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A mostrar mensagens de janeiro, 2017

SILÊNCIO

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O realizador norte-americano Martin Scorsese transformou Silêncio , a ficção mais aclamada do católico japonês Shusaku Endo, no « filme da sua vida». Silêncio conta a odisseia física e espiritual de dois jesuítas portugueses: Sebastião Rodrigues e Francisco Garupe. À volta de 1640 embarcaram para o Japão para assistir os católicos barbaramente perseguidos pelo poder desde 1614, altura em que os missionários foram expulsos do país. Queriam encontrar o seu mentor, o P. Cristóvão Ferreira. Relatos de comerciantes holandeses contavam que o jesuíta tinha renunciado a fé em vez de receber a coroa gloriosa do martírio. Os padres Rodrigues e Garupe vão a Goa, passam por Macau e entram clandestinamente no Japão com a ajuda de um guia – Kichijiro – que faz a união entre os diversos blocos do filme. Scorsese fez de Silêncio um filme tenso, intenso e extenso que prende, questiona, choca, agride, espanta durante duas horas e 41 minutos. As torturas a que os cristãos foram submetidos para cal...

NATAL, BOMBA OU HUMILDE SEMENTE?

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Queridos amigos, Encontro-me há quatro meses na minha nova comunidade comboniana de Castel d’Azzano (Verona-Itália). Estou bem e contente. Poderia dizer que este Natal é para mim uma outra ocasião para renascer, dada a nova realidade de condições de vida, de residência, de comunidade, de colegas... Somos cinquenta confrades idosos ou doentes. Quase todos de venerável idade. O P. Efrém é o nosso decano, com quase 97 anos. Eu recuperei uma minha antiga prerrogativa de ser o mais jovem membro da comunidade, a ser adicionada àquela de ser o único doente de E.L.A. no instituto! A nossa comunidade é uma verdadeira “sala de parto.” Em 2016 deu à luz 10 novos “santos” para o céu. Um bonito um recorde! A este ritmo em cinco anos chegaremos todos ao Paraíso!... A nossa comunidade é também uma grande “Arca de Noé” missionária, devido à diversidade humana de seus membros; à variada amostra de surdos, cegos, mudos, aleijados, mancos... e de toda a espécie de doenças que existe debaixo do sol; mas...

ÀS ARMAS

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Os países africanos gastam mais de 40 mil milhões de dólares por ano com a defesa. A globalfirepower.com publica todos os anos uma série de tabelas analíticas dos gastos de 126 poderes militares modernos, incluindo 30 africanos. A leitura cruzada dos dados pode ser aborrecida, mas é essencial para entender a realidade. Os 30 países de África que integram a lista gastaram juntos cerca de 40 mil milhões de dólares na segurança em 2015. Nada que se compare com os 581 mil milhões que os Estados Unidos da América necessitaram para manter a supremacia militar global, mas mesmo assim é muito mais do que investiram no desenvolvimento. Por países, a Argélia leva a dianteira com um orçamento de 10,57 mil milhões de dólares por ano; seguem-se a África do Sul (4,6 mil milhões) e o Egipto (4,4 mil milhões). Angola, Marrocos, Líbia, Sudão e Nigéria registam gastos entre os 4,1 e 2,3 mil milhões. Em termos de classificação, a Argélia ocupa a posição 22 entre os 126 países mais gastadores. A Áfri...

NATAL MISSIONÁRIO ITINERANTE

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Um dos missionários da missão em Nyal, no Sudão do Sul, o comboniano mexicano P. Fernando Galarza, e um bom grupo de pessoas aguardavam a chegada do helicóptero a serviço das Nações Unidas que aterrissaria na poeirenta pista de pouso de Nyal, no Sudão do Sul, às 11.00 da manhã do dia 21 de dezembro de 2016. Entre os passageiros estava P. Raimundo Rocha, missionário comboniano brasileiro que chegaria à missão de Nyal para celebrar o natal com as comunidades afetadas pela guerra civil naquela região do Sudão do Sul nas duas semanas seguintes. Celebrar o natal do Senhor num contexto de guerra é uma experiência que o P. Raimundo repete há quatro anos. Ele e seus companheiros missionários primeiro celebraram o natal com deslocados de guerra em Leer, em 2013, quando a guerra civil começava a ganhar contornos nos seus primeiros dez dias de confrontos. O natal entre os deslocados de guerra se repetiu em 2014, dessa vez na capital Juba, onde dezenas de milhares de deslocados ainda sã...

CARTA POR OCASIÃO DO 150.º ANIVERSÁRIO DO INSTITUTO COMBONIANO

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O Reino do Céu é semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo. É a mais pequena de todas as sementes; mas, depois de crescer, torna-se uma árvore, a ponto de virem as aves do céu abrigar-se nos seus ramos (Mt 13, 31-32) 1 de Janeiro de 2017 Caros confrades, Saudamos-vos com alegria e gratidão no início deste novo ano! A 1 de Junho de 1867 Mons. Daniel Comboni fundou em Verona o «Instituto para as Missões da Nigrícia» que, transformado em Congregação religiosa a 28 de Outubro de 1885, se tornou de direito pontifício a 7 de Junho de 1895. 1. Recordando os primeiros passos (um olhar sobre o passado) Relendo as origens do nosso Instituto, é-nos difícil imaginar no que se tornaria com o passar do tempo. O texto do Evangelho acima referido faz referência aos planos de Deus, amante da pedagogia que parte de baixo. Um Deus que se serve daquilo que aos olhos do mundo conta pouco mas que, na sua mente divina, se torna projecto e se concretiza com a colaboração...

DESTRELADO

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O jornalista, escritor e dramaturgo brasileiro consagrado Nelson Rodrigues intitulou as suas memórias A menina sem estrelas publicadas em novembro de 2016 pela Tinta da China.  As 81 crónicas foram originalmente publicadas no jornal brasileiro Correio da Manhã entre fevereiro e maio de 1967. Os textos misturam amor, morte e sexo, os ingredientes primordiais da vida.  Complexo e compacto, no que diz respeito aos conteúdos, o livro é contudo de leitura fácil e agradável dado o estilo eloquente em que grafa os seus pensamentos, sentimentos e apontamentos. O assassinato do irmão, a primeira visão da nudez feminina e a iniciação num bairro de prostituição, a fome que não lhe permitia o luxo do ódio, a experiência num sanatório para curar a tuberculose, estórias de traição, adultério, suicídio e homicídio, a cegueira da filha que não podia ver as estrelas, as inseguranças e a necessidade constante do reconhecimento literário – tudo isto confessa com uma simplicidade honesta...