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A mostrar mensagens de dezembro, 2006

Rostos da Rádio Bakhita

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John Aurelio, Cecília Sierra (directora da Rádio Bakhita), Alex e Alberto (administrador e director técnico) Elena Balatti (directora-geral da rede), Martin, Emmanuel e Betty Patrick e Julie José Vieira (director de informação), William e Ir. Paola Moggi (directora-geral indigitada da rede) As emissões experimentais da Rádio Bakhita continuam com alguns sobressaltos. No dia 29 o sinal apagou-se a meio da transmissão. O transformador do receptor do sistema de ligação entre o estúdio e a antena queimou-se. O transformador é uma peça pequena e barata que em Portugal se encontra em qualquer loja de material eléctrico. Aqui é muito difícil de encontrar. O técnico que montou o sistema, encontrou uma solução provisória, a partir de Itália via Internet, até mandar um transformador novo. Rádio Bakhita está de novo no ar. Hoje transmitiu em directo da Catedral a missa em árabe, seguida de música ligeira. À tarde a emissão prosseguiu normalmente. Neste momento decorre a fase de preparação inten...

Mil palavras

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Mãe Madi © J. Vieira

É Natal!

Recentemente estive em Nampula. Pela manhã fui comprar o pão para o pequeno-almoço na padaria da rotunda do hospital. Um miúdo ofereceu-se para me guardar o carro. Disse-lhe que não era preciso, que só demorava um minuto. Ao sair, porém dei-lhe um pão. Era isso que ele desejava. Vieram logo outros. Disse-lhes que não dava mais. Entrei no carro e vi o pão que ofereci a ser fragmentado pelo rapaz para dar a todos os colegas. Todos meninos de rua que vivem aos bandos na cidade de Nampula. Não resisti ao testemunho. Desci de novo do carro, comprei mais pão e dei um a cada um, e, em primeiro lugar, ao que soube repartir o pão que tinha recebido antes: e é Natal!!! P. Alberto Vieira, missionário comboniano em Iapala, arquidiocese de Nampula, no Norte de Moçambique

O Menino Jesus

Nesse tempo os Reis Magos ainda não existiam (ou sou eu que não me lembro deles) nem havia o costume de armar presépios com a vaca, o burro e o resto da companhia. Pelo menos na nossa casa. Deixava-se à noite o sapato («o sapatinho») na chaminé, ao lado dos fogareiros de petróleo, e na manhã seguinte ia-se ver o que o Menino Jesus lá teria deixado. Sim, naquele tempo era o Menino Jesus quem descia pela chaminé, não ficava deitado nas palhinhas, de umbigo ao léu, à espera de que os pastores lhe levassem o leite e o queijo, porque disto, sim, iria precisar para viver, não de ouro-incenso-e-mirra dos magos, que, como se sabe, só lhe trouxeram amargos de boca. O Menino Jesus daquela época ainda era um Menino Jesus que trabalhava, que se esforçava por ser útil à sociedade, enfim, um proletário como tantos outros. Em todo o caso, os mais pequenos da casa tínhamos as nossas dúvidas: custava a acreditar que o Menino Jesus estivesse disposto a emporcalhar a brancura da sua veste descendo e subi...

Caty

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Olá! Chamo-me Caterina, Caty para os amigos! Sou a gata dos missionários combonianos de Juba. Gosto muito de colinho, sobretudo do do Hans e do Zé. E de apanhar ratos – que aqui são aos montes. E de distrair o pessoal durante a oração da amanhã e da tarde, debaixo da buganvília e da palmeira, no adro da pequena capela. Corro, roço-me nas pernas, brinco com o meu rabo ou com as ervas… Então com o gato-bebé das missionárias era uma festa. Mas o enfezado morreu. A irmã Doménica ficou muito triste, porque lhe dava todos os dias leitinho com uma seringa. Diz que morreu de hipotermia: a noite de Natal esteve fresca e o bichanito nunca recuperou. Pena. Mas tenho dois pretendentes: um gato preto e um branco-sujo, grandalhão. O Hans quer que eu engravide depressa para com os filhotes dar cabo das ratazanas que andam por aqui. Mas ainda sou novinha. Dizem que tenho quatro meses!

Refracções

SE ME PUDERES OUVIR O poder ainda puro das tuas mãos é mesmo agora o que mais me comove descobrem devagar um destino que passa e não passa por aqui à mesa do café trocamos palavras que trazem harmonias tantas vezes negadas: aquilo que nem ao vento sequer segredamos mas se hoje me puderes ouvir recomeça, medita numa viagem longa ou num amor talvez o mais belo José Tolentino Mendonça, em «Baldios». Obrigado, Marujo!

O presente

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Salva Kiir, o presidente do Sul do Sudão e primeiro vice-presidente da República do Sudão, é um católico praticante. Nos domingos em que está em Juba, costuma ir à catedral, no bairro de Kator, à missa das 11h00, em inglês, acompanhado pelo respectivo séquito. Talvez por isso o Governo do Sul do Sudão (GoSS) decidiu oferecer à cinquentenária sé arcebispal de Juba um sistema de ar condicionado com o respectivo gerador industrial. Dá jeito num clima tropical como este com temperaturas acima dos 30ºC. O que chama à atenção é que, juntamente com o ar condicionado, vieram também sete sofás para o bem-estar das altas individualidades. Até são confortáveis! Um senão: esqueceram-se de colocar uma máquina de café e outras bebidas para amenizar alguma homilia mais «secante». Porque as mesinhas já lá estão à frente dos sofás!

Natal em Juba

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Presépio da Catedral de Juba © J. Vieira O Natal em Juba tem uma marca jovem forte. Os mais novos estavam em maioria na assembleia que encheu a Catedral de Santa Teresinha, no bairro de Kator, para celebrar a Missa do Galo. E também eram sobretudo adolescentes e jovens e vestidas a preceito as largas centenas de fiéis que saíam da igreja paroquial de São José, quando regressávamos a casa depois das 2h30 da manhã. Dom Paulino Lukudu, arcebispo de Juba, presidiu à Eucaristia da catedral em inglês e árabe. Um coro jovem deu brilho e movimento à celebração através dos cânticos em polifonia, tambores e palmas e do oscilar ritmado dos corpos. A assembleia entrecortou com palmas, gritos e assobios a homilia do arcebispo, proferida em árabe. A Missa de Natal demorou cerca de duas horas e foi transmitida em directo pela Rádio Bakhita. O arcebispo saudou com entusiasmo o início das emissões experimentais da emissora-mãe da Cadeia Católica de Rádio do Sudão e agradeceu aos institutos combonianos,...

Natal seguro

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Da ACA-M, Associação de Cidadãos Auto-Motorizados

Carta ao Menino Jesus

Meu querido Menino Jesus, Quando era puto, ensinaram-me que és tu que trazes os presentes na noite de Natal. Depois apareceu esse velhote de barbas brancas vestido à Benfica – que mau gosto! – a distribuir as prendas. Não tenho nada contra ele, mas o pai-natal é cada um de nós, porque «é Natal quando cada um quiser». O Natal é o teu dia de anos! Às vezes esquecemo-nos disso… Tem piada: fazes anos e dás os presentes. És bué fixe. Por isso é que resolvi escrever-te alguns pedidos. Antes de mais, quero que abençoes a pessoa que está a ler esta carta. Sabes? Gosto muito dela. Enche-a da tua paz e deixa-lhe um 2007 cheio de bondade! Depois, peço a tua bênção para as crianças do Mundo. O Evangelho conta que nasceste fora da cidade, entre os excluídos, e que foste refugiado no Egipto para escapar à violência invejosa de Herodes. Há milhões de menores traficados, escravizados, forçados a pegar em armas ou a entrar na prostituição. Nunca vão ser meninos! Cuida deles de uma forma especial. Sobre...

Tira a mãozinha

Estavam um inglês, um alemão e um português num café quando o inglês diz aos outros: - Esse que aí entrou é igualzinho ao Jesus Cristo. - Pois, pois! - dizem os outros. - Estou-vos a dizer. A barba, a túnica.... O inglês levanta-se, dirige-se ao homem e pergunta: - Tu és Jesus Cristo, não é verdade? - Eu? Que ideia! - Eu acho que sim. Tu és Jesus Cristo. - Já disse que não. Mas fala mais baixo. - Eu sei que tu és Jesus Cristo Tanto insiste que o homem lhe diz baixinho: - Sou efectivamente Jesus Cristo mas fala baixo e não digas a senão isto fica aqui um pandemónio. - Fiz uma lesão no joelho em pequeno. Cura-me. - Milagres não. Tu vais contar aos teus amigos e eu passo a tarde a fazer milagres. O inglês tanto insiste que Jesus Cristo põe-lhe a mão sobre o joelho e cura-o. - Obrigado. Ficarei eternamente grato - agradece, emocionado, o inglês. - Sim, sim. Não grites e vai-te embora. Não contes a ninguém. O inglês, mal chegou à mesa, contou aos amigos. O alemão levantou-se logo e dirigiu-...

Darfur

O PRESÉPIO DE UTACH Dezembro chegou. O dia 25 aproxima-se e a preparação do Natal não deixa ninguém desocupado. Mas não haverá luzinhas ou outro tipo de enfeites ou decorações. Vai ser uma coisa muito discreta. O «Natal das Luzes», certamente, não será tentação para nós, cristãos de Nyala. Simplesmente pelo facto de que a Igreja, neste canto do mundo, não tem o direito de existir, oficialmente. Mas vamos dando graças a Deus e optando por não dar nas vistas de quem tem a faca e o queijo na mão. A luzinha que brilha dentro de cada um de nós, essa ninguém a poderá apagar e não precisa de documentos dos soberanos deste mundo. Esta situação convida-nos a voltar a Belém da Judeia, onde há mais de dois mil nos atrás, aconteceu o verdadeiro presépio. «Natal sem Luzes». Sem luzes, mas não sem o esplendor e brilho daquele que é a Luz do mundo Ai, acabou-se o alcatrão! Que remédio senão abrandar! É que o selim não é de estofo! Mais umas quantas pedaladas e já estou no «suq», o mercado. Hoje o des...

Natal Madi

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A comunidade Madi celebrou o Natal com uma festa, ontem à tarde. O evento decorreu junto à igreja que o grupo usa, atrás da Praça da Paz. Os participantes entretiveram-se com uma mistura de feijão-frade com sésamo enquanto esperavam. A festa estava marcada para as 15h00, mas começou às 17h30. A comemoração principiou com uma celebração da palavra, presidida pelo vigário-geral de Juba, padre Thomas Iga. O grupo de jovens executou algumas canções, acompanhadas por instrumentos tradicionais de cordas. Depois vieram as saudações e discursos em árabe de Juba. As duas representantes dos Madis no parlamento do Sul do Sudão, em Juba, e do Sudão, em Cartum, também falaram à assembleia. Mulheres Madi executaram algumas danças típicas. No fim, houve comida para todos: primeiro para as crianças, depois para os adultos e, por fim, para os jovens: pão, manteiga de amendoim, carne, peixe fumado, batata-doce e inhame, regada com água engarrafada, importada do Uganda. Os Madis vivem entre o Sudão e ...

Estúdio 1 está pronto

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Estúdios da Rádio Bakhita e antena de ligação ao transmissor © J. Vieira O técnico e o irmão Alberto dão por terminado o trabalho de montagem do Estúdio 1 © J. Vieira Prova de som © J. Vieira

Rádio Bakhita no ar

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A irmã Paola, futura directora-geral do projecto, e Marco, o técnico italiano, testam a ligação entre o estúdio e o transmissor © J. Vieira O transmissor e a antena ficam instalados na torre da catedral de Juba © J. Vieira A Rádio Bakhita, a Voz da Igreja Católica em Juba, esteve ontem, 16 de Dezembro, cerca de 10 minutos no ar para testar a antena, o transmissor e a ligação entre o estúdio e o transmissor. A experiência correu bem. O som estéreo é de excelente qualidade. Dois técnicos italianos estão a ultimar a parte electrónica do projecto. As transmissões experimentais começam no dia de Natal. A Rádio Bakhita transmite na frequência de 91.00 Khz. A irmã Josefina Bakhita é a primeira santa sudanesa.

Alta tensão

Na sexta-feira, 15 de Dezembro, por volta das 10h00, um grupo de soldados do SPLA (Exército de Libertação do Povo do Sudão na sigla em inglês), vindo de fora da cidade, começou a disparar para o ar no Mercado de Customs, na cidade de Juba. Os soldados protestavam contra a falta de pagamento dos ordenados. Pelo menos um civil foi morto durante o levantamento. O tiroteio colocou a capital do Sul do Sudão em estado de pânico: os habitantes corriam de um lado para o outro sem saber bem o que se passava, os alunos fugiam das escolas, o comércio fechou, os transportes públicos desapareceram de circulação, as quatro estações de rádio que transmitem em FM na cidade foram silenciadas durante mais de 24 horas. Quando perguntei a um jovem o que se passava, respondeu: «Este lugar está em perigo». Mas não sabia de que tipo de perigo se tratava. As autoridades impuseram o recolher obrigatório a partir das 19h00. Tropas fortemente armadas patrulhavam as ruas. Havia soldados em posição de combate junt...

Olá, Juba!

O pequeno bimotor a hélice de 19 lugares levantou voo do aeroporto Wilson, em Nairobi, às 8h30 de 8 de Dezembro. Nunca tinha viajado num avião tão pequeno e tão baixo. A princípio senti algum desconforto e claustrofobia. Mas a viagem acabou por correr bem. O verde luxuriante da planície queniana foi dando lugar ao castanho semi-desértico e mais acidentado à medida que o voo de cerca de duas horas se aproximava do seu termo. O Nilo Branco saudou-nos, espreguiçado e majestoso, vindo do Uganda a caminho de Cartum onde se junta com o seu irmão etíope, o Nilo Azul. O Aeroporto Internacional de Juba é uma aerogare modesta e acanhada onde tudo é manual. Mas funciona. Os polícias da alfândega são zelosos e abrem toda a bagagem. Juba, a capital do Sul do Sudão, parece uma aldeia enorme que cresceu desmesuradamente e rebenta pelas costuras. As casas são baixas. As ruas, quase todas de terra, estão cheias de viaturas oficiais do Governo e da ONU, de organizações não governamentais e de particular...

Nairobi

Nairobi acorda cedo. Às seis da manhã as ruas da capital queniana estão engarrafadas de tráfico e os passeios cheios de gente apressada. Vão para mais um dia de trabalho ou à procura dele. A cidade tem quase de cinco milhões de habitantes. Três e meio vivem nos bairros de lata que a abraçam. Só o de Kibera tem um milhão de moradores. Um cubículo minúsculo sem água nem electricidade custa quatro euros de renda por mês. Trinta por cento dos habitantes da capital estão desempregados. A maioria ganha cerca de oitenta cêntimos por dia. Sem quaisquer direitos. Nairobi vem da palavra massai nailobi e significa água fresca e limpa. Antes de os Ingleses chegarem era o lugar onde os massais, o povo da região, davam de beber ao gado. O centro da cidade é muito cosmopolita. Tem alguns arranha-céus de arquitectura arrojada. As avenidas são largas e tem uma extensa área verde. Cafés e centros comerciais modernos e agradáveis. E as jacarandás continuam em flor! Hoje fui-me registar na Embaixada. Além...

Kivuli

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Kizito Sezana com Joseph, o utente mais recente de Kivuli © J. Vieira UMA SOMBRA ACOLHEDORA Ontem visitei o Centro Kivuli para fazer uma reportagem fotográfica que me encomendaram. Confesso que fiquei emocionado com o que encontrei. Kivuli é um oásis a rebentar de vida no seio do imenso e difícil bairro-de-lata de Raruta. Fica nos arrabaldes de Nairobi e acolhe cerca de 60 meninos da rua, dos três-quatro aos 18 anos. A instituição além do alojamento, também dá educação e uma profissão aos internos. Além disso, cerca de 500 utentes usam diariamente diversas valências do centro: posto médico, farmácia, escola de computadores, carpintaria, serralharia, escultura, artesanato, corte e costura, dança, ginásio, campo de jogos, sala de estudo. O centro distribui comida e água e tem acompanhamento de VIH positivos. O Kivuli – e mais três centros gémeos noutros tantos bairros problemáticos à volta de Nairobi – saiu do coração do padre Kizito Sesana como resposta ao número crescente de meninos...

Darfur

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"Daily Nation", Nairobi

Retrato

VELENTINO VALENTÃO Valentino Fabris tem 85 anos, mas aparenta pouco mais de 70 e poucos. Nasceu no Norte de Itália. É irmão missionário comboniano desde 1942 e chegou ao Sudão sete anos depois. E por cá tem permanecido excepto durante meia dúzia de anos em que esteve na Itália e nos Estados Unidos. Em meio século de estada no Sudão, ensinou em várias escolas técnicas tanto em Cartum como no Sul do país e dedicou-se à construção de igrejas, escolas, residências para missionários e outras estruturas. Apesar da idade, mantém-se activo na casa de acolhimento em Nairobi. E para a semana volta ao sul do Sudão para supervisionar a construção de mais uma igreja. Arguto, franco e atento, diz que a vida missionária só faz sentido se os missionários amarem as pessoas. E que, mais do que ensinar devoções, os missionários devem formar homens, cristãos honestos com um papel activo na reconstrução do país. Um valentão este Valentino.

Primeiro encontro

Ontem encontrei-me pela primeira vez com a minha nova família. Os Sudaneses do Sul, refugiados em Nairobi, celebram juntos a missa uma vez por mês. Uma maneira de se manterem unidos e conviverem. Gostei da música: bastante tranquila e polifónica. E da homilia: o padre fez uma ligação muito forte entre as leituras da Bíblia e a experiência de exílio dos sudaneses. No final da celebração, o represente do Governo Regional do Sul do Sudão em Cartum despiu o fato da oficialidade e falou dos confrontos de Malakal. O SPLA está a tentar ultrapassar rapidamente o que é entendido como uma provocação do Governo sudanês. O líder do ataque às forças do SPLA escapou de avião para Cartum. Outro assunto abordado foi o do recenseamento urgente da população do Sul do Sudão em preparação para o referendo de 2011, altura em que os sulistas vão optar pela auto-determinação ou se mantêm parte do Sudão. Os sulistas precisam de um documento de identificação para participarem na consulta. De tarde, estive numa...

África minha

JAMBO! É sempre uma festa voltar ao regaço primordial da humanidade, a Mãe África. Esta luminosidade, o horizonte profundo, o cheiro da terra molhada, o fervilhar da vida estão inscritos na memória genética colectiva e fazem-me sentir em casa cada vez que regresso ao continente que nos serviu de berço. A viagem foi longa (11 horas ao todo), mas agradável. A Kenya Airways ainda mantém um bom serviço a bordo desde a comida (boa) aos filmes (alguns estão a ser exibidos nos cinemas em Portugal) e à simpatia da equipagem. Fico uma semana em Nairobi para tratar dos documentos necessários para me legalizar no Quénia, junto do Governo Regional do Sul do Sudão e na embaixada portuguesa. E para me ambientar. Sinto-me bem nesta comunidade de acolhimento para os missionários combonianos que trabalham no Sul do Sudão. Encontrei seis colegas: três sudaneses e três europeus. E uma gata chamada Pussy. As conversas à mesa são muito interessantes e os colegas pessoas alegres e grandes contadores de estó...