11 de fevereiro de 2011
FANGAK
Fangak, uma das cidades mais remotas do Estado de Jonglei, Sudão do Sul, foi palco de sangrentos recontros entre as tropas do sul e forçais leais a um ex-general.
Os rebeldes comandados por George Athor atacaram a cidade e ocuparam-na na quarta-feira depois de expulsarem a população civil.
Entretanto, o SPLA atacou a cidade para a recuperar e em dois dias de combates violentos mais de 100 pessoas morreram.
O porta-voz dos militares, Coronel Philip Paguer Panyang, disse-me a telefone que no combate por Fangak morreram 89 pessoas: 39 civis, incluindo mulheres e crianças, 20 soldados e polícias e 30 rebeldes. Os feridos foram 95: 65 civis e 30 militares.
Em Door, outra localidade atacada pelos rebeldes, morreram quatro militares e uma dúzia de atacantes.
Entretanto, o SPLA, a tropa do Sul, reocupou Fangak e a zona está calma.
O comandante Athor concorreu como independente para governador de Jonglei nas eleições de Abril de 2010 e perdeu.
Acusou o SPLM de lhe ter tirado a vitória e foi para o mato com um grupo de soldados.
Em Outubro, o presidente do Sul do Sudão, Salva Kiir Mayardit amnistiou-o e convidou-o a reintegrar o SPLA. No princípio de Janeiro o SPLA e os chefes de fila do ex-general assinaram um cessar-fogo depois de dois bispos – um católico e outro anglicano – terem-se encontrado com Athor para o convidar a reiniciar conversações com o governo.
10 de fevereiro de 2011
CAPITAL FEDERAL
© Lomayat
O governo do Sul do Sudão está à procura de uma alternativa para Juba como capital federal depois da independência.
Juba cresceu muito nos últimos anos e o governo queixa-se da falta de espaço para expandir as estruturas administrativas necessárias, incluindo novos ministérios.
Na semana passada o conselho de ministros nomeou uma comissão para estudar as propostas para a nova capital.
A comissão tem que dizer onde é melhor construir a capital administrativa: em frente de Juba, do outro lado do Nilo Branco ou em Ramchiel, o centro geodésico do sul do Sudão, no estado de Lakes.
O problema da gestão dos solos tem vindo a agravar-se à volta de Juba.
A comunidade local Bari tem protestado contra a construção contínua por parte do governo e dos militares sem a aprovação das autoridades tribais.
Entretanto, já foi apresentada uma maqueta da futura capital distrital independentemente do lugar onde vai ser construída: a cidade será ampla, com largas e longas avenidas, uma dúzia de arranha-céus, zonas administrativas e residenciais independentes e áreas verdes.
Contudo, os poucos recursos disponíveis no Sudão do Sul deviam ser usados na provisão de serviços de saúde e educação, no desenvolvimento da agricultura e na construção de infra-estruturas de comunicação e industriais para acelerar o desenvolvimento do país mais jovem – e também dos mais pobres – do mundo.
A capital pode esperar.
9 de fevereiro de 2011
ASSASSINATOS
O Ministro e o cunhado © Lomayat
O polícia que fazia a segurança ao ministro também foi abatido.
São desconhecidos os motivos para o assassinato, mas foi um acto premeditado.
O cunhado era o ex-condutor do ministro. Sabia que Lemi guardava uma pistola no carro oficial. Roubou-a partindo o vidro da viatura e matou as vítimas com ela.
Os corpos das vítimas foram levados para o Hospital Escolar de Juba.
O ministro Lemi era a cara mais recente do executivo do Sul do Sudão. Tomou conta da pasta das cooperativas me Agosto quando a titular foi transferida para a Agricultura.
O duplo assassinato deixou os habitantes de Juba em estado de choque.Um ministro do governo do Sul do Sudão e um policia foram hoje assassinados a sangue frio em Juba.
6 de fevereiro de 2011
ANIVERSÁRIO
O bolo estava gostoso, Sandra! A faca é que era grande de mais...
O Valentino gostou do gelado! Dia 14 há mais!
A conversa esteve animada.
O António e a Sandra estudaram atentamente o rótulo do porto Ferreira.
E evocamos a memória da Ferreirinha!
51tão: Gracias a la vida!...
WALAWALANG
Hoje fui celebrar a missa com a comunidade de Walawalang na capela de São Marcos, a quatro quilómetros de Juba rio acima.
Ontem à noite o pároco de São José mandou uma mensagem a pedir ajuda porque não tinha padre para aquela comunidade. Disse-lhe que sim e pedi que me encontrasse um guia porque é a única capela da paróquia que eu ainda não conheço.
Às 10h45 encontrei-me com o acólito e depois de um quarto de hora de viagem por meio de pequenas aldeias onde vimos algumas mulheres a prepararem bidões de 200 litros de cerveja – o dia prometia – chegamos a um ponto sem saída: o trilho, porque nem picada chegava a ser, por entre erva seca acabava numa vala.
O guia perdido – acontece – perguntou a uma senhora onde estava a capela e ela indicou para trás de nós! Afinal não estávamos perdidos de todo.
Havia umas 50 pessoas na capela, a maioria jovens e crianças, alguns anciãos e duas idosas. O espaço estava limpo e arranjado. A pequenada fazia bastante barulho, mas uma senhora com uma vergasta pô-los na linha.
Eu celebrei em inglês e as pessoas responderam em Bari. A homilia foi traduzida pelo presidente da comunidade.
No fim, agradeceram a minha presença – disseram que um padre branco (Kawaja) não aparece por lá todos os domingos – e explicaram que a comunidade nasceu nos anos 90 durante a guerra civil com deslocados de guerra de várias tribos. E que São Marcos era a capela mais importante da paróquia de São José. Um pouco de bairrismo fica sempre bem.
Depois dos discursos de despedida – aqui nota-se muito a influência britânica com estas formalidades e protocolos – dei os parabéns ao grupo coral porque de facto cantaram muito bem.
Algumas jovens pediram boleia para a cidade. A capela fica junto ao rio. Quando chegámos ao primeiro cruzamento, o acólito disse para eu virar à direita, mas as jovens disseram para continuar junto ao rio que a estrada era «tammam», boa. E também muito mais curta.
Afinal o meu guia conhecia o caminho mais comprido e complicado. Por isso nos perdemos!
Só tenho um adjectivo para qualificar a minha experiência: «gostei!»
4 de fevereiro de 2011
REFERENDO
UMA AGRADÁVEL SURPRESA
Mais de 2,6 milhões de sul-sudaneses foram às urnas entre 9 e 15 de Janeiro para escolherem o futuro da região num ambiente de festa e paz únicos.
Mais de vinte mil observadores internos e internacionais seguiram todo processo desde o recenseamento até à contagem final. A avaliação foi comum: o referendo foi credível, bem organizado, pacífico, consistente com as normas internacionais e expressão genuína do eleitorado.
Apesar de ainda não haver resultados finais, projecções indicam que a opção pela independência foi a grande vencedora. O mais novo país da África é também dos mais pobres e precisa da comunidade internacional para se construir.
O embaixador António Monteiro seguiu o processo desde Setembro integrando o Painel do Secretário-Geral das Nações Unidas para os Referendos do Sudão. Em entrevista à Além-Mar em Juba, o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros disse que o referendo foi uma agradável surpresa.
Além-Mar: Sr. Embaixador, como viu a preparação para o referendo?
Embaixador António Monteiro: Sabe que no início eu e os meus colegas do painel tivemos muitas dúvidas sobre a possibilidade de este referendo se realizar em boas condições dados os atrasos com que nós nos deparámos em Setembro quando fomos nomeados e também com as enormes dificuldades técnicas que se apresentavam à nossa frente. Também o facto de a comissão para o referendo ter sido nomeada tardiamente não era um bom indicador e portanto nós tínhamos algum receio que as coisas não pudessem seguir o caminho normal que depois nos levasse a sancionar o acto referendário. Devo dizer que só tivemos boas surpresas. A primeira delas foi que a Comissão e os seus diversos órgãos, incluindo o Bureau em Juba, e os próprios presidentes da Comissão e do Bureau, demonstraram uma enorme competência, maturidade, capacidade profissional, e conseguiram num curto espaço de tempo, abreviar e ao mesmo tempo, respeitado a lei, realizar todos os actos necessários para que o registo eleitoral começasse. Mas o aplauso maior deve ir para os Sudaneses porque foram capazes de levar este processo muito bem e fazer um recenseamento eleitoral que nós considerámos credível e que foi aliás aceite por toda a gente. Não houve praticamente reclamações.
A-M: O Sr. Embaixador visitou muitas partes do Sudão integrado no Painel das Nações Unidas. Qual é a imagem que guarda do Norte e do Sul país?
EAM: É interessante que são dois países completamente diferentes na paisagem física e na paisagem humana e ambos com encantos muito grandes e muito marcantes.
O Norte do Sudão é uma terra de história. Visitei o museu em Cartum e tive a sorte de ter um guia extraordinário e é impressionante a história do país. Só desejava ter tempo e um dia voltar para visitar todos os reinos e todas as ruínas que são extraordinárias e que existem no Sudão e notam um país com grande história e grande mérito na acção que teve em África e no mundo e com aspectos e com gente muito válida e muito interessante. Encontrei muita gente no Norte de grande qualidade na sociedade civil e na classe política, nas ONG e académicos que me impressionaram muito.
O Sul é um país belíssimo, é onde começa a África na sua imponência, de explosão tropical, muito mais verde e muito menos monótono do que o Norte, e também com uma gente extraordinária. Vê-se que é uma gente que soube ultrapassar as dificuldades com determinação, que tem uma visão quanto ao futuro o que é muito importante. E também há um aspecto que aqui me tem tocado muito que é o do subdesenvolvimento. É de facto uma zona onde praticamente está tudo por fazer. O povo sabe o que quer, os líderes têm visão, têm ideias mas há um trabalho enorme para fazer. E eu espero que, após a luta que eles têm travado que culminou na assinatura do acordo de paz e agora no resultado deste referendo, a comunidade internacional continue a reconhecer a necessidade de apoiar os Sudaneses e sobretudo, se eles votarem pela independência, apoiarem o novo Estado e dar-lhes as condições que as populações merecem.
Eu lembro-me de ter ido a Raja – que é um sítio recôndito como Terekeka, mas mais longínquo ainda – e onde fiquei surpreendido com a sabedoria, a calma com que as pessoas me queriam falar e também com a beleza primitiva do local, onde aliás está uma missão católica que me impressionou muito. Além disso, o contacto com as pessoas tem sido muito enriquecedor e uma experiência que eu não posso esquecer.
A-M: Um dos argumentos contra a independência do Sul do Sudão era que o país poderia tornar-se uma nova Somália e um Estado inviável, marcado pela falta de desenvolvimento, mas sobretudo pelo tribalismo. Acha que o Sudão do Sul é um Estado viável?
EAM: Eu creio que sim! É claro que o Sul do Sudão vai enfrentar dificuldades e obstáculos enormes, aliás como o Norte também vai continuar a enfrentar. Se houver separação, os dois países vão enfrentar problemas muito sérios e graves que necessitarão inclusivamente do envolvimento contínuo da comunidade internacional, não só das Nações Unidas, como naturalmente dos Estados Unidos, da União Europeia e de outros países que aqui têm actuado a favor da paz e que têm de continuar.
O facto de no Sul do Sudão haver muitas tribos é comum aos outros países africanos. Isso é consequência das fronteiras coloniais e da maneira como foram desenhadas. O Sul do Sudão tem dez Estados com problemas étnicos que não vale a pena esconder: está na cultura, está na tradição, está na história das tribos. Agora eu acho que também há consciência – e isso foi provado recentemente pelo diálogo intra-sul – de que a guerra não pode e não deve continuar. Os anos de luta contra o Norte criaram um certo espírito nacional. Eu sei que continua a haver aqui exércitos privados em praticamente cada Estado, mas o facto de os partidos terem feito um diálogo entre eles e terem chegado a um acordo e terem feito uma plataforma para este referendo e para o futuro augura um bom andamento. É necessário também que os dirigentes políticos entendam que têm de dialogar, que têm de dar lugar a uns e a outros, que não pode haver uma apropriação do poder. Mas eu acho que eles têm maturidade suficiente para isso e que as perspectivas para o desenvolvimento são tantas e as dificuldades para lá chegar tão gigantescas que eles compreenderão que aquele slogan que me foi dito aqui no Sul que «nós decidimos substituir as balas pelos votos» espero que se mantenha. E sobretudo que aqui se mantenha até um Estado democrático e que eles considerem que futuras eleições são essenciais para continuar a dar ao povo a capacidade de se exprimir como ele teve agora ocasião pelo referendo.
A-M: As Nações Unidas tiveram um papel preponderante no estabelecimento e na manutenção da paz durante os seis anos do período interino. Qual vai ser o papel da missão da ONU depois da independência a 9 de Julho?
EAM: O papel das Nações Unidas vai-se manter durante uns tempos. Primeiro, porque há problemas que ainda não estão resolvidos a começar por Abyei, temos o Darfur, o Cordofão do Sul, Nilo Superior… Problemas que se vão manter e necessitarão do envolvimento da comunidade internacional. Depois ente o Norte e o Sul há as chamadas questões pós-referendárias que são enormes e muito vastas e continuarão a necessitar de envolvimento e até possivelmente de uma certa mediação e dos bons ofícios da comunidade internacional a começar pelas Nações Unidas.
Depois as Nações Unidas, quando têm missões, têm de as levar até ao fim, não se devem interromper. Há aqui, sobretudo a Sul, uma questão de «nation building», de construção do país. E as Nações Unidas são se podem alhear da necessidade de ajudar este país a reconstruir-se, aliás como nós defendemos em Timor. Aquilo que nós aplicámos a uma terra que nos dizia alguma coisa, temos que o aplicar aqui também. É a mesma situação, digamos: um país como este sem infra-estruturas – como Timor não as tinha porque foram destruídas pelos Indonésios quando saíram – e as Nações Unidas tiveram um papel relevante para ajudar a erguer o país, a criar as suas próprias capacidades. E essa é uma obrigação que se mantém e eu espero que as Nações Unidas não desistam e que as potências compreendam que é preciso continuar a investir, porque só com o contínuo desenvolvimento no investimento é que nós podemos ter estabilidade efectiva.
1 de fevereiro de 2011
KHARTOUM CATHOLICS
Southern Sudanese affects the Catholic Church in the North
By Elario Zambakari
1st February 2011, on the eve of the just concluded Southern Sudan Referendum, thousands and thousands of the internal displaced southern Sudanese who were here in Khartoum and the other big cities in the north started going back to the south.
North Sudan has only two Catholic Dioceses: Khartoum archdiocese and El Obeid. Most of the Christians in these dioceses are southerners and now with the exodus to the south one can tell from the attendance during Sunday masses how Khartoum archdiocese will be without these Christians.
Some of the parishes have been closed due to the fact that the Christians are no longer there.
According to Fr. George Gangara, the education secretary of the archdiocese of Khartoum some of the Catholic schools are already closed due to the fact that the students have gone back to the south.
The archdiocese had opened many primary and secondary schools for the internally displaced persons who came from the south with the war had intensified in that region in the early 1990s.
Nearly all the diocesan priests of Khartoum are southerners. Khartoum being the place where Daniel Comboni died, there are more less 30 different Missionary congregations of Priests, Sisters and brothers.
The results from the referendum held from 9-15 January were published on 30 January. The announcement was made from Juba, capital of the future State and based on examination of 100% of votes, 98.83% of the nearly 4,000,000 voters wanted independence.
By Elario Zambakari
1st February 2011, on the eve of the just concluded Southern Sudan Referendum, thousands and thousands of the internal displaced southern Sudanese who were here in Khartoum and the other big cities in the north started going back to the south.
North Sudan has only two Catholic Dioceses: Khartoum archdiocese and El Obeid. Most of the Christians in these dioceses are southerners and now with the exodus to the south one can tell from the attendance during Sunday masses how Khartoum archdiocese will be without these Christians.
Some of the parishes have been closed due to the fact that the Christians are no longer there.
According to Fr. George Gangara, the education secretary of the archdiocese of Khartoum some of the Catholic schools are already closed due to the fact that the students have gone back to the south.
The archdiocese had opened many primary and secondary schools for the internally displaced persons who came from the south with the war had intensified in that region in the early 1990s.
Nearly all the diocesan priests of Khartoum are southerners. Khartoum being the place where Daniel Comboni died, there are more less 30 different Missionary congregations of Priests, Sisters and brothers.
The results from the referendum held from 9-15 January were published on 30 January. The announcement was made from Juba, capital of the future State and based on examination of 100% of votes, 98.83% of the nearly 4,000,000 voters wanted independence.
30 de janeiro de 2011
RESULTADOS FINAIS
Os resultados finais do Referendo do Sul do Sudão foram anunciados hoje em Juba com pompa e circunstância. Nas mais de 2600 mesas de voto espalhadas pelo sul do país, quase 3.7 milhões votaram pela separação enquanto cerca de 16 mil escolheram a união. Em termos percentuais, a separação recebeu 99,57 por cento dos votes e a união 0,43 por cento. Se juntarmos os votos do Norte do Sudão e dos oito países da diáspora sulista a média baixa para 98,83 por cento para a separação e os votos pela unidade sobem para 1,17 por cento.
Os próximos passos são a proclamação oficial final dos resultados – hoje os totais foram separados: sul por um lado e norte e diáspora pelo outro – no sábado ou se houver contestação a 14 de Fevereiro.
Entretanto, os partidos que governam o Norte e o Sul têm que terminar as negociações sobre Abyeai, as fronteiras, a cidadania, e a partilha dos recursos naturais e da dívida externa.
O Presidente Salva Kiir Mayardit prometeu que estes assuntos quentes estarão resolvidos antes da independência, a 9 de Julho.
Claro que o NCP – o partido do Norte – já fala em adiar essa data até todos os acordos pós-referendo estiverem prontos, mas não acredito que o SPLM vá na cantiga.
Entretanto, uma comissão técnica formada por políticos, juízes e advogados, já está a elaborar uma proposta de Constituição para o novo país. A sociedade civil e as igrejas também gostariam de fazer parte do processo.
21 de janeiro de 2011
RESULTADOS
Com mais de metade dos resultados dos dez estados do Sul do Sudão, anunciados, a comissão do referendo continua a juntar os dados que lhe vão chegando e a separação vai registar uma vitória arrasadora.
Com 83,4 por cento dos votos contados no Sul, mais o norte e o estrangeiro, 98,6 por cento votaram na secessão.
Em termos numéricos, às 18h00 horas de hoje os votos de 3.197.038 eleitores tinham sido contabilizados e só 1.4 por cento é que escolheram a separação.
Mesmo no Norte do Sudão, com a contagem completa, 57,6 escolheram a independência contra 42,4 que querem a unidade.
O resultado mais surpreendente foi o dos sulistas a viverem no Darfur: 55 por cento escolheram a unidade.
No Condado de Lafon, na Equatória Oriental, o voto foi 100 por cento para a separação.
Os resultados podem ser seguidos no sítio preparado pela Comissão do Referendo do Sul do Sudão.
Com 83,4 por cento dos votos contados no Sul, mais o norte e o estrangeiro, 98,6 por cento votaram na secessão.
Em termos numéricos, às 18h00 horas de hoje os votos de 3.197.038 eleitores tinham sido contabilizados e só 1.4 por cento é que escolheram a separação.
Mesmo no Norte do Sudão, com a contagem completa, 57,6 escolheram a independência contra 42,4 que querem a unidade.
O resultado mais surpreendente foi o dos sulistas a viverem no Darfur: 55 por cento escolheram a unidade.
No Condado de Lafon, na Equatória Oriental, o voto foi 100 por cento para a separação.
Os resultados podem ser seguidos no sítio preparado pela Comissão do Referendo do Sul do Sudão.
20 de janeiro de 2011
HOSPITAL COMBONI
© EValentini
O hospital da diocese de Wau, no Sul do Sudão, reabriu depois de mais de meio século nas mãos dos militares.Os serviços de consulta externa do Hospital São Daniel Comboni de Wau abriram ontem ao público e em Fevereiro deve ser inaugura a primeira enfermaria de internamento com 25 camas.
O serviço oferece cuidados maternais e infantis, consultas e medicação, laboratório e ultra-som e tem três camas para urgências e prestação de primeiros socorros.
Uma equipa de Irmãs Missionárias Combonianas e Franciscanas Missionárias para a África andavam a tratar desde Setembro das licenças necessárias para abrir o hospital.
A comboniana Joyce Ajio, que dirige o serviço, disse que a preparação foi longa e difícil, mas o pessoal está pronto para dar o seu melhor para prestar um serviço de qualidade aos pacientes.
Há 19 técnicos locais, incluindo pessoal paramédico e de apoio, a trabalhar nas consultas externas.
A estrutura foi tirada pelo Governo à Igreja em 1957 e transformada em Hospital Militar até 2008, altura em que foi devolvida à Igreja depois de um longo processo de negociações.
Alguns edifícios ainda se encontram em recuperação e o hospital vai abrindo as valências conforme as instalações estiverem prontas.
18 de janeiro de 2011
CONTAGEM
© JVieira
Mas já se sabe que a separação vai ganhar. Falta saber a expressão da vitória.
No domingo, visitei as quatro mesas de voto junto ao túmulo de John Garang, que liderou a segunda guerra civil, e a contagem final era a seguinte: 12.289 inscritos e 11.441 votantes, uma percentagem de 93 por cento.
Quanto ao voto, 11.316 assinalaram o círculo da separação enquanto 88 preferiram a união. Em termos de percentagem, 98 por cento votaram pela separação enquanto que menos de um por cento são pela união.
O centro de voto John Garang era o maior e onde o presidente e muitos dos altos quadros do governo do Sul do Sudão votaram.
13 de janeiro de 2011
ANTENA
© JVieira
O Arcebispo de Durban, Cardeal Wilfred Napier, ontem de manhã benzeu a nova antena da Rádio Bakhita, assistido pelo Arcebispo Paolino Lukudu Loro de Juba.
O cardeal sul-africano esteve em Juba cinco dias como observador do referendo de autodeterminação que decorre até sábado.
A nova antena montada numa torre de 72 metros aumentou substancialmente a cobertura da primeira estação da Rede Católica de Rádios do Sudão – o sinal cobre um raio de mais de 100 quilómetros – e possibilitou o alargamento do horário de emissão da estação.
Desde 24 Dezembro de 2006 que a rádio tinha o transmissor e antena na torre da catedral de Juba, uma estrutura com 32 metros de altura que não deixava tirar partido total da capacidade do emissor além de onerar os gastos da emissão porque era preciso ter dois geradores a trabalhar para alimentar o estúdio e o transmissor, a cinco quilómetros de distância.
Agora com a estação, o transmissor e a antena no mesmo local, a Rádio Bakhita está no ar das seis da manhã até à meia-noite sem interrupção.
A nova antena e a respectiva torre juntamente com as instalações inauguradas em Agosto içam a Rádio Bakhita a um patamar mais alto de qualidade permitindo ao pessoal um espaçp de trabalho mais agradável que os dois contentores em que a rádio funcionou durante três anos.
Entretanto, tanto a Bakhita como algumas das outras estações e a própria rede tornaram-se em algumas das estrelas do sul do Sudão durante o referendo. A imprensa internacional mostrou-se surpreendida pela ousadia do projecto e pela sua qualidade. Televisões, rádios e jornais têm apresentado reportagens sobre a cadeia e algumas das duas estações.
11 de janeiro de 2011
REFERENDO

© JVieira
O referendo para a autodeterminação do povo do Sul do Sudão já vai a meio e tem decorrido em paz e tranquilidade, uma lição de civismo para quem esperava convulsões sociais graves.No domingo, primeiro dia do voto, houve votantes que começaram a fazer fila à meia-noite para terem a certeza que seriam os primeiros a votar, novos e velhos.
O presidente do Sul do Sudão deu o pontapé de saída depositando o seu voto exactamente às oito da manhã perante jornalistas e pessoal diplomático do mundo inteiro. Salva Kiir Mayardit recordou emocionado os heróis e heroínas que tornaram o voto de auto-determinação possível.
Em Juba, o ambiente era de festa com filas enormes em todos os centros de voto. As pessoas esperavam religiosamente concentradas a vez de marcarem com o polegar o círculo da separação – pelo menos a grande maioria.
Houve gente que chorou ao colocar o voto na urna, outros dançaram e cantaram… Celebraram finalmente o direito de escolherem o futuro para a região depois de meio século de guerras e mais de cinco milhões de mortos.
Até agora não houve incidentes a registar. A imprensa internacional, ávida de estórias cruentas, foi rápida a ligar as mortes em Abyei dos confrontos entre Misseriyas e a polícia ao referendo, mas a bota não teve mesmo nada a ver com a perdigota.
Pelo contrário, as estórias que chegam são de vida e de celebração. Em Torit, uma grávida começou a ter dores de parto na fila para o voto e depois de votar levaram-na a correr para o hospital, mas a menina nasceu no carro.
Em Rumbek, um homem disse que tirou um peso do coração quando ontem à tarde conseguiu votar depois de dois dias a esperar na fila.
Em Tonj, um irmão salesiano pôde finalmente cortar o cabelo e fazer a barba porque tinha prometido aos alunos que só o faria depois de votar.
Em Yei, as mulheres bateram os homens no primeiro dia de voto na proporção de três para um.
Em Juba, os arcebispos católico e anglicano votaram juntos «observados» por mais cinco purpurados, incluindo um cardeal sul-africano.
Hoje, o chefe do Bureau do referendo Chan Reec Madut disse que nos primeiros dois dias cerca de um milhão tinham votado em 46 por cento das mesas de voto do Sul. Os resultados dos outros 54 por cento ainda não são conhecidos devido a problemas de comunicação. Mas pode-se dizer que mais de dois milhões já votaram e a marca da participação dos 60 por cento de eleitores inscritos que valida o resultado vai ser ultrapassada sem problemas.
Ontem acompanhei com mais sete jornalistas a chefe dos observadores europeus Veronique de Keiser a uma visita às mesas de voto em Rumbek e Wau, duas cidades-capitais. O Governador de Lakes queixou-se que os sete dias não iam chegar para as pessoas votarem, sobretudo quem andava com as manadas de gado em lugares distantes. Já o seu colega de Western Bahr el Ghazal estava mais entusiasmado. Ele disse que no primeiro dia cerca de 35 por cento dos inscritos já tinham votado e que amanhã a votação deveria estar concluída.
Hoje o patrão do referendo no Sul, o juiz Reec, louvou os votantes pelo civismo, pela paz e pela alegria com que votaram e anunciou que as mesas de voto ainda passar a estar abertas até às 18h00 – antes fechavam às 17h00. Mas a maioria dos centros de voto hoje já esteve praticamente às moscas depois do tsunami de votantes que inundou os centros de voto no domingo e na segunda.
O juiz Reec anunciou que conta ter os resultados finais do Sul do Sudão prontos a 31 de Janeiro. O resultado global deveria ser anunciado uma semana depois.
8 de janeiro de 2011
A POSTOS
Separação: falta 1 dia © JVieira
Ontem a Agência para os Média Independentes apresentou um estudo de opinião que elaborou entre Junho e Novembro nos dez estados do Sul do Sudão e em Cartum: 96 por cento vão votar pela independência porque querem um país própria para gerir os recursos naturais e o destino da região e dar dignidade e identidade aos habitantes.
Ontem, o SPLM organizou o último comício em Juba e à noite uma vintena de artistas locais deram um concerto de borla no Centro Cultural de Nyakuron – tipo CCB em ponto pequenino – para motivar as pessoas a participar no voto.
Ontretanto, a polícia participou na limpeza das artérias principais de Juba para lhes dar um ar mais digno já que a cidade foi invadida por cerca de 200 jornalistas – o número é do Ministro da Informação – e um sem número de VIPs que vêm observar o referendo.
Hoje a cidade está calma, as lojas – mesmo dos árabes abertas – e o ambiente é de expectativa.
O Conselho das Igrejas do Sudão organizou para hoje uma jornada de jejum e oração pelo referendo.
Entretanto, o voto já fez algumas «vítimas». Os templos das Testemunhas de Jeová foram encerrados na Equatória Ocidental e os fieis proibidos de celebrarem o culto porque recusaram recensear-se para o voto. A igreja de Yambio inclusive foi queimada.
No estado da Equatória Oriental a venda de álcool foi proibida durante o voto para manter os eleitores sóbrios. A lei seca do condado de Yei, na Equatória Central é mais drástica: bares, discotecas, salões de vídeo vão estar fechados durante a semana do voto e quem for apanhado bêbado vai «destilar» para a cadeia.
De resto, as notícias que chegam de todas as partes do sul do Sudão são idênticas: as pessoas mantêm-se calmas e prontas para decidir pela primeira vez na história o seu destino e por arrastamento o destino do Sudão.
4 de janeiro de 2011
AL BASHIR
Cortejo presidecial © JVieira
O presidente da república esteve hoje em Juba numa visita-relâmpago a cinco dias do início do referendo para a autodeterminação do povo do Sul do Sudão.
A viagem foi anunciada por Salva Kiir Mayardit, o presidente do governo do Sul do Sudão e primeiro vice-presidente da república, na mensagem de Ano Novo.
Omar Hassan al-Bashir aterrou em Juba a meio da manhã com a cidade protegida por um forte dispositivo de segurança por militares e polícias.
A multidão acenava bandeirinhas da separação à passagem da caravana presidencial em alta velocidade.
Al-Bashir encontrou-se com Salva Kiir e com membros do governo e depois foi o convidado de honra num almoço de estado a que muitos diplomatas europeus se esquivaram.
No final, o presidente disse aos jornalistas que apoiava um Sul do Sudão independente através de um referendo pacífico e justo.
Também disse que os dois países iriam manter relações económicas, culturais e sociais, a segurança ao longo das fronteiras e dos sulistas no norte e nortenhos no sul.
Al-Bashir disse ainda que os assuntos em discussão – a questão de Abyei, da fronteira, da partilha dos recursos e da dívida internacional deveriam estar concluídos até 9 de Julho, altura em que o Sul será independente.
O discurso de al-Bashir deu a entender que o sul do Sudão vai votar na separação e não há volta a dar-lhe.
Os cidadãos receberam o presidente com respeito e provocação acenando com a mão e a bandeira da separação.
Alguns disseram mesmo que al-Bashir se veio despedir do Sul do Sudão e que a sua visita não ia mudar o sentido do voto.
Entretanto, ontem a Comissão do Referendo do Sul do Sudão apresentou o número de votantes recenseados: 3.930.916. Desses 3.753.815 inscreveram-se no Sul do Sudão e 52 por cento são mulheres. 116.860 vão votar no Norte do Sudão enquanto que 60.241 estão inscritos nos cadernos eleitoras dos oito países da diáspora: Quénia, Uganda, Etiópia, Egipto, Reino Unido, Canadá, Estados Unido da América e Austrália.
Para o resultado do referendo ser validado pelo menos 2.4 milhões de eleitores têm que votar. Ganha a opção com mais votos.
30 de dezembro de 2010
PROJECTOS
Os seis anos do período interino entre a assinatura do acordo de paz (2005) e o referendo de autodeterminação (2011) foram parcos em matéria de desenvolvimento de infra-estrutura no Sul do Sudão.
O governo semi-autónomo aponta o dedo acusador ao governo de unidade nacional por não ter investido na reconstrução do Sul e consequentemente não ter tornado atractiva a opção pela unidade no plebiscito de 9 de Janeiro.
Durante os últimos anos, o projecto mais substancial levado a cabo pelo norte no sul foi a extensão do caminho de ferro de Aweil até Wau, cerca de 120 quilómetros que custaram 46 milhões de dólares. As muitas promessas que o presidente da república Omar Hassan al Bashr fez nas celebrações anuais da assinatura da paz caíram no cesto roto do esquecimento.
Mesmo assim, Juba tem sido palco de um surto de crescimento notável. A mancha de asfalto vai tomando conta das ruas cheiras de crateras e pó, o parque hoteleiro cresceu por iniciativa de investidores nacionais e estrangeiros e o sector da habitação regista um momento de grande expansão.
Juba transformou-se um estaleiro a céu aberto com privados a construir habitações e negócios, o estado a reabilitar ou edificar instalações, as igrejas a erigir novos centros de culto, organismos internacionais ocupados na recuperação da infra-estrutura social, tudo em ferro e cimento, o sinal maior de que os investidores acreditam que a paz veio para ficar.
A nível de indústria, o projecto mais significativo foi a montagem de uma cervejeira que custou cerca de 50 milhões de dólares aos sul-africanos da SAB Miller e produz 350 mil hectolitros de cerveja por ano. O empreendimento conta ainda com uma linha de refrigerantes e uma engarrafadora de água de mesa que se junta às oito fábricas de engarrafamento de água.
Com o chegar da hora do não retorno – a independência – o governo apresentou uma série de projectos que visam consolidar a autonomia económica da região com a indústria petrolífera à cabeça por se tratar da maior fonte de rendimento e o motor de desenvolvimento do Sul do Sudão.
O ministro da energia e minas do governo do Sul do Sudão – que também detém a pasta do petróleo – anunciou a construção de três refinarias nos próximos anos. A de Akon, no estado de Warrap, vai custar 1,8 mil milhões de dólares num investimento conjunto da empresa privada Eyat Oilfield Services, de Cartum, e da estatal NilePet, do Sul do Sudão. A estrutura vai transformar 50 mil barris de crude por dia dentro de três anos. As refinarias de Bentiu e Terekeka são por enquanto projectos anunciados.
Ainda no domínio do petróleo, o Governo e a Toyota-Kenya estudam a viabilidade de ligar os poços do Sul do Sudão com o porto queniano de Lamu, ainda em desenvolvimento. O projecto vai custar 1,5 mil milhões de dólares. Até agora, o crude dos campos do sul – cerca de 400 mil barris diários mas a produção vai aumentar quando a Total francesa começar a extrair crude do Bloco B que é maior que Portugal – é escoado pelo oleoduto que os chineses construíram com os próprios presos entre o estado de Unity e Port Sudan no Mar Vermelho. Os chineses, os maiores investidores no sector do petróleo do Sudão, preferem uma ligação mista rodo-ferroviária entre o Sul do Sudão e Lamu.
Ainda no sector da energia, o governo anunciou estudos para construir uma central hidroeléctrica no Nilo Branco dentro de dez anos para abastecer as necessidades locais e para exportação.
No sector da rede viária, o projecto mais adiantado é o do alcatroamento da estrada entre Juba e Nimule, na fronteira com o Uganda. Trata-se da via de abastecimento do Sul do Sudão – os comerciantes ugandeses fazem cerca de mil milhões de dólares em exportações informais por ano especialmente para Juba – e mais tarde poderá ser também a rota de escoamento dos produtos agrícolas e industriais para exportação. A via, de cerca de 192 quilómetros, vai custar uns 200 milhões de dólares e a USAID, a agência de desenvolvimento internacional norte-americana que paga a factura, disse estará pronta dentro de 18 meses.
O ministro do comércio e da indústria anunciou planos para ressuscitar o complexo agrário de Nzara, montado pelos ingleses antes da independência para produzir roupas, alimentos e óleos, a fábrica de açúcar de Mangala, as fábricas de cerveja e de enlatamento de frutas e vegetais de Wau e a cimenteira de Kapoeta.
No sector da habitação, o projecto mais arrojado e extravagante o é o da recuperação e desenvolvimento das grandes cidades do Sul em forma de animais e frutas, os símbolos de alguns dos estados. O projecto está avaliado em 10 mil milhões de dólares e os «blue prints» estão prontos. Juba, por exemplo, vai ter a forma de um rinoceronte – o animal distintivo do Estado de Equatória Central – enquanto a nova Wau vai parecer uma girafa e Yambio um ananás.
O Ministério da Agricultura também anunciou planos para assegurar a auto-suficiência alimentar para a região. A guerra e os conflitos inter-tribais que nos últimos oito meses fizeram mais de 900 mortos e 215 mil desalojados, paralisaram por completo a produção agrícola em larga escala numa área rica em água e terras férteis.
O ministério tem planos para melhorar a produção da agricultura tradicional e introduzir a agricultura industrial com o intuito de transformar o sul do Sudão no celeiro da África Oriental. A ministra Anne Itto esteve recentemente na China para estudar modelos de desenvolvimento agrícola e atrair investimentos para o sector.
Ainda no sector da produção alimentar, cerca de uma dúzia de criadores de galinhas conseguem abastecer as necessidades do mercado hoteleiro.
O sul enfrenta o futuro com muitos projectos. Haja paz para os cumprir.
27 de dezembro de 2010
MAIS CINCO
Kiir (E) cumprimenta Igga (D) © Lomayat
Alguns sectores políticos estão a propor aos habitantes do sul do Sudão de deixaram de se cumprimentar com uma mãozada e usar a versão mais cinco.
A razão é simples: duas mãos unidas são o símbolo da unidade enquanto uma mão ao alto representa a separação no boletim de voto do referendo.
O exemplo vem do «alto». O presidente do governo do Sul do Sudão, Salva Kiir Mayardit, cumprimentou o presidente do Assembleia Legislativa do Sul do Sudão com um «mais cinco» no final da missa de Natal na catedral católica de Kator, Juba.
Será que a moda pega? Estamos a 13 dias do início do referendo.
24 de dezembro de 2010
SETENTA
O meu colega Luciano Perina fez hoje 70 anos. Metade passou-os no Sudão em lugares quentes como o Darfur e Abyei. Também exerceu o cargo de superior provincial durante os últimos seis anos. Prepara-se para fazer umas ferias na Itália para depois voltar ao Sudão amado.
Contou que quando nasceu mãe queria chamar-lhe Natale e o pai Colombo pela admiração que tinha pelo Cristóvão das viagens marítimas. A avó desempatou a situação: vai chamar-se Luciano – disse - e Luciano ficou!
Fizemos a festinha ao almoço e o superior preparou uma refeição de arromba, a melhor que comi aqui em quatro anos.
O Luciano gosta muito da Terra: passa os tempos livres no quintal às voltas com as árvores de fruta, as plantas e as galinhas e os pintos.
Obrigado Luciano e muitos parabéns!
23 de dezembro de 2010
A POSTOS
O Juíz Reec fala à imprensa depois de ter recebido o material para as eleições © PMoggi
A divisão da ONU para referendos e eleições (UNIRED) entregou hoje à Comissão para o Referendo do Sul do Sudão os boletins de voto e outros materiais que vão ser usados para o plebiscito de autodeterminação agendado para daqui a 17 dias.
A UNIRED entregou à comissão 7,5 milhões de boletins de voto, mais 8500 cabinas de voto, além de material vário para elucidar os votantes sobre o modo como vão exercer o direito à autodeterminação.
Chan Reec Madut, que lidera o Bureau para o Referendo do Sul do Sudão, agradeceu à comunidade internacional por ter pago a impressão e envio do material e a Deus pelo milagre de tudo ter chegado a tempo apesar dos problemas que a Europa tem experimentado com os transportes aéreos.
Os boletins foram impressos na Inglaterra.
Entretanto, a ONU já começou a distribuir os materiais para o voto pelos centros de referendo no Sudão e pelos oito países onde a diáspora sul-sudanesa vai votar: Quénia, Uganda, Etiópia, Egipto, Reino Unido, Canadá, Estados Unidos e Austrália.
Está tudo a postos para o voto!
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