© JVieira
29 de junho de 2010
28 de junho de 2010
VIAGEM
Bairro moderno em Adis-Abeba
Aeroporto Internaconal de Juba: Loja Duty Free © JVieira
A viagem entre Juba e Lisboa correu muito entre voos e compassos de espera com algumas surpresas à mistura.
O aeroporto de Juba já tem em funcionamento máquinas de raio-X para revisar as malas, o que agiliza o check in depois das confusões iniciais devido à falta de experiência na operação das máquinas e gestão de passageiros.
Outra novidade é a loja de duty free prestes a ser inaugurada. É gerida por uma empresa indiana que tem em Juba o supermercado mais bem abastecido e, claro está, o mais caro.
Também fiquei surpreendido com o desenvolvimento na construção de bairros sociais e de estradas e ruas com vias duplas em Adis-Abeba. Quem viu a cidade a cair aos bocados em 1993 e a vê agora vaidosa a mostrar as novas obras!
Tinha que esperar quase oito horas pela ligação para Frankfurt e a empresa aérea foi muito simpática: ofereceu-me um cupão para utilizar um quarto num hotel e jantar. Mas quando me apanhei fora do aeroporto apanhei um táxi e fui visitar os meus colegas para pôr a conversa em dia. Encontrei o padre Joaquim que se está a preparar para integrar uma equipa que vai abrir a segunda missão entre os Gumuz lá para os lados do Sudão.
O voo para a Alemanha passou rapidinho porque depois de uma sandoca e um copo de tinto dormi como um anjinho.
Em Frankfurt a espera foi pequena: pouco menos de três horas. Ao meio dia estava na Portela onde as «primas» de Almada me esperavam.
Foi bonito reencontrar a luminosidade única de Lisboa, uma cidade muito mais limpa e ordenada. Ou é impressão minha depois de três anos em Juba?
A meta final é Cinfães dentro de dois ou três dias depois de tratar de alguns assuntos urgentes.
26 de junho de 2010
25 de junho de 2010
ÁGUA
Nilo Branco ao entardecer © JVieira
O Sudão encontra-se entre os dez estados mais ameaçados pela falta de água apesar de ser atravessado por um dos rios mais caudalosos do mundo, o Nilo.
O alerta vem do estudo «Water Security Risk Índex» que avaliou a segurança da água em 165 países e colocou a Somália, Mauritânia, Sudão e Níger entre as nações de alto risco.
O Índice de Segurança de Água foi desenvolvido pela Maplecroft, uma firma especializada em identificar riscos nas cadeias de abastecimento e operações de multinacionais.
O índice usou sete indicadores para analisar quatro áreas-chave no abastecimento de água, incluindo melhoramentos no abastecimento de água potável e saneamento, disponibilidade de água renovável, dependência de fornecimentos externos e da água das economias.
As dez nações em risco extremo de falta de água incluem Somália, Mauritânia, Sudão, Níger, Iraque, Uzbequistão, Paquistão, Egipto, Turquemenistão e Síria.
O estudo prevê o crescimento de tenções fronteiriças devido aos efeitos das mudanças climáticas nos recursos hídricos em alguns países.
23 de junho de 2010
ESCOLAS CATÓLICAS
Ir. Sandra, comboniana brasileira, ensina na Escola S. Daniel Comboni © JVieira
Ontem, o ministro da Educação do estado apresentou à imprensa os resultados dos exames no final do ensino secundário.
Todos os alunos das escolas secundárias São Daniel Comboni, em Juba, Santa Maria, em Terekeka – ambas católicas, e de Rokon passaram os respectivos exames.
Os resultados dos exames no final do ensino básico foram idênticos: as escolas primárias de S. José e Usratuna, em Juba, e São Tomás, em Mangala, encontravam-se entre os cinco estabelecimentos de ensinos com nota máxima nos exames finais.
Outro dado recorrente dos resultados dos exames é que o ensino privado produz melhores resultados que as escolas públicas.
Os professores do estado são mal pagos e muitas vezes têm salários em atraso, não são profissionalizados. e as condições de trabalho são péssimas.
Diversos organismos eclesiais e civis estão a investir na formação de professores para melhorar a qualidade de ensino na região.
22 de junho de 2010
NOVO GOVERNO
Drª Anne Itto, Ministra designada para as Cooperativas e Desenvolvimento Rural © JVieira
O Presidente do Sul do Sudão, Salva Kiir Mayardit, anunciou ontem o seu novo governo.
O novo elenco governamental conta com 32 ministros, mais oito que o anterior, e inclui sete mulheres e quatro membros da oposição e uma ministra sem pasta.
Os novos ministérios são Paz e Implementação do Acordo Global de Paz; Investimento; Assuntos Humanitários e Gestão de Catástrofes; Desenvolvimento de Recursos Humanos (desmembrado do Mistério do Trabalho e Serviço Público); Educação Superior, Investigação, Ciência e Tecnologia (que fazia parte da pasta da Educação); Cultura e Património (que estava com o Ministério da Juventude e dos Desportos).
Os ministérios-chave dos Assuntos Internos, Exército com o portfólio dos Veteranos, Finanças e Plano, Trabalho e Serviço Público, Agricultura e Género, Criança e Bem-estar Social continuaram nas mesmas mãos.
Algumas curiosidades: os Assuntos Religiosos desapareceram da pasta do Género e do Bem-estar Social; três ministros vieram do Governo de Unidade Nacional após a remodelação deste.
Salva Kiir premiou o bom desempenho dos oficiais do partido durante as eleições promovendo o secretário-geral e a secretária-geral adjunta para o sector do sul a ministros.
Kiir prometeu entregar 30 por cento dos cargos políticos a mulheres mas neste governo ficou aquém da fasquia. As sete mulheres representam cerca de 21 por cento.
Hoje a secretária-geral adjunta para o sector do sul e ministra das cooperativas e desenvolvimento rural disse à imprensa que o novo governo é o gabinete do referendo.
Anne Itto explicou que o executivo tem cinco prioridades: referendo, boa governação, segurança. Segurança alimentar e eficiência administrativa.
Os novos ministros devem tomar posse amanhã.
CAMPEONATO MUNDIAL DE MAPUORDIT
A missão de Mapuordit fica perdida nos matos do estado de Lakes, no sul do Sudão, mas nem por isso deixa de estar em ligação com o campeonato mundial de futebol graças à UNICEF que pagou a ligação da TV satélite e a um programa alargado preparado por uma comissão da paróquia.
O programa tem o título sugestivo de Campeonato Mundial de Mapuordit: a Justiça e a paz têm que prevalecer e engloba palestras, concursos e – claro – alguns jogos de futebol, além do visionamento diário dos dois jogos do cardápio da FIFA!
O padre Daniel Moscetti, comboniano italiano e pároco da missão de Mapuordit, e coordenador da iniciativa explicou-me através de uma mensagem de correio electrónico que o Campeonato Mundial é uma sucessão de eventos ligados ao torneio da África do Sul envolvendo toda a comunidade de Mapuordit e das redondezas.
O programa começou no início de Junho com uma série de 20 conferências-debates sobre temas relacionados com a justiça e paz, reconciliação, solidariedade, valores que unem as diversas nações e tribos do mundo. A SIDA e o ambiente também fazem parte das discussões.
Os temos visam abrir a comunidade ao diálogo, partilha e reflexão. Atitudes bem pertinentes para uma zona do Sudão marcada por lutas inter-tribais à volta do roubo de gado e banditismo.
Os mais de 1700 alunos das escolas primárias, secundária e de enfermagem de Mapuordit vão disputar a Taça do Conhecimento. Trinta e duas equipas de cinco alunos, incluindo o capitão, vão estudar a história, geografia, economia, tradições e outros aspectos dos 32 países a disputar o campeonato do mundo na Africa do Sul para depois responderem a uma série de 10 perguntas duas equipas de cada vez. Quem ganha passa à fase seguinte até os dois melhores conjuntos chegarem à final!
Os professores também vão ter a sua competição: uma equipa de 12 elementos da primária e outra da secundária vão medir conhecimentos sobre a África do Sul, o país anfitrião do mundial, e a Nigéria.
O programa do Campeonato Mundial fecha a 11 de Julho com jogos de futebol envolvendo equipas masculinas e femininas.
O programa tem o título sugestivo de Campeonato Mundial de Mapuordit: a Justiça e a paz têm que prevalecer e engloba palestras, concursos e – claro – alguns jogos de futebol, além do visionamento diário dos dois jogos do cardápio da FIFA!
O padre Daniel Moscetti, comboniano italiano e pároco da missão de Mapuordit, e coordenador da iniciativa explicou-me através de uma mensagem de correio electrónico que o Campeonato Mundial é uma sucessão de eventos ligados ao torneio da África do Sul envolvendo toda a comunidade de Mapuordit e das redondezas.
O programa começou no início de Junho com uma série de 20 conferências-debates sobre temas relacionados com a justiça e paz, reconciliação, solidariedade, valores que unem as diversas nações e tribos do mundo. A SIDA e o ambiente também fazem parte das discussões.
Os temos visam abrir a comunidade ao diálogo, partilha e reflexão. Atitudes bem pertinentes para uma zona do Sudão marcada por lutas inter-tribais à volta do roubo de gado e banditismo.
Os mais de 1700 alunos das escolas primárias, secundária e de enfermagem de Mapuordit vão disputar a Taça do Conhecimento. Trinta e duas equipas de cinco alunos, incluindo o capitão, vão estudar a história, geografia, economia, tradições e outros aspectos dos 32 países a disputar o campeonato do mundo na Africa do Sul para depois responderem a uma série de 10 perguntas duas equipas de cada vez. Quem ganha passa à fase seguinte até os dois melhores conjuntos chegarem à final!
Os professores também vão ter a sua competição: uma equipa de 12 elementos da primária e outra da secundária vão medir conhecimentos sobre a África do Sul, o país anfitrião do mundial, e a Nigéria.
O programa do Campeonato Mundial fecha a 11 de Julho com jogos de futebol envolvendo equipas masculinas e femininas.
19 de junho de 2010
PARABÉNS
A Rádio Emmanuel completa hoje um ano de emissões em Torit, a capital de Equatória Oriental.
Foi a terceira estação da Cadeia Católica de Rádios do Sudão a funcionar, depois da Bakhita em Juba e da Voz da Paz em Guidel.
A estação tem uma equipa dinâmica de jornalistas e apresentadores do Sudão, Uganda e Quénia e é liderada pelo padre Santino Lounoi e transmite em cinco línguas.
Uma das novidades foi a preparação de uma rede de correspondentes de diversas partes da diocese.
A estação envia todos os dias uma ou duas peças de notícias para a redacção central da cadeia. As notícias são representativas do que se passa num estado periférico do sul do Sudão.
O padre Santino disse numa nota que escreveu à imprensa que a rádio comunitária pretende trazer paz e desenvolvimento a uma região marcada pelo conflito e pelo atraso.
A diocese planeia montar uma rede de repetidores para a Rádio Emmanuel cobrir o estado.
18 de junho de 2010
SARAMAGO
José Saramago faleceu hoje em terras de Espanha aos 87 anos.
Personalidade multifacetada e polémica, vai ser celebrado de muitas e diferentes maneiras.
Eu recordo-o como o escritor que me surpreendia ao virar da frase. Um contador de estórias exuberante, criativo e imprevisível. Provocador...
Devorei os seus romances todos. Das outras obras não li nada excepto a autobiografia da infância.
Evoco a ternura de Blimunda e Baltazar, as descrições épicas da construção de convento de Mafra, a ficção da passarola no Cerco de Lisboa, a deriva da Península Ibérica, o país dos cegos e da morte adiada, as deambulações e tribulações do Elefante Solimão, as questões teológicas de Caim… Para citar alguns.
Só me custou a ler Todos os Nomes. Acabei-o mais por teimosia que por gosto.
Estou convencido de que apesar dos conflitos teológicos e polémicas religiosas Saramago está no abraço acolhedor e-terno de Deus.
Paz a ele!...
16 de junho de 2010
POBREZA
Aldeia de Unity State © JVieira
O estudo indica que mais de metade da população do Sul do Sudão vive com 73 libras sudanesas por mês, qualquer coisa como 26 euros ou seja cerca 86 cêntimos por dia.
Os mais pobres gastam em média menos de 39 libras, uns 14 euros por mês, que chega a 50 cêntimos por dia, enquanto os mais ricos rodam as163 libras, equivalente a 57 euros, quase dois euros por dia.
A nível de regiões, o Grande Bahr el Ghazal é a zona mais pobre com 61,6 por cento a viver abaixo do nível da pobreza enquanto que o Upper Nile regista o índice mais baixo de incidência da pobreza (25,7 por cento da população).
O estado de Bahr el Ghazal do Norte é o que regista maior percentagem de pobres (75,6 por cento), seguido de Unity (68,4 por cento), o maior produtor de petróleo no Sul. O ouro negro é mais maldição que bênção para os locais.
O número de pobres é dez vezes superior ao dos ricos e quase 80 por cento to do dinheiro é gasto em comida – o documento revela que os Sulistas alimentam-se sobretudo de cereais – enquanto que cerca de um por cento do dinheiro disponível é usado na educação e quatro na saúde.
Além dos cereais e pão – que representam metade dos alimentos utilizados – os sulistas consomem legumes (12 por cento), peixe e carne (cerca de oito por cento cada). A dieta é muito pobre em fruta, açúcar, café, chá, leite, ovos, óleos e gorduras.
13 de junho de 2010
ORAÇÃO DE JESUS
© JVieira
Senta-te em silêncio e isolado, baixa a cabeça, fecha os olhos, respira silenciosamente, imagina-te a olhar para dentro do teu próprio coração e faz com que o teu raciocínio, isto é, o tu pensamento passe da cabeça para o coração. Ao respirares diz «Senhor Jesus Cristo, tende piedade de mim», mexendo os lábios silenciosamente ou apenas em pensamento. Esforça-te por afugentares os pensamentos, não te impacientes e repete cada vez mais este exercício.
Da Filocalia
em Relatos de um Peregrino Russo ao seu Pai Espiritual
em Relatos de um Peregrino Russo ao seu Pai Espiritual
12 de junho de 2010
LINHA
© JVieira
As autoridades mandaram pintar uma linha contínua excepto nos entroncamentos nas duas vias principais de Juba para tentar disciplinar o tráfego. Mas poucos respeitam a linha. Acho até que muitos nem sabem sequer o significado do traçado amarelo. Até porque normalmente a linha divisória das faixas de rodagem é branca.Entretanto, na tentativa de limitar a sinistralidade rodoviária, o Ministério dos Assuntos Internos iniciou uma campanha com os motoqueiros de Juba para aprenderam as regras de tráfico e começar a usar capacete.
REFLEXOS
Rodopio
e as cores
rodopiam comigo
nesta dança
sem fim
procuro-me
e não me encontro
perco-me
e deslumbro-me
nas cores...
e danço
no ocaso
quando os reflexos
a dourado e azul
serpenteiam
as águas calmas
e serenas
da minha inquietude...
10 de junho de 2010
REFERENDO
A contagem decrescente para o referendo sobre a autonomia do sul do Sudão começou ontem com uma procissão de mais de cinco quilómetros entre o estádio de Juba e o mausoléu do Dr. John Garang.
O evento foi organizado pela Liga da Juventude, deputados da Assembleia do Sul do Sudão e diversos grupos da sociedade civil sobre o lema «Separação Sim, União Não.»
O Acordo Global de Paz (CPA na sigla em inglês) assinado em 2005 no Quénia entre o SPLM (o Movimento de Libertação do Povo do Sudão, o braço político do SPLA, o exercito) e o governo de Cartum diz que até 9 de Janeiro de 2011 os sudaneses do sul devem escolher entre a independência e a união com o norte enquanto que noutra consulta os habitantes de Abyei escolhem entre pertencer ao Norte ou ao Sul.
Só faltam sete meses para o fim do período interino e ainda não há comissões dos referendos nem a fronteira entre o norte e o sul está acabada. Oitenta por cento estão demarcados mas as áreas quentes dos campos de petróleo, das pastagens e rios e de ouro ainda estão em disputa.
O Acordo de Paz diz que o referendo é um meio entre outros para o povo do sul determinar o seu futuro. Numa conferência de imprensa perguntei ao secretário-geral do SPLM, Pagan Amum, quais eram os meios «alia», a palavra latina no CPA para designar entre outros. Respondeu que se os governos de Cartum e de Juba não se entenderem sobre o modo como organizar a consulta popular, a comunidade internacional liderada pela ONU pode-se encarregar de organizar o processo. Ou então a Assembleia Legislativa do Sul do Sudão proclama uma declaração unilateral de independência. O Sudão ganhou a autonomia do consórcio Anglo-Egípcio através de uma proclamação do parlamento de Cartum embora o Acordo do Cairo falasse de referendo.
O sentido geral é que o sim à independência vai ganhar se 60 por cento dos votantes inscritos participarem no referendo.
Para depois fica a discussão da partilha do petróleo – mais de 80 por cento do crude exportado pelo Sudão vem dos poços do Sul –, o pagamento da dívida externa, o conceito de nacionalidade entre outros assuntos pendentes.
Os mais pessimistas acham que isto vai dar um estoiro de todo o tamanho e a guerra vai voltar porque o Norte não vai abrir mão do petróleo por dá cá aquela palha. Na semana passada o Presidente Omar Hassan al-Bashir deixou um aviso à navegação quando disse que a fronteira norte-sul pode ser um foco de conflito como aconteceu entre a Etiópia e a Eritreia e a Índia e o Paquistão para logo depois jurar respeitar a escolha – qualquer que for – dos sulistas.
A ONU prometeu numa entrevista à cadeia católica de rádios do Sudão apoiar o referendo e ter um papel muito mais activo a nível local do que o que teve nas eleições.
Hoje mesmo, Salva Kiir Mayardit chegou do Quénia onde se encontrou com o vice-presidente americano Joe Biden para discutirem o referendo. O porta-voz do governo do Sul disse que a administraçao americana pormeteu assistência técnica e económica ao referendo.
O secretário-geral do SPLM disse num jantar que pagou à comuicação social num dos restaurantes mais caros de Juba na semana passada que vai ter que ser a sociedade civil a promover tanto o sim como o não no referendo, porque o Governo tem que ser imparcial e defender que o acto aconteça dentro do tempo previsto pelo CPA.
O secretário-geral do SPLM disse num jantar que pagou à comuicação social num dos restaurantes mais caros de Juba na semana passada que vai ter que ser a sociedade civil a promover tanto o sim como o não no referendo, porque o Governo tem que ser imparcial e defender que o acto aconteça dentro do tempo previsto pelo CPA.
E o Presidente Kiir continua a repetir que o referendo tem que ser feito a 9 de Janeiro.
9 de junho de 2010
LIVRES
Onze jornalistas das estações públicas da rádio e televisão do sul do Sudão foram libertados ontem depois de 16 de interrogatórios pelo pessoal da segurança nacional em Juba.
Uma jornalista minha amiga disse que o processo foi entregue ao ministério dos assuntos internos e que os jornalistas foram acusados de sabotagem.
Os jornalistas entraram em greve a 19 de Maio para tentarem recuperar o subsídio de habitação referente a 2009 que o ministério da informação nunca pagou.
A 21 de Maio, algumas horas antes de Salva Kiir Mayardit ser empossado como o primeiro presidente eleito do Sudão, 15 jornalistas em greve foram detidos nas instalações da rádio e da TV: nove homens e seis mulheres.
Três mulheres e um homem foram entretanto postos em liberdade.
Agora aguardam que o ministro dos assuntos internos estude os relatórios enviados pela secreta e decida o que fazer com cada jornalista.
A minha amiga disse que apesar da detenção ter sido longa foram bem tratados. Não houve torturas nem abusos. Os rapazes dormiam nas celas enquanto que as jovens tinham camas à disposição.
Uma jornalista minha amiga disse que o processo foi entregue ao ministério dos assuntos internos e que os jornalistas foram acusados de sabotagem.
Os jornalistas entraram em greve a 19 de Maio para tentarem recuperar o subsídio de habitação referente a 2009 que o ministério da informação nunca pagou.
A 21 de Maio, algumas horas antes de Salva Kiir Mayardit ser empossado como o primeiro presidente eleito do Sudão, 15 jornalistas em greve foram detidos nas instalações da rádio e da TV: nove homens e seis mulheres.
Três mulheres e um homem foram entretanto postos em liberdade.
Agora aguardam que o ministro dos assuntos internos estude os relatórios enviados pela secreta e decida o que fazer com cada jornalista.
A minha amiga disse que apesar da detenção ter sido longa foram bem tratados. Não houve torturas nem abusos. Os rapazes dormiam nas celas enquanto que as jovens tinham camas à disposição.
6 de junho de 2010
RIO


Hoje levantei-me cedinho para andar no rio.
Uma amiga minha comprou um caiaque insuflável de dois lugares e convidou-me para um passeio rio abaixo, porque quando tentamos ir rio acima, demo-nos conta que não era assim tão fácil!
Foi uma experiência maravilhosa. O Sol ainda não queimava muito e a corrente do Nilo Branco ajudava muito.
Entrámos no rio usando o cais do último hotel, perto da ponte de Juba.
O Nilo Branco recebeu-nos tranquilo, acolhedor – tem alguns redemoinhos mas era agradável remar por eles fora.
Depois entrámos no canal que separa a ilha de Gondokoro de Juba, um trecho cheio de pássaros chilreantes, pés de manga frondosos, gente a banhar-se ou a pescar.
Uma hora de paz e tranquilidade a desfrutar a natureza que nos abraçava com beleza.
Para a semana vamos entrar no rio uns 10 quilómetros a Oeste de Juba, em Rejaf, porque o itinerário de hoje deixou o sabor a pouco!
Ah! Hoje eu e mais cinco colegas fazemos 29 anos de vida comboniana! Estamos velhos!!! Mas agradeço a Deus cada minuto que tenho vivido, cada experiência que tenho passado e sobretudo cada pessoa que tenho encontrado!
Uma amiga minha comprou um caiaque insuflável de dois lugares e convidou-me para um passeio rio abaixo, porque quando tentamos ir rio acima, demo-nos conta que não era assim tão fácil!
Foi uma experiência maravilhosa. O Sol ainda não queimava muito e a corrente do Nilo Branco ajudava muito.
Entrámos no rio usando o cais do último hotel, perto da ponte de Juba.
O Nilo Branco recebeu-nos tranquilo, acolhedor – tem alguns redemoinhos mas era agradável remar por eles fora.
Depois entrámos no canal que separa a ilha de Gondokoro de Juba, um trecho cheio de pássaros chilreantes, pés de manga frondosos, gente a banhar-se ou a pescar.
Uma hora de paz e tranquilidade a desfrutar a natureza que nos abraçava com beleza.
Para a semana vamos entrar no rio uns 10 quilómetros a Oeste de Juba, em Rejaf, porque o itinerário de hoje deixou o sabor a pouco!
Ah! Hoje eu e mais cinco colegas fazemos 29 anos de vida comboniana! Estamos velhos!!! Mas agradeço a Deus cada minuto que tenho vivido, cada experiência que tenho passado e sobretudo cada pessoa que tenho encontrado!
30 de maio de 2010
SURRENDER
The great thing about God’s love is that it’s not determined by the object. God does not love us because we are good. God loves us because God is good. It takes our whole lives for that to sink in because that’s not how human love operates.
Human love is largely determined by the attractiveness of the object.
When someone is loveable, nice, good, and attractive physically or in terms of their personality, we find it much easier to give ourselves to them. That’s the way humans operate outside of the economy of grace.
Divine love is a love that operates in a quite unqualified way without making distinctions between persons and without following my personal preferences.
We almost don’t have an outlet in our head to receive that notion! Divine love is received by surrender, which is why the mystics use that word a lot also.
Human love is largely determined by the attractiveness of the object.
When someone is loveable, nice, good, and attractive physically or in terms of their personality, we find it much easier to give ourselves to them. That’s the way humans operate outside of the economy of grace.
Divine love is a love that operates in a quite unqualified way without making distinctions between persons and without following my personal preferences.
We almost don’t have an outlet in our head to receive that notion! Divine love is received by surrender, which is why the mystics use that word a lot also.
Richard Rohr IN Following the Mystics through the Narrow Gate
28 de maio de 2010
DETIDOS
Nove jornalistas da rádio e televisão públicas do Sul do Sudão encontram-se detidos sem culpa formada há oito dias no edifício da Segurança Nacional em Juba.
Os detidos fazem parte de um grupo de 12 profissionais da informação pública que a segurança deteve na sexta-feira passada.
Os jornalistas estavam em greve de zelo desde a quarta-feira feira para reivindicar o subsídio de habitação referente a 2009.
Três mulheres, duas mães e uma doente, foram entretanto postas em liberdade e contaram como foram humilhadas pelas forças de segurança.
Uma associação de jornalismo e a missão da ONU no Sudão estão a tentar negociar a libertação dos detidos sem causa formada, mas parece que o ministério da Informação quer fazer deles bodes expiatórios.
O dinheiro parece que sumiu – ou para pagar o canal satélite ocupado pela SSTV, o canal televisivo do Sul, como diz o ministério, ou repartido por uns tantos como acusam os jornalistas.
Mais um prego no caixão da liberdade de informação. Infelizmente, o Sul parece destinado a copiar as coisas piores do norte.
Os detidos fazem parte de um grupo de 12 profissionais da informação pública que a segurança deteve na sexta-feira passada.
Os jornalistas estavam em greve de zelo desde a quarta-feira feira para reivindicar o subsídio de habitação referente a 2009.
Três mulheres, duas mães e uma doente, foram entretanto postas em liberdade e contaram como foram humilhadas pelas forças de segurança.
Uma associação de jornalismo e a missão da ONU no Sudão estão a tentar negociar a libertação dos detidos sem causa formada, mas parece que o ministério da Informação quer fazer deles bodes expiatórios.
O dinheiro parece que sumiu – ou para pagar o canal satélite ocupado pela SSTV, o canal televisivo do Sul, como diz o ministério, ou repartido por uns tantos como acusam os jornalistas.
Mais um prego no caixão da liberdade de informação. Infelizmente, o Sul parece destinado a copiar as coisas piores do norte.
25 de maio de 2010
RELATIONSHIPS
It is true that relationships are a whole lot messier than rules, but rules will never give you answers to the deep questions of the heart, and they will never love you.
WM. Paul Young in The Shack
22 de maio de 2010
FESTA



Hoje quando vim para o almoço tinha uma surpresa agradável à espera: o vizinho Salva Kiir Mayardit ia celebrar o inicio do seu segundo mandato como presidente do Sul do Sudão e convidou o pessoal da Casa Comboni para ir à festa.
O P. Onésimo Kenyi abriu as celebrações com um momento de oração. Depois foram os discursos e a janta – VIPs na casa do presidente e outros convidados no terraço – e depois música e dança.
Nós fizemos parte dos VIPs e tive oportunidade de cumprimentar Angelina Teny, candidata independente a governador de Unity que entrevistei durante a campanha quando fui celebrar a Páscoa a Leer, o ministro da Agricultura – que era ministro da Informação quando cheguei, outras individualidades, e, claro, o presidente.
Quando cumprimentei a Mamã Angelina, o marido – é o vice presidente do Governo do Sul do Sudão – perguntou para quem trabalhava. O Ministro da Agricultura respondeu que eu era o director de Bakhita! Eu disse que era o director de informação, que a directora era a irmã. «E tu trabalhas debaixo de uma mulher» - foi o comentário pronto do ministro que depois foi cumprimentar a Ir. Cecília.
Ah! Entre os convidados estava também o ministro da Informação, Paul Mayom, que fez uma cara de enjoada quando a irmã Cecília o cumprimentou.
No fim da janta – por sinal bem gostosa e regada com um bom vinho tinto francês –, ainda houve tempo para uns passos de dança com o povão que se divertia à maneira.
Um final cinco estrelas para uma semana levada da breca: os dois jornalistas que trabalham comigo estavam «fora de acção» – ele a fazer os exames na Católica e ela em Cartum num seminário depois de uns dias no Uganda para exames médicos – e o trabalho sobrou para mim.
Mas as férias vêm aí! Urra…
O P. Onésimo Kenyi abriu as celebrações com um momento de oração. Depois foram os discursos e a janta – VIPs na casa do presidente e outros convidados no terraço – e depois música e dança.
Nós fizemos parte dos VIPs e tive oportunidade de cumprimentar Angelina Teny, candidata independente a governador de Unity que entrevistei durante a campanha quando fui celebrar a Páscoa a Leer, o ministro da Agricultura – que era ministro da Informação quando cheguei, outras individualidades, e, claro, o presidente.
Quando cumprimentei a Mamã Angelina, o marido – é o vice presidente do Governo do Sul do Sudão – perguntou para quem trabalhava. O Ministro da Agricultura respondeu que eu era o director de Bakhita! Eu disse que era o director de informação, que a directora era a irmã. «E tu trabalhas debaixo de uma mulher» - foi o comentário pronto do ministro que depois foi cumprimentar a Ir. Cecília.
Ah! Entre os convidados estava também o ministro da Informação, Paul Mayom, que fez uma cara de enjoada quando a irmã Cecília o cumprimentou.
No fim da janta – por sinal bem gostosa e regada com um bom vinho tinto francês –, ainda houve tempo para uns passos de dança com o povão que se divertia à maneira.
Um final cinco estrelas para uma semana levada da breca: os dois jornalistas que trabalham comigo estavam «fora de acção» – ele a fazer os exames na Católica e ela em Cartum num seminário depois de uns dias no Uganda para exames médicos – e o trabalho sobrou para mim.
Mas as férias vêm aí! Urra…
21 de maio de 2010
PRESIDENTE


© JVieira
Salva Kiir Mayardit prestou hoje juramento como primeiro presidente eleito do Sul do Sudão depois de ter conquistado 93 por cento dos votos nas eleições de Abril.
O momento histórico foi presenciado por uma enorme multidão no Mausoléu de John Garang, em Juba, e marcado por manifestações de grande júbilo e um forte – e desnecessário – dispositivo de segurança.
James Wani Igga, presidente da Assembleia Legislativa do Sul do Sudão, presidiu à cerimónia que marcou o início do mandato de Kiir.
O evento abriu com orações oferecidas por um bispo anglicano sudanês e por um xeque muçulmano.
O presidente do Uganda, Yoweri Museveni, o vice presidente queniano Stephene Kalonzo Musyoka e o ex-presidente Daniel arap Moi, e o vice-presidente do Sudão, Ali Osman Taha, membros do corpo diplomático sediados em Juba estavam entre os muitos dignitários que participaram na inauguração do mandato do Presidente Kiir.
O novo presidente apresentou um programa de governo de 11 «objectivos cardinais e princípis essenciais» com a agricultura à cabeça e a unidade nacional a fechar.
Kiir prometeu investir dinheiros do petróleo na transformação rural depois de reconhecer que os resultados do sector nos últimos cinco anos foram mínimos.
Educação e saúde são outros objectivos. O Governo deve trabalhar para reduzir os índices de mortalidade infantil e maternal durante e depois do parto.
O governo vai continuar com campanhas de desarmamento forçado para estabelecer segurança e paz no sul do Sudão. Kiir disse que os militares já confiscaram mãos de 22 mil armas ilegais.
Nas questões da mulher, Kiir prometeu elevar de 25 para 30 por cento a participação feminina em cargos políticos, incluindo ministras, secretárias de estados e directoras gerais.
O governo quer promover a reconciliação através de um diálogo sul-sul para manter a região unida.
A protecção do meio ambiente também aparece nas prioridades do governo para os próximos cinco anos.
A prioridade das prioridades vai ser a preparação e realização do referendo sobre a auto-determinação do Sul do Sudão com a possibilidade da independência no horizonte.
O momento histórico foi presenciado por uma enorme multidão no Mausoléu de John Garang, em Juba, e marcado por manifestações de grande júbilo e um forte – e desnecessário – dispositivo de segurança.
James Wani Igga, presidente da Assembleia Legislativa do Sul do Sudão, presidiu à cerimónia que marcou o início do mandato de Kiir.
O evento abriu com orações oferecidas por um bispo anglicano sudanês e por um xeque muçulmano.
O presidente do Uganda, Yoweri Museveni, o vice presidente queniano Stephene Kalonzo Musyoka e o ex-presidente Daniel arap Moi, e o vice-presidente do Sudão, Ali Osman Taha, membros do corpo diplomático sediados em Juba estavam entre os muitos dignitários que participaram na inauguração do mandato do Presidente Kiir.
O novo presidente apresentou um programa de governo de 11 «objectivos cardinais e princípis essenciais» com a agricultura à cabeça e a unidade nacional a fechar.
Kiir prometeu investir dinheiros do petróleo na transformação rural depois de reconhecer que os resultados do sector nos últimos cinco anos foram mínimos.
Educação e saúde são outros objectivos. O Governo deve trabalhar para reduzir os índices de mortalidade infantil e maternal durante e depois do parto.
O governo vai continuar com campanhas de desarmamento forçado para estabelecer segurança e paz no sul do Sudão. Kiir disse que os militares já confiscaram mãos de 22 mil armas ilegais.
Nas questões da mulher, Kiir prometeu elevar de 25 para 30 por cento a participação feminina em cargos políticos, incluindo ministras, secretárias de estados e directoras gerais.
O governo quer promover a reconciliação através de um diálogo sul-sul para manter a região unida.
A protecção do meio ambiente também aparece nas prioridades do governo para os próximos cinco anos.
A prioridade das prioridades vai ser a preparação e realização do referendo sobre a auto-determinação do Sul do Sudão com a possibilidade da independência no horizonte.
19 de maio de 2010
AMEAÇA
O Ministro da Informação do Governo do Sul do Sudão ameaçou fechar duas rádios privadas por motivos diferentes.
Paul Mayom acusou a Miraya FM de instigar à violência por ter passado uma entrevista que fez via telefone satélite ao general Deorge Athor que se amotinou com uma centena de soldados depois de ter perdido as eleições para governador de Jonglei.
O Ministro deu uma semana à rádio da ONU para pedirem desculpa ao povo do Sul do Sudão e mandarem para a rua os jornalistas implicados no suposto delito.
Na mesma altura o Dr. Mayom avisou a católica Bakhita FM de cingir a sua programação a matérias religiosas ou revoga a licença de transmissão.
Esta tarde, quando a jornalista da Reuters no Sul do Sudão, Skye Wheeler notou ao ministro que as duas rádios eram privadas, o Dr. Mayom perdeu as estribeira e aos gritos afirmou «privadas uma carapuça, quem manda é o Governo.»
O meu amigo Nhial Bol, director e proprietário do diário «The Ciziten» disse-me numa entrevista que o governo do Sul do Sudão estava a seguir o processo eritreu e depois de ganhar as eleições iria meter a «rolha» à comunicação social!
Parece que os acontecimentos estão a dar razão ao Nhial.
Miraya e Bakhita são duas rádios privadas com boas audiências deixando a milhas a rádio do governo. E o senhor ministro como não as consegue controlar, quer amordaçá-las.
No caso da Bakhita a pretensão do Dr. Mayom é no mínimo caricata. O projecto de lei sobre a comunicação do Sul do Sudão prevê dois tipos de rádios: públicas e privadas. As privadas estão subdivididas em comerciais e comunitárias. A lei não consagra as rádios religiosas. Mas o ministro quer limitar a programação da Bakhita a assuntos religiosos numa clara violação da liberdade de informação.
O Dr. Mayom é um advogado, mas deve andar muito esquecido das normas jurídicas que regem a comunicação social.
Mais: arvora-se o direito de fechar as rádios com o argumento de ser o governo quem dá as licenças. Uma meia verdade porque o governo atribui a frequência de emissão. A licença, essa é dada pelo governo estadual cada ano.
O Ministro continua a acusar Miraya e Bakhita de ultrapassarem o seu mandato. Tenho a impressão que quem ultrapassa o mandato é o ministro que se comporta como um déspota da comunicação social!
Paul Mayom acusou a Miraya FM de instigar à violência por ter passado uma entrevista que fez via telefone satélite ao general Deorge Athor que se amotinou com uma centena de soldados depois de ter perdido as eleições para governador de Jonglei.
O Ministro deu uma semana à rádio da ONU para pedirem desculpa ao povo do Sul do Sudão e mandarem para a rua os jornalistas implicados no suposto delito.
Na mesma altura o Dr. Mayom avisou a católica Bakhita FM de cingir a sua programação a matérias religiosas ou revoga a licença de transmissão.
Esta tarde, quando a jornalista da Reuters no Sul do Sudão, Skye Wheeler notou ao ministro que as duas rádios eram privadas, o Dr. Mayom perdeu as estribeira e aos gritos afirmou «privadas uma carapuça, quem manda é o Governo.»
O meu amigo Nhial Bol, director e proprietário do diário «The Ciziten» disse-me numa entrevista que o governo do Sul do Sudão estava a seguir o processo eritreu e depois de ganhar as eleições iria meter a «rolha» à comunicação social!
Parece que os acontecimentos estão a dar razão ao Nhial.
Miraya e Bakhita são duas rádios privadas com boas audiências deixando a milhas a rádio do governo. E o senhor ministro como não as consegue controlar, quer amordaçá-las.
No caso da Bakhita a pretensão do Dr. Mayom é no mínimo caricata. O projecto de lei sobre a comunicação do Sul do Sudão prevê dois tipos de rádios: públicas e privadas. As privadas estão subdivididas em comerciais e comunitárias. A lei não consagra as rádios religiosas. Mas o ministro quer limitar a programação da Bakhita a assuntos religiosos numa clara violação da liberdade de informação.
O Dr. Mayom é um advogado, mas deve andar muito esquecido das normas jurídicas que regem a comunicação social.
Mais: arvora-se o direito de fechar as rádios com o argumento de ser o governo quem dá as licenças. Uma meia verdade porque o governo atribui a frequência de emissão. A licença, essa é dada pelo governo estadual cada ano.
O Ministro continua a acusar Miraya e Bakhita de ultrapassarem o seu mandato. Tenho a impressão que quem ultrapassa o mandato é o ministro que se comporta como um déspota da comunicação social!
17 de maio de 2010
YIROL
O bispo de Rumbek benzeu ontem a nova igreja de Yirol, referida como «a catedral», numa cerimónia que juntou milhares de fiéis e autoridades civis e religiosas.
O novo templo, benzido por Dom César Mazzolarim, um dos quatro bispos combonianos do Sudão, levou sete anos a construir.
O bispo disse que era um monumento à solidariedade: os dinheiros vieram da comunidade local, da Itália e da Espanha, sobretudo de Andaluzia, a terra do pároco de Yirol, o comboniano José Parladê.
A nova igreja é dedicada à Santa Crus porque fica a cerca de 60 quilómetros da primeira missão de Daniel Comboni no Sudão: a missão de Santa Crus onde permaneceu entre 1875 e 1876. As febres mataram alguns dos seus colegas e despacharam-no para Itália num estado de saúde muito precário. Hoje o lugar é conhecido por Kenissa: palavra árabe para igreja.
A nova igreja foi feita para acomodar até 700 pessoas. Contudo, o P. Parladê disse que aos domingos mais de 1000 pessoas a enchem para a missa.
A velha igreja, construída de materiais locais e tecto de capim, foi transforma numa escola: as quatro salas em que foi dividida têm pelo menos 90 estudantes cada uma.
Aliás, as escolas são uma das grandes paixões do padre Parladê: com a ajuda dos familiares, conterrâneos e amigos já construiu quase 30 que depois passou ao governo.
Yirol fica no Estado de Lagos a uns 100 quilómetros a leste de Rumbek, a capital e sede da diocese, uma área muito conturbada por pilhagens de gado, entre o povo Dinka.
16 de maio de 2010
INTERNET

O Papa desafiou os padres a usarem a internet e as singulares oportunidades oferecidas pela comunicação moderna com sabedoria (a tradução inglesa usa a palavra astúcia) na mensagem que preparou para o Dia Mundial das Comunicações Sociais que se celebra hoje.
A mensagem tem por título «O sacerdote e a pastoral no mundo digital:
os novos media ao serviço da Palavra.»
Bento XVI desenvolve o tema da pastoral no âmbito vasto e delicado do mundo digital, «que oferece ao sacerdote novas possibilidades para exercer o seu serviço à Palavra e da Palavra.»
O Santo Padre compara a internet com o «pátio dos gentios» do Templo de Jerusalém, o espaço reservado aos que procuravam Deus mas ainda não pertenciam ao povo hebraico.
O papa pede aos padres para estarem presentes no mundo digital em constante fidelidade à mensagem evangélica para anunciar o Evangelho recorrendo não só aos media tradicionais, mas também ao contributo da nova geração de audiovisuais, que Bento XVI chama ocasiões inéditas de diálogo e meios úteis para a evangelização e a catequese.
O Santo Padre deixa também um alerta: «a fecundidade do ministério sacerdotal deriva primariamente de Cristo encontrado e escutado na oração, anunciado com a pregação e o testemunho da vida, conhecido, amado e celebrado nos sacramentos sobretudo da Santíssima Eucaristia e da Reconciliação.»
LIÇÃO

O ex-presidente do Quénia ensina ao Presidente Salva Kiir Mayardit como permanecer no topo através das eleições do poder em três tempos: não deixes a mão direita saber o que a esquerda faz; faz o contrário do que os oponentes esperam; explora as fraquezas dos teus oponentes.
E o professor de politica Daniel arap Moi conclui: Não vais falhar. Confia em mim: tenho 24 anos de experiência.
O Sudão celebrou há um mês as primeiras eleições multipartidárias em 24 anos.
Salva Kiir Mayardit foi eleito presidente do Governo do Sul do Sudão com 92,9 por cento dos votos expressos.
O SPLM (Movimento de Libertação do Povo do Sudão na sigla me inglês) de Kiir conquistou 160 dos 170 lugares na Assembleia Legislativa do Sul do Sudão.
Moi foi o segundo presidente do Quénia de 1978 a 2002.
E o professor de politica Daniel arap Moi conclui: Não vais falhar. Confia em mim: tenho 24 anos de experiência.
O Sudão celebrou há um mês as primeiras eleições multipartidárias em 24 anos.
Salva Kiir Mayardit foi eleito presidente do Governo do Sul do Sudão com 92,9 por cento dos votos expressos.
O SPLM (Movimento de Libertação do Povo do Sudão na sigla me inglês) de Kiir conquistou 160 dos 170 lugares na Assembleia Legislativa do Sul do Sudão.
Moi foi o segundo presidente do Quénia de 1978 a 2002.
13 de maio de 2010
MASSAGEM

Às vezes apetecia-se ser Salva Kiir Mayardit para saber o que é uma massagem de parabéns.
Desde que a Comissão Nacional de Eleições declarou o candidato do SPLM presidente do governo do sul do Sudão com quase 97por cento dos votos expressos,instituições e indivíduos que querem ser notados têm publicado massagens – e mensagens também – de felicitação pela vitória espectacular.
Dizem que o português é uma língua muito traiçoeira! E o inglês não é?
Ainda no capítulo das eleições, hoje descobri através do sítio do SPLM que os resultados das eleições para a Assembleia Legislativa do Sul do Sudão já foram integralmente publicados. O SPLM lá conseguiu ocupar 160 dos 170 lugares da «augusta casa» como aqui lhe chamam.
Vitória avassaladora ou fraude eleitoral?
A Comissão Eleitoral de Eleições não apresenta resultados detalhados, só totais.
No condado de Terekeka cerca de 45 por cento dos eleitores votaram para os presidentes da república e do Sul do Sudão enquanto que quase 90 por cento votaram para o governador! A urna de voto era a mesma e os eleitores recebiam os três boletins juntos. Será que metade decidiu guardar os impressos com as caras dos candidatos a presidentes como recordação? Improvável!
Há outro desenvolvimento preocupante: o general George Athor decidiu candidatar-se como independente a governador de Jonglei. Perdeu, gritou batota e foi para o mato com mais de uma centena de soldados e alguns civis desde o primeiro de Maio.
Diz que já matou mais de 100 soldados do SPLA em recontros esporádicos, mas o exército do sul nega.
Desde que a Comissão Nacional de Eleições declarou o candidato do SPLM presidente do governo do sul do Sudão com quase 97por cento dos votos expressos,instituições e indivíduos que querem ser notados têm publicado massagens – e mensagens também – de felicitação pela vitória espectacular.
Dizem que o português é uma língua muito traiçoeira! E o inglês não é?
Ainda no capítulo das eleições, hoje descobri através do sítio do SPLM que os resultados das eleições para a Assembleia Legislativa do Sul do Sudão já foram integralmente publicados. O SPLM lá conseguiu ocupar 160 dos 170 lugares da «augusta casa» como aqui lhe chamam.
Vitória avassaladora ou fraude eleitoral?
A Comissão Eleitoral de Eleições não apresenta resultados detalhados, só totais.
No condado de Terekeka cerca de 45 por cento dos eleitores votaram para os presidentes da república e do Sul do Sudão enquanto que quase 90 por cento votaram para o governador! A urna de voto era a mesma e os eleitores recebiam os três boletins juntos. Será que metade decidiu guardar os impressos com as caras dos candidatos a presidentes como recordação? Improvável!
Há outro desenvolvimento preocupante: o general George Athor decidiu candidatar-se como independente a governador de Jonglei. Perdeu, gritou batota e foi para o mato com mais de uma centena de soldados e alguns civis desde o primeiro de Maio.
Diz que já matou mais de 100 soldados do SPLA em recontros esporádicos, mas o exército do sul nega.
Entretanto, o Governo está a tentar encontrar uma solução política para o levantamento porque – como me disse o porta-voz do exército, uma solução militar ia fazer muitas vítimas civis.
O coronel Malaak garantiu-me que o SPLA tem o general renegado e as suas forças cercados enquanto esperam uma decisão do poder político.
O coronel Malaak garantiu-me que o SPLA tem o general renegado e as suas forças cercados enquanto esperam uma decisão do poder político.
12 de maio de 2010
FÚRIAS
José Rodrigues dos Santos intitulou o seu romance mais recente «Fúria Divina», mas a obra retrata sobretudo as fúrias humanas: dos muçulmanos radicais, especialmente Talibãs e da al-Qaeda, e dos serviços de segurança ocidentais a tentar descobrir as ameaças do Islão radical.O livro é um trabalho a duas velocidades: a história de Ahmed Barakah, aliás Ibn Taymiyyah, leva anos enquanto que as investigações de Tomás Noronha se passam cerca de dois meses.
«Fúria Divina» é uma ficção sobre um perigo real: a possibilidade de a al-Qaeda conseguir deitar mãos a uma bomba nuclear russa e o perigo que isso põe para a segurança mundial.
Uma história que começa na Rússia, passa para o Egipto, Afeganistão e Paquistão, vem a Portugal e acaba em Nova Iorque, com a al-Qaeda a tentar detonar uma bomba atómica no momenta em que os líderes mundiais se encontravam a participar na Assembleia Geral das Nações Unidas.
Claro que o Prof. Noronha foi mais expedito que os operacionais islamistas e conseguiu gorar o que seria o aniquilamento da liderança política mundial.
A narrativa agarra o leitor apesar dos muitos lugares comuns a que o autor recorre e que destoam com o seu estilo de escrita. Li as 608 páginas em menos de uma semana à custa de bastantes horas de sono!
O livro foi sobretudo o confronto com uma versão do islão muito diferente da que aprendi no Instituto Missionário de Londres e descobri num curso que fiz sobre o Islão no Cairo: uma versão extremista que mistura o Corão com estórias e ditos atribuídos a Maomé, uma mistura explosiva que radicaliza milhares de muçulmanos envolvidos na Jihad, a guerra santa, contra os infiéis do Oeste.
9 de maio de 2010
PUBLICIDADE
Durante a campanha eleitoral foram trazidos para o Sul do Sudão estruturas gigantes para cartazes de publicidade.
Os “billboards” foram usados para a encorajar os cidadãos a votarem através de cartazes gigantes.
As estruturas, de segunda mão, vieram do Quénia.
Agora que as eleições passaram, as mensagens à participação do acto eleitoral estão a ser substituídas por publicidade a marcas de cerveja importada do Uganda e do Quénia.
É estranho que as autoridades permitam tal publicidade numa sociedade que sofre de alcoolismo crónico.
As classes pobres não consomem o produto importado porque o dinheiro não chega. Mas fabricam as próprias bebidas: cerveja e aguardente de milho painço destiladas em casa através de métodos artesanais mas engenhosos.
8 de maio de 2010
LOVE STORY
Chastity is a call to some contemplative space where the heart can learn from God. The trouble is that I can shirk entering that space without anybody knowing. […] Celibacy becomes dangerous, I think, when it lacks prayerful listening; for then it loses touch with its main justification, which is mystical. Years ago I used to be more content with a functional view of celibacy – the claim that without family commitments, I can be free for people. But both my experience of myself and this contact with married friends have convinced me that the value of celibacy lies beyond this practical sphere. Absence of sexual intimacy, just for the sake of pastoral activity, would be too high a price to pay. Rather it must be “for the Kingdom” as the gospel says, in the sense of sharing in the heart of Christ. Only by entering that alternative love story, with its costs and its fulfilments, can one be liberated to care for people.
Michael Paul Gallagher in Where is Your God?
7 de maio de 2010
CRIANÇAS-SOLDADO
A Comissão de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração do Sul do Sudão quer reintegrar na vida civil cerca de 1200 crianças das fileiras do exército do sul.
Trezentas crianças foram já desmobilizadas desde o início do ano.
Segundo o coordenador da desmobilização de crianças, Oluku Andrew Holt, a maioria dos soldados menores encontra-se nas regiões de Bahr el Ghazal e Upper Nile.
O especialista disse que a pobreza é um dos elementos que mantém as crianças no exército: pelo menos têm comida.
As crianças a desmobilizar são todas rapazes. As meninas já foram reintegradas na sociedade.
A UNICEF está a encorajar as crianças desmobilizada a frequentar a escola, dando-lhes os materiais necessários.
O Programa de Alimentação Mundial, por seu turno, fornece a comida durante os primeiros três meses de reintegração.
Trezentas crianças foram já desmobilizadas desde o início do ano.
Segundo o coordenador da desmobilização de crianças, Oluku Andrew Holt, a maioria dos soldados menores encontra-se nas regiões de Bahr el Ghazal e Upper Nile.
O especialista disse que a pobreza é um dos elementos que mantém as crianças no exército: pelo menos têm comida.
As crianças a desmobilizar são todas rapazes. As meninas já foram reintegradas na sociedade.
A UNICEF está a encorajar as crianças desmobilizada a frequentar a escola, dando-lhes os materiais necessários.
O Programa de Alimentação Mundial, por seu turno, fornece a comida durante os primeiros três meses de reintegração.
5 de maio de 2010
DIÁLOGO
Jornalistas e agentes de segurança reuniram-se hoje em Juba pela segunda vez para analisar a cobertura das eleições, rever os problemas que surgiram durante o processo eleitoral e aprofundar os canais de comunicação.
As forças de segurança são o obstáculo maior à prática de jornalismo no sul do Sudão e os profissionais da comunicação há muito que sentiam a necessidade de se sentarem à mesa com polícias, militares e agentes da secreta para se conhecerem.
No encontro de hoje estiveram três militares: um coronel, porta-voz do exército, e dois oficiais subalternos. O chefe da polícia prometeu mas não apareceu.
O coronel Malaak Ayuan começou por apresentar a situação corrente: um general que concorreu como independente a governador de Jonglei perdeu e em protesto – diz que os resultados das eleições são manipulados– foi para o mato com mais de 100 soldados depois de ter morto cerca de 10 soldados no quartel onde estava para roubar armamento.
Também falou da escalada de violência na fronteira norte-sul: o exército do norte está a concentrar-se nessa área e no mês passado registaram-se alguns recontros com baixas pesadas entre as tropas do norte e do sul.
O diálogo foi positivo e franco: os participantes analisaram a cobertura das eleições – considerada muito boa – e o modo como os agentes de segurança actuaram: em Juba de uma forma exemplar, fora de Juba nem tanto.
O encontro, que reuniu 24 jornalistas de Juba e de Yei, deu ainda para trocar impressões sobre os desafios que a cobertura do referendo de 2011 coloca à comunicação social e às forças de segurança.
Foi decidido organizar um Fórum para jornalistas quanto antes para preparar a cobertura da consulta sobre a auto-determinação do sul do Sudão seguido do terceiro diálogo entre as forças de segurança e os profissionais da comunicação desta vez envolvendo os ministros da informação, exército e do interior.
4 de maio de 2010
HEALING
3 de maio de 2010
LIBERDADE DE IMPRENSA
© JVieiraA Freedom House preparou um relatório intitulado Liberdade de Imprensa 2010 para marcar o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa que decorre hoje.
O relatório apresenta uma tabela que classifica 196 países e territórios em livres, parcialmente livres e sem liberdade de informação.
Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia ocupam o topo da tabela classificativa mundial da liberdade de imprensa.
Portugal ocupa a décima sexta posição, acima dos EUA (24), Canadá e Reino Unido (26) e Espanha (47).
Na África os países com imprensa livre contam-se pelos dedos de uma mão: Mali, Gana, Maurícias, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.
O Sudão ocupa a posição 165 acima da Chade, Etiópia e RD do Congo, embora o relatório reconheça que o país melhorou em matéria de liberdade de imprensa.
O país mais adverso a jornalistas é a Coreia do Norte.
O estudo da Freedom House diz que há 69 países com imprensa livre, 64 parcialmente livre e 63 sem liberdade.
Por zonas, o Oeste europeu é a parte do globo onde a liberdade de imprensa floresce: 92 por cento dos países têm imprensa livre e oito parcialmente livre. O Médio Oriente e o Norte de África são os antípodas: cinco países têm imprensa livre, dez parcialmente livre e 70 sem liberdade.
O relatório revela que a liberdade de imprensa tem vindo a declinar nos últimos oito anos e acrescentou que a Internet é o novo campo de batalha de controlo dos governos, a começar pela China.
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