4 de julho de 2026

CRIANÇAS BEDUÍNAS DA JUDEIA GOZAM CAMPO DE FÉRIAS


As atividades dos acampamentos de verão nas aldeias beduínas palestinianas começam às oito da manhã. No entanto, hoje, o último dia, as primeiras crianças já lá estavam às 6h45, sentadas na esplanada preparada para a ocasião, sob uma rede sustentada por varas de madeira que fazem um pouco de sombra contra o sol escaldante do deserto da Judeia.

Mal podiam esperar.

Com os olhos cheios de alegria, disseram-nos:

— Hoje vamos ficar aqui o dia todo. Não queremos voltar para casa, porque sabemos que, quando regressarmos, esta experiência tão bonita acabou.

Nessas poucas palavras está resumido o verdadeiro sentido de tudo o que vivemos.

Aqui, a felicidade nasce das coisas mais simples: uma bola, um jogo, uma canção, um sorriso, um abraço. Mas, acima de tudo, nasce da certeza — talvez pouco frequente nas suas vidas — de se sentirem acolhidos, ouvidos e amados.

Na aldeia de Dawar Jaba, muitas crianças, especialmente os rapazes, não frequentam a escola. Outras estão matriculadas, mas as aulas são irregulares e, frequentemente, ministradas apenas online. 

No entanto, as famílias não têm um telemóvel para cada filho. Muitas mães cuidam de seis ou mais crianças e acompanhar as aulas de cada uma torna-se quase impossível.

O nosso acampamento decorre com o barulho das escavadoras nunca param como banda sonora. À nossa volta, continuam a ser construídas novas estradas destinadas aos colonos. Num único dia, chegámos a contar mais de trinta escavadoras a trabalhar na mesma área.

Esta aldeia vive sob pressão constante. As incursões dos colonos são frequentes, o medo acompanha o quotidiano e várias famílias perderam as casas. No entanto, não perderam a esperança. Continuam a viver, a lutar e a acreditar no futuro. 

Também o projeto de bordados para as mulheres continua a ser um pequeno sinal de dignidade, de trabalho e de esperança.

Entre as crianças, há uma cuja casa, construída com blocos de cimento após anos de sacrifício, foi demolida ao amanhecer há uns dias. Aos pais deram apenas cinco minutos para tirar tudo o que pudessem.

E, no entanto, essa criança sorri. Brinca. Corre. E continua a sonhar.

Este ano, três professoras não foram suficientes para animar os acampamentos de verão: no primeiro dia do campo de férias chegaram 110 crianças.

Hoje, o último, é um dia de festa. Cada participante receberá um pequeno presente para levar para casa. Mas o maior deles não cabe numa mochila: permanecerá para sempre no seu coração.

Todas as manhãs repetíamos juntos:

— Sou especial. Faço a diferença. Não estou sozinho. Tenho amigos que me querem. Posso semear a paz.

Palavras simples, mas capazes de criar raízes profundas no coração de uma criança que cresce rodeada de medo, violência e incerteza.

É isso que vocês possibilitam com o vosso apoio e com as vossas orações. Este ano, serão 12 os acampamentos de verão em diferentes aldeias beduínas no deserto da Terra Santa. Ajudam estas crianças a acreditar que a sua vida tem um valor imenso e que o futuro pode ser diferente.

Quando hoje chegou a hora de nos despedirmos, olharam para nós e disseram-nos com uma simplicidade que nos comoveu profundamente:

— Quem me dera que este acampamento pudesse durar pelo menos um mês!

Não podiam ter-nos oferecido um presente maior.

Porque essas palavras dizem-nos que, mesmo em apenas quatro dias, semeámos algo que nenhuma escavadora poderá jamais destruir: a esperança no coração de uma criança.

Ir Cecília Sierra

Missionária Comboniana no Deserto da Judeia

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