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A MATEMÁTICA DO PERDÃO

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  Jesus tinha uma matemática própria, não euclidiana. Pedro perguntou-lhe se devia perdoar até sete vezes ao irmão que o ofendesse – sete é o número bíblico perfeito – e ele responde: «Não te digo até sete, mas até setenta vezes sete». Jesus não disse a Pedro para perdoar quatrocentos e setenta vezes. Era complicado manter o registo de tanto perdão. Disse-lhe para perdoar sempre. Jesus explica o ensinamento com a parábola de um rei que perdoou dez mil talentos a um devedor. Nas tabelas cambiais daquele tempo, um talento era igual a seis mil denários. O denário era a moeda romana para pagar uma jorna de trabalho. Dez mil talentos são sessenta milhões de denários ou duzentos mil anos de trabalho. Uma dívida colossal.  Impagável . Jesus contou que, porque o homem não tinha com que pagar o senhor mandou-o vender como escravo juntamente com a família para amortizar uma pequenina parte da dívida. Para não ser uma perda total. O devedor pediu paciência ao rei para pagar a dívida. Est...

BOA NOITE

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VIOLÊNCIA XENÓFOBA

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Os  imigrantes africanos vivem dias difíceis na África do Sul. Lá como cá, há quem solte a bandeira da xenofobia — ou, melhor, da afrofobia — para culpar os estrangeiros (sobretudo indocumentados e ilegais) por todos os males que afligem o País do Arco-Íris. Estatísticas oficiais indicam que na África do Sul há cerca de 2,5 milhões de imigrantes. Contudo, muitos são ilegais e outros indocumentados — pediram a renovação dos documentos de residência, mas a máquina burocrática não dá resposta atempada—e, por isso, o número real pode aproximar-se dos cinco ou seis milhões. Vêm sobretudo dos países vizinhos (Moçambique, Zimbabué e Maláui), mas também de geografias mais distantes como a República Democrática do Congo. Em 1994, o ANC (Congresso Nacional Africano), sob a liderança de Nelson Mandela, assumiu o poder e prometeu uma nação próspera. Mais de três décadas depois — ainda com o ANC ao leme — má gestão económica, corrupção e a captura do Estado colocou a África do Sul numa posição ...

MULHER DO DESERTO QUE CONTINUA DE PÉ

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Mariam chegou agitada e cansada. Esta mulher beduína de Befu, na Cisjordânia, tem mais de sessenta anos e tinha corrido quilómetros para regressar à sua aldeia, com medo de se deparar com os colonos que rondam o lugar onde vive há mais de quarenta anos. Saiu para comprar medicamentos para o marido doente. Ela própria sofre de diabetes e começa a perder a visão.  Durante semanas, acompanhou-o no hospital e, enquanto ele recuperava, bordava e fazia camelos de lã. Agora, após uma operação que a fez temer até pela vida dele, o marido começa a recuperar as forças. Mariam sorri. Está cansada, mas contente. O seu corpo, no entanto, guarda muitas outras histórias: filhos sem emprego, uma casa da família demolida, doenças, perdas, uma gravidez de alto risco da nora, netos que se casam, que correm riscos ao irem à escola.  Há ainda responsabilidades económicas que se acumulam sobre uma família que conhece demasiado bem a fragilidade da vida. E, no entanto, há nela uma força serena. Caso...

BODAS: PARA CELEBRAR A VIDA

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A situação nos territórios ocupados da Cisjordânia continua tensa e os palestinianos – incluindo os beduínos – vivem dias difíceis. Mas a vida continua a ser celebrada. Já passavam das cinco da tarde e o termómetro ainda marcava mais de 40 graus quando chegámos àquela pequena aldeia beduína, no deserto da Cisjordânia. Mal nos viram, um beduíno veio ao nosso encontro para indicar onde estava a noiva, com as demais mulheres. Música árabe, umas quantas cadeiras, mulheres sentadas , com os filhos ao colo, sobre esteiras no chão. Um calor sufocante, apenas atenuado p or umas telas translúcidas. Porém , dançavam, sorriam e celebravam. A noiva, belíssima, estava sentada numa cadeira alta, preparada para a ocasião. Ao seu lado, uma única ventoinha esforçava-se para aliviar o calor. Tinha permanecido ali o dia inteiro, a receber as felicitações de mulheres que tinham chegado da sua aldeia, e também das aldeias vizinhas. Nós duas , como sempre, éramos as únicas que não éramos nem beduínas ne...

CONSELHO GERAL COMBONIANO SOLIDÁRIO COM A POPULAÇÃO DA COLÔMBIA

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[Foto: Diocese de Quibdó]   A Colômbia foi violentamente abalada por um sismo de grande intensidade no passado dia 10 de agosto. O sismo causou inúmeras vítimas e avultados estragos. O Conselho Geral dos Missionários Combonianos emitiu uma nota aos superiores das circunscrições do Ins tituto, lançando um apelo à solidariedade para com as vítimas.  Caríssimos Provinciais e Delegados, Uma cordial saudação de Roma. O Conselho Geral exprime a sua profunda proximidade e solidariedade para com a população da Colômbia e os Missionários Combonianos que prestam o seu serviço neste país, unindo-se à dor de tantas pessoas duramente provadas pelo forte sismo que assolou o país a 10 de agosto, causando numerosas vítimas, feridos e avultados danos nas habitações e nas infraestruturas. Neste momento de provação, desejamos fazer sentir às comunidades atingidas a nossa proximidade fraterna e a nossa solidariedade, em particular às famílias que perderam os seus entes queridos, àqueles que fica...

EUCARISTIA – A ENERGIA PARA A EVANGELIZAÇÃO

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A Igreja que emergiu do Concílio Vaticano II é mais missionária e prepara todos os fiéis para a missão de uma forma diferente. A Eucaristia, no centro da vida da Igreja, alimenta as pessoas para a evangelização. O Cardeal Arthur Roche , o inglês que dirige, desde 2021, o Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, deu recentemente uma entrevista ao The Tablet , semanário católico publicado em Londres. Questionado sobre se Leão XIV iria alterar a legislação do Papa Francisco relativamente ao uso da Missa Tridentina, respondeu com um enfático «Não». «O que o Vaticano II fez foi afirmar que a Igreja precisa de ser mais missionária do que tem sido. E que, para preparar as pessoas para serem missionárias, o próprio núcleo central da vida da Igreja, que é a Eucaristia, tem de alimentar as pessoas de uma forma diferente. A abundante riqueza da Sagrada Escritura que hoje é oferecida através da celebração da Missa e dos Sacramentos é algo que antes não estava ao nosso alca...

COMBONIANO PRESIDE AOS BISPOS CATÓLICOS DA ETIÓPIA

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  O Arcebispo de Adis-Abeba, dom Tesfaye (Tesfasilasie) Tadesse Gebresilasie, foi eleito presidente da Conferência Episcopal Católica da Etiópia, anunciou ontem o organismo eclesial na sua página web. D. Tesfaye foi eleito e nomeado novo presidente da nova Conferência Episcopal Católica da Etiópia (CBCE na sigla em inglês) no dia 6 de agosto de 2026, durante a 60.ª Assembleia Anual Ordinária realizada em Adis-Abeba.  O prelado assume também as funções de Chanceler da Universidade Católica da Etiópia por inerência do cargo. A eleição surge na sequência da aposentação do Cardeal Berhaneyesus Demerew Souraphiel, C.M., que desempenhou as funções de Presidente da Conferência e de Chanceler da Universidade Católica da Etiópia durante muitos anos. «A Conferência Episcopal Católica da Etiópia expressa a sua profunda gratidão a Sua Eminência o Cardeal Abune Berhaneyesus pela sua dedicação e liderança ao longo dos últimos 28 anos. Graças à sua visão, empenho e orientação pastoral, a Con...

SUDÃO DO SUL: UMA VERDADEIRA ESCOLA DE MISSÂO

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Conheci o estudante comboniano Komakech James Kenyi em março de 2013 numa peregrinação à área no Sudão do Sul onde Daniel Comboni viveu a sua experiência missionária. Ele, entretanto, entrou no instituto, completou a formação e regressou ao país natal para uma experiência pastoral. Fez um ano de serviço missionário na paróquia da Santíssima Trindade de Fangak, no Sudd, a vasta zona pantanosa formada pela secção Ba ḥ r al-Jabal do Nilo Branco, onde a deslocação de uma comunidade para outra é feita principalmente em canoa. A sua experiência foi uma profunda lição de vida e missão. A minha vocação missionária foi moldada por uma jornada de encontros ao longo da vida. Nascido num campo de refugiados na fronteira Sudão-Uganda durante a guerra civil no Sudão, cresci no Uganda antes de regressar ao Sudão do Sul após a sua independência em 9 de julho de 2011, onde servi como professor de ciências do ensino secundário. Inspirado pelo testemunho dos missionários combonianos na minha paróquia em ...