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A mostrar mensagens de abril, 2020

PALMAS PARA SAÚDE, EDUCAÇÃO

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A saúde e a educação, os setores profissionais que o Governo mais antagonizou na legislatura anterior, estão a dar uma resposta generosa e dedicada à pandemia que nos aflige nestes dias de prova. São as minhas heroínas e os meus heróis! Médicos, enfermeiros e outros profissionais do setor encaram o coronavírus olhos nos olhos. Com dedicação generosa e abnegada mantêm-se na linha da frente do combate à pandemia à custa da própria saúde e arriscando a vida. Não desarmaram nem se retiraram mesmo quando os meios de proteção escasseavam, apesar de os líderes o negarem num ato de malabarismo político estulto. Mexe muito comigo ver enfermeiras e médicos, enfermeiros e médicas, a sair dos longos processos de cura da Covid19 e voltarem com ânimo redobrado à luta pela saúde e bem-estar dos «seus» pacientes. Os professores também tiveram de requalificar os seus métodos de ensino literalmente da noite para o dia. Primeiro, através de mensagens eletrónicas e telefonemas; depois através de platafo...

CAMINHAR COM O RESSUSCITADO

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A narrativa da aparição de Jesus aos discípulos de Emaús (24, 13-35) é um ícone do caminho pessoal formado por percursos diversos que cada discípulo missionário é chamado a fazer com o Senhor ressuscitado na companhia de outros crentes. Um ícone que quero comentar amparado pelo testemunho de São Daniel Comboni (1831-1881) 1. A caminho Cléofas e (muito provavelmente) a sua esposa estavam a caminho de Emaús, uma povoação a 60 estádios de Jerusalém, cerca de doze quilómetros. Conversavam e debatiam o que havia acontecido a Jesus: a sua prisão, condenação, morte, sepultura e o boato impossível de que Ele estava vivo! Estavam desiludidos: esperavam que Jesus resgatasse Israel das mãos dos romanos e ficaram espantados com a fala das mulheres que encontraram o sepulcro vazio. Jesus encontra-se com eles no caminho da desilusão e do regresso pesaroso à vidinha do dia-a-dia. Acerta o passo pelo caminhar desiludido do casal. Faz perguntas sobre as palavras desassossegadas que trocam. A m...

25 DE ABRIL: ANO 46

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Há 46 anos estava na Maia, no Seminário dos Combonianos. Tinha 14 anos e frequentava o 4.º ano do liceu. As aulas eram internas e os professores vinham quase todos de fora. Durante a aula de Geografia – possivelmente a primeira do dia para a minha turma, o professor António Marques perguntou se alguém tinha um rádio a pilhas. Tinha ouvido rumores sobre um levantamento militar em Lisboa. Um colega foi buscar o aparelho e seguimos o que se passava na capital através da voz do locutor de serviço não sei de que estação em vez da Geografia. Não me recordo como foi o resto daquela quinta-feira. 46 anos depois, celebro o 25 de abril de novo na Maia pela primeira vez. Em casa, confinado, a cantar Grândola vila morena logo de manhãzinha. Também postei a senha da revolução na voz inimitável da Amália – que o Zeca Afonso me perdoe a irreverência. Recordei também o megacomício que o PS organizou no antigo Estádio das Antas. Não me recordo da data. Os seminaristas fomos autorizados a pa...

PALAVRAS DE VIDA

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O Livro dos Atos dos Apóstolos conta que, depois de libertar os apóstolos da cadeia pública em Jerusalém, lhes ordenou: «Ide apresentar-vos no templo, a anunciar ao povo todas estas palavras de vida» (Atos 5, 20). É interessante notar que o mesmo pediu São Daniel Comboni aos bispos participantes no Concílio Vaticano I em nome dos africanos: «Hoje, nas pessoas dos seus próprios pastores, devotíssimos a seu chefe supremo, cada um espera dele e de vós, com devoção e alegria, palavras de vida e de felicidade eterna junto com todos os seus outros irmãos que se fizeram cristãos antes deles.» Que palavras de vida e de felicidade são estas que somos chamados a proclamar? Jesus diz a Nicodemos: «Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unigénito, a fim de que todo o que nele crê não se perca, mas tenha a vida eterna E acrescenta: «De facto, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele» (João 3, 16-17). Estas são as palavras d...

CORONAVÍRUS NA RD DO CONGO

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Com o fim da epidemia de Ébola, o Coronavírus entrou na RD do Congo através de pessoas vindas de outros países. O primeiro caso registado foi num cidadão vindo da Bélgica no dia 10 de março. Aqui as pessoas ainda não acreditam nas consequências do vírus e não seguem as regras de confinamento impostas pelo governo. Em Kinshasa – com 12 milhões de habitantes, onde as pessoas vivem do dia-a-dia – a vida continua como nada esteja a acontecer, pois as pessoas precisam de comer. Se não morrem da epidemia morrem de fome. O país regista 327 pessoas infetadas, 25 mortos e 26 pessoas curadas. Mas aqui as informações são pouco fiáveis. Além de Kinshasa há cinco províncias infetadas com um morto. Em Kisangani onde me encontro, oficialmente ainda não há nenhum caso. Apesar de as escolas e igrejas estarem fechadas, a vida na praça pública continua como se nada esteja a acontecer. O Governo fechou todas vias de comunicação terrestres, aéreas e fluviais, exceto para bens essenciais. N...

CORONAVÍRUS NAS FILIPINAS

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As Filipinas estão há um mês em isolamento/confinamento o qual se ira prolongar por mais duas semanas até finais de abril. Não há transportes públicos, só uma pessoa por família pode sair à rua para fazer compras com um salvo-conduto e lojas e comércio de rua estão fechados. Supermercados estão, porém, abertos. Com casos a aumentar de dia para dia – neste momento há 6,459 pessoas infetadas 428 já morreram devido ao coronavírus – as autoridades repetem a ameaça de um isolamento abrangendo todo o país. Até agora só a região norte, que inclui a capital Manila, está sob quarentena. Numa das suas comunicações ao país, o Presidente da nação, Rodrigo Duterte, sugeriu que o levantamento das restrições só acontecerá quando a vacina contra o coronavírus estiver disponível, uma ameaça que o público em geral não leva a sério, conhecendo o seu estilo desarticulado e desajeitado de falar em público. A metrópole de Manila tem 13 milhões de habitantes e é um verdadeiro quebra-cabeças impor o confina...

IDE, PROCLAMAI

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«Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda a criatura!». No registo de Marcos, esta é a frase de abertura do discurso de despedida de Jesus (Marcos 16, 15-18), depois de ter dado na cabeça dos Onze porque não acreditaram em Madalena e nos dois caminheiros de Emaús «pela sua falta de fé e dureza de coração». Apetece-me refletir sobre esta frase fundamental da gramática da vida cristã, o testamento e a vontade última do Senhor Jesus com três histórias. 1. A catedral católica de Nairobi, no Quénia, tem nos altares laterais uma pintura de São Daniel Comboni e de São José Maria Escrivá, a olharem um para o outro. Uma vez, sentado naquele templo, pus-me a imaginar o que dois santos tão diferentes diriam um ao outro durante o silêncio da noite. De certeza que falam da obra de Deus. Um século antes de Escrivá ter fundado a Opus Dei já Comboni usava a expressão para designar o seu trabalho apostólico no coração da África. Aliás, ele usa o termo no singular e no plural 106 vezes. Em...

ÉTICA REPUBLICANA

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As autoridades civis agradeceram, compungidas, compostas, aos cristãos por terem aceitado celebrar a Páscoa, sua festa maior, a mãe de todas as celebrações, em casa, através dos meios de comunicação social, sem cerimónias nas igrejas nem visita pascal aos lares. Postura e lágrimas de crocodilo! Logo depois decidem que o 25 de abril e o primeiro de maio vão ter celebrações públicas condignas na casa da democracia e nas ruas de Portugal em pleno estado de emergência. O recato que agradeceram aos cristãos na sua Páscoa porque não o seguiram eles próprios: deputados e membros do Governo? É altura de dizer: bem prega o político Tomás, olha para o que ele diz, não olhes para o que ele faz. E nós, cidadãos cristãos, assistimos serenos a mais um tiro no pé da ética republicana: exigem dos outros o que eles não querem fazer. Quando exercemos o direito à indignação que até o próprio Jesus praticou (Marcos 10. 14)? Ser obediente é diferente de ser rebanho. Em estado de emergência d...

PAZ CONTIGO

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«A paz esteja convosco!» No dizer de Lucas (24, 36) estas foram as primeiras palavras do Senhor ressuscitado aos discípulos fechados pelo medo na sala de cima em Jerusalém. Em aramaico, a língua que Jesus falava, a saudação soava mais ou menos assim: «Shlomo 'aleykhun». O ressuscitado também diz a ti, a mim, a nós, fechados em quarentena, trintena, vintena ou quinzena: «A paz esteja convosco!» mesmo que, como os discípulos, sintamos espanto, medo, perturbação, admiração ou o choque da alegria. João nota que, do discurso de despedida durante a última ceia, Jesus disse aos discípulos: «Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz; Eu não vo-la dou como a dá o mundo» (João 14, 27). A paz de Jesus não é imposta pela força: isso chama-se subjugação; não é imposta pelo medo: isso chama-se dissuasão; não é produto de drogas: isso chama-se alienação. A paz que Jesus dá é harmonia, integração, aceitação, pacificação de espantos, medos, perturbações. A paz de Jesus é bem-estar, estar bem com D...

HÁ TANTO NUM NOME

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João conta no seu evangelho (20, 11-18) que, na manhã do domingo de Páscoa, Maria Madalena foi chorar para junto do sepulcro vazio de Jesus. Como é preciso chorar perdas, penas, ausências… De dentro do sepulcro dois anjos perguntaram-lhe: «Mulher, porque choras?». Maria respondeu: «Tiraram o meu Senhor e não sei onde o puseram». Além de chorar é essencial contar, nomear as nossas lágrimas. É parte do processo de luto. O Senhor ressuscitado junta-se a ela e também quer saber as razões de tanto chorar. Maria confunde-o com o jardineiro e diz: «Senhor, se foste Tu que o levaste, diz-me onde o puseste, e eu irei buscá-lo». Jesus respondeu: Maria! E ela disse:  Rabúni , que significa mestre em hebraico. Depois, Maria foi anunciar aos discípulos: «Vi o Senhor». Ela é a apóstola dos apóstolos, festa que celebramos a 22 de julho. Este diálogo icónico fez-me pensar no tanto que há num simples nome. Não foi o falar de Jesus que abriu o coração a Maria, mas a forma, o carinho, a ternura com...

Etiópia: PÁSCOA DIFERENTE

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A todos e todas desejo uma Santa e Feliz Páscoa! Esta será uma Páscoa diferente. Para dizer a verdade, todas as Páscoas são diferentes, ainda que para os nossos olhos e coração, por vezes adormecidos, tudo pareça igual. O Covid-19 mudou a nossa vida, fez-nos recordar de que somos pó e em pó nos tornaremos. Uma fragilidade que não nos retira dignidade, mas que nos permite aumentar a esperança e a fé em Deus. Afinal a morte não é mais que uma passagem, como nos ensina Jesus com a Sua vida. Tenho rezado (mais que o normal). Rezo pela minha família tão longe; pelos amigos, que estão bem presentes na mente e no coração; por todo o mundo dilacerado por esta doença. Parecendo pouco, a minha pobre oração é tudo o que vos posso oferecer neste momento. Também nós na missão, estamos em quarentena. Todas as atividades foram suspensas. Já existe alguma informação sobre procedimentos de higiene, porém, a realidade aqui é completamente diferente da nossa. Iniciámos agora o Estado de emer...

PÁSCOA CASEIRA

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©Beta Almendra   Este ano a Páscoa é diferente: a ressurreição do Senhor é celebrada entre muros como tem sido a nossa vida, longe de tanta gente com quem gostaríamos de partilhar a oração e o pão. Há uma semana que trago esta frase comigo: «em tua casa farei a Páscoa com os meus discípulos» (Mateus 26, 18). Foi o recado que Jesus mandou a um certo homem da cidade de Jerusalém. Por um lado, o desejo de Jesus sublinha a dimensão caseira, doméstica da Igreja: estamos fechados por causa do coronavírus, mas o Senhor está a celebrar a sua Páscoa com cada família, com cada um de nós. Depois, esta frase foi um convite para trazer no meu coração durante as celebrações do Tríduo Pascal, todas as pessoas que gostariam de participar na liturgia pascal e não puderam. Por isso, na missa da Ressurreição do Senhor havia mais três velinhas sobre o altar: eram vocês! A celebração da ressurreição do Senhor em plena crise pandémica dá aos dias que vivemos uma amplitude maior, um olhar diferente...

E DESCEU AOS INFERNOS

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O Sábado Santo em termos de liturgia é uma espécie de dia-zero: faz-se silêncio, em modo de repouso. Um compasso de espera, expetante, à espera do recomeçar. O evangelho de Lucas termina a descrição do sepultamento de Jesus com uma nota curta: «Ao regressarem prepararam aromas e perfumes, e no sábado repousaram, segundo o mandamento» (23, 56). O Símbolo (ou Credo) dos Apóstolos – o credo mais pequenino – proclama que Jesus «foi crucificado, morto e sepultado; desceu à mansão dos mortos». Outra tradução possível é que Jesus desceu aos infernos. Numa homilia do século IV o pregador explica o Sábado Santo: «Um grande silêncio reina sobre a terra. Um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei está dormindo; a terra estremeceu e ficou silenciosa, porque o Deus feito homem adormeceu e acordou os que dormiam há séculos. Deus morreu na carne e despertou a mansão dos mortos». O que faz Jesus na sua descida aos infernos? «Ele vai antes de tudo à procura de Adão, nos...

ENTRE JARDINS

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A celebração da Paixão do Senhor, cada Sexta-feira Santa, recorda os últimos dois dias de Jesus segundo o Evangelho de São João (18, 1 – 19, 42). A narrativa começa assim: «Jesus saiu com os seus discípulos para o outro lado da torrente do Cédron, onde havia um jardim, no qual entraram Ele e os seus discípulos». E termina assim: «Ora, no lugar onde tinha sido crucificado, havia um jardim, e no jardim um sepulcro novo, no qual ainda ninguém tinha sido posto. Foi aí, por causa da Preparação dos judeus, porque o sepulcro ficava perto, que puseram Jesus». A paixão e morte de Jesus passaram-se entre dois jardins: o das Oliveiras e o do Gólgota. Esta é uma imagem que me impressionou! Em tempos de pandemia, tumulados em nossas casas, estamos no meio de um jardim que nunca esteve tão vivo, tão florido. Com os aviões em terra, os carros nas garagens e as fábricas maioritariamente fechadas nunca o ar esteve tão limpo e o chilrear dos pássaros tão glorioso! Obrigados a abrandar, a ...

HINO À CRUZ

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O Salvador do mundo realizou as suas maravilhosas conquistas de almas com a força desta cruz que fez cair o paganismo, derrubou os templos profanos, transtornou as potências do Inferno e se fez altar não de um único templo, mas altar de todo o mundo. Esta cruz, que empreendeu o seu caminho do alto do Gólgota e que encheu o universo da sua força, nos templos recebeu adoração e nas cidades a maior veneração; é respeitada como distintivo nas bandeiras e invocado sobre os majestosos mastros das naves. Deu à fronte sacerdotal a consagração e à dos monarcas uma coroação sagrada. Sobre o peito dos heróis comunicou entusiasmo. Terra, mar e céu reconhecem a Cruz e em toda a parte se lhe prestam honras. Entre as dores e os espinhos nasceu e cresceu a obra da redenção e, por isso, apresenta um desenvolvimento admirável e um futuro alentador e feliz. A cruz tem a força de transformar a África Central em terra de bênção e de salvação. Dela brota uma força que é doce e que não mata, que renova...

AMOR BRUTAL

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O evangelista São João começa a narrativa da paixão, morte e ressurreição do Senhor com uma frase arrepiante: «Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim» (João 13, 1). Há outras traduções para sublinhar o amor final de Jesus por nós: «até ao extremo», «até à consumação». O amor de Jesus não é um amor meloso, cor-de-rosa com música ambiente. É vermelho de sangue, de entrega incondicional gritada em abandono total. Um amor final, extremo, consumado e consumido. É este amor brutal que explica os acontecimentos que rememoramos, revivemos no tríduo pascal: a instituição da Eucaristia e do sacerdócio ministerial e a agonia do Senhor (Quinta-feira Santa), o seu processo, condenação, paixão, morte e sepultamento (Sexta-feira Santa) e a sua ressurreição dos mortos (vigília do Domingo de Páscoa). Hoje recordamos a última ceia do Senhor, celebrada no salão de cima de uma casa emprestada em Jerusalém. Durante a ceia, Jesus partilha o pão e o vinho, o seu Corpo e San...

BALADAS DO SOFREDOR

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O Livro da Consolação da profecia de Isaías contém quatro poemas chamados cânticos do servo do Senhor: 42, 1-7; 49, 1-6; 50, 4-9; e 52, 13 – 53, 12). Estes textos são usados na primeira leitura da liturgia de segunda, terça, quarta e sexta-feira santa. Quem é o servo sofredor cantado nas quatro baladas? O segundo cântico chama-lhe Israel. Pode tratar-se tanto de um indivíduo ou do povo. A tradição cristã identifica Jesus com o servo. O primeiro cântico apresenta o servo como o eleito e preferido de Deus com quem anda de mão dada. O servo é não-violento e cheio do espírito do Senhor para levar justiça e luz às nações. O segundo cântico diz que o servo foi chamado e apetrechado por Deus para restaurar as tribos de Jacob, reunir os dispersos de Israel e ser luz das nações. O servo queixa-se de algum cansaço e desilusão com o seu trabalho. O terceiro cântico apresenta o servo como ouvidor e anunciador das palavras de alento de Deus aos desanimados. Um anúncio de risco porque pod...

NÃO SOU EU, SENHOR, POIS NÃO?

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Edvard Munch - Golgotha (1900) A liturgia propõe para o Domingo de Ramos na Paixão do Senhor a leitura narrativa da Paixão segundo São Mateus (26, 14 – 27,66). A tragédia da Paixão de Jesus está cheia de emoções: tristeza profunda, escândalo, angústia, violência, humilhação, choro, arrependimento, desespero, admiração, inveja, pesadelos, escárnio, blasfémias, insultos, medo, vigília… E também de atores. Judas é o primeiro a entrar em cena: entrega Jesus aos chefes religiosos por 30 moedas de prata (o preço de um escravo); atraiçoa-o com um beijo efusivo, o gesto de amizade, intimidade; arrepende-se porque reconhece a inocência de Jesus: devolve o dinheiro, mas os chefes religiosos não voltam atrás e enforca-se. Os estrangeiros ficaram com cemitério próprio com o dinheiro da traição. Jesus é a personagem central: sabe que o seu tempo está próximo e quer fazer a Páscoa com os discípulos. Ele é o Cordeiro pascal: «Tomei, comei, este é o meu corpo; bebei todos, pois este é o meu sa...

«OFERECEMOS O NOSSO VENTILADOR»

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«Nós, os velhos, devemos pensar que a nossa situação é igual à dos outros e se alguma coisa há é a obrigação suplementar de dizer aos outros que isto já aconteceu, que se ultrapassou, que vai ser ultrapassado; que nós, os velhos, temos que ter capacidade de dar exemplo: não sairmos e mais, quando chegarmos ao hospital se for necessário oferecemos o nosso ventilador ao homem que tiver mulher e filhos». A afirmação é de António Ramalho Eanes em entrevista à Fátima Campos Ferreira no programa «Estado de emergência» ontem à noite na RTP 1 e causou algum sururu nas redes sociais. A entrevista está disponível na RTP Play e pode ser vista aqui . O General Eanes faz uma análise de estadista com formação militar, de humanista, uma lição prática para os políticos mais jovens e aspirantes. Deixo aqui um sumário. O ex-Presidente da República recorda que é urgente voltar a ser humildes e encontrar na intercomunicação autêntica o remédio para a fragilidade. «Perdemos a humildade e o sentido de cor...

TECNOLOGIA VERDE

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Africana avança solução biotecnológica. Quando visitei a barragem de Jinja, no Uganda, à saída do Nilo Branco do lago Vitória, fiquei espantado com o espesso manto florido de jacintos-de-água em que se transformou a albufeira. Até me apeteceu caminhar sobre o lago! O jacinto-de-água ( Eichhornia crassipes ) é natural da bacia do Amazonas, no Brasil. Por ser uma planta exótica com uma linda flor lilás, viajou para os cinco continentes via jardins botânicos e indústrias decorativas. A planta flutuante converteu-se numa praga global e põe em causa o equilíbrio ecológico de muitas bacias hidrológicas e lagos nos cinco continentes, incluindo Portugal (como é o caso do rio Sorraia). Em pequenas quantidades funciona como purificador da água doce, mas, como se multiplica desmesuradamente, afecta seriamente os ecossistemas aquáticos por não permitir a oxigenação da água, matando os peixes e a vida subaquática, entope canais de navegação e irrigação e causa avarias nas hidroeléctricas. ...