«ÀS VEZES, BASTA ESTAR PRESENTE»
— O meu avozinho morreu. — diz-me uma criança pequena do nosso jardim de infância, numa aldeia beduína no deserto da Cisjordânia. Palavras simples que me comovem. Como vive uma criança a ausência de alguém que ama? O que significa, para ela, a morte? Morreu Abu Yosef, chefe da comunidade, pai de vinte e três filhos, pai e sogro de muitas das mulheres que bordam e avô de tantas gerações de crianças que passaram pelo jardim de infância que acompanhamos há anos. A sua família faz também parte da nossa história, dessa vida que partilhamos, semana após semana, com as comunidades beduínas. Quando chegámos à aldeia, um dos irmãos de Abu Yosef recebeu-nos: — Deus sabe melhor. Bendito seja. É o segundo irmão que morre de ataque cardíaco. Nas suas palavras, reconheço a fé de quem conhece a dor de uma morte repentina e, ainda assim, se entrega a Deus. O luto dura três dias. Quando chegamos, encontramos as mulheres reunidas, vestidas de preto e sem maquilhagem. Oferecem-nos café e tâ...