Caminhamos juntas, com perguntas e cansaço a palpitar no coração. Entre os trilhos do deserto, inesperadamente florido, avançamos como quem percebe um sussurro de esperança.
Mulheres beduínas cujas histórias se entrelaçam: um marido sem trabalho; uma mãe que chora o filho recém-falecido; outra que cuida da filha de dezassete anos, debilitada pela doença; outra família obrigada a abandonar a sua casa em busca de pastagens onde ainda lhes seja permitido viver.
Pelo caminho, colhemos pequenas flores e trançamo-las em pulseiras, como se abraçássemos a vida. Param, contemplam, seguram a beleza frágil nas mãos e entrelaçam-na com ternura.
Passo a passo, entre palavras partilhadas e silêncios habitados, emergem preocupações profundas: o medo de serem expulsadas, memórias guardadas, feridas sem nome.
O caminho quotidiano — aquele que conduz ao coração da aldeia, onde a vida se encontra, aprende e resiste — torna-se um espaço de escuta e revelação.
Avançamos juntas.
Paramos numa casa; chegam mais mulheres e crianças. Oferecem-nos café e chá.
Bordam. Mãos pacientes que guardam a memória e tecem dignidade. Na fragilidade, a sua força cresce em silêncio, ponto a ponto.
Depois, paramos novamente a olhar juntas para o horizonte. Tudo se acalma: a dor, a pressa, o medo. Permanece a presença.
Mais tarde, a mesa partilhada — simples e generosa — abre um novo espaço.
Nos gestos de acolhimento, na proximidade sem pressa, na escuta que sustenta… algo se revela. Seremos capazes de te reconhecer?
Como em Emaús, sê o nosso companheiro, nas histórias que se entrelaçam, na preocupação e na confusão, nos lampejos de esperança, na mesa simples.
Leva-nos para o teu mistério. Ensina-nos o caminho da vida, sacia-nos de alegria na tua presença e de alegria perpétua ao teu lado.
Acende o coração e fica connosco.
Ir. Cecília Sierra
Missionária Comboniana no Deserto da Cisjordânia



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