Quando nasceste puseram-te o nome Desta, Felicidade em amárico. Um nome que te assentava como uma luva fina.
Conheci-te em novembro de 2021. Participavas na missa com os utentes da casa de acolhimento das Missionárias da Caridade, as freiras de Santa Teresa de Calcutá, em Adola, cada sábado ao cair da tarde, numa cadeira de rodas. E vestindo um enorme sorriso!
A doença foi enfraquecendo o teu corpo e acamaste. Levava-te a comunhão no fim da missa. A ti e à tua vizinha de enfermaria. Recebias sempre o Senhor com o teu sorriso rasgado. E uma fé enorme, expressa no modo como como rezavas.
Quando regressei de Portugal, em fevereiro passado, encontrei-te muito pior. Já não mexias os braços, estavas pele e osso. Cada vez mais magra, cada vez mais enfraquecida.
Mas o teu sorriso era cada vez mais lindo. Radiante.
A notícia do teu falecimento não me surpreendeu. Surpresa foi a grande luta que mantiveste com essa doença prolongada sem perderes o sorriso. Sem deixares de ser Desta. Ou Déssita, como os outros utentes te chamavam. Felicidade!
Fiquei feliz por te terem sepultado em Gosa, junto ao teu pai, no fundo do terreno da antiga missão, onde o teu descanso não deve ser perturbado segundo a tradição guji.
Querida Desta, depois de um Calvário tão longo, de um Purgatório tão extenso, tenho a certeza de que descansas no Paraíso, a Casa da Felicidade sem fim. No abraço terno e eterno de Deus.
Obrigado pelo teu sorriso lindo, pela tua fé inquebrantável, pela coragem com que enfrentaste a doença.
Reza por nós, pelas missionárias e utentes de Adola, pelos cristãos de Gosa. Que a tua fé forte e o teu martírio lento se tornem semente de novos cristãos.
A Deus, Desta!

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