Mensagens

O REINO DOS HOMENS E O REINO DE DEUS

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Ao rezar o evangelho de hoje veio-me à mente uma pergunta capital: A que é semelhante o reino dos homens, a que hei de compará-lo?  O reino dos homens é semelhante a Dubai, Nova Iorque, Londres, o EUR – grandes construções que significam o poder, a força, a riqueza de quem as manda construir, para projetar poder. A que é semelhante o reino de Deus, a que hei de compará-lo? – pergunta Jesus. A um grão de mostarda, a um pouco de fermento! Ambos são realidades insignificantes, ambos estão perdidos para poderem atuar: a mostarda na terra húmida e o fermento nas três medidas de farinha. Chamamos de  omni  a Deus: omnisciente, omnipotente, omnipresente... Esse é o Deus que construímos através da filosofia, dos desejos, das projeções. Jesus diz que o Reino de Deus é uma realidade insignificante – a mais pequena das sementes da horta. Ou o fermento que, quando é de mais, estraga! Nós, cidadãos do Reino, temos de aprender a vestir a humildade, a irrelevância – as insígnias da no...

O SIMPLEX DE JESUS OU A BÍBLIA PEQUENINA

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Mateus recorda no evangelho que escreveu que um fariseu para testar Jesus, lhe perguntou: – Mestre, qual é o maior mandamento da Lei? Jesus respondeu-lhe: –  Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma  e com todo o teu entendimento. Este é o maior e o primeiro mandamento. O segundo, porém, é semelhante a este:  Amarás o teu próximo como a ti mesmo . Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas. A resposta de Jesus ajunta duas passagens das Escrituras judaicas: do  Deuteronómio  (parte do  Shemá , a oração que os judeus recitam três vezes ao dia) e do  Levítico  (de um capítulo sobre uma variedade de leis litúrgicas e morais). Depois acrescentou: «Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.» Para os judeus a afirmação «a Lei e os Profetas» era uma frase para significar a Escritura por inteiro.  A expressão não é muito inclusiva porque deixa de fora os livros sapienciais e históricos, mas ...

MISSÃO: AMOR FEITO OBRAS

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A Igreja celebra há 100 anos a festa da missão global no penúltimo domingo de outubro, uma iniciativa do Papa Pio XI desde 1926. O Papa Leão, que sonha com uma «nova era missionária» e quer reavivar e «renovar em nós o fogo da vocação missionária», preparou uma mensagem para ajudar a viver o Dia Mundial das Missões, que este ano se celebra a 18 de outubro. Escolheu o tema Um em Cristo, unidos na missão . Mais que um slogan, é um sumário da teologia da missão. De facto, a missão faz-se à volta de Jesus e como comunidade dos batizados no nome da Trindade Santa de quem somos presença misteriosa e amorosa no mundo. Daí que a missão seja sempre cristológica e ecuménica na sua essência. Um em Cristo O papa americano recorda que «no centro da missão está o mistério da união com Cristo». De facto, Jesus partilhou com os discípulos missionários a sua missão durante a última ceia. Na oração sacerdotal Jesus recorda ao Pai: «Assim como Tu me enviaste ao mundo, também Eu os enviei ao mundo...

«ÀS VEZES, BASTA ESTAR PRESENTE»

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— O meu avozinho morreu. — diz-me uma criança pequena do nosso jardim de infância, numa aldeia beduína no deserto da Cisjordânia. Palavras simples que me comovem. Como vive uma criança a ausência de alguém que ama? O que significa, para ela, a morte? Morreu Abu Yosef, chefe da comunidade, pai de vinte e três filhos, pai e sogro de muitas das mulheres que bordam e avô de tantas gerações de crianças que passaram pelo jardim de infância que acompanhamos há anos. A sua família faz também parte da nossa história, dessa vida que partilhamos, semana após semana, com as comunidades beduínas. Quando chegámos à aldeia, um dos irmãos de Abu Yosef recebeu-nos: — Deus sabe melhor. Bendito seja. É o segundo irmão que morre de ataque cardíaco. Nas suas palavras, reconheço a fé de quem conhece a dor de uma morte repentina e, ainda assim, se entrega a Deus. O luto dura três dias. Quando chegamos, encontramos as mulheres reunidas, vestidas de preto e sem maquilhagem. Oferecem-nos café e tâ...

«PORTUGAL É TAMBÉM, HOJE, TERRA DE MISSÃO»

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Mensagem da Conferência Episcopal Portuguesa no Centenário do Dia Mundial das Missões No próximo dia 18 de outubro, a Igreja celebra o 100.º Dia Mundial das Missões, instituído pelo Papa Pio XI em 1926. Durante um século, este dia tem ajudado as comunidades cristãs a rezar, a refletir e a sustentar concretamente a missão evangelizadora da Igreja, de modo particular nas Igrejas mais jovens e nos territórios de primeira evangelização. Este centenário é ocasião de gratidão. Gratidão por tantos missionários e missionárias que deixaram a sua terra, aprenderam outras línguas, partilharam a vida de outros povos e anunciaram o Evangelho muitas vezes em circunstâncias de enorme exigência. Gratidão também pelas comunidades cristãs que, ao longo destas décadas, compreenderam que a missão não pertence a alguns especialistas: faz parte da própria identidade da Igreja. A Igreja existe para evangelizar. Jesus Cristo chama, reúne e envia. O Evangelho não nos é confiado para permanecer guardado, mas pa...

CORRIGIR O MAPA

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A Assembleia Geral da ONU adotou na sessão 83, a 4 de Setembro, uma resolução cujo título explica o intento: «Corrigir o mapa: reequilibrar a representação cartográfica global e promover uma representação equitativa das regiões do mundo, em particular de África». A resolução foi aprovada por 164 Estados-membros. Estónia, Geórgia, Lituânia, Moldávia, Sérvia e Ucrânia abstiveram-se. Teve o voto contra dos Estados Unidos da América — país que diminui em tamanho na projeção cartográfica adotada. Os mapas com que vemos o planeta estão baseados na projeção que Gerardo Mercator fez em 1569 para auxiliar os navegadores europeus a chegar a bom porto. O cartógrafo flamengo transformou o Planeta Azul numa projeção cilíndrica que amplia as massas perto dos pólos e diminui as áreas junto ao equador, sobretudo a África, América Latina e Sudeste Asiático. Consequentemente, no mapa-mundo de Mercator a Gronelândia e a África têm tamanhos idênticos, embora na realidade o continente seja 14 vezes maior q...

A MINHA MISSÃO DE DEUS

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Eu, missionário, me confesso! Tendemos a usar o pronome possessivo na gramática da missão. A minha missão, os meus catequistas, as minhas capelas, o meu povo são expressões comuns na boca de muitos missionários. É verdade que cada um de nós é uma missão – como ensinou repetidamente o Papa Francisco de saudosa memória ao longo do seu ministério petrino. Contudo, a missão não é nossa, não é minha. A missão é de Deus.  Missio Dei , se quisermos pôr a afirmação de uma maneira mais elegante, em latim. Paulo escreve aos cristãos de Corinto, uma comunidade muito militante e beligerante: « 6 Eu plantei, Apolo regou, mas foi Deus quem deu o crescimento.  7 Assim, nem o que planta nem o que rega é alguma coisa, mas só Deus, que faz crescer.  8 Tanto o que planta como o que rega formam um só, e cada um receberá a recompensa, conforme o seu próprio trabalho.  9 Pois, nós somos cooperadores de Deus, e vós sois o seu terreno de cultivo, o edifício de Deus» ( 1Coríntios  3: 6-...