A PESSOA, PRIMEIRO
Estamos num sábado, a instituição mais sagrada para os Judeus depois do exílio juntamente com a circuncisão. A violação do descanso do sábado podia ser punida com a morte.
Jesus é o convidado de um fariseu para o almoço sabático. Está sob o olhar dos
fariseus e doutores da lei.
À sua frente está um homem que sofre de hidropisia, uma acumulação anormal de
líquidos no corpo, uma espécie de edema.
Jesus, ao ver o doente, pergunta: «É lícito ou não curar ao sábado?»
Não é uma pergunta de retórica. É uma questão que abala os fundamentos de uma fé
legalista. Um terramoto espiritual para os mestres teológicos de Israel.
O silêncio dos censores não intimida Jesus. O doente não pede nada. Fica em
silêncio.
Jesus toma-o pela mão, cura-o e manda-o embora.
Depois, observa: «Se em dia de sábado um filho ou um boi vosso cai num poço não
esperais pelo sol-pôr para o salvar».
Primeiro está a pessoa, depois vêm as instituições.
Daniel Comboni era o bispo de Cartum. Quando chegou a grande crise, pôs de lado as
honrarias, arregaçou as mangas e pôs-se ao serviço de todos. Escreve:
«Chegou um momento em que eu era o único que podia administrar os sacramentos, por os outros missionários estarem ou mortos ou moribundos. Eu exercia ao mesmo tempo as funções de bispo, pároco, vigário, superior, administrador, médico,
cirurgião, enfermeiro e assistente de doentes dia e noite!» (Escritos 5873).
Hoje começamos a ler a carta aos Filipenses que Paulo escreveu da prisão. Tinha a a companhia de Timóteo.
Na introdução, o apóstolo dos gentios recorda que a missão também é memória
cordial e alegre, confiado no Senhor que é a origem e o objetivo do serviço
missionário: o Senhor da missão é quem começa e completa o serviço do
evangelho. A missão é d’Ele!
Num momento de silêncio façamos memória alegre e agradecida das pessoas e comunidades que servimos como servos da missão de Deus.

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