– Eu também quero!
– Ainda és muito pequena...
Mas a menina beduína insistiu… tal como a vida insiste. E conseguiu.
Observava as mulheres da sua aldeia a bordar, no deserto, entre Jerusalém e Jericó.
O bordado palestiniano é um património rico, e nos seus olhos crescia um anseio: mais tecido, mais linha, mais espaço para sonhar.
Começou com pequenos retalhos, mas o seu desejo não cabia neles.
Queria pano para fazer uma bolsinha completa, com fecho, com forma, com sentido.
E fê-la!
Ponto a ponto, com paciência.
– A minha mãe ajudou-me com o fecho!, confessa.
E pergunta, à procura de aprovação:
– Está bonita, não está?
Nas suas mãos, aquele pequeno objeto torna-se uma conquista: o seu primeiro ganho!
À sua volta, o conflito.
Mas as mulheres beduínas bordam com ânsia, aprendem a fazer acabamentos, apoiam-se umas nas outras.
Cada ponto traz dignidade, traz pão, traz esperança para a mesa.
Rosa aprende com a mãe, e, nesse gesto antigo e vivo, a vida continua a dizer-se: ensinar, aprender, acompanhar.
Tem 11 anos.
Uma casa com tantas necessidades, sustentada por uma mãe corajosa, seis filhos, um pai que não pode voltar.
E, com essa vontade de aprender, a luz abre caminho.
Em cada fio, Rosa não cose apenas uma bolsinha: cose dignidade. Preserva tradição e património.
Cose o futuro!
Ir. Cecília Sierra,
Missionária Comboniana


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