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A mostrar mensagens de março, 2017

NEM TUDO É MAU

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Saúdo-te da forma que costumas fazer quando me escreves: el salam aleicum. Keif el hal, ya abuna? Encontro-me de novo em Cartum. Da última vez que aqui estive, em Dezembro passado, disse ao Provincial que não punha mais os pés aqui em Cartum. É que, mais uma das tantas vezes, fiquei um mês à espera da guia de marcha. E muitas graças a Deus que cheguei mesmo a tempo para a missa de Natal a Nyala. Mas esta é uma situação que se torna cada vez mais repetitiva. A este respeito, que diria ou faria Comboni? E mais ainda, que faria ele face à tão precária situação das renovações dos vistos de residência no país em geral, não nos permitindo planear a vida da missão que fica atropelada/impedida descaradamente pela Security ? E tudo isso sem apelo de defesa possível ou tábua de salvação a que nos possamos agarrar. Talvez fazer um sit-in ou outro tipo de protesto contra este tipo de injustiça? Porque não? Claro que este tipo de reacção da nossa parte teria consequências muito negativas para...

Sudão do Sul: UMA NOVA EXPERIÊNCIA

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Ser refugiados é uma nova experiência que estamos a viver como comunidade. Saímos da missão de Lomin, in Kajo Keji,  a 6 de fevereiro para tratar dos documentos necessários para podermos fazer o nosso apostolado com as pessoas da nossa paróquia nos campos de refugiados onde se encontram no norte do Uganda. Assim pensámos, mas a situação complicou-se tão depressa que em poucos dias a nossa zona se converteu num campo de batalha e já não pudemos regressar à nossa comunidade. Foi doloroso não poder regressar à nossa missão e fazer parte dos refugiados, mas esta é a nossa situação e a de milhares de pessoas. Neste mês e meio em que deixámos a comunidade de Lomin, temos rodado por algumas comunidades combonianas e casas de alojamento porque ainda não temos um lugar própria para estabelecer a comunidade. Quando recebermos os documentos para viver no norte do Uganda vamos arrendar uma casa num lugar perto dos campos. Os irmãos da nossa comunidade no princípio do mês a...

MEU PAÍS AMARELO

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O meu país é uma palete de cores, mas o meu país é amarelo. Cruzando Portugal de norte a sul, do leste ao oeste através da primavera, verão, outono e inverno, o amarelo é a cor que mais diz «Presente!». O amarelo dos narcisos, das mimosas e das austrálias e da erva canária que prenunciam a primavera; o amarelo dos tremoços bravos que enche de cor e perfume a grande planície alentejana; o amarelo dos grelos, do tojo e da carqueja, das maias; o amarelo dos girassóis que torcem o pescoço para seguir o astro-rei; o amarelo dos malmequeres e de outras tantas flores silvestres que vão marcando o passar das estações… Portugal tem muitas cores mas quem manda é o amarelo que pinta os rios bordejados pelas mimosas – uma natureza que viva que encanta e deleita o olhar. Amarelo do desespero? Amarelo dos peidos – como popularmente se diz em Cinfães? O amarelo da luminosidade, do sol, do calor e da felicidade. Para os japoneses é o amarelo da coragem; para os mexicanos é a cor da ...

DE DENTRO

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Sou mais livre então na solidão do meu degredo. A comunidade internacional acompanhou com inquietação o processo de 17 jovens activistas angolanos presos em Junho de 2015 enquanto liam e comentavam um livro sobre a mudança não-violenta do regime. Foram condenados em Março de 2016 a penas de prisão por rebelião e associação de malfeitores e libertados a 29 de Junho por ordem do Tribunal Supremo para aguardarem o desfecho do processo em liberdade. O «raptivista» Luaty Beirão (n. 1981) foi a figura mais mediática do grupo, porque foi quem levou mais longe a greve de fome colectiva em protesto pela prisão preventiva prolongada: 36 dias. Os acontecimentos foram seguidos de fora, através da comunicação social. Agora, há um relato a partir de dentro. Luaty publicou Sou Eu mais Livre, então – Diário de um preso político angolano , com as notas que escreveu para preencher a solidão do isolamento na prisão de Calomboloca, a uns 70 quilómetros de Luanda. A obra reproduz dois dos três cadernos...

DIOCESES PORTUGUESAS SOLIDÁRIAS COM O SUDÃO DO SUL

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Quatro dioceses portuguesas expressaram solidariedade com os povos do Sudão do Sul ao decidir partilhar com eles o produto da renúncia quaresmal. Os bispos de Aveiro, Santarém, Funchal e Portalegre-Castelo Branco anunciaram nas suas mensagens da quaresma que o produto da renúncia quaresmal todo ou em parte vai ser destinado à população do Sudão do Sul. Os católicos são convidados a preparar a Páscoa através de sacrifícios pessoais em favor de terceiros. «Para pôr em prática a misericórdia para com os mais vulneráveis vamos destinar a renúncia quaresmal à população do Sudão do Sul a viver uma situação aflitiva onde falta tudo: casas (tendas), comida, água, medicamentos e outras necessidades urgentes», escreveu D. Manuel Pelino, bispo de Santarém. «Temos um canal seguro para chegar à realidade concreta: o Superior Provincial dos missionários combonianos que orienta a missão nesse país», acrescentou. Dom António, Bispo de Aveiro, destinou metade da renúncia quaresmal par...