto, a traição do marido. As obras de Kahlo são transparências dos seus estados de alma, a cor da sua dor, pintada com tristeza, sangue e lágrimas. Sobretudo os auto-retratos , de entre os quais destaco - pela delicadeza e crueza - «A Coluna Partida», de 1944. «Nunca pintei sonhos, só pintei a minha própria realidade», escreveu nos seus diários. «Conheci-a» durante a minha estada na Cidade do México, entre 2000 e 2001. O Museu Dolores Olmedo Patino – que guarda o acervo mais importante sua da obra – fica a dois passos da casa onde vivia.

«Cartoons» de Maomé

CARICATURAS DA IRA O futuro de paz passa pelo diálogo inter-religioso concertado, deixando de lado provocações, confrontos e revanchismos. Uma onda de indignação varreu o mundo muçulmano, alegadamente como protesto contra a publicação de uma dúzia de caricaturas de Maomé, primeiro no jornal dinamarquês Jyllands-Posten, e, mais tarde, na França, Alemanha, Espanha e Egipto. Para trás ficou um rasto de violência, cólera, boicotes, edifícios destruídos, alguns mortos – entre os quais dois padres na Turquia e na Nigéria – e um debate de surdos sobre a liberdade de expressão, o respeito pelas convicções religiosas e a guerra de religiões. O fenómeno merece alguma reflexão. As caricaturas foram publicadas a 30 de Setembro e geraram alguns protestos por parte da comunidade islâmica na Dinamarca (200 mil pessoas), que exigiu – mas não logrou – ser recebida pelo Governo. Entretanto, em finais de Janeiro a «Umma», a comunidade islâmica, levanta-se, em protestos excessivos e sucessivos, na Ásia e...