COSER O FUTURO
– Eu também quero! – Ainda és muito pequena... Mas a menina beduína insistiu… tal como a vida insiste. E conseguiu. Observava as mulheres da sua aldeia a bordar, no deserto, entre Jerusalém e Jericó. O bordado palestiniano é um património rico, e nos seus olhos crescia um anseio: mais tecido, mais linha, mais espaço para sonhar. Começou com pequenos retalhos, mas o seu desejo não cabia neles. Queria pano para fazer uma bolsinha completa, com fecho, com forma, com sentido. E fê-la! Ponto a ponto, com paciência. – A minha mãe ajudou-me com o fecho!, confessa. E pergunta, à procura de aprovação: – Está bonita, não está? Nas suas mãos, aquele pequeno objeto torna-se uma conquista: o seu primeiro ganho! À sua volta, o conflito. Mas as mulheres beduínas bordam com ânsia, aprendem a fazer acabamentos, apoiam-se umas nas outras. Cada ponto traz dignidade, traz pão, traz esperança para a mesa. Rosa aprende com a mãe, e, nesse gesto antigo e vivo, a vida continua a dizer-se: ensinar, ...
















Comentários
Navegando na Blogosfera, descobri o JIRENNA, e aqui estou. Encantada com as imagens lindas de Lisboa, e com os textos maravilhosos e informativos.Também creio, firmemente, que a vida é um verdadeiro milagre, uma aventura fascinante, e que servir é o ponto alto, a verdadeira missão.
Desejo-lhe boas férias.
:)
Socorro Melo