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A mostrar mensagens de junho, 2020

PRESENTES NA NOVA NORMALIDADE

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XXX ASSEMBLEIA GERAL DA CIRP  Comunicado final  1. A XXX Assembleia Geral da CIRP decorreu no Centro Paulo VI, em Fátima, no dia 29 de junho de 2020. Devido à situação de pandemia do coronavírus Covid-19, a Assembleia reduziu o tempo dos trabalhos a um dia e foi exclusivamente para superioras e superiores maiores ou equiparados, consistindo o seu programa fundamentalmente na eleição da nova direção. 2. Na sua palavra de abertura, o presidente da CIRP, Padre José da Silva Vieira, começou por saudar os presentes, referindo-se à dura experiência de confinamento e distanciamento social como, igualmente, um tempo de graça, um tempo kairológico , onde se terá distendido a atenção a Deus e aos outros; vivência em sobriedade feliz. A Internet, por seu lado, revelou-se nas suas características de meio de relação e evangelização. Cortámos no espaço e ganhámos no tempo, sentindo a presença do Ressuscitado numa Páscoa em confinamento. Expressou solidariedade com os mais de 10 milhões de i...

TEMPO DE PANDEMIA, ESTAÇÃO DE GRAÇA

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Estamos a viver uma estação extraordinária, sem precedentes, uma conjuntura imprevista de pandemia global provocada pelo novo coronavírus, o SARS-COV-2. Cronologicamente, foram seis semanas de confinamento e três meses de distanciamento social, máscaras e álcool-gel com avanços felizes e recuos arreliadores no combate ao Covid 19. Para muitos dos superiores maiores este tem sido um tempo de preocupações e cuidados acrescidos devido a surtos do vírus em comunidades e/ou lares da terceira idade e afins. Todavia, a estação que estamos a viver é sobretudo um kairós , tempo de graça. «O Senhor é bom para com todos», reza o Salmo 145, 9. Em todas as circunstâncias. Também em tempo de pandemia global. Durante o confinamento forçado fomos devolvidos ao aconchego da Trindade e da comunidade, o espaço vital essencial da nossa consagração. Para muitos de nós tem sido um mininoviciado com mais tempo para Deus, para os outros e para nós próprios, ajudados pelas tecnologias da comunicação. Durante...

A ARTE DO ACOLHER

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Jesus, na parte final do seu Discurso Missionário ( Mateus 10, 37-42) usa seis vezes o verbo acolher. É um convite claro a aprender a conjugar o verbo acolher: Acolhê-lo como o primeiro e maior amor da nossa vida, a nascente do amor aos outros e de outros amores; Acolhê-lo na cruz de cada dia, na oferta da vida aos outros como caminho de salvação; Acolhê-lo naqueles com que Ele se identifica: os seus missionários, os profetas e os justos, os discípulos mais pequeninos. A Bíblia registas muitas experiências da bênção da hospitalidade: Sara e Abraão tiveram Isaac, porque acolheram os três peregrinos; o casal de Sunam tive um filho, porque acolheu o profeta Eliseu. Deus também toma a forma de hóspede, encarna nos forasteiros, nos migrantes, nos pobres. No caldo cultural do individualismo narcisista globalizado em que vivemos urge recuperar a arte do acolher. Porque precisamos uns dos outros, pertencemo-nos uns aos outros. A pandemia global prova como estamos tão interdependentes: ...

FORMAR-SE É CONFIGURAR-SE COM O CORAÇÃO DE JESUS BOM PASTOR

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Mensagem por ocasião da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus  «Q ual é o teu nome? Vai para casa, para junto dos teus, e anuncia-lhes o que o Senhor, na sua misericórdia, fez por ti. » (Marcos 6,9ss) « No mistério do Coração de Cristo o comboniano contempla, na sua expressão mais plena, as atitudes interiores de Cristo e assume-as: a sua doação incondicional ao Pai, a universalidade do seu amor pelo mundo e o seu comprometimento com a dor e com a pobreza dos homens .» (RV 3.2) « A formação deve operar prioritariamente sobre as motivações interiores e deve educar para enfrentar com criatividade, competência e flexibilidade os desafios que emergem das novas situações .» (Ratio Fundamentalis 113) Caríssimos confrades, Em comunhão com toda a Humanidade, celebramos este ano a solenidade do Sagrado Coração de Jesus num contexto particular, marcado pela pandemia covid-19, que continua a causar tanta tragédia e tanta dor no mundo. Com confiança em Deus, dirigimos a todo o Instituto...

MISSÃO DO CORAÇÃO

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O profeta Jeremias, no desassossego das suas buscas incessantes, faz uma observação franca: «Nada mais enganador que o coração tantas vezes perverso». E coloca uma questão inquietante: «Quem o pode conhecer?». Também giza uma resposta: «Eu, o Senhor, penetro os corações e sondo as entranhas» ( Jeremias 17, 9-10). É nesse espaço afetivo do coração e no recôndito mais obscuro das entranhas que muito da nossa vida se decide e joga: no entender da Bíblia, pensamos com o coração e amamos com as entranhas. Nas buscas essenciais e existenciais de sentido e de significado temos de voltar ao Senhor da Vida para as respostas que não nos satisfazem ou escapam. Entendemos o que se passa no segredo do nosso coração ao contemplar o Coração do Bom Pastor, um coração trespassado pela lança, aberto, nascente de graça e oásis de descanso. Foi assim que São Daniel Comboni viveu a espiritualidade do Coração de Jesus. «Sim, poderá cair o mundo; mas eu, enquanto o Coração de Jesus me assistir com a ...

EM MISSÃO, SEMPRE

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De volta aos domingos do tempo comum, depois de celebrar o tempo central da nossa fé – o mistério pascal de Jesus – a liturgia devolve-nos à missão com a leitura de Mateus 9,36 – 10,8. A missão é a essência da vida cristã. Mateus conta que o envio dos Doze em missão tem origem no amor entranhado de Jesus que sente compaixão do povo que o segue como ovelhas sem pastor. Hoje, os meios de comunicação social transformam o sofrimento em espetáculo, inundam-nos com imagens e histórias de sofrimento e afetam a nossa capacidade de empatia com os que sofrem. Somos cristãos para partilhar a compaixão de Jesus, para sentir empatia com as alegrias e tristezas, as esperanças e o desespero das pessoas de hoje. Vamos reclamar a capacidade da compaixão. A primeira expressão da compaixão: pedir ao Senhor da seara que envie operários para a sua seara, porque «a seara é grande, mas os trabalhadores são poucos». Temos de pedir ao Senhor que continue a chamar jovens, raparigas e rapazes, dispostos a fa...

PÃO PARA O CAMINHO

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Celebramos a solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo há 756 anos (com nomes diferentes) para sublinhar o lugar único da Eucaristia na vida do povo cristão. A celebração foi criada pelo Papa Urbano IV em tempos de crise sobre a presença real de Jesus no Sacramento do Altar.  O Papa Francisco sublinha na exortação apostólica Querida Amazónia duas afirmações fundamentais sobre a Eucaristia: ela é fonte e cume de toda a vida cristã (nº 88, recordando o Concílio Ecuménico Vaticano II que afirma que «a Eucaristia aparece como fonte e coroa de toda a evangelização») e que é a Eucaristia que faz a Igreja (nº 89). Estas duas afirmações atestam sobre a primazia essencial da Eucaristia na vida cristã: vivemos da Eucaristia e vivemos para a Eucaristia. Infelizmente, devido a uma certa esquizofrenia doutrinal há muita gente barrada desta fonte e desta meta, porque não há ministros ordenados solteiros suficientes ou porque vivem muitas pessoas em situações irregulares. Há ainda aquel...

MACÁRIO, FELIZ!

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Jesus, no Sermão do Monte (Mateus 5, 1-12), dá-nos um nome novo. Chama-nos Makarioi , Macários, Felizes (em grego) nove vezes. O Papa Francisco recorda na exortação Alegrai-vos e exultai que as bem-aventuranças são o bilhete de identidade do cristão e o GPS para a santidade. «A palavra “feliz” ou “bem-aventurado” torna-se sinónimo de “santo”, porque expressa que a pessoa fiel a Deus e que vive a sua Palavra alcança, na doação de si mesma, a verdadeira felicidade», escreve no nº 64. Hoje, no Twitter explica que as bem-aventuranças são os caminhos improváveis que Deus escolhe para se dar a nós. O Papa argentino sumariza esses caminhos: ser feliz é ser pobre no coração; reagir com humildade e mansidão; saber chorar com os outros; buscar a justiça com fome e sede; olhar e agir com misericórdia; manter o coração limpo de tudo o que mancha o amor, semear a paz ao nosso redor; e, abraçar diariamente o caminho do Evangelho mesmo que nos acarrete problemas. E desafia-nos: «Permitamos-Lhe que ...

DEUS ESTÁ

No fogo novo do alvor, No calor e frio, tempero dos dias, No êxtase do sol posto, No silêncio enternecedor das estrelas, No feitiço da lua cheia, No abraço multicolor do arco-íris, Na chuva que tempera dores, Na brisa que afaga a pele, Na polifonia do Universo, No vai-vem do mar, Na oração murmurada do riacho, Na beleza singela da flor, Na graça irrequieta do guarda-rios, No beijo alado do colibri, Nas travessuras do golfinho, No horizonte sem fim do topo do monte, Lá onde o céu e a terra se fundem, Na amizade que tempera a vida, No amor que acalenta e vivifica, Na crosta protetora da ferida, Na cicatriz da chaga curada, No sorriso desarmado da criança, Na pérola de orvalho presa na teia, Na fundura de mim mesmo Lá está o Deus da Vida, da Ternura, da Dor! O Deus unitrino, família de Amor que mora no coração que O quer, que caminha connosco, peregrino e senhor da História, fonte da Paz, jorro da Alegria, olho da Bênção.

CABO SOFRIDO

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O bispo de Cabo Delgado pede fim da guerra odiosa. Dom Luiz Fernando Lisboa, bispo de Pemba, lançou um dilacerante grito de socorro perante a situação de terror que a província moçambicana de Cabo Delgado vive desde 4 de Outubro de 2017, quando rebeldes muçulmanos fizeram o primeiro ataque na área. O bispo faz com «profunda indignação» o historial da violência dos insurgentes, que começaram por alvejar as forças de segurança, mas agora atacam «as populações indefesas com requintes de crueldade» sobretudo desde o final do ano passado. Em Março, mataram 52 pessoas em Xitaxi, jovens na maioria, que recusaram integrar as suas fileiras. As forças de segurança não são eficazes, denuncia. Os ataques, que passaram das aldeias remotas às cidades litorais «em grande estilo, por terra e por mar», já fizeram, nas contas do prelado brasileiro, mais de duzentos mil deslocados e entre quinhentos e mil mortos. As populações e as autoridades fogem para as cidades. Com a agricultura parada há dois ...

MULHER: FORÇA E TERNURA

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Lucas nota nos Atos dos Apóstolos que, depois da Ascensão do Senhor «todos estes [apóstolos] perseveravam, unidos em oração, em companhia de algumas mulheres, entre as quais Maria, Mãe de Jesus» ( Act 1, 14). Li esta passagem muitas vezes! Entendia que os apóstolos e as mulheres, com a Mãe de Jesus, formavam uma comunidade orante que possibilitava a perseverança dos primeiros. Desta vez dei-me conta das vírgulas e intuí um novo sentido para o texto. Os apóstolos perseveravam  unidos na oração, em companhia de algumas mulheres. O que o texto parece sublinhar é que a perseverança dos apóstolos dependeu da oração e da companhia solidária de algumas mulheres que, com eles, acompanharam Jesus desde a Galileia, e se mantiveram firmes no monte Calvário e junto ao túmulo do Senhor. Esta leitura do texto obriga os líderes eclesiais a entenderem a presença da mulher na Igreja para além da utilidade nos serviços que presta. É uma companhia fundamental para a perseverança dos minist...

RE-PARTIMOS DAS NOSSAS FRAGILIDADES

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« Todos têm os olhos postos em Vós e a seu tempo lhes dais o alimento. Abris as vossas mãos e todos saciais generosamente.» (Salmo 145, 15-16)  «Concluí que o P.e Marani tinha razão, e que o único arrimo, refúgio e fortaleza é pôr a confiança em Deus, que nunca falta – o único que nunca falha – que tem cabeça, coração e consciência e que pode fazer com que nós façamos milagres.» (Escritos 6881)  Caríssimos confrades, Saudações e orações de Roma por cada um de vós e pelos povos que acompanhais neste tempo tão difícil para todos e em circunstâncias absolutamente particulares e inesperadas. Estamos a viver um tempo que está como que suspenso e carregado de surpreendentes revelações, um tempo que nos obriga a rever critérios e prioridades, que desafia o nosso sentido de liberdade chamando-nos à responsabilidade, que questiona as nossas seguranças e põe a nu as nossas fraquezas. Vivemos entre um passado que a memória tem dificuldade em conservar e um futuro que o pensa...