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A mostrar mensagens de junho, 2021

O TOCAR QUE SALVA

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Marcos conta no evangelho dois milagres tecidos numa única trama: a cura de uma mulher que sofria de hemorragias e a ressuscitação de uma menina (Marcos 5, 21-43), duas telas urdidas com muitos fios comuns: — os beneficiários são duas mulheres irmanadas pelo número doze: a mais velha perdia sangue há doze anos e os médicos não lhe resolviam o problema; a mais nova tinha doze anos de idade; — as duas curas acontecem porque o pai da menina e a mulher foram aos pés de Jesus; — as duas curas deram-se através do tocar: a mulher toca a veste de Jesus e Jesus pega na mão da menina morta; — dois toques que são perigosos: a mulher ao tocar em Jesus transmite-lhe a sua impureza ritual por causa do escorrimento de sangue e a Lei declara impuro quer tocar em cadáveres; — há um ato de fé de ambas as partes reconhecido por Jesus: à mulher diz «minha filha, a tua fé te salvou» e a Jairo «não temas, basta que tenhas fé». Jesus não teve medo de ser contaminado com o mal que afligia a mulher que padecia...

O MAIOR NASCIDO DE MULHER

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A liturgia cristã celebra apenas três nascimentos: de Maria (a 8 de setembro), de João Batista (a 24 de junho) e de Jesus (a 25 de dezembro). Os santos são recordados à volta da data da sua morte, a que se chama dies natalis , literalmente o dia do nascimento (para a vida eterna). Foi Jesus quem afirmou João Batista ao declarar que «entre os nascidos de mulher ninguém é maior que João» (Lucas 7, 28), porque, citando a profecia de Malaquias, «é acerca dele que está escrito: “Eis que envio o meu mensageiro à tua frente, que há de preparar o caminho diante de ti”» (Lucas 7, 27). Jesus apresenta João Batista como o cantoneiro de Deus, aquele que prepara os caminhos do coração para as pessoas acolherem o Messias, o salvador prometido e muito esperado. É o porteiro da promessa: abre a aliança antiga à nova aliança, está entre a promessa e o seu cumprimento, está no limiar do tempo novo. O nascimento de João Batista é prenúncio do advento de uma pessoa especial: foi precursor de Jesus do ber...

COMBONIANA LIDERA SECRETARIADO CATÓLICO ERITREU

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  A Ir. Tseghereda Yohannnes é, desde 1 de junho, a nova líder do Secretariado Católico da Eritreia. A missionária comboniana, de 65 anos sucede, ao monge cisterciense P. Tesfaghiorghis Kiflon que cessou funções depois de oito anos de serviço. A Ir. Tseghereda entrou para o Instituo das Missionárias Combonianas em 1977. Fez a formação na Eritreia e nos Estados Unidos e sete anos de serviço missionário no Quénia. Regressou à Eritreia em 2001. Doutorou-se em medicina molecular e leccionou durante 16 anos na Universidade de Asmara e no Instituto Técnico de Mai Nefhi. O arcebispo de Asmara, o comboniano Dom Menghestab Tesfamariam, sublinhou na cerimónia da tomada de posse da Ir. Tseghereda, que o Secretariado Católico tem três deveres: «irradiar a luz e o amor de Jesus para o povo; escutar constantemente a Palavra de Deus para fazer a Sua vontade; não temer nada, mas ser forte na fé». A Ir. Tseghereda, por seu turno, pediu a sabedoria de Salomão para «continuar a cumprir a missão ...

UMA ALMOFADA NA TEMPESTADE

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Marcos conta no seu evangelho (4, 35-41) que Jesus, ao cair da tarde — o romper do novo dia no contar dos judeus — organizou uma armada missionária para a outra margem do Lago da Galileia. Durante a travessia noturna, uma enorme burrasca assolou o mar: ventos furiosos e ondas alterosas açoitavam os barcos, que começaram a meter água. Jesus dormia na popa, no posto de comando, tranquilo, com a cabeça repousada sobre uma almofada. Os embarcadiços, acordam-no, aterrorizados: — Mestre, não te importa que morramos? Claro que Lhe importa. E muito! Ele veio para termos vida e vida em abundância.  «Ele, levantando-se, repreendeu severamente o vento e disse ao mar: “Fica quieto”. O vento amainou e fez-se grande bonança», conta Marcos. Depois Jesus pôs duas questões aos discípulos: — Porque estais assustados? — Não tendes fé? Eles, atemorizados por tão poderosa experiência, também se perguntaram: — Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem? A primeira pergunta dos discípulos é parte...

DIÁRIO DE UM SAFARI DE MISSÃO

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No domingo, 30 de abril, chegámos a casa do safari missionário já noite, às 19 horas. Correu tudo bem com as pessoas. Com os pneus nem por isso. À ida, no sábado, tivemos um furo no descampado. Pneu mudado e, dois quilómetros depois, outro pneu esvaziado. O condutor de uma moto-taxi que passava passou o passageiro a outro e pegou em dois professores da minha equipa missionária. O do meio ia com o pneu grande e pesado da Toyota Cruiser ao colo. Ficamos o motorista, ex-condutor de camiões e pai de um estudante de teologia comboniano, outro membro da equipa e eu a tratar de desmontar o pneu estragado. Apareceu um jovem de moto que vinha dos campos com um valente tronco de árvore para lenha e um saco de produtos agrícolas. O Sr. Mapenzi, o nosso condutor, fê-lo parar: «Tenho aqui o padre, que tem que ir para o trabalho dele, na igreja católica de Cantine». O homem faz uns metros para trás, descarrega tudo no pátio de uma casa à beira da estrada e... «Sr. Padre faça favor de subir!» Durant...

CORAÇÃO: CASA DE DEUS

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Finalmente, proponho contemplar o Coração Trespassado do Bom Pastor como chave interpretava para a religiosidade pós-moderna, um olhar para um futuro já presente. Partimos de um dado inegável: a secularização está a avançar a passos largos sobretudo no hemisfério norte e as instituições religiosas estão a perder uso e influência. Os mais jovens têm menor aderência a formas organizadas de religiosidade: 27 por cento dos norte-americanos e 11 por cento dos europeus descrevem-se espirituais mas não religiosos, de acordo com um estudo do Pew Institute. Somos agentes da pastoral. Vamos para o desemprego? Acho que não! Mas necessitamos de reciclar o serviço missionário: passar de uma abordagem institucional e estrutural à missão do coração através da mística do encontro. Uma mudança de época exige uma mudança no paradigma da missão. Religião tem o étimo em religare (voltar a ligar, a atar, a unir) ou relegere (voltar a ler, revisitar). O prefixo RE pede uma atualização constante do ligar o...

CORAÇÃO: TERRITÓRIO DA MISSÃO

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Até à encíclica Evangelii nuntiandi a missão ad gentes tem uma identidade geográfica muito forte. O ad gentes físico é o âmbito da missão. São João Paulo II, na Redemptoris missio , escreve que há «uma única missão igual em todo o lugar» (32) e «a missão ad gentes, devido ao mandato universal de Cristo, não tem fronteiras. Apesar disso, é possível identificar vários âmbitos, em que ela se concretiza, para ficarmos com um quadro real da situação». Os âmbitos que o Papa polaco introduz são (a) territoriais; (b) mundos e fenómenos sociais novos — que incluem as grandes cidades, a juventude, os emigrantes e refugiados e as situações de pobreza; e (c) os novos areópagos das áreas culturais — em que se destacam os meios de comunicação social, as questões de JPIC (Justiça, Paz e Integridade da Criação), e os mundos da cultura, da pesquisa científica e das relações internacionais. Por outro lado, escreveu na Christifideles laici , a exortação apostólica sobre vocação e missão dos leigos na...

A MÍSTICA DE COMBONI

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Daniel Comboni fez uma síntese de duas devoções — do Sagrado Coração de Jesus e do Bom Pastor — no ícone comboniano do Coração Trespassado do Bom Pastor, aprofundado pelo P. Francesco Pierli. Na carta pastoral para a consagração do Vicariato ao Sagrado Coração que escreveu de El Obeid a 1 de Agosto de 1873 na qualidade de pró-vigário apostólico em parceria com o pró-secretário P. José Franceschini, exclama: «estamos profundamente convencidos de que […] do seio misterioso deste divino Coração trespassado brotarão torrentes de graça e rios de bênçãos celestes sobre este grande povo da África Central que nos é tão dilecto e sobre o qual ainda pesa tremendo, ao cabo de tantos séculos, o anátema de Cam». Meia dúzia de anos depois, na Relação à Sociedade de Colónia escrita em Cartum a 15 de Fevereiro de 1879, o santo bispo afirma: «O Sagrado Coração de Jesus palpitou também pelos povos negros da África Central e Jesus Cristo morreu igualmente pelos Africanos. Jesus Cristo, o Bom Pastor, ac...

CORAÇÃO MANSO E HUMILDE

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Jesus faz-nos uma proposta irrecusável para um percurso de bem-estar integral e holístico: «Vinde a mim, todos os que estais fatigados e oprimidos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossa vidas, pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve». Jesus faz esta proposta depois de uma breve oração de louvor ao Pai, porque os pequeninos, mais que os sábios e entendidos, são capazes de acolher a revelação de Deus manifestada n’Ele. Esta oferta de Jesus ganha uma dimensão gigante na sociedade psicótica em que vivemos. Jesus faz uma oferta concreta aos fatigados e oprimidos, ávidos de repouso para os seus corpos e corações: propõe a mansidão e humildade de coração como remédio para o cansaço e as depressões que afetam a saúde física e mental. Em 2018, os portugueses compraram mais de 10 milhões de embalagens de ansiolíticos e quase nove milhões de caixas de antidepressivos. Portugal é o qui...

O TRIUNFO DO CORAÇÃO

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A devoção ao Sagrado Coração de Jesus nasce do relato da morte de Jesus segundo o evangelho de São João e a sua solenidade é celebrada pela Igreja universal desde 1856. Foi instituída pelo papa Pio IX, o Romano Pontífice com quem Daniel Comboni teve uma relação muito forte. Os grandes promotores da devoção foram, dois séculos antes, São João Eudes (1601-1680), padre francês que escreveu os primeiros textos para a celebração litúrgica dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria; e Santa Margarida Maria Alacoque (1647-1690), monja do mosteiro de Paray-le-Monial, em França, a quem Jesus se manifestou durante 17 anos e pediu uma particular devoção ao seu coração. A basílica da Estrela, em Lisboa é a primeira igreja dedicada ao Coração de Jesus. A espiritualidade do Sagrado Coração de Jesus representa o triunfo do otimismo da graça, promovido pelos jesuítas, contra o pessimismo do jansenismo. O Dicionário Michaelis define o jansenismo como «doutrina de Cornélio Jansênio (1585-1638), teólog...

NUS… ESCONDIDOS

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  É costume vermos o pecado em termos das coisas que fazemos ou deixamos por fazer. O capítulo terceiro do livro bíblico do Génesis propõe uma interpretação diferente: mais que coisas, o pecado é sobretudo um estado, uma atitude de vida, uma autorreferencialidade. Um querer ser senhor de si mesmo e de tudo. Eva e Adão tinham à sua disposição todo o Jardim de Deus menos a árvore do meio. Dessa não podiam comer. A serpente disse a Eva que Deus lhes proibiu comer dos frutos da árvore do meio, porque abrir-lhes-ia os olhos e seriam como Deus conhecendo o bem e o mal. Porque o fruto proibido era atraente e precioso para esclarecer a inteligência — mas não era uma maçã,  a mulher comeu e partilhou com o marido. De facto, abriram-se-lhes os olhos e … viram que estavam nus. Tiveram que fazer das folhas da figueira roupa interior. Lingerie muito incómoda!!! Deus chega para o passeio do entardecer, mas Adão falha o encontro. Deus chama-o: «Onde estás?». Ele responde: «Ouvi o r...

VACINAÇÃO A CONTA-GOTAS

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A imunização da África ao novo coronavírus decorre lentamente. O processo de vacinação contra a covid-19 nos países africanos está muito lento devido ao atraso nas entregas e falta de vacinas que, com o aparecimento de estirpes mais contagiosas, pode provocar uma terceira vaga de infecções no continente. O alerta foi dado no início de Maio por Matshidiso Moeti, directora regional da Organização Mundial de Saúde para a África. Nessa altura, a África tinha recebido só um por cento das vacinas administradas globalmente. Metade dos 37 milhões de doses distribuídas aos africanos tinham sido aplicadas, mas só o Ruanda, Senegal, Gana, Togo, Tunísia, Suazilândia e Botsuana conseguiram esgotar as reservas. O Sudão do Sul e o Maláui deixaram expirar e destruíram mais de 75 mil doses. A República Democrática do Congo, que recebeu 1,8 milhões de doses, só conseguiu aplicar cinco mil, e distribuiu os 1,3 milhões restantes pelos países vizinhos. Globalmente, tinham sido administradas cerca de 150 do...

HOSPITALIDADE DIVINA

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Quando vivi na Etiópia andava sobretudo a pé. Nas idas para as capelas era normal cruzar-me com miúdos que guardavam o gado. Os gujis são ganadeiros. Se algum miúdo estivesse a comer uma espiga de milho cozido ou assado, invariavelmente partia-a a meio e dava-me metade. Custava-me aceitar, porque o pequeno pastor não tinha mais comida até chegar a casa. Mas não aceitar a sua hospitalidade e partilha era má educação. Hoje a Igreja celebra a solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo. Jesus quer comer a sua Páscoa connosco cada vez que celebramos a Eucaristia. Não na sala de cima num bairro de Jerusalém, mas na sala do nosso coração. Na Eucaristia, Ele prepara a mesa e é mesa. Prepara a comida e faz-se comida. «Tomai, todos, e comei: isto é o meu Corpo, que será entregue por vós […] Tomai e bebei» — repete Jesus cada vez que celebramos a missa. Não aceitar comungá-lo é rejeitar a hospitalidade divina. Jesus é o novo Cordeiro imolado da Páscoa judaica: sangue que marca a casa dos ...

O P. INO PARTIU

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O P. António Ino regressou às 8h30 desta manhã à casa do Pai depois de doença curta e de uma vida longa e dedicada ao Senhor da Missão. Completava 91 anos no dia 25 de junho. O comboniano italiano trabalhou 29 anos em Moçambique e era conhecido da maioria dos padres e bispos do país. Foi durante muitos anos diretor espiritual do Seminário Maior de Santo Agostinho, na Matola. Há uns três anos foi pregar o retiro aos seminaristas maiores moçambicanos. O P. António deu 36 anos à província portuguesa onde chegou em 1955 para estudar teologia em Viseu. Dedicou os últimos 18 anos ao ministério das confissões e ao serviço da capela do Seminário das Missões, em Viseu. Deixa em herança a sua alegria e paixão missionária, a sua dedicação generosa e a sua simplicidade. «Damos graças a Deus pela longa vida missionária deste nosso irmão e rezamos para que o Senhor o acolha nas moradas eternas», escreveu o P. Fernando Domingues, superior provincial dos combonianos em Portugal, ao comunicar a notícia...