CORRIGIR O MAPA
A Assembleia Geral da ONU adotou na sessão 83, a 4 de Setembro, uma resolução cujo título explica o intento: «Corrigir o mapa: reequilibrar a representação cartográfica global e promover uma representação equitativa das regiões do mundo, em particular de África».
A resolução foi aprovada por 164 Estados-membros. Estónia, Geórgia, Lituânia, Moldávia, Sérvia e Ucrânia abstiveram-se. Teve o voto contra dos Estados Unidos da América — país que diminui em tamanho na projeção cartográfica adotada.
Os mapas com que vemos o planeta estão baseados na projeção que Gerardo Mercator fez em 1569 para auxiliar os navegadores europeus a chegar a bom porto. O cartógrafo flamengo transformou o Planeta Azul numa projeção cilíndrica que amplia as massas perto dos pólos e diminui as áreas junto ao equador, sobretudo a África, América Latina e Sudeste Asiático.
Consequentemente, no mapa-mundo de Mercator a Gronelândia e a África têm tamanhos idênticos, embora na realidade o continente seja 14 vezes maior que a ilha dinamarquesa entre o Atlântico Norte e o oceano Ártico que Donald Trump tanto cobiça. De facto, essa região autónoma é ligeiramente menor do que a República Democrática do Congo. Por outro lado, nos 30,3 milhões de quilómetros quadrados do continente africano cabem a Bélgica, França, Espanha, Itália, Europa Oriental, Estados Unidos da América, China, Índia e Japão e ainda sobra espaço.
Para corrigir esta representação desproporcionada das massas terrestres, os cartógrafos Bojan Šavrič, Bernhard Jenny e Tom Patterson elaboraram a projeção Equal Earth [Terra Igual] em 2018, que representa os países das regiões tropicais e os países do Norte com dimensões adequadamente proporcionadas.
A campanha global #CorrectTheMap — que foi lançada há um ano e está por detrás da iniciativa — defende que a projeção Equal Earth «preserva o tamanho relativo dos continentes, reflete com precisão as proporções da África e apresenta os continentes com formas mais próximas daquelas que se veriam num globo».
A resolução da ONU declara que «a projeção cartográfica Equal Earth oferece uma representação mais precisa das dimensões das massas continentais e, nesse sentido, constitui uma opção relevante para melhorar a precisão da representação cartográfica do mundo». Para Robert Dussey, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Togo que promoveu e apresentou o texto da resolução à Assembleia Geral, «corrigir o mapa significa reconhecer que todas as regiões do mundo merecem ser representadas com precisão e dignidade».
As resoluções da Assembleia Geral da ONU não têm força vinculativa. Por isso o texto apela aos Estados-membros, organismos internacionais e empresas tecnológicas que adotem o planisfério Equal Earth por ser mais fiel à realidade geográfica do planeta.
A União Africana adotou oficialmente o mapa Equal Earth em Fevereiro passado por o considerar uma representação mais precisa e real do continente. O novo mapa marca também o fim do colonialismo cartográfico.

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