Mensagens

A MINHA MISSÃO DE DEUS

Imagem
Eu, missionário, me confesso! Tendemos a usar o pronome possessivo na gramática da missão. A minha missão, os meus catequistas, as minhas capelas, o meu povo são expressões comuns na boca de muitos missionários. É verdade que cada um de nós é uma missão – como ensinou repetidamente o Papa Francisco de saudosa memória ao longo do seu ministério petrino. Contudo, a missão não é nossa, não é minha. A missão é de Deus.  Missio Dei , se quisermos pôr a afirmação de uma maneira mais elegante, em latim. Paulo escreve aos cristãos de Corinto, uma comunidade muito militante e beligerante: « 6 Eu plantei, Apolo regou, mas foi Deus quem deu o crescimento.  7 Assim, nem o que planta nem o que rega é alguma coisa, mas só Deus, que faz crescer.  8 Tanto o que planta como o que rega formam um só, e cada um receberá a recompensa, conforme o seu próprio trabalho.  9 Pois, nós somos cooperadores de Deus, e vós sois o seu terreno de cultivo, o edifício de Deus» ( 1Coríntios  3: 6-...

TRÊS PORTÁTEIS NO DESERTO: UM CAMINHO DE FUTURO

Imagem
Chegaram cedo. Era a sua primeira aula de informática numa aldeia beduína do deserto da Cisjordânia. Uma organização ajudou-nos a adquirir três computadores portáteis: poucos para tantas mulheres e, sobretudo, para tanta vontade de aprender. Entre as mais entusiastas está uma jovem beduína que, há apenas alguns meses, fundou uma associação para promover o desenvolvimento das mulheres da sua comunidade. É também uma das educadoras do jardim de infância que acompanhamos, nós, as Combonianas. Quer aprender tudo. Olha para o ecrã com os olhos muito abertos, como se quisesse guardar cada conhecimento no seu olhar. Quem lhes dá formação é outra jovem beduína, recém-licenciada em Engenharia Informática e a primeira classificada do seu curso. Acompanhámo-la com uma bolsa durante os seus estudos; hoje, ela coloca generosamente os seus conhecimentos ao serviço das educadoras e das mulheres que bordam o tatreez. O objetivo é concreto: aprender a organizar os seus projetos, comunicar, cria...

DEUS É BOM E QUER SER BOM

Imagem
É bom escutar a parábola dos vindimadores em tempo de vindimas! É um cenário perfeito para entender os tempo s, a urgência, a azáfama da colheita das uvas no momento certo para fazer um vinho de qualidade. No tempo de Jesus, o vinho, o trigo e o azeite eram as três produçõe s mais importantes para os agricultores da Palestina. Depois, na Bíblia a vinha  representa o povo de Israel. Jesus faz uma introdução à parábola: «O reino dos Céus pode comparar-se a um proprietário [ a um senhor da casa ] que saiu muito cedo para contratar trabalhadores para a sua vinha». Jesus usa a imagem da vindima para nos falar de Deus , do seu modo de ser e de nós! Jesus conta que o proprietário saiu cinco vezes a contratar pessoal : da manhã cedo, e às horas terça, sexta, nona e décima primeira. Era a maneira de contar as horas naquele tempo. Hoje diríamos às seis, às nove, ao meio dia, e às duas e cinco da tarde. A paga para uma jorna era um denário, uma pequena moeda romana de prata que pesav...

OBRA MARAVILHOSA

Imagem
 

A MATEMÁTICA DO PERDÃO

Imagem
  Jesus tinha uma matemática própria, não euclidiana. Pedro perguntou-lhe se devia perdoar até sete vezes ao irmão que o ofendesse – sete é o número bíblico perfeito – e ele responde: «Não te digo até sete, mas até setenta vezes sete». Jesus não disse a Pedro para perdoar quatrocentos e setenta vezes. Era complicado manter o registo de tanto perdão. Disse-lhe para perdoar sempre. Jesus explica o ensinamento com a parábola de um rei que perdoou dez mil talentos a um devedor. Nas tabelas cambiais daquele tempo, um talento era igual a seis mil denários. O denário era a moeda romana para pagar uma jorna de trabalho. Dez mil talentos são sessenta milhões de denários ou duzentos mil anos de trabalho. Uma dívida colossal.  Impagável . Jesus contou que, porque o homem não tinha com que pagar o senhor mandou-o vender como escravo juntamente com a família para amortizar uma pequenina parte da dívida. Para não ser uma perda total. O devedor pediu paciência ao rei para pagar a dívida. Est...

BOA NOITE

Imagem
 

VIOLÊNCIA XENÓFOBA

Imagem
Os  imigrantes africanos vivem dias difíceis na África do Sul. Lá como cá, há quem solte a bandeira da xenofobia — ou, melhor, da afrofobia — para culpar os estrangeiros (sobretudo indocumentados e ilegais) por todos os males que afligem o País do Arco-Íris. Estatísticas oficiais indicam que na África do Sul há cerca de 2,5 milhões de imigrantes. Contudo, muitos são ilegais e outros indocumentados — pediram a renovação dos documentos de residência, mas a máquina burocrática não dá resposta atempada—e, por isso, o número real pode aproximar-se dos cinco ou seis milhões. Vêm sobretudo dos países vizinhos (Moçambique, Zimbabué e Maláui), mas também de geografias mais distantes como a República Democrática do Congo. Em 1994, o ANC (Congresso Nacional Africano), sob a liderança de Nelson Mandela, assumiu o poder e prometeu uma nação próspera. Mais de três décadas depois — ainda com o ANC ao leme — má gestão económica, corrupção e a captura do Estado colocou a África do Sul numa posição ...

MULHER DO DESERTO QUE CONTINUA DE PÉ

Imagem
Mariam chegou agitada e cansada. Esta mulher beduína de Befu, na Cisjordânia, tem mais de sessenta anos e tinha corrido quilómetros para regressar à sua aldeia, com medo de se deparar com os colonos que rondam o lugar onde vive há mais de quarenta anos. Saiu para comprar medicamentos para o marido doente. Ela própria sofre de diabetes e começa a perder a visão.  Durante semanas, acompanhou-o no hospital e, enquanto ele recuperava, bordava e fazia camelos de lã. Agora, após uma operação que a fez temer até pela vida dele, o marido começa a recuperar as forças. Mariam sorri. Está cansada, mas contente. O seu corpo, no entanto, guarda muitas outras histórias: filhos sem emprego, uma casa da família demolida, doenças, perdas, uma gravidez de alto risco da nora, netos que se casam, que correm riscos ao irem à escola.  Há ainda responsabilidades económicas que se acumulam sobre uma família que conhece demasiado bem a fragilidade da vida. E, no entanto, há nela uma força serena. Caso...

BODAS: PARA CELEBRAR A VIDA

Imagem
A situação nos territórios ocupados da Cisjordânia continua tensa e os palestinianos – incluindo os beduínos – vivem dias difíceis. Mas a vida continua a ser celebrada. Já passavam das cinco da tarde e o termómetro ainda marcava mais de 40 graus quando chegámos àquela pequena aldeia beduína, no deserto da Cisjordânia. Mal nos viram, um beduíno veio ao nosso encontro para indicar onde estava a noiva, com as demais mulheres. Música árabe, umas quantas cadeiras, mulheres sentadas , com os filhos ao colo, sobre esteiras no chão. Um calor sufocante, apenas atenuado p or umas telas translúcidas. Porém , dançavam, sorriam e celebravam. A noiva, belíssima, estava sentada numa cadeira alta, preparada para a ocasião. Ao seu lado, uma única ventoinha esforçava-se para aliviar o calor. Tinha permanecido ali o dia inteiro, a receber as felicitações de mulheres que tinham chegado da sua aldeia, e também das aldeias vizinhas. Nós duas , como sempre, éramos as únicas que não éramos nem beduínas ne...

CONSELHO GERAL COMBONIANO SOLIDÁRIO COM A POPULAÇÃO DA COLÔMBIA

Imagem
[Foto: Diocese de Quibdó]   A Colômbia foi violentamente abalada por um sismo de grande intensidade no passado dia 10 de agosto. O sismo causou inúmeras vítimas e avultados estragos. O Conselho Geral dos Missionários Combonianos emitiu uma nota aos superiores das circunscrições do Ins tituto, lançando um apelo à solidariedade para com as vítimas.  Caríssimos Provinciais e Delegados, Uma cordial saudação de Roma. O Conselho Geral exprime a sua profunda proximidade e solidariedade para com a população da Colômbia e os Missionários Combonianos que prestam o seu serviço neste país, unindo-se à dor de tantas pessoas duramente provadas pelo forte sismo que assolou o país a 10 de agosto, causando numerosas vítimas, feridos e avultados danos nas habitações e nas infraestruturas. Neste momento de provação, desejamos fazer sentir às comunidades atingidas a nossa proximidade fraterna e a nossa solidariedade, em particular às famílias que perderam os seus entes queridos, àqueles que fica...