14 de maio de 2012

BISPOS


© JCDaau
Os líderes católicos e anglicanos do Sudão do Sul prepararam uma mensagem sólida pedindo o fim da guerra e o restabelecimento da paz entre os dois Sudãos.
A mensagem com o título «Temos um sonho de Paz, Justiça e Liberdade» foi assinada por 15 bispos de ambas as comunhões depois de três dias de oração e reflexão em Yei na semana passada para fortalecerem os laços ecuménicos.
Durante a guerra, os líderes das duas comunhões mantiveram uma comunhão estreita, mas nos primeiros anos da paz viraram-se para o interior das suas comunidades e agora querem relançar a colaboração ecuménica.
 Os bispos escrevem que têm um sonho, uma visão e uma convicção baseados nos valores evangélicos sobre o papel profético da Igreja sobre a justiça, paz e dignidade de cada ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus.
O documento afirma que o sonho dos bispos católicos e episcopalianos para os povos do Sudão do Sul e do Sudão é que possam apreciar a democracia e liberdade e que todas as religiões, grupos éticos, culturas e línguas tenham direitos humanos iguais baseados na cidadania.
Os bispos acrescentam que sonham com as duas nações em paz e cooperando para usarem da melhor maneira os recursos que Deus lhes deu, promovendo a interação livre entre os seus cidadãos, vivendo lado a lado em solidariedade respeito mútuo.
Os bispos dizem que acolheram a Resolução 2046 do Conselho de Segurança da ONU de 2 de Maio que trata compreensivamente dos muitos assuntos-chave entre os dois Sudãos, incluindo Abyei, exige que as fronteiras sejam marcadas e que criem uma zona desmilitarizada ao longo da fronteira para prevenir mais escaramuças e a retomada de negociações.
A líder da Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul, Hilde Johnson, encontrou-se com os bispos durante o encontro ecuménico para lhes pedir que transmitam aos seus rebanhos que as Nações Unidas não abandonaram nem atraiçoaram o país. A mensagem vem no seguimento de uma onde de indignação pela posição da ONU durante as últimas escaramuças fronteiriças. O Sudão do Sul acusa as Nações Unidas de favorecerem o Sudão e de não protegerem a população dos ataques da Força Aérea Sudanesa.

13 de maio de 2012

CATÓLICA


© ALamana

O primeiro grupo de alunos da Universidade Católica do Sudão do Sul foi graduado no sábado, 12 de Maio, em Juba, durante uma cerimónia colorida e marcada pela alegria de quem chega ao fim de uma caminhada difícil de quatro anos.
Os 25 graduados iniciaram o bacharelato em Ciências Económicas e Administração em 2008 e formam o grupo pioneiro da Católica.
A cerimónia de graduação começou com a eucaristia presidida por Dom Eduardo Hiiboro, bispo de Tombura-Yambio. Seguiu-se o desfile dos graduandos, leitura do Acordo de Filiação com a Universidade Católica da África Oriental, sediada em Nairobi, Quénia, e distribuição dos certificados.
A cerimónia foi abrilhantada pelo Coro da Universidade e por músicas e danças tradicionais e contou com uma grande assistência entre figuras públicas e familiares e amigos dos graduados.
A Faculdade de Artes e Ciências Sociais, em Juba, oferece bacharelatos em Económicas e Ciências da Educação. No polo de Wau funciona a Faculdade de Agricultura.
A Católica tem mais de quinhentos alunos matriculados nos três cursos.
Planeia abrir a Faculdade de Ciências do Petróleo e Minas, em Malakal, e iniciar um mestrado em economia.
Funciona provisionalmente no antigo postulantado dos Combonianos em Juba. Um irmão comboniano faz parte do corpo docente e administrativo da instituição.
Durante a graduação, o vice-governador de Equatória Central anunciou que o lote atribuído pelo governo para a construção da Universidade Católica está finalmente disponível.

6 de maio de 2012

SUDÃO DO SUL – SUDÃO



DE MAL A PIOR


A SITUAÇÃO POLÍTICA entre o Sudão do Sul e do Sudão resvalou para pior em finais de Janeiro quando o Governo de Juba decidiu fechar as torneiras dos campos de petróleo, acusando Cartum de roubar o crude e exigir tarifas absurdas para exportar o petróleo do Sul através das suas infraestruturas. 
Em Fevereiro, negociações sobre os assuntos pendentes pós-independência entre os dois países, mediadas pelo Painel da União Africana, pararam.
Em Março, o ambiente negocial mudou em Adis-Abeba e as equipas de Juba e Cartam chegaram a acordo sobre dois assuntos importantes: princípios de nacionalidade e cidadania e segurança fronteiriça. Políticos da linha dura em Cartum criticaram os acordos – e Juba acusa – boicotaram uma cimeira presidencial que devia ter acontecido a 3 de Abril para os presidentes Salva Kiir e Omar Al Bashir rubricarem os dois documentos e continuar com as negociações sobre o estatuto de Abyei, fronteiras e petróleo.
Em finais de Março, as Forças Armadas Sudanesas (SAF na sigla em inglês) intensificaram os bombardeamentos ao longo da fronteira comum usando artilharia pesada e aviões. O exército do Sudão do Sul (SPLA na sigla em inglês) tomou uma posição de ataque, repeliu as forças SAF para além de Higlig, uma zona-chave rica em petróleo. O Sudão do Sul chama Panthou a Higlig e diz que a área – que produz metade do petróleo do Sudão – lhe pertence.
O Sudão não estava preparado para tão grande humilhação. Normalmente o SPLA tomava uma posição defensiva quando SAF atacava para proteger a integridade territorial do Sul. SAF intensificou os bombardeamentos e o SPLA retomou Higlig-Panthou pela segunda vez em menos de uma semana. O Presidente Kiir disse à Assembleia Nacional que desta vez a ocupação era permanente. A comunidade internacional condenou a invasão, a ONU ameaçou com sanções e dez dias mais tarde Kiir ordenava a retirada ordeira das forças de Higlig-Panthou. Cartum imediatamente anunciou que tinha expulsado o SPLA da zona do petróleo, matando 1.500 soldados.
Entretanto, a 8 de Abril o período de graça para os Sulistas a viverem no Sudão terminou. Mais de 500 mil pessoas têm que obter documentos pessoais e registarem-se como estrangeiros ou deixarem o país. No mesmo dia, o Sudão suspendeu voos diretos entre Cartum e Juba.
Depois da ocupação de Higlig-Panthou, Bashir ordenou a suspensão das negociações com o Sudão do Sul acusando Juba de só entender a linguagem da guerra e prometeu libertar o novo país dos ‘insetos’ do partido dominante. A Assembleia Nacional do Sudão declarou o Sudão do Sul país inimigo.
A meados de Abril, islamistas atacaram e queimaram uma igreja protestante em Cartum usada sobretudo por Sulistas. Em Nyala, a capital do Darfur do Sul, os escritórios da Sudan Aid – a Caritas Sudanesa – e do Conselho das Igrejas do Sudão foram fechados pela segurança nacional, alguns bens incluindo carros confiscados e pelo menos três Sulistas a trabalhar para a Sudan Aid presos. No estado de Gaderef, um seminarista e um catequista católicos foram acusados de apoiarem os rebeldes do SPLM-Norte e presos.
Em finais de Abril, Bashir declarou o estado de emergência ao longo da fronteira com o Sudão do Sul e o Governador do Estado do Nilo Branco deu a mais de 12.000 Sulistas em encalhados em Kosti à espera de transporte por terra ou por rio para o Sudão do Sul uma semana para abandonar a área acusando-os de porem em risco a segurança e o meio ambiente.
No início de Maio, o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma resolução obrigando os dois países a suspenderem os ataques em 48 horas, criarem uma zona de segurança ao longo da fronteira comum numa semana, retomarem as negociações em duas semanas e concluí-las dentro de três meses. Caso contrário, poderão sofrer sanções não militares.
Observadores internacionais estão de acordo que a situação entre o Sudão do Sul e o Sudão atingiu um patamar perigoso e poderá evoluir para guerra total. O Governo do Sudão do Sul está a mobilizar o país para apoiarem o exército com comida, dinheiro e novos recrutas. O Governador de Equatória Oriental prometeu alistar 12 mil jovens. Os estados de Lagos e Warrap também estão a mobilizar jovens para o exército, sobretudo os que estão envolvidos em razias de gado e outras formas de conflitos intertribais.
O Governo do Sudão do Sul aprovou um orçamento de austeridade para conter a falta de dinheiro depois de ter fechado os poços de petróleo que produziam 98 por cento da receita pública do país. Há falta de dólares no mercado e combustíveis e medicamentos começam a faltar. A inflação entre Março de 2011 e de 2012 atingiu quase os 51 por cento.

1 de maio de 2012

FALHA




A África é atravessada de costa a costa por uma zona de altas tensões e abalos sociais que vai da Somália ao Senegal. Não se trata de uma depressão geológica como o Vale de Rift que corre do Jordão, em Israel, ao Lago Niassa, em Moçambique, mas da Falha da Religião onde o Islão e o Cristianismo se encontram e esbarram.
A Somália é território DE todos os excessos desde que Mohamed Siad Barre caiu em 1991. Primeiro foram os Tribunais Islâmicos a opor-se ao Governo Federal Transicional, depois os Al-Shabaab - os Jovens - que desde 2006 movem uma guerra santa contra elementos moderados no país e os vizinhos Uganda, Quénia e Etiópia.
Na Etiópia o Islão cresce e radicaliza-se. A Arábia Saudita está a impor a sua versão do Islão, intolerante e radical, com a ajuda dos petrodólares.
O Sudão perdeu o Sul depois meio século de guerras de devido à intransigência hegemónica da elite árabe e muçulmana que controla o poder em Cartum que impôs a religião, a língua e a lei islâmica às tribos africanas do Sul. 
O Chade, como o Sudão, está dividido entre o norte árabe muçulmano e o sul africano e cristão. Os primeiros três presidentes foram cristãos, mas agora a maioria muçulmana controla o poder.
A Nigéria é palco de constantes ataques do movimento Boko Haram (literalmente educação ocidental proibida) a templos e alvos cristãos provocando retaliações com enormes perdas de vidas e de bens. Há quem ligue o Boko Haram ao Al Qaeda do Magrebe Islâmico.
No Mali, rebeldes tuaregues controlam o norte do país desde Março com a ajuda da Al Qaeda do Magrebe Islâmico e declararam independência. Durante os combates pelo controlo das capitais regionais algumas igrejas foram destruídas. A liderança tuaregue prometeu um governo secular para a República Azawad mas alguns chefes locais aproveitaram o vazio do poder para impor a charia, Lei Islâmica.
Finalmente, o Senegal destoa neste cenário de alta clivagem religiosa: a corrente islâmica do país está ligada aos místicos do Sufismo, tolerante. Os muçulmanos representam 94 por cento da população mas o primeiro presidente foi o católico Leopoldo Senghor.
Nesta zona conturbada por altas tensões religiosas há dois atores a notar: a Al Qaeda e a Arábia Saudita. A primeira impõe uma versão terrorista do Islão e a segunda financia a sua versão puritana e ultraconservadora, o Salafismo, da religião. Ambas atitudes contrastam com o Islão tradicional africano: sincretista, tolerante, de boa vizinhança quer com cristãos quer com religiões tradicionais africanas.

8 de abril de 2012

PÁSCOA


A minha Páscoa não teve amêndoas, mas teve alegria e mangas a rodos.
A vigília pascal – a mãe de todas as vigílias – começou às sete (ainda havia luz) e demorou quase três horas.
O adro da Igreja de São José estava à pinha sob um céu estrelado e refrescado por um ventinho ligeiro que teimava em apagar as velas.
As adolescentes – muitas mesmo – puxavam pelos corpinhos com umas roupinhas novas e mais ousadas.
As entradas do adro eram guardadas por piquetes da polícia de choque – aquela por onde entrei tinha quatro mulheres bem encorpadas e simpáticas. Nada que se compare com os brutamontes masculinos…
As leituras foram feitas em inglês, árabe e bari – as línguas em uso na liturgia da arquidiocese de Juba – e o coro explodiu de alegria ao glória e à aleluia com gritos, ululações, palmas que me causavam arrepios gostosos.
Via a presença de Jesus ressuscitado naqueles rostos compenetrados, sorridentes, orantes da multidão à minha frente.
Eu disse que não tive amêndoas, mas não é bem assim: o FC Porto deu-mas com a vitória difícil sobre o Braga. A vigília acabou a tempo para seguir o jogo na RTP Internacional.
Hoje comecei o dia com um programa de 45 minutos via telemóvel na Rádio Miraya, a estação das Nações Unidas em Juba. A princípio a chamada estava sempre a cortar, mas depois de mudarmos de número correu muito bem.
A apresentadora Aida Khamis queria que eu explicasse o significado da primeira Páscoa no Sudão do Sul independente. Partilhei dois pensamentos fundamentais: o mistério pascal de Jesus revela que Deus tem sempre a última palavra contra o poder do mal e é uma palavra de vitória. Depois, Jesus oferece-nos paz e faz embaixadores da reconciliação: todos os crentes foram enviados a perdoar os pecados, não só padres e bispos. O Sudão do Sul precisa urgentemente de paz e perdão entre as muitas tribos que se guerreiam.
Celebrei a Missa da Ressurreição com a comunidade Nuer que se reúne numa modesta capela ao lado do parlamento: gente aguerrida por natureza, têm uma maneira de cantar e de tocar os tambores muito agressiva. Mas é sempre uma experiência única fazer silêncio e escutar as suas canções e orações numa língua que não conheço.
Depois do almoço – com o tradicional cabrito (aqui chama-se ganamaya) – fui descansar um bocadinho. Fui acordado por uma tempestade de chuva e vento que deixou o chão debaixo dos pés de manga juncado de frutos maduros e gostosos.
Tinha planeado acabar o dia de Páscoa com um mergulho no Nilo Branco, mas a primeira bátega de chuva a sério da estação fez-me mudar de planos. Fico por casa a saborear o doce fazer nada com um livro no regaço.
Votos de Páscoa feliz e cheia da Paz do Ressuscitado para todos! 


PS: o apelo telúrico foi mais forte e acabei por ir nadar nas águas tépidas do Nilo Branco. O livro ficou para a próxima!

7 de abril de 2012

NEGÓCIOS DA CHINA


© Skye Wheeler
A União Africana tem uma nova sede em Adis Abeba, a capital etíope, inaugurada a 28 de Janeiro. O moderno, altaneiro e impressionante complexo de vidro, oferta da China à África, foi projectado e construído por uma companhia estatal chinesa e custou cerca de 200 milhões de euros. Num país e num continente com enormes bolsas de pobreza, não tardaram as criticas. A “prenda” não seria  mais do que o símbolo de uma nova forma de colonialismo económico e da consequente perda de soberania.
A nova sede da União Africana é de facto um monumento à crescente influência económica da China em África: o volume de negócios entre os dois parceiros já ultrapassa os 120 mil milhões de euros por ano – um crescimento exponencial, tendo em conta os cinco mil milhões de 1999. Outro termo de comparação: a China empresta mais dinheiro aos países africanos do que o Banco Mundial. Os líderes africanos – sobretudo de Angola, Nigéria, Sudão, Mauritânia e Botswana – recebem os investidores chineses de braços abertos, porque não fazem perguntas incómodas sobre democracia, corrupção, direitos humanos, questões ambientais, e fornecem ajuda económica, treino militar e armamento sem interferirem nas questões internas. Todos os anos um número relevante de africanos recebe bolsas para estudar nas universidades chinesas.
Os chineses fazem grandes empréstimos a juros baixos, ao mesmo tempo que investem nas infra-estruturas e na construção civil (estradas, pontes, portos, aeroportos, caminhos-de-ferro, barragens, estádios), mas também na indústria extractiva. Como é óbvio, existe uma contrapartida: as matérias-primas (minerais, madeiras, algodão e um terço do petróleo que consome), que alimentam o crescimento económico do gigante asiático. A Safeworld, uma ONG inglesa dedicada à prevenção de conflitos, alerta no seu relatório de Fevereiro que a China está a investir cada vez em zonas de conflito, uma forma de controlar os seus recursos naturais,  dominar as redes de abastecimento e criar novos mercados. Em 2010, havia mais de 2.000 empresas chinesas a investir em África e os chineses a trabalhar no continente são mais de um milhão. O presidente interino da União Africana, Jean Ping, é filho de um comerciante chinês e de uma cidadã do Gabão.
Supostamente, a aposta no continente africano seria vantajosa para ambas as partes. Mas, na realidade, a balança pende para o lado da China, que não só obtém matérias-primas baratas como encontra em África um grande mercado para produtos de qualidade duvidosa. Por outro lado, a criação de postos de trabalho em África é praticamente nula, porque as empresas exportam também mão-de-obra barata, e não hesitam sequer em recorrer a presidiários. De resto, o que constroem nem sempre oferece garantias de qualidade e segurança. Angola que o diga. 

31 de março de 2012

IR. AUGUSTO


O Irmão Augusto Lopeta, decano da Congregação dos Irmãos de São Martinho de Porres, morreu inesperadamente esta manhã depois de uma curta doença.
O Ir. Augusto teve alguns problemas de rins e de pressão arterial e depois apanhou malária e tifo ao mesmo tempo e faleceu esta manhã em Juba.
Andava nos oitenta e era irmão há 56 anos.
O Arcebispo Paolino Lukudu Loro de Juba presidiu à missa exequial.
O presidente da república Salva Kiir Mayardit encontrava-se entre a assembleia que participou na missa de despedida do Ir. Augusto.
O seu corpo foi a enterrar ao fim do dia no cemitério da missão de Rejaf.
O Ir. Augusto pertencia à tribo toposa e gostava de colocar a coroa de penas de avestruz, típica da sua gente em ocasiões de festa. Também tocava uma pequena flauta feita da ponte de um corno de antílope
Era um homem charmoso,  alegre e bem disposto. Saudava-me com bufos de ar na cara à boa maneira toposa.
Está no céu a interceder pela Igreja e pelo Sudão do Sul.

24 de março de 2012

CORRIDA


A corrida das rádios de Juba vista pelo cartoonista do Citizen
South Sudan Radio é a estação do Governo: velha e mal equipada. 
Rádio Bakhita, da arquidiocese de Juba, e Miraya, da operação de paz das Nações Unidas são líderes de audiências em Juba. 
A Bakhita foi começada e desenvolvida por Cecilia Sierra, uma freira comboniana do México que entretanto regressou ao seu país. 
Desde Dezembro, o novo diretor é um leigo sul-sudanês, Albino Takwaro, com longa experiência na gestão de estações FM privadas.
Eu tive um papel ativo durante os primeiros três anos da estação. 
Com a abertura das novas estações da Rede de Rádios Católica, deram-me um espaço próprio para montar a redação central.
Neste momento, faço parte de um painel que faz análise política na concorrência – a Miraya, que em árabe quer dizer espelho. 
Às sextas à tarde, durante 45 minutos passamos em revista a semana política no Sudão do Sul. 

14 de março de 2012

GESTOS


Tenho um carinho grande por este jornal: Não traz nada de especial mas é muito especial.
Passo a explicar.
Ontem fui cobrir uma conferência de imprensa que não chegou a acontecer. Normal em Juba!
Ao sair do recinto dos ministérios, vi um homem idoso a vender jornais. Pedi uma cópia do Citizen, um diário em língua inglesa publicado pelo camarada Nhial Bol em Juba. 
Queria pagar as duas libras sul-sudanesas (€0,50) mas não havia maneira de encontrar a carteira. Tinha-a deixado na redação.
Quis devolver o jornal ao vendedor mas ele fitou-me com um olhar sorridente e disse: «Leva-o!»
Um gesto de bondade a assinalar em Juba!

6 de março de 2012

SOLIDARITY



Asmara-Eritrea: Catholic Cathedral

 The Provincials and Delegates of English Speaking Africa and Mozambique (APDESAM), gathered in Nairobi from the 27 February until the 4 of March, have written a letter to the confreres of Eritrea as sign of solidarity.

LETTER OF SOLIDARITY TO THE CONFRERES OF ERITREA

The Lord said: I have seen how cruelly my people are being treated in Egypt; I have heard them cry out to be rescued from their slave drivers. I know all about their sufferings, and so I have come down to rescue them from the Egyptians (Ex. 3:7-8)

Dear confreres of Eritrea,

Gathered in Nairobi for the annual meeting of APDESAM and listening to the reports about the political and social situation of the countries where we are called to carry out our missionary service, we were struck in a special way by the situation of Eritrea. The cry of the people of Eritrea and of our confreres in this situation of suffering was brought to us by the delegate who challenged us to do something in order to help you in this moment of darkness and deprived of hope for a better future.

We tried to understand your situation although we are very much aware that we can do little to find concrete answers to your cry. We turned to God in prayer and we decided to write this letter to you, conscious that it will bring little relief to all of you. However, following the example of Comboni who looked into the situation of Africa in the light of faith, we are fully convinced that suffering and death will bring new life and resurrection to all of you and to your people. Our short history as Comboni Missionaries shows us also that in the end, after terrible moments of suffering and death, a new era of peace and life in abundance will take place. Life and resurrection will prevail over death and defeat; love will overcome hatred and contempt.
In this moment you are called to feel in your flesh the paschal mystery in its face of defeat, weakness, abandonment and loneliness. We invite you to be together, to keep strong the sense of belonging to a larger family which lives this moment in deep solidarity with you. In similar situations what counts more is not the much you can do or achieve, but simply being present and making common cause with the people of Eritrea.
Fully convinced of the power of prayer, we turn to God, joining your plea for help with the certitude that God is at hand and he is suffering and struggling with you, looking forward to the ending of this terrible situation.
May the intercession of St. Daniel Comboni who gave his life for the regeneration of Africa bring you consolation and hope and an end to your suffering.
We keep you in our friendship and prayer.

The members of the APDESAM,

Julio Ocana, Angelo Giorgetti, Daniele Moschetti, Paul Annis, Jose Luis, Joseph Maina, Sylvester Hategekimana, Dario Balula,  Jeremias Martins, Tesfaye Tadesse, Tesfamariam Ghebrechristos.

4 de março de 2012

PETRÓLEO MALDITO



Exploração de petróleo em Thar Jath (Sudão do Sul) © JVieira

A Nigéria, o país mais populoso de África, parou durante vários dias no princípio do ano, e as relações entre o Sudão e o Sudão do Sul chegaram ao ponto de ruptura algumas semanas mais tarde. Duas histórias a milhas de distância mas com um denominador comum: o petróleo.

A Nigéria é o segundo maior produtor de petróleo em África, depois de Angola. Produz 1.9 milhões de barris de crude por dia, mas precisa de importar 85 por cento dos combustíveis que consome, porque, apesar dos incalculáveis milhares de milhões de dólares que arrecadou com a exploração do ouro negro, nunca construiu as refinarias de que precisa para abastecer a população. Em Janeiro, o governo de Goodluck Jonathan decidiu acabar com o subsídio à gasolina e os preços duplicaram de 75 para 150 nairas (em euros, mais ou menos de 40 para 80 cêntimos). Os sindicatos decretaram uma greve geral que paralisou o país, e ao fim de uma semana o governo teve que baixar o preço para cerca de 100 nairas para restabelecer a tranquilidade.

O petróleo representa a maior fonte de rendimento do Sudão (65 por cento) e do Sudão do Sul (98 por cento). Quando o Sudão do Sul proclamou a independência a 9 de Julho, os governos de Cartum e de Juba ainda não tinham negociado a questão do petróleo. O Sudão perdeu 75 por cento das jazidas, e o Sudão do Sul precisava de utilizar a infra-estrutura dos vizinhos do Norte para colocar o crude no mercado internacional. Juba ofereceu a Cartum uma ajuda económica de mais de dois mil milhões de euros, faseada ao longo de quatro anos para compensar o Sudão pela perda de rendimentos mais 60 cêntimos do euro por cada barril de petróleo que exportasse, mas por seu lado Cartum exigiu 30 euros. Os mediadores da União Africana não conseguiram que as partes chegassem a acordo, e o governo de Cartum começou a confiscar o crude do Sudão do Sul. O governo considerou a situação intolerável e decidiu suspender integralmente a extracção, até chegar a um acordo com o Sudão e construir um oleoduto para Lamu, um porto queniano no Oceano Índico, que por enquanto existe só no papel.

A ONU tem pressionado as partes para chegarem a um acordo e evitarem uma tragédia humanitária de grandes dimensões. O presidente sudanês Omar al Bashir já ameaçou com a guerra e Valerie Amos, a encarregada dos assuntos humanitários da ONU, alertou que, sem o petróleo, o governo do Sul e os seus parceiros não serão capazes de responder às necessidades básicas da população. Sem a extracção de petróleo não há dinheiro para pagar a funcionários ou fornecedores.

Apesar de o petróleo poder ser uma bênção – a Noruega criou um fundo para promover o actual bem-estar social e prevenir o das gerações futuras, na eventualidade de as jazidas virem a esgotar-se – em África tende a ser uma maldição. Angola, Nigéria, Líbia são casos emblemáticos. A indústria petrolífera gera milhões de euros diariamente mas a maioria da população vive em pobreza abjecta, porque a classe política (e militar) controla e canaliza os lucros para as suas contas pessoais. Dois terços dos 160 milhões de nigerianos vive com menos de €1,00 por dia apesar de o país produzir 1.9 milhões de barris de crude diários.

África, onde existem 19 produtores de petróleo, não pode tolerar a perpetuação de práticas de corrupção e nepotismo. Um continente onde coexistem formas extremas de pobreza e de ilegítima riqueza necessita urgentemente de transparência, na prestação pública de contas e na gestão da indústria petrolífera, desde a assinatura dos contratos até à comercialização. E é preciso, igualmente, pôr fim aos desmandos das multinacionais do petróleo, que não só corrompem e pactuam com os corruptos, como contribuem para degradar ainda  mais as condições de vida dos africanos. Porque são as comunidades locais, ou seja quem pouco ou nada beneficia com o negócio, quem sai sempre a perder. Pois estão sujeitas a todo o tipo de arbitrariedades: desde as deslocações em massa, que lhes roubam as suas terras ancestrais, para abrir espaço à instalação dos poços, até aos constantes derrames causados por estruturas mal concebidas, com escassa manutenção e vigilância, responsáveis pela contaminação dos rios, do mar, dos solos e do ar que respiram.

29 de fevereiro de 2012

TOMBE


No domingo fui celebrar à minha comunidade preferida: a capela de São Marcos. Fica junto ao rio a meia dúzia de quilómetros do centro de Juba por uma picada coberta de pés de manga.
A maioria das pessoas da comunidade pertencem à etnia Bari, o grupo maioritário de Juba. Como não falam inglês, comprei o missal Bari e leio partes da missa nessa língua. 
A homilia é em inglês – claro está – e traduzida por um jovem sorridente para a sua língua.
A comunidade é formada na maioria por jovens – sobretudo bonitas moças – e crianças.
Cantam muito bem.
No domingo,  no final da missão, um sultão (chefe tradicional) pediu a palavra. Elogiou o modo como leio o missal Bari – sem gaguejar (deve ser surdo, coitado) – e disse que eu merecia um nome novo:  Tombe, Primogénito! Abuna Joseph Tombe! Sem mais.
Vamos a ver se este padrinho de última hora me vai dar as amêndoas na Páscoa. 
Mas gostei do nome que partilho com o meu amigo Emmanuel Tombe, um dos apresentadores da Rádio Bakhita.

1 de fevereiro de 2012

PULMÃO DA HUMANIDADE

©SAmado

Bento XVI pinta o continente africano, na Exortação Africae Munus (O Serviço da África), com pinceladas rápidas mas expressivos: exalta a coragem e dignidade dos africanos; a sua alegria e capacidade de celebrar a vida; o seu júbilo de viver, radicado numa visão holística que engloba as pessoas, os seus antepassados, as crianças por nascer, todos os seres e toda a criação. O Papa escreve que a África deseja ter confiança em si própria e na sua dignidade, mas sublinha que representa um imenso “pulmão” espiritual para toda uma humanidade que atravessa actualmente uma crise de fé e de esperança.
É evidente que o Papa também aponta o dedo aos males da África. Mas, no essencial, o quadro que traça contrasta profundamente com a África miserabilista e esquelética que alguns meios de comunicação teimam em fazer passar. É caso para dizer: faz mais barulho uma árvore a cair que uma floresta inteira a crescer. Aliás, a visão optimista de Bento XVI é confirmada pela actual realidade económica do continente.
Em Dezembro passado, o jornal britânico The Economist publicou um interessante artigo, intitulado “Um continente com esperança: África cresce”. O articulista frisa que, na última década, seis dos dez países que encabeçam a lista do crescimento económico são africanos, e realça que o continente cresceu de forma mais rápido que a Ásia Oriental, incluindo o Japão. As razões são várias: os recursos naturais geram mais riqueza, a população continua a crescer, a indústria e os serviços desenvolvem-se, e a classe média com maior poder de compra também aumenta.
O despertar do leão africano é também produto do investimento da China, Brasil e Índia – as potências emergentes, protagonistas do que actualmente se chama cooperação Sul-Sul –, e de outros países que também estão a investir na industrialização do continente. Registaram-se entretanto grandes progressos no sector das tecnologias da comunicação: os africanos têm mais de 600 milhões de telemóveis, e usam-nos não só para conversar mas também para fazer transacções comerciais, o que abre perspectivas para novos negócios; por outro lado, mais de dez por cento deste imenso continente está coberto pela internet. Verificaram-se também grandes avanços no campo da saúde, especialmente na luta contra a malária; e graças a soluções simples e baratas, que passam pela distribuição de redes mosquiteiras tratadas com insecticida.
O artigo conclui que o renascimento africano se deve também a alguns progressos em termos da redução dos conflitos, a uma melhor governação e à democratização do ensino. É claro que, nestes aspectos, o cenário continua a não ser o ideal. É impossível ignorar que alguns dos maiores estigmas da África permanecem: a corrupção, a desertificação, a pobreza, a violência. Mas a mensagem de esperança mantém-se, mesmo assim: o continente africano não é só um dos pulmões da Igreja mas também da economia, num período em que o mundo se encontra mergulhado numa profunda crise.
Para continuar a progredir, a África precisa sobretudo de paz e de que a deixem tomar as rédeas do seu destino, ou seja, de assumir o controlo do seu desenvolvimento. Para tal, é preciso que as potências estrangeiras deixem de fomentar conflitos e de vender armas ao desbarato às várias facções em confronto. O que, no fundo, a torna num palco de lutas por procuração pelo controlo e exploração dos seus vastos recursos.

ROSAS DO DESERTO


31 de janeiro de 2012

LIVRES

Dois padres da arquidiocese de Cartum foram libertados ontem à tarde depois de duas semanas de detenção por rebeldes sul-sudaneses.
O bispo auxiliar de Cartum, Dom Daniel Adwok, disse que os padres Joseph Makwey Mathod e Silvestro Mogga estão bem mas precisam de cuidados médicos.
Os dois sacerdotes foram raptados a 14 de Janeiro na paróquia de Kenana, na zona pastoral de Kosti, e levados para Kweik juntamente com dois jipes e alguns haveres da casa paroquial.
Os raptores – rebeldes Shilluk – exigiam 500 mil libras sudanesas – 100 mil euros – para libertar os padres.
Dom Daniel disse que a arquidiocese não pagou nenhum resgate.
Ele explicou que a Igreja apresentou uma queixa-crime contra os sequestradores e a polícia estava a interrogar os dois sacerdotes sobre o rapto e a detenção.
Um mês atrás, um missionário comboniano ugandês foi raptado por um grupo de rebeldes Nuer e libertado dois dias mais tarde juntamente com um casal sudanês.
O governo de Cartum permite que grupos rebeldes do Sudão do Sul operem em impunidade total, sequestrando jovens sulistas das universidades de Cartum para serem treinados como rebeldes ou resgatados por dinheiro pelas famílias. 
Os rebeldes também roubam viaturas com matrículas do Governo do Sudão do Sul levadas para o Sudão durante o período de transição que preparou o referendo de auto-determinação.

22 de janeiro de 2012

Rede de Rádios Católica (CRN), nove estações ao serviço da vida no Sudão do Sul
e Montes Nubas.

20 de janeiro de 2012

PETRÓLEO

O Governo do Sudão do Sul decidiu hoje em conselho de ministros suspender a produção de petróleo depois de mais uma ronda de negociações sem frutos entre os governos de Juba e Cartum em Adis Abeba sobre as tarifas pelo uso da infra-estrutura sudanesa.
O porta-voz do Governo sul-sudanês, Barnaba Marial Benjamim, disse que o gabinete decidiu suspender a produção de petróleo e o processo fica concluído dentro de duas semanas.
Juba e Cartum não se entendem sobre as tarifas que o Sul tem que pagar ao Norte para exportar o crude através do oleoduto que liga os campos petrolíferos nos estados de Unity e Upper Nile ao porto de Port Sudan, no Mar Vermelho.
As negociações estão paradas e as delegações acusam-se mutuamente pelo bloqueio.
Cartum preferia administrar a venda do crude do Sudão do Sul ou cobrar 35 dólares por cada barril exportado enquanto Juba quer pagar 74 cêntimos do dólar por barril – mais próximo das tabelas internacionais – e compensar Cartum com 2.6 mil milhões de dólares pela perda de entradas.
Juba já tinha ameaçado parar com a extração de petróleo, mas parece que desta vez é a sério.
Com um senão: 98% das entradas do governo sulista vêm da venda de petróleo – o ano passado fizeram mais de 3.1 mil milhões de dólares – e agora como vão manter os cofres do estado a funcionar?

16 de janeiro de 2012

NEGOCIAÇÕES

Tharjath (Unity State) – produção de crude ©JVieira


Os Governos de Juba e Cartum começam amanhã em Adis Abeba, a capital etíope, mais uma ronda de negociações sobre assuntos pós-independência numa altura em que as relações bilaterais estão cada vez mais escorregadias devido ao petróleo.
Os delegados dos dois países devem negociar durante uma semana os dossiers difíceis do petróleo, marcação de fronteiras, enclave de Abyei e o estatuto dos sulistas a viver no Sudão depois de uma alta delegação chinesa ter visitado as duas capitais.
Cartum está a exigir a Juba uma taxa de 35 dólares por cada barril de crude que o Sudão do Sul exporte através da sua infra-estrutura: oleoduto e porto de Port Sudan.
Juba, seguindo o conselho do Painel da União Africana, prefere dar uma assistência económica de 2.6 mil milhões de dólares a Cartum para compensar a perda das entradas do petróleo – o Sudão só produz um quarto do petróleo que exportava antes da independência do Sul – e pagar 74 cêntimos do dólar por cada barril. O preço médio mundial ronda os 40 cêntimos.
Na semana passada, o Governo sudanês obrigou uma empresa chinesa a carregar um navio do Sudão com 650 mil barris de crude do Sul no valor de 650 milhões de dólares sem autorização de Juba. Cartum justificou o ato como uma compensação pelas facturas que Juba não tem pagado para exportar o petróleo devido à falta de acordo entre as partes.
O estatuto de 700 mil sulistas a viver em Cartum e arredores é outro assunto a necessitar de um acordo urgente de ambas as partes. A 9 de Abril, termina o período de graça para os Sulistas a viver no Sudão e não se sabe como Cartum vai reagir.
António Guterres, o homem forte da agência da ONU para os refugiados, visitou Juba e Cartum na semana passada e pediu aos dois governos que encontrassem uma solução dignificante para transportar os sulistas que queiram regressar a casa. Atualmente têm sido transportados de barcaça e de comboio e os casos mais delicados de avião.
O Alto-comissário para os Refugiados pediu a Cartum que atribua documentos legais aos sulistas que pretendam ficar no Sudão como nacionais ou emigrantes.
O traçado final das fronteiras também necessita de um acordo rápido. Oitenta por cento dos mais de 2.000 quilómetros já estão negociados, mas as zonas em falta são ricas em petróleo, água, pastagens, ouro e outros minerais e por isso apetecidas e reclamadas por ambas as partes.

12 de janeiro de 2012

NOBEL DA PAZ

©JVieira

O bispo católico El Obeid (Sudão) encontra-se entre os candidatos ao Prémio Nobel da Paz 2012.
Macram Max Gassis foi proposto para o mais alto galardão Nobel pelo deputado centrista José Ribeiro e Castro em reconhecimento pela luta corajosa que o bispo sudanês tem travado contra a descriminação de cristãos no seu país através de um longo testemunho de coerência, tenacidade e coragem.
Dom Macram nasceu em Cartum há 73 anos e é Missionário Comboniano.
Foi nomeado administrador apostólico da diocese de El Obeid em 1983 e bispo em 1988.
Em 1990, Dom Macram seguiu o caminho do exílio depois de o governo de Cartum o ter posto em tribunal no seguimento do seu testemunho no Congresso dos EUA sobre atrocidades cometidas pelo governo sudanês contra o seu povo.
Dom Macram vive desde então em Nairobi, Quénia, e decida-se à assistência pastoral e social de um número de paróquias nos Montes Nuba (do Sudão) e do Estado de Warrap (no Sudão do Sul).
Além de um número de escolas nas duas áreas, o bispo apoia um hospital com 200 camas em Gidel (Montes Nuba) e uma estação de rádio na mesma localidade.

10 de janeiro de 2012

SOLIDARIEDADE

António Guterres com Lise Grande, coordenadora humanitária da ONU © JVieira

O Alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) terminou hoje uma visita de três dias ao Sudão do Sul com um apelo à comunidade internacional para assistir o país mais jovem do mundo com apoio humanitário massivo.
António Guterres esteve três dias No Sudão do Sul para marcar o sexto aniversário da presença da ACNUR na região.
O ex-primeiro ministro português visitou os retornados apinhados no porto de Juba, sob os pés de manga, à espera que as autoridades lhes atribuam uma parcela de terra.
Também vistoriou um campo no norte do país para se inteirar das dificuldades com que os refugiados sudaneses dos estados do South Kordofan e Blue Nile se deparam.
Esta manhã, antes de partir para Cartum para uma ronda de conversações com as autoridades sudanesas sobre o futuro dos cerca de 700 mil sulistas a viver no Sudão e sobre a assistência humanitária aos deslocados da guerra civil, Guterres lançou um apelo à comunidade internacional para que seja solidária com o Sudão do Sul.
O alto-comissário disse que o país tem em mãos uma enorme crise humanitária com cerca de 900 mil pessoas entre refugiados, retornados e descolados internos a necessitarem de ajuda imediata.
Guterres pediu também aos governos de Juba e Cartum para que cooperem em ordem a encontrem uma solução dignificada e que respeite os direitos humanos para transportar as centenas de milhares de sulistas que vivem no Sudão e que querem voltar a casa.
Ele disse que os problemas humanitários requerem soluções políticas.
Guterres louvou as autoridades e as comunidades do Sudão do Sul por terem generosamente acolhido mais de 75 mil refugiados sudaneses nos estados de Unity e Upper Nile apesar das dificuldades com que se debatem.

GUARDADORAS DA ESPERANÇA

— Eu não consigo… não consigo! – repetia sempre Reem, uma jovem beduína palestiniana de 16 anos, sempre que a convidávamos para aprender a u...