SILÊNCIO
© JVieira Somos filhas e filhos de uma cultura palavrosa, barulhenta. Pessoas e ideias tendem a ser avaliadas em escalas de decibéis, a publicidade entra-nos pelos olhos e pelos ouvidos, os políticos são malabaristas de semânticas esvaziadas de referências ideológicas e sem pinta de compromisso social, os fazedores de opinião não dão tréguas à inteligência do cidadão comum, os relações públicas sufocam-nos, os telemóveis mandam na nossa vida, o tiquetaquear inexorável dos segundos afoga. Vivemos em plena idade digital com os vícios intactos da oralidade de onde viemos. Na segunda leitura deste domingo, Paulo escreve aos cristãos de Roma – e aos de qualquer lugar e tempo: «O Espírito Santo vem em auxílio da nossa fraqueza, porque não sabemos que pedir nas nossas orações; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis» (Rm 8:26). O Espírito Santo é o porta-voz das nossas orações, porque somos fracos e não sabemos o que pedir. Reza por nós e connos...