– Eu também quero! – Ainda és muito pequena... Mas a menina beduína insistiu… tal como a vida insiste. E conseguiu. Observava as mulheres da sua aldeia a bordar, no deserto, entre Jerusalém e Jericó. O bordado palestiniano é um património rico, e nos seus olhos crescia um anseio: mais tecido, mais linha, mais espaço para sonhar. Começou com pequenos retalhos, mas o seu desejo não cabia neles. Queria pano para fazer uma bolsinha completa, com fecho, com forma, com sentido. E fê-la! Ponto a ponto, com paciência. – A minha mãe ajudou-me com o fecho!, confessa. E pergunta, à procura de aprovação: – Está bonita, não está? Nas suas mãos, aquele pequeno objeto torna-se uma conquista: o seu primeiro ganho! À sua volta, o conflito. Mas as mulheres beduínas bordam com ânsia, aprendem a fazer acabamentos, apoiam-se umas nas outras. Cada ponto traz dignidade, traz pão, traz esperança para a mesa. Rosa aprende com a mãe, e, nesse gesto antigo e vivo, a vida continua a dizer-se: ensinar, ...
— Eu não consigo… não consigo! – repetia sempre Reem, uma jovem beduína palestiniana de 16 anos, sempre que a convidávamos para aprender a usar a máquina de costura. Com esforço e timidez, já tinha dado um primeiro grande passo: aprender a arte do «tatreez», o bordado tradicional palestiniano que aprendeu com as mãos hábeis da sua mãe. Para ela, era um mundo novo: nunca antes tinha segurado uma agulha de bordar entre os dedos. Mas ainda havia outra barreira a ultrapassar: sentar-se diante de uma máquina de costura. E essa barreira parecia intransponível. Ontem chegou sorrindo. Nas mãos trazia as primeiras bolsas bordadas e costuradas por ela própria. Com uma mistura de orgulho e alegria, disse simplesmente: — Já consegui! Aquelas bolsas tinham nascido de muito mais do que o tecido e a linha. Tinham vindo da coragem de superar os seus próprios limites, da decisão de tentar, da ousadia de descobrir capacidades que ela própria não sabia que tinha dentro de si. Pode parece...
Defino-me como missionário por vocação, padre por ordenação e jornalista por profissão. Servi como missionário 20 anos em Portugal, uma dúzia na Etiópia, sete no Sudão do Sul, quatro na Grã-Bretanha e nove meses no México. É através desta espessura de vida que partilho algumas reflexões sobre a missão à luz da Gaudium et spes , a constituição pastoral do Concílio Vaticano II sobre a Igreja no mundo atual, que faz sessenta anos. O Esquema 13 teve um parto difícil, mas devolveu a Igreja ao mundo de que é parte e parceira. É no mundo, é em diálogo com o mundo que a Igreja realiza a sua missão «de manifestar o mistério de Deus» (GS 41). Num mundo em transformação, a Igreja pretende ser também agente transformador. Sal, fermento e luz no dizer de Jesus. Por isso, a Igreja «prega a todos os homens o Evangelho e lhes dispensa os tesouros da graça, contribui para a consolidação da paz em todo o mundo e para estabelecer um sólido fundamento para a fraterna comunidade dos ...
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Foto linda!
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