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A mostrar mensagens de outubro, 2025

ROSTOS DA ESPERANÇA

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Pela primeira vez, um grupo de mulheres beduínas palestinianas encontrou-se diante de tantos homens que não eram de sua família nem partilhavam a sua língua, a sua fé ou a sua terra. Tudo parecia separá-las… e, no entanto, algo invisível e profundo as uniu. Na humilde cabana de chapas e zinco — transformada em sala de encontro e coração da aldeia beduína de Abu Nawar —, prepararam-se com cuidado para o tão esperado momento.  — São da Igreja! — dissemos-lhes. — Vêm como peregrinos da paz.  E elas, com uma mistura de timidez e dignidade, abriram a sua casa e o seu coração para acolher mais de trinta bispos e outras pessoas das dioceses da Lombardia, na Itália, que chegaram a esta terra ferida e sagrada «em  peregrinação de paz e esperança universal, para expressar solidariedade, proximidade e apoio às comunidades atravessadas por conflitos e tensões». Os aromas do café acabado de fazer e do chá de ervas misturavam-se com o ar quente do deserto. Jamila, a anfitriã, organizav...

OS PRESENTES DA MISSÃO

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O serviço missionário é uma tarefa e também um grande presente de Deus. Melhor, um ror de presentes! O Senhor da Missão, que chama e envia, também abençoa. A missão deu-me... Alguém me perguntou o que é que a missão me deu em 44 anos de vida missionária comboniana. Uma pergunta simples que me obrigou a fazer memória das muitas bênçãos que recebi por aceitar ser discípulo missionário de Jesus ao jeito de São Daniel Comboni. Uma família muito alargada . Jesus promete a quem deixar os afetos e as raízes por causa dele uma recompensa cem vezes maior aqui e, depois, a vida eterna. Ele é um cavalheiro e honra a sua palavra! Deixei Cinfães, a família e os amigos para seguir Jesus como missionário comboniano. Estudei a teologia na Inglaterra (quatro anos) e trabalhei na Etiópia (doze anos) e no Sudão do Sul (mais sete). Também passei nove meses no México em formação permanente. Agora tenho uma família alargadíssima, espalhada pela Europa, África e América. Gente que são meus pais, irmãos e ami...

POBRE, EU TE AMEI

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Aí está o primeiro grande documento de Leão XIV que também é o último de Francisco. O papa americano explica que o papa argentino tinha em mãos uma exortação apostólica sobre o cuidado da Igreja pelos pobres e com os pobres que ele assumiu, completou e hoje publica. Os Agostinhos, a que o papa Leão pertence, são uma congregação mendicante como os Franciscanos e Dominicanos, entre outras. Chama-se  DILEXI TE , «Eu te amei», e versa sobre o amor para com os pobres no seguimento de  DILEXIT NOS, «Amou-nos»  a exortação de Francisco sobre o amor humano e divino do Coração de Jesus. A exortação apostólica escrita a quatro mãos é um documento curto que começa e acaba com as palavras «Eu te amei» tiradas do Apocalipse de São João (3, 9), o último livro da Bíblia. Tem 121 parágrafos e 130 notas. As citações que apoiam o texto remetem sobretudo para o magistério de Francisco. O documento pontifício abre com uma curta introdução de três parágrafos e desenvolve o tema em cinco capít...

7 DE OUTUBRO: FIOS DE PAZ NO DESERTO

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O 7 de outubro pesa na memória dos povos, especialmente na Terra Santa. Enquanto o mundo observa com ansiedade e dor os ecos da guerra e sonha com a paz, numa pequena aldeia no deserto da Cisjordânia floresce algo diferente: a esperança, bordada por mãos beduínas. Nesse mesmo dia, um grupo de mulheres — avós, mães e jovens estudantes — reúne-se na creche da aldeia, transformada em ateliê e espaço de encontro. Com linhas e agulhas, elas aprendem, ensinam, partilham.  O bordado palestiniano — arte milenar, memória viva, símbolo de identidade e resistência — volta a ganhar vida entre os seus dedos. — Posso convidar outra pessoa? Hoje ela não pôde vir... — pergunta alguém.  Outra mostra, orgulhosa, o seu primeiro desenho.  Elas riem, animam-se, prometem avançar juntas.  Em um mês, dizem, todas bordarão com desembaraço.  Quem sabe mais, ensina; quem aprende, agradece. Recebem agulhas, linhas, padrões e uma pequena bolsa como quem recebe uma semente.  Cada ponto...

ETIÓPIA: MISSIONÁRIAS DA CARIDADE CELEBRAM 25 ANOS EM ADOLA

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As Missionárias da Caridade celebraram hoje a presença de um quarto de século em Adola. Em amárico, a capital administrativa e cidade santa do povo Guji, chama-se Kibre Menguist. O P. Eliseo Citton – missionário comboniano da província italiana que trabalhou com o povo guji – presidiu à Eucaristia, que foi concelebrada pelos párocos de Qillenso (de que Adola faz parte) e de Soddu Abala, assistidos por um diácono capuchinho. A missa jubilar foi muito participada por católicos das duas paróquias, uma verdadeira celebração cheia de vida e cor.  As autoridades locais também marcaram presença. No fim da missa, os participantes visitaram algumas instalações, sobretudo onde os pacientes estão internados. Os jovens prepararam um drama e algumas danças típicas para animar a ocasião. Depois, os participantes ofereceram presentes às irmãs, agradecendo os 25 anos de serviço missionário sobretudo aos mais pobres entre os pobres em Adola e Soddu Abala. Os festejos concluíram com um almoço partil...

TRANSIÇÃO ENERGÉTICA

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O s bispos africanos denunciaram recentemente que «as alterações climáticas podem expor mais de 100 milhões das pessoas mais pobres de África a secas, inundações e calor extremos até 2030». É trágico que os mais empobrecidos do continente que menos contribuiu para a pegada global de carbono e que mais energias renováveis usa estejam a pagar a fatura do aquecimento global causado pela queima de combustíveis fósseis. De facto, enquanto a América produz só 12,4 por cento da eletricidade que consome através das energias renováveis, a Europa 15,3 por cento e a Ásia 16,8 por cento, a África gera mais de metade eletricidade recorrendo a fontes limpas e contribui com apenas três por cento para as emissões globais de CO 2 . Por outro lado, 18 por cento da população mundial vive em África, mas só consome seis por cento da energia global. Mais de metade da população do continente ainda não tem acesso à corrente elétrica. O continente, contudo, tem grandes alternativas para fazer a transição energ...