A FORÇA DAS PERGUNTAS
No domingo, 18 de julho, celebrámos na Etiópia, segundo o calendário local, a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo. A primeira leitura, tirada do Livro do Deuteronómio, falava duas vezes do maná: «Deu-te a comer o maná que não conhecias nem teus pais haviam conhecido, para te fazer compreender que o homem não vive só de pão, mas de toda a palavra que sai da boca do Senhor». A palavra maná tem a raíz nos vocábulos hebraicos man hu que literalmente significam «o que é isto». O maná era uma substância granulada que cobria o deserto depois de o orvalho da madrugada evaporar. Perante o fenómeno desconhecido, os hebreus, na caminhada do êxodo do cativeiro do Egito para a liberdade da Terra da Promessa, questionavam-se: Man hu ? O que é isto? Esta pergunta fez-me recordar uma passagem da obra Cartas a um jovem poeta de Rainer Maria Rilke que uma amiga teve a bondade de partilhar comigo numa altura em que eu vivia muitas questões. «Tenha paciência quanto a tudo o que está ainda...