8 de agosto de 2026

COMBONIANO PRESIDE AOS BISPOS CATÓLICOS DA ETIÓPIA


 

O Arcebispo de Adis-Abeba, dom Tesfaye (Tesfasilasie) Tadesse Gebresilasie, foi eleito presidente da Conferência Episcopal Católica da Etiópia, anunciou ontem o organismo eclesial na sua página web.

D. Tesfaye foi eleito e nomeado novo presidente da nova Conferência Episcopal Católica da Etiópia (CBCE na sigla em inglês) no dia 6 de agosto de 2026, durante a 60.ª Assembleia Anual Ordinária realizada em Adis-Abeba. 

O prelado assume também as funções de Chanceler da Universidade Católica da Etiópia por inerência do cargo.

A eleição surge na sequência da aposentação do Cardeal Berhaneyesus Demerew Souraphiel, C.M., que desempenhou as funções de Presidente da Conferência e de Chanceler da Universidade Católica da Etiópia durante muitos anos.

«A Conferência Episcopal Católica da Etiópia expressa a sua profunda gratidão a Sua Eminência o Cardeal Abune Berhaneyesus pela sua dedicação e liderança ao longo dos últimos 28 anos. Graças à sua visão, empenho e orientação pastoral, a Conferência alcançou um crescimento significativo e inúmeras realizações na sua missão de servir a Igreja e a sociedade na Etiópia», afirma a CECE em comunicado.

«A Conferência – acrescenta o comunicado –endereça as suas mais sinceras congratulações e melhores votos a Sua Excelência o Arcebispo Tesfaselassie Tadesse pela sua eleição. Unidos em oração, os bispos imploram as abundantes bênçãos de Deus sobre o seu ministério e liderança, na confiança de que o seu serviço como Presidente será frutuoso e repleto de graça para a Igreja na Etiópia».

D. Tesfaye inaugurará o seu serviço como novo Arcebispo de Adis-Abeba no dia 6 de setembro de 2026.

1 de agosto de 2026

SUDÃO DO SUL: UMA VERDADEIRA ESCOLA DE MISSÂO




Conheci o estudante comboniano Komakech James Kenyi em março de 2013 numa peregrinação à área no Sudão do Sul onde Daniel Comboni viveu a sua experiência missionária. Ele, entretanto, entrou no instituto, completou a formação e regressou ao país natal para uma experiência pastoral. Fez um ano de serviço missionário na paróquia da Santíssima Trindade de Fangak, no Sudd, a vasta zona pantanosa formada pela secção Bar al-Jabal do Nilo Branco, onde a deslocação de uma comunidade para outra é feita principalmente em canoa. A sua experiência foi uma profunda lição de vida e missão.

A minha vocação missionária foi moldada por uma jornada de encontros ao longo da vida. Nascido num campo de refugiados na fronteira Sudão-Uganda durante a guerra civil no Sudão, cresci no Uganda antes de regressar ao Sudão do Sul após a sua independência em 9 de julho de 2011, onde servi como professor de ciências do ensino secundário.

Inspirado pelo testemunho dos missionários combonianos na minha paróquia em Lomin, no condado de Kajo-Keji, e pela visão missionária de São Daniel Comboni – Salvar a África com a África – juntei-me ao seu Instituto em 2014.

Após a minha formação no Sudão do Sul, Quénia, Zâmbia e Itália, em 2025 fui designado para a paróquia da Santíssima Trindade de Fangak, na diocese católica de Malakal, onde também tive a graça de ser ordenado diácono em 31 de maio de 2026.

Fangak tornou-se uma verdadeira escola de missão. A paróquia consiste em numerosas ilhas, algumas acessíveis a pé durante a estação seca e de canoa local durante a estação das chuvas.

Apesar das condições difíceis causadas por inundações, conflitos, pobreza e isolamento, encontrei um grupo étnico cuja hospitalidade, generosidade e fé profunda transformaram a minha compreensão da evangelização.

A comunidade Nuer ensinou-me que a missão é sempre recíproca: os missionários trazem o Evangelho, mas também recebem o Evangelho através do testemunho e da resiliência das pessoas que servem.

Uma das minhas primeiras prioridades foi ouvir antes de agir. Em vez de introduzir programas externos, procurei compreender as realidades do povo e colaborar com as estruturas pastorais existentes, especialmente com os catequistas e acólitos instituídos, cujo compromisso reflete a visão de São Daniel Comboni de capacitar a liderança local.

Juntamente com os jovens, promovemos a música sacra como meio de evangelização e cura de traumas. Preservámos o património espiritual da Igreja local gravando vídeos e partilhando cânticos dos corais através da plataforma YouTube da paróquia.

Os torneios de futebol tornaram-se oportunidades para promover a paz, a reconciliação e a amizade entre os jovens católicos, presbiterianos e de outras comunidades.

Com as associações femininas, iniciei iniciativas práticas como a produção de sabão líquido e o fabrico de terços artesanais, que fortaleceram os meios de subsistência, promoveram a comunidade e proporcionaram espaços de apoio mútuo e cura.

Estas experiências convenceram-me de que a metodologia missionária deve superar a dependência de missionários individuais.

O futuro da missão está na formação de pessoas locais que possam sustentar tanto as iniciativas pastorais como de desenvolvimento muito depois da partida dos missionários.

A evangelização deve, portanto, integrar o anúncio com a promoção humana, capacitando as comunidades a tornarem-se protagonistas do seu próprio desenvolvimento espiritual e social.

A minha experiência em Fangak aprofundou a minha convicção de que a missão autêntica começa com a escuta, cresce através da colaboração e dá frutos formando pessoas em vez de simplesmente estabelecer projetos.

Seguindo o exemplo de Cristo, que uniu o anúncio à compaixão, os missionários são chamados a promover tanto a dignidade espiritual como humana de cada pessoa.

Esta visão, inspirada por São Daniel Comboni e reafirmada pelo recente ensinamento social da Igreja, permanece essencial não apenas para Fangak, mas também para o futuro do trabalho missionário em toda a África.

Provavelmente deixarei Fangak por volta de outubro, para me preparar para a minha ordenação sacerdotal na minha paróquia natal em Kajo-Keji, com profunda gratidão.

Estou convencido de que o povo me evangelizou tanto quanto eu o servi. A sua resiliência, generosidade e esperança continuam a inspirar a minha vocação missionária.

A minha oração é que o Sudão do Sul se torne cada vez mais uma terra onde a paz supere a violência, a justiça supere a opressão e a esperança triunfe sobre o desespero, à medida que as comunidades locais continuam a construir o Reino de Deus através dos seus próprios dons e liderança.

Diácono Komakech James Kenyi
Missionário Comboniano

 

30 de julho de 2026

GUARDADORAS DA ESPERANÇA


— Eu não consigo… não consigo! – repetia sempre Reem, uma jovem beduína palestiniana de 16 anos, sempre que a convidávamos para aprender a usar a máquina de costura.

Com esforço e timidez, já tinha dado um primeiro grande passo: aprender a arte do «tatreez», o bordado tradicional palestiniano que aprendeu com as mãos hábeis da sua mãe. 

Para ela, era um mundo novo: nunca antes tinha segurado uma agulha de bordar entre os dedos. Mas ainda havia outra barreira a ultrapassar: sentar-se diante de uma máquina de costura. E essa barreira parecia intransponível.

Ontem chegou sorrindo. 

Nas mãos trazia as primeiras bolsas bordadas e costuradas por ela própria. Com uma mistura de orgulho e alegria, disse simplesmente: 

— Já consegui!

Aquelas bolsas tinham nascido de muito mais do que o tecido e a linha. Tinham vindo da coragem de superar os seus próprios limites, da decisão de tentar, da ousadia de descobrir capacidades que ela própria não sabia que tinha dentro de si.

Pode parecer insignificante. 

Porém, no deserto aprendemos a reconhecer os milagres humildes: um medo que recua, uma jovem que descobre a sua própria força, uma semente de confiança que começa a germinar, uma esperança que floresce ponto a ponto ali, derrubando obstáculos onde há tantos muros e barreiras.

Talvez a nossa missão entre as comunidades beduínas — palestinianas, árabes, muçulmanas — seja precisamente esta: guardar e alimentar a chama da esperança. Celebrar os pequenos milagres do quotidiano, dando graças a Deus, presente no meio do seu povo.

Porque talvez Deus continue a fazer germinar sementes ocultas de vida, sementes que aguardam a oportunidade de nascer, oferecendo-lhes a chuva e o apoio de que necessitam para florescer, mesmo neste deserto escaldante da Cisjordânia.

Ir. Cecília Sierra
Missionária Comboniana no Deserto da Cisjordânia

28 de julho de 2026

ÁGUA VIVA


Reparto o bebedouro com as abelhas:

são aguadeiras da colmeia,

sou esperanceiro do mundo.

     Sedentos.

Vivemos da Água Viva!

Somos água viva.

UMA VOCAÇÃO MISSIONÁRIA NAS PEGADAS DE PADRE EZEQUIEL RAMIN


A morte violenta do Padre Ezequiel Ramin em Cacoal, na Amazônia brasileira, a 24 de julho de 1985, está na origem da vocação missionária da comboniana Sandra Amado. A seguir, deixamos o seu testemunho.

Na época, me recordo que a notícia do assassinato de um jovem padre italiano na nossa diocese me chocou profundamente. Eu não o conheci pessoalmente. No entanto, me angustiava a constatação da violência humana e principalmente contra pessoas que servem ao Reino de Deus na Igreja e no mundo.

Uma semente vocacional estava se desenvolvendo dentro do meu coração jovem e eu não sabia.

Entre o trabalho e o estudo (no período noturno), gostava de dedicar meus finais de semana colaborando com a pastoral catequética da paróquia de Rolim de Moura.

Mas, uma força jovem podia fazer mais! Algumas vezes, nas celebrações eucarísticas da comunidade, surgia um convite para um encontro vocacional.

A partir daquela fatídica notícia comecei a ouvir o eco desse convite. 

Vou contar a experiência que marcou meu coração. No primeiro aniversário da morte do padre Ezequiel Ramin, assassinado em Cacoal, na Rondónia, o grupo de jovens da minha paróquia organizou uma vigília de oração. 

Naquela noite, a Igreja estava lotada e silenciosa, escura, de luzes apagadas. De repente, a imagem projetada do corpo do jovem de braços abertos caído na estrada de terra, cravado de balas e ensanguentado, entrou como uma flecha no meu coração. 

Eu tinha que fazer alguma coisa!

A partir daquela vigília, o primeiro convite vocacional feito na igreja foi aceite; tudo começou ou continuou. Havia outras opções, mas o desafio comboniano de dar a vida pela missão além-fronteiras a exemplo de Ezequiel Ramin foi mais forte e atraente.

Deixei tudo para seguir Jesus Cristo na Igreja e na família das irmãs missionárias combonianas. Já se passaram 38 anos entre Eritreia, Estados Unidos, Sudão do Sul e Brasil.

O testemunho do martírio do padre Ezequiel Ramin foi semente que morreu e deu vida. Viveu e vive no serviço missionário que a Igreja oferece ao mundo realizando o mandato missionário do próprio Jesus: «Ide, pregai o evangelho a toda criatura» (Marcos 16,15).

Ir. Sandra Amado
Missionária comboniana

16 de julho de 2026

CHADE: D. MIGUEL ÁNGEL SEBASTIÁN RENUNCIA À DIOCESE DE SARH

O Santo Padre aceitou a renúncia ao governo pastoral da diocese de Sarh, no Chade (África Central), apresentada por D. Miguel Ángel Sebastián Martínez, informou hoje a Sala de Imprensa da Santa Sé. D. Miguel Ángel completou 75 anos a 28 de setembro de 2025, altura em que apresentou a sua demissão ao Papa Leão XIV.

O missionário comboniano de origem espanhola foi nomeado bispo de Laï, no Chade, a 28 de novembro de 1998 e ordenado a 14 de fevereiro de 1999. A 30 de janeiro de 2014, foi designado administrador apostólico da diocese de Doba, no mesmo país, cargo que exerceu até 18 de fevereiro de 2017. O Papa Francisco nomeou D. Miguel Ángel bispo de Sarh a 10 de outubro de 2018, tendo tomado posse um mês depois.

D. Miguel Ángel serviu a Igreja no Chade durante quase meio século, primeiro comopadre e depois como bispo. Entre 1972 e 1975 foi prefeito no seminário comboniano da Maia enquanto estudava teologia no Porto.

«O teu ministério episcopal foi marcado pela generosidade, fé e espírito de serviço, através de uma presença atenta e paterna, capaz de oferecer orientação, escuta e proximidade a tantas pessoas. A tua dedicação constituiu um autêntico sinal de comunhão, esperança e testemunho evangélico para a comunidade cristã e para quantos tiveram a alegria de te encontrar», escreve o superior-geral dos Missionários Combonianos, padre Luigi Codianni, na mensagem de agradecimento ao prelado emérito de Sarh.

O Papa Leão XIV nomeou novo bispo de Sarh o P. Jean Miguina, OFM Cap. Até agora, era responsável pelos aspirantes capuchinhos do Chade e Conselheiro da Custódia dos Frades Franciscanos Menores Capuchinhos do Chade e da República Centro-Africana.

15 de julho de 2026

«QUEM É ELE?»

 

«Quem é ele?», perguntam-nos as crianças, enquanto os seus olhos se fixam no crucifixo que trazemos ao peito.

 

São crianças beduínas, árabes, palestinas e muçulmanas. E, no entanto, essa pessoa inquieta-as e desperta a sua curiosidade. Para a grande maioria, é o primeiro encontro com seguidoras de Jesus.

 

Alguns até se atrevem a tocar o crucifixo, a segurá-lo entre as suas mãozinhas e a contemplá-lo com a ternura e o assombro de quem descobre algo novo e misterioso.

 

E essa pergunta continua a habitar-nos e a interpelar-nos.

 

«Quem é ele?»

 

Talvez um dia esqueçam os nossos nomes e as nossas palavras. Mas talvez permaneça nos seus corações a lembrança de que umas mulheres, com uma cruz ao peito, estiveram ali, no meio do deserto, compartilhando a sua vida e os seus dias em nome de Jesus.

 

E talvez intuam também que Aquele que pendia daquela cruz os amava profundamente.

Ir. Cecília Sierra,
Missionária Comboniana no Deserto da Judeia

10 de julho de 2026

SUDÃO DO SUL: 15 ANOS DE INDEPENDÊNCIA E VIOLÊNCIA



O Sudão do Sul celebrou o seu 15.º aniversário de independência do Sudão no dia 9 de julho. No entanto, o país mais novo está mergulhado em violência desde então, e os cidadãos ainda esperam usufruir dos frutos da liberdade e da paz.

A insegurança é generalizada em muitas áreas devido aos combates entre as tropas do Governo e as forças alinhadas com o vice-presidente Riek Machar, que está sob prisão domiciliária, e outras milícias da oposição, além de conflitos intercomunitários.

O conflito também se intensificou nos condados do Grande Tonj, no Estado de Warrap, ao longo dos últimos dois anos, devido ao roubo de gado e à violência política. Recentemente, a violência ceifou vidas, feriu muitas pessoas e espalhou o medo entre as famílias no Norte de Tonj. Os combates chegaram também à cidade de Warrap, a capital do estado.

A contenda atingiu também a Igreja Católica no sul de Tonj. Um catequista e um seminarista foram ameaçados por homens armados. Eles iam para o ministério pastoral na missão de Awul, ao cuidado dos Missionários Combonianos, e escaparam ilesos.

No dia da Independência, a liderança da Igreja da Diocese de Rumbek emitiu um apelo pela paz no Grande Tonj.

«Instamos especialmente as autoridades a garantirem a segurança, a fazerem valer a justiça e a protegerem os civis inocentes. Convidamos também todos os filhos e filhas de Warrap, onde quer que vivam, a tornarem-se embaixadores da unidade e não da divisão», diz o apelo.

A hierarquia da Igreja em Rumbek apelou aos jovens, às famílias, aos anciãos, aos líderes comunitários, às autoridades públicas e a todas as pessoas de boa vontade para que rejeitem a violência, resistam à vingança, protejam toda a vida humana e escolham o diálogo e a reconciliação.

«Neste dia da Independência, renovemos juntos o nosso compromisso de construir o Sudão do Sul com que tantos sonharam: uma nação onde cada criança possa crescer sem medo, cada família possa viver em segurança e cada comunidade se torne um lar de justiça, solidariedade e paz», concluiu a mensagem.

O Sudão do Sul tem eleições agendadas para 22 de dezembro de 2026. A última vez que o país foi às urnas foi em 2010.

COMBONIANO PRESIDE AOS BISPOS CATÓLICOS DA ETIÓPIA

  O Arcebispo de Adis-Abeba, dom Tesfaye (Tesfasilasie) Tadesse Gebresilasie, foi eleito presidente da Conferência Episcopal Católica da Eti...