Querido padre Gregório,
A notícia do teu falecimento apanhou-se de surpresa no metro, esta manhã, a caminho da escola de italiano. Mamma mia...
O P. José Rebelo, o superior provincial, postou no grupo esta mensagem: «Caros colegas, com o coração pesado queria informar-vos que o P. Gregório faleceu esta manhã, às 5, no hospital de Viseu».
A notícia deixou-me muito triste. Sem palavras. Tinhas 84 anos, muitos deles vividos em serviço missionário no Brasil de onde trouxeste um sotaque interessante.
Confesso que fiquei preocupado quando li que tinhas sido submetido a uma traqueostomia de urgência por dificuldades respiratórias.
Perguntei à inteligência artificial que cirurgia era essa. Fiquei mais tranquilo quando soube que estavas bem, à espera de cama para seres internado.
Lembrei-me da tua dificuldade em falar e da possibilidade de cancro na garganta cujo diagnóstico dividia os clínicos de Viseu e de Coimbra.
Partiste.
Estás no abraço terno e eterno de Deus.
No metro, uma das primeiras memórias que me visitou, foi a viagem que fizemos da Maia para Lisboa através da EN 1 no Peugeot 504 azul quando me mudei para a redação das revistas. Estávamos em outubro de 1985. Ou talvez novembro...
Deste-me muitos conselhos e acompanhaste-me nesses tempos de mudança de casa e de trabalho. Uma proximidade que cultivamos através dos tempos apesar de a missão nos colocar em continentes diferentes.
Depois recordei-me da última vez que estive em Viseu antes de regressar à Etiópia e da longa conversa que tivemos apesar da tua dificuldade com a fala. Da estória daquela imagem bonita que trouxeste do bazar de natal da Paróquia de São Mamede.
Revi os passeios a Trás-os-Montes com o teu cunhado Zé, das vistas à tua família nos Olhos d’Água e em Arões, das tuas bodas de ouro.
Agora fica a saudade de um colega missionário, de um irmão maior, de um amigo, de um homem bom, da tua forma própria de comunicares, das tuas muitas histórias.
Obrigado pelos teus três anos como segundo provincial comboniano português entre 1975 e 1978 e do tempo em que trabalhámos juntos nas revistas: tu como administrador e eu como redator.
Obrigado pelo mais de quarto de século ao serviço da Igreja no Nordeste do Brasil (e acho que noutras partes).
Guardo religiosamente uma pedra parideira da tua terra: esteve comigo na Etiópia e está agora em Roma...
Amanhã, terça-feira, depois da missa exequial às 11h00, no Seminário das Missões em Viseu, a tua casa nos últimos anos, vais ser velado na capela do Cabrum natal a partir das 14h00. Depois da missa de corpo presente às 18:30 na igreja de Arões vais a sepultar no cemitério local.
Servo bom e fiel, já entraste na alegria do teu Senhor. Descansa na sua paz e intercede por nós para sermos missionários santos e capazes ao jeito de São Daniel Comboni.
Quando voltar a Viseu vou sentir a tua falta e a saudades das conversas longas que tivemos.














