27 de junho de 2026

SEXTA-FEIRA, 13 – OU 17?

Aprendemos a olhar cada sexta-feira no dia 13 com muito receio: em cada segundo seu pulsa o alarme do azar! Se lhe juntarmos escadas, gatos negros, espelhos partidos, guarda-chuvas abertos em casa, pentes caídos – sei lá que mais – temos os ingredientes para um dia verdadeiramente aziago, azarado! 

Como se formou esta superstição?

Dizem os entendidos que esta crendice vem de uma salada russa de lendas e mitos religiosos caldeados com alguns acontecimentos históricos.

Nas culturas cristãs, a sexta-feira é relacionada com a crucifixão e morte de Jesus. Daí o seu carácter nefasto.

Já o número 13 pode ter origens diversas:

-      13 era o número dos convivas na última ceia: Jesus mais os 12 apóstolos;

-      13 era o número dos convivas no banquete de Odin na mitologia nórdica: 12 deuses convidados, mais o penetra Loki, o deus da discórdia, que criou o caos de que resultou na morte de Balder, deus amado na mitologia nórdica;

-      13 simboliza o caos enquanto 12 é um número perfeito, da totalidade!

Como é que sexta-feira se juntou com o número 13 para dar azar? 

-      Foi numa sexta-feira, 13 de outubro de 1307, que os Templários – uma ordem religiosa militar muito poderosa que em Portugal sobreviveram sob o nome de Ordem de Cristo – foram presos e chacinados em massa por Filipe IV na França, que via neles uma ameaça séria ao seu poder.

-      A obra Friday, the Thirteenth (Sexta-Feira Treze), publicada em 1907 por Thomas W. Lawson, um escritor norte-americano, pode ter tornado popular a superstição no mundo anglo-saxónico. 

-      Os filmes de terror que exploram o tema sexta-feira 13 são frequentes e colaboraram na popularização do dia assombrado.

Entretanto, na escola de italiano, descobri que neste país o dia azarado é sexta-feira 17! E porquê 17 e não 13? Porque 17 em numeração romana (XVII) pode ser rearranjado para formar a palavra VIXI que significa «eu vivi!» Vivi é passado: a morte ronda por aí!

E há mais! Para os espanhóis – e consequentemente para muitos latim-americanos – e para os gregos o dia do azar é a terça-feira 13! Porque martes (terça-feira em castelhano) é o dia dedicado a Marte, o deus romano da guerra (em grego chama-se Ares). Daí o ditado: «En martes ni te cases ni te embarques.» Precisa de tradução?

Pronto, as superstições são isso mesmo: um produto coletivo para esconjurar o medo do azar que não se pode controlar! Varia de cultura para cultura. Uma crendice sem bases reais.

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